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sábado, 25 de agosto de 2012
Mais um crime contra pobres.
Repetitivo, isso.
As provas de que as políticas públicas são planejadas por grandes empresários financiadores de campanhas são fartas e constantes. Não entendo a dificuldade geral de ver a realidade sem levar em conta a sabotagem e cooptação da chamada "educação" - fundamental, média e superior - em combinação com o controle das comunicações. Na parte que nos toca a todos - e na base de sustentação desse sistema - é o nosso comportamento, nossos valores, nossos objetivos de vida, nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionarmos entre todos, fortemente influenciado pelas mentiras que nos envolvem e nos angustiam a vida.
Abaixo vemos mais uma demonstração do que é o sistema, que os governos sucessivos de São Paulo vêm oferecendo numa alucinada seqüência de ataques às comunidades e coletividades vítimas dos crimes de Estado contra a própria constituição. Vergonhosa sociedade, sinal de loucura ou covardia é se ajustar a ela.
Abraços,
Eduardo.
Carta aberta dos movimentos de moradia
Contra o Substitutivo ao Projeto de Lei 509/2011!!!
Contra o uso da Moradia Popular para liberar a verticalização para setores de maior renda
Está em tramitação na Câmara um Projeto de Lei (PL) que estabelece o Plano Municipal de Habitação (PMH) para a cidade de São Paulo, o PL 509/2011. É um importante instrumento de política pública que deve apresentar propostas de superação de nossa dívida social com a maioria da população que vive em precárias condições de moradia e de qualidade urbana.
No entanto, há um Substitutivo enviado pelo prefeito Kassab e que conta com o apoio de sua base de vereadores. Usam a Habitação Social para mais uma vez deixar nossa cidade à mercê dos especuladores imobiliários. Não somente dificultam o acesso à moradia digna para a população mais necessitada (de 0 a 3 saláríos mínimos), como pioram a condição de vida urbana de todos, com mais enchentes, congestionamentos, longas horas em um ineficiente transporte público, com a ocupação de áreas de proteção ambiental.
Mais uma vez fazem um ataque frontal às importantes conquistas de nossa sociedade na luta pela reforma urbana para uma cidade justa e democrática. Tentaram passar alterações semelhantes, na Revisão do Plano Diretor Estratégico de 2002 e em outros projetos da cidade, sempre com o objetivo de liberar os estoques construtivos para a verticalização para os de maior renda.
O PL será votado no dia 22 de agosto de 2012 às 15 horas!
Manifestem-se em suas redes contra esta farsa!!!
Venham cobrar seus vereadores! Manifestem-se nas próximas eleições!!!
1) O que parece ser: Moradia popular e para classe média (com renda de 0 a 11 mil reais) saem do cálculo do estoque construtivo de uma região.
O que está por trás: Mais área a ser construída pelo mercado, que prefere atender famílias de rendas mais altas, sem se preocupar com a capacidade da cidade em suportar este aumento.
2) O que parece ser: Diminuem as áreas para atendimento de famílias que recebem de 0 a 4 mil reais e aumentam as áreas para quem recebe de 4 mil a 11 mil reais.
O que está por trás: Aumento da produção de unidades sem minimizar o déficit habitacional. Permite mais negócios imobiliários, mas ampliando o número de unidades vazias e mais caras.
3) O que parece ser: Libera a possibilidade de construir mais alto em ruas com menos de 10 metros de largura.
O que está por trás: Piora na insolação e ventilação das moradias e aumenta os congestionamentos.
4) O que parece ser: Amplia a construção de moradia popular em áreas de proteção ambiental (ZEPAMs), rurais (ZEPAGs) e industriais (ZPIs).
O que está por trás: Não há garantia de atendimento de famílias de renda de 0 a 4 mil reais, piora e coloca em risco vidas e a já precária condição de sustentabilidade ambiental urbana, sem planejamento e sem efetivo controle social.
5) O que parece ser: O desrespeito às regras de tombamento implicará em desapropriação, com indenização no valor de uma moradia popular. O terreno passa a receber os mesmos usos de seu entorno.
O que está por trás: Mudança no zoneamento com aumento do potencial construtivo de um terreno antes com grandes limitações urbanísticas.
6) O que parece ser: Quem não construir moradia popular em Zonas Especiais de Interesse Social receberá multa com base no valor venal. Tal recurso é destinado para o Fundurb.
O que está por trás: Quem não obedece a lei é premiado, pois a partir daí pode dar outros usos para outras faixas de rendaque. Isto sem qualquer controle social sobre a mudança de uso.
Em repúdio, subscrevem as entidades abaixo:
Associação Amoaluz, Assampalba, Casa da Cidade, Garmic, Central de Movimentos Populares, Centro Gaspar Garcia, Frente de Luta por Moradia, Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico-IBDU, Instituto Polis, LabCidade e LabHab FAU-USP, Mover Lapa, Mov.de Moradia do Centro, Mov. de Moradia para Todos, Mov.de Moradores da Água Branca, Mov. Defenda São Paulo, Mov. SOS Pq Água Branca, Mov. Nacional da População de Rua-SP, Saju-USP, União dos Movimentos de Moradia-SP.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
La Educación Prohibida - Película Completa HD
Este documentário demonstra a origem e as intenções da forma de educação imposta de cima pra baixo, padronizada sem levar em conta as características individuais de cada pessoa. Ao contrário, o que me parece claro é o processo de massacre às diferenças, a transformação da coletividade em gado humano, conduzido nos pensamentos, nos valores, nos comportamentos - sempre no padrão consumista, que pressupõe valor pessoal na capacidade adquirida ou herdada de consumo e patrimônio. É a lei do mais forte atualizada em nosso tempo, em nossa realidade social. O forte é o rico, o fraco é o pobre. Os mais ricos entre os ricos - pouquíssimos - impõem sua vontade aos gerentes sociais - governos, legislaturas, instituições... - e são os verdadeiros determinantes da estrutura social em que vivemos, uma estrutura baseada em mentiras, distorções e falcatruas nos bastidores do teatro de marionetes apresentado sob o título "democracia". O ponto fraco é que somos nós, a maioria, quem constrói, mantém e sustenta toda a estrutura. É preciso, é vital pros dominantes, entorpecer as consciências, reafirmar as mentiras cotidianas tempo integral, controlar a deseducação, direcionando-a para o "mercado", manter a ânsia de consumo com o massacre publicitário, desqualificar qualquer iniciativa de questionamento, esclarecimento, conscientização, enfim, de humanização. O centro da sociedade é a economia, quando deveria ser a humanidade, o ser humano - a "felicidade humana", como disse Pepe Mujica, na cúpula do rio+20 (em minúsculas, mesmo).
As iniciativas aqui expostas são ainda isoladas, mas demonstram bem as possibilidades infinitas do ensino sem tirania, do ensino amigo, cooperador, onde a índole de cada um é determinante na sua educação. O sistema de falsa democracia não estimula tais iniciativas. Aos dominantes vampiros da humanidade não interessa uma educação criadora de independência, que desenvolve a capacidade crítica, de onde saem seres humanos com vontade e disposição de serem úteis à sua coletividade e não competidores para o mercado de trabalho, condicionados a valores que só interessam aos patrões, alta competitividade e conhecimentos que gerem lucros, capacidade destrutiva sem consciência, quando interessar às empresas.
Já se vislumbram os caninos dos vampiros. Aos poucos se percebe os dentes cravados no pescoço do Estado e das coletividades. A história se acumula. E os vazamentos de informações, antes raríssimos e facilmente obstruídos, aumentam cada vez mais. Qualquer um pode acessar as informações hediondas do genocídio social, dos saques, dos ataques às coletividades que dão o azar de estar no caminho dos interesses dos poderosos.
Quando as marionetes em campanha falam em "melhorar a educação" eu me pergunto como se pode melhorar algo que não existe? É preciso criar a educação e acabar com o que se chama descaradamente de "sistema de ensino" sem dó. Professor e médico, só passando por testes vocacionais, só adorando sua profissão. Senão são apenas vendedores de mentiras e correntes. Um enorme perigo para a sociedade.
O foco do filme é claro. O amor na base de tudo. Simples assim. Com amor verdadeiro, todas as intenções são boas, toda opinião é humilde, todo prazer é o bem geral.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Amanhã, em Porto Alegre
| Exposição na rua Lima e Silva, Porto Alegre. |
Chegando em Porto às 11:12, devo caminhar a avenida Farrapos até o centro. Planejo expor na rua Lima e Silva, na mesma parede que está na foto - expus algumas noites ali, de dia ainda não, mas é a necessidade que faz o sapo pular. Duro, fico ali expondo pra sair da dureza. Imagino levar um bom tempo na caminhada, sem ter dormido à noite. Estou preparando as coisas pra levar, desenhos, livrinhos, ainda tenho que escolher as roupas, deve estar bem frio no sul, ou existe a possibilidade. De mochila, carregando papéis, sem ter dormido, na certa estarei em marcha lenta. E comer, só depois que vender - se vender. Não é nenhum drama, apenas uma pequena braba. Já houve bem piores. Bueno, eu era bem mais novo, claro. Mas vou na resistência. Ruim de tudo, encosto no balcão da padaria - paga um salgado aí, moço. Retribuo com alguma arte minha, seja livrinho ou desenho pequeno, se não houver recusa. Não é uma troca justa, mas nestas circunstâncias o justo fica de lado, resolver a situação fica mais importante. Uma peça vai pro sacrifício e vale a pena.
Se alguém tá interessado em algum desenho ou livrinho da Faisamão, amanhã é o dia da salvação. De todo jeito, vou expor no sábado e domingo, talvez segunda e terça também. Depois, vou a Santa Cruz do Sul e a Criciúma, tratar de palestrar, além de expor também, claro.
Até amanhã, Porto Alegre. Até já, Fabio, Mariana, Marcelo e rapaziada de lá.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Projeto Porto "Maravilha" - crime contra a população mais pobre. Nenhuma novidade.
Mais uma vez a gerência das grandes empresas e associações empresariais (conhecida como governo, como se o sistema fosse democrático) ataca os mais pobres em nome dos lucros dessa minoriazinha safada que controla suas marionetes político-jurídico-legislativas. O projeto chamado "porto maravilha", encabeçado por uma prefeitura eleita com financiamento de campanha de construtoras, imobiliárias e grupos empresariais, vem sendo realizado nas madrugadas. Ataques das forças de segurança às ocupações de prédios por desabrigados, em remoções violentas de famílias, idosos, crianças, deficientes, vítimas da violação pelo Estado da sua própria constituição por vidas inteiras, vêm sendo sistematicamente realizados. Na calada da noite, como assaltantes brutais, o "poder público" evita repercussões. A presença de jornalistas é proibida e algum incauto fotógrafo que se apresente na área, no momento do crime contra a população, corre risco de agressão, prisão e perda das suas ferramentas de trabalho, câmeras, filmes, gravadores...
No caso da Providência, é óbvia a intenção de reduzi-la a 30%, expulsando 70% dos seus moradores não interessa pra onde. Assim como é óbvio que um poder público com um mínimo de legitimidade submeteria qualquer interferência aos moradores da área, convocando assembléias gerais e submetendo a votação simples todas as decisões.
A área portuária ficou décadas esquecida dos empresários da construção e imobiliários, enquanto eles se ocupavam da zona oeste, Barra da Tijuca e cercanias, de grande e constante valorização. Daí as centenas de prédios abandonados na área do tal projeto. Ainda hoje se sente o abandono ancestral, quando se circula por essas áreas, entre a Francisco Bicalho e a praça Mauá, num sentido, e das docas à Presidente Vargas, noutro. Uma enorme área que precisa ser "revitalizada" - o que significa varrer os pobres, investir na infraestrutura e entregar a empresários para exploração, primeiro imobiliária e, depois, turística. Os mais pobres são riscados dos planos, devem ficar apenas o suficiente pros serviços de base que se farão necessários para o funcionamento posterior desse plano perverso. Casas de show, boates, restaurantes, hotéis precisarão de faxineiros, camareiras, cozinheiros, garagistas, seguranças, garçons... Ao que parece, 30% dos moradores basta. O resto, fora! Fodam-se, sumam da área, não interessa pra onde.
O real poder se revela, a cada instante, nas intenções que vazam pelas frestas das mentiras deslavadas, cada vez mais. É preciso estar muito entorpecido pra não perceber a natureza da estrutura social em que estamos e que nos rege. A mídia é muito eficiente na narcose da consciência coletiva, aliada à sabotagem educacional que desarma de senso crítico suas vítimas. Mas o número de inconformados que já não se deixa enganar tão facilmente cresce, os vazamentos não se estancam, ao contrário, aumentam em tamanho e número. O processo de despertamento está em curso, sob responsabilidade dos que estão despertando, aos poucos, e acordando pras mentiras que nos governam as vidas.
No documentário Distopia 21, é mencionado o medo ancestral da revolta dos escravos, hoje atualizado no medo de levantes dos pobres e miseráveis, excluídos do e explorados pelo sistema social vigente. Os exploradores e as classes médias, em sua maioria ideologicamente cooptados pelo controle da educação e das comunicações pelos economicamente mais poderosos -citados na mídia como "exemplos" de cidadão - temem uma revolta violenta porque eles mesmo seriam mortalmente violentos se fossem tratados da maneira com que fazem tratar a maioria. Por isso, temem a vingança da parte de baixo da sociedade, da qual dependem inteiramente, embora façam parecer o contrário. A idéia é de que se a favela descesse pro asfalto seria o caos, a barbárie. Ora, as periferias caminham para o centro (incluindo os bairros ricos) todos os dias, sem o que esses locais não funcionariam. Seria o caos se isso não acontecesse. No dia em que os pobres não saírem de casa, das periferias e favelas onde vivem, nada funciona, pára tudo, transportes, fábricas, construções, hospitais, escolas, empresas e mesmo as residências que dependem de pobres nas cozinhas, nas portarias, nos balcões, linhas de montagem, pra limpar, carregar as caixas, descarregar caminhões, conduzir, abrir as lojas, fazer funcionar a sociedade como um todo. Mesmo as forças ditas "de segurança" parariam nesse dia.
O trabalho de conscientização não pode se restringir aos movimentos sociais, sempre minoritários, aos partidos e organizações, acadêmicas ou não, que só alcançam minorias mais esclarecidas. É preciso trabalhar no dia a dia, em todos os lugares, nos ônibus, nas filas, na rua, nas comunidades, nos bailes, nos papos de boteco (ou birosca), nas escolas, em toda parte. Revolucionários que só atuam com seus companheiros de movimento, que desqualificam os que não lhes compartilham as idéias, se fecham em pequenos grupos e fazem "ações" que não mobilizam além de algumas dezenas em barulhentas manifestações que insultam as marionetes do real poder, mas não agregam consciência mais que buscam doutrinar de acordo com sua cartilha, não são revolucionários de verdade e ainda desmoralizam a idéia de revolução - afinal, servindo ao sistema, colaborando na construção de um cenário fajuto de "democracia". O conservadorismo os aponta dizendo "eles podem falar assim porque isso aqui é uma democracia". Clara mentira, propagada com sucesso pelo porta-voz da contemporânea barbárie, a mídia. A esses falsos revolucionários é permitido falar, gritar, insultar e provocar a polícia e a política porque, além de colaborar com a montagem da farsa, não têm capacidade de mobilização real, não falam a língua da maioria, são guetos pretensiosos que acreditam estar prontos pra conduzir as massas. Em sua cegueira, sua soberba e lacre mental, só conseguiriam conduzir massas se fossem entregar pizzas. Um pouquinho de humildade ajudaria enormemente. Esbarramos, aí, na natureza humana. Se não trabalhamos internamente, o trabalho externo, com a coletividade, se torna um simulacro, uma ilusão. É o que temos visto.
E depois essas divindades ideológicas culpam o próprio povo, por desinteresse, por "não se esforçar"- ignorando completamente o esforço hercúleo da sobrevivência sem condições decentes, sabotado em instrução, em informação e em cidadania. Não percebem sua própria incompetência em falar a língua da maioria, se expressam em academês ou politiquês - ver "Dicionário de Politiquês", de Vito Giannotti e Sérgio Domingues - e morrem de medo de favela, onde só entram escoltados por moradores já devidamente "catequizados" em seus "cursos de formação política", eufemismo pra doutrinação e subalternização ideológica.
Distopia 021
No caso da Providência, é óbvia a intenção de reduzi-la a 30%, expulsando 70% dos seus moradores não interessa pra onde. Assim como é óbvio que um poder público com um mínimo de legitimidade submeteria qualquer interferência aos moradores da área, convocando assembléias gerais e submetendo a votação simples todas as decisões.
A área portuária ficou décadas esquecida dos empresários da construção e imobiliários, enquanto eles se ocupavam da zona oeste, Barra da Tijuca e cercanias, de grande e constante valorização. Daí as centenas de prédios abandonados na área do tal projeto. Ainda hoje se sente o abandono ancestral, quando se circula por essas áreas, entre a Francisco Bicalho e a praça Mauá, num sentido, e das docas à Presidente Vargas, noutro. Uma enorme área que precisa ser "revitalizada" - o que significa varrer os pobres, investir na infraestrutura e entregar a empresários para exploração, primeiro imobiliária e, depois, turística. Os mais pobres são riscados dos planos, devem ficar apenas o suficiente pros serviços de base que se farão necessários para o funcionamento posterior desse plano perverso. Casas de show, boates, restaurantes, hotéis precisarão de faxineiros, camareiras, cozinheiros, garagistas, seguranças, garçons... Ao que parece, 30% dos moradores basta. O resto, fora! Fodam-se, sumam da área, não interessa pra onde.
O real poder se revela, a cada instante, nas intenções que vazam pelas frestas das mentiras deslavadas, cada vez mais. É preciso estar muito entorpecido pra não perceber a natureza da estrutura social em que estamos e que nos rege. A mídia é muito eficiente na narcose da consciência coletiva, aliada à sabotagem educacional que desarma de senso crítico suas vítimas. Mas o número de inconformados que já não se deixa enganar tão facilmente cresce, os vazamentos não se estancam, ao contrário, aumentam em tamanho e número. O processo de despertamento está em curso, sob responsabilidade dos que estão despertando, aos poucos, e acordando pras mentiras que nos governam as vidas.
Acrescentado à postagem, em 15 de agosto
No documentário Distopia 21, é mencionado o medo ancestral da revolta dos escravos, hoje atualizado no medo de levantes dos pobres e miseráveis, excluídos do e explorados pelo sistema social vigente. Os exploradores e as classes médias, em sua maioria ideologicamente cooptados pelo controle da educação e das comunicações pelos economicamente mais poderosos -citados na mídia como "exemplos" de cidadão - temem uma revolta violenta porque eles mesmo seriam mortalmente violentos se fossem tratados da maneira com que fazem tratar a maioria. Por isso, temem a vingança da parte de baixo da sociedade, da qual dependem inteiramente, embora façam parecer o contrário. A idéia é de que se a favela descesse pro asfalto seria o caos, a barbárie. Ora, as periferias caminham para o centro (incluindo os bairros ricos) todos os dias, sem o que esses locais não funcionariam. Seria o caos se isso não acontecesse. No dia em que os pobres não saírem de casa, das periferias e favelas onde vivem, nada funciona, pára tudo, transportes, fábricas, construções, hospitais, escolas, empresas e mesmo as residências que dependem de pobres nas cozinhas, nas portarias, nos balcões, linhas de montagem, pra limpar, carregar as caixas, descarregar caminhões, conduzir, abrir as lojas, fazer funcionar a sociedade como um todo. Mesmo as forças ditas "de segurança" parariam nesse dia.
O trabalho de conscientização não pode se restringir aos movimentos sociais, sempre minoritários, aos partidos e organizações, acadêmicas ou não, que só alcançam minorias mais esclarecidas. É preciso trabalhar no dia a dia, em todos os lugares, nos ônibus, nas filas, na rua, nas comunidades, nos bailes, nos papos de boteco (ou birosca), nas escolas, em toda parte. Revolucionários que só atuam com seus companheiros de movimento, que desqualificam os que não lhes compartilham as idéias, se fecham em pequenos grupos e fazem "ações" que não mobilizam além de algumas dezenas em barulhentas manifestações que insultam as marionetes do real poder, mas não agregam consciência mais que buscam doutrinar de acordo com sua cartilha, não são revolucionários de verdade e ainda desmoralizam a idéia de revolução - afinal, servindo ao sistema, colaborando na construção de um cenário fajuto de "democracia". O conservadorismo os aponta dizendo "eles podem falar assim porque isso aqui é uma democracia". Clara mentira, propagada com sucesso pelo porta-voz da contemporânea barbárie, a mídia. A esses falsos revolucionários é permitido falar, gritar, insultar e provocar a polícia e a política porque, além de colaborar com a montagem da farsa, não têm capacidade de mobilização real, não falam a língua da maioria, são guetos pretensiosos que acreditam estar prontos pra conduzir as massas. Em sua cegueira, sua soberba e lacre mental, só conseguiriam conduzir massas se fossem entregar pizzas. Um pouquinho de humildade ajudaria enormemente. Esbarramos, aí, na natureza humana. Se não trabalhamos internamente, o trabalho externo, com a coletividade, se torna um simulacro, uma ilusão. É o que temos visto.
E depois essas divindades ideológicas culpam o próprio povo, por desinteresse, por "não se esforçar"- ignorando completamente o esforço hercúleo da sobrevivência sem condições decentes, sabotado em instrução, em informação e em cidadania. Não percebem sua própria incompetência em falar a língua da maioria, se expressam em academês ou politiquês - ver "Dicionário de Politiquês", de Vito Giannotti e Sérgio Domingues - e morrem de medo de favela, onde só entram escoltados por moradores já devidamente "catequizados" em seus "cursos de formação política", eufemismo pra doutrinação e subalternização ideológica.
Distopia 021
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Ilusões plantadas
Estamos engatinhando na superação das ilusões, na busca de valores reais. No momento a engrenagem social - seqüestrada pelos interesses econômicos de uma casta mínima de mega-empresários, apoderados dos poderes políticos, das máquinas estatais, com o controle das mídias - impõe valores, comportamentos e faz de tudo pra manter a superioridade da forma sobre o conteúdo. Um dos trabalhos de libertação, senão o principal, é aprender a pensar por si mesmo, sentir por si mesmo, independente dessas pressões absurdas e predominantes. São nossos valores, objetivos e comportamentos o que sustenta esse sistema perverso, essa sociedade injusta. Porque não são nossos de verdade, mas implantados de todas as formas imagináveis e inimagináveis. Precisamos criar nossos próprios valores. Ou recriar. Mudar nosso comportamento, nossa maneira de viver. Não é fácil a princípio, mas depois que se começa, impossível parar sem o sentimento de rendição. A frustração é predominante nessa vida sem sentido que nos é imposta. E os paliativos não satisfazem aos que buscam algum sentido na vida. A recomendação, sob ameaça, é óbvia - acomode-se ou sofra. Submeter-se é jogar a vida no lixo e, talvez, só se tocar tarde demais. Compor com o caminho da frustração é impossível, é preciso mentir muito pra si mesmo pra acreditar em tanta mentira. Que venha a discriminação.
Na recusa do aprender, a dor se faz mestra.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Imerso em Tristeza
Morreu o bluseiro. Queda um enorme vazio. Nessa hora muitas tristezas vêm à tona.
Meu filho não me conhece e me detesta. Fanatizado numa religião precária cheia de hipocrisia, condenou meu cabelo "ripe". Perguntei a ele se Jesus tinha cabelo ripe e ele disse que não, Jesus tinha cabelos longos e ondulados. A mãe dele o convenceu de que fui uma fonte de sofrimentos pra ela. E ele disse que acredita nela até a morte. Até o nome dele foi trocado. Ainda me lembro da risada dela, fomos felizes enquanto moramos em minha casa, que eu considerava nossa, como considerei que o apartamento de Copacabana fosse nosso, até ela me enxotar do apartamento "dela". Só então entendi a mudança de comportamento, depois que entramos nesse diabo desse apartamento, onde eu não quis ir, mas cedi pra não me sentir egoísta. Eu queria ter ficado em Mauá. Ela diz que ele foi fruto de um "erro". Lembro de que tipo de gente ela se cercava, só pilantra, drogado, vampiro, mau-caráter. Sumiram todos, quando ela fechou comigo. Se aquilo foi um erro, o que seria dela se continuasse no caminho em que estava? Passei noções de caráter e de engajamento na vida, partilhei minhas idéias e meus sentimentos, ela embarcou na minha canoa pobre de grana, mas rica de sentimentos, de pensamentos, de coerências, de trabalho. Ainda ecoa na memória uma de suas frases finais - "eu quero mesmo é regalia". E eu me tornei um merda, na sua visão. Lembro do orelhão em que eu estava, ouvindo suas acusações, quando me informou que estava mudando pro Ceará com meu filho neném. Implorei pra que não fizesse isso, mas ela estava implacável. Avisou numa quarta e foi embora no sábado. Quando desliguei o telefone, escorreguei pela haste do orelhão, até deitar no chão, em pranto convulsivo, e ali fiquei não sei quanto tempo. Era tarde da noite, a rua vazia, passou alguém que se aproximou, não lembro se homem ou mulher, me levantou delicadamente e me deu um abraço em silêncio, um longo e profundo abraço que acalmou meu desespero. E pude ir pra casa, com minha tristeza mais calma. No dia seguinte ainda fui levar o carro numa transportadora, pra ela. Meu amor mais intenso desmoronou assim, arrebentando o peito. Poucos anos depois ela trouxe o menino pra me ver, ou usou isso de pretexto pra se reaproximar, não sei, sei apenas que ainda a amava profundamente, apesar de tudo, inclusive de já estar convivendo com outra mulher - que pensei amar, mas hoje vejo que o que sentia era uma espécie de gratidão, por ela aparecer e se aproximar quando eu me sentia jogado no lixo, feio, triste, amargo. Em seu orgulho, ela não usou as chaves que abririam de novo as portas pra ela. Sua intenção foi um único e breve olhar não assumido. Se ela tivesse declarado arrependimento, pedido desculpas ou dito simplesmente "eu te amo", eu teria desmoronado e percebido a fraca base do meu novo casamento, e tudo teria tomado outro rumo. Eu não poderia tomar a iniciativa, enxotado como fui da sua vida. É mentira que eu lhe tenha causado tanto sofrimento. Minha pobreza material, que é o que ela alega, esteve sempre em exposição e ela entrou na minha vida sabendo de tudo. Quem não sabia de nada era eu. Agora ela se apega a Jesus, mas não se apega à verdade. Não é uma contradição? No último contato com meu filho, tentei dizer a ele que a visão a meu respeito estava distorcida, mas ele me mandou tomar vergonha na cara. Dispensado pela mãe, dispensado pelo filho. Me custa compreender a hostilidade dessas pessoas comigo, pois nunca fiz nada de mal a eles. Acho que é porque sou como eles desprezam - pobre de grana. E não conheço meu lugar, porque não me sinto inferiorizado, olho nos olhos e, se não me superiorizo, tampouco me inferiorizo. Afinal, pior é a pobreza de espírito, a pobreza de caráter, a pobreza de sentimentos. Gostaria que ela descesse do seu pedestal de vidro e me tratasse da mesma forma que eu a trataria, com respeito, consideração, sem raivas inúteis e nocivas. Mas acho que ela não consegue, é preciso me desprezar. Não guardo sentimentos ruins a seu respeito, este é um momento especialmente triste pra mim, por isso afloram essas mágoas momentâneas. Sei que passa logo. Gostaria que ela acordasse, mas me parece que ela prefere continuar dormindo, enquanto a vida passa.
Meu grande amigo foi morar no extremo sul. Deixou um vazio difícil de preencher. Às vezes parece que vejo sua silhueta subindo a rua, às vezes parece que escuto seu grito quando estou na bicicleta.
Não consigo mais me apaixonar. Será que peguei uma doença crônica e nunca mais? Essa é a sensação. Meu amor anda atolado na descrença, na convicção da impermanência. Que ninguém me venha com lógicas e explicações, sigo o caminho e espero os fatos que virão. Mais uma vez, torço pra estar enganado, coisa nada rara.
A miséria, o sofrimento, a mentira, a inconsciência campeiam à minha volta. Meus irmãos abandonados, meus pais e filhos comendo lixo e apanhando da polícia, a parte rica da família indiferente à barbárie, usufruindo de privilégios que consideram seu direito e que roubam os direitos à maior parte da família humana, em sua soberba idiota e desumana. Os hospitais que atendem à população são infernos para pacientes e trabalhadores, as escolas de medicina constróem divindades receitadoras de remédios e atravessadoras de procedimentos médico-industriais. O egoísmo é estimulado ao extremo e a culpa do sofrimento é dos sofredores, a justa punição da incompetência fabricada pela estrutura social. Culpa-se a vítima. É a sociedade da mentira, da maldade, do egoísmo, da indiferença com o sofrimento das multidões. As cadeias, superlotadas, são casas da vingança mais covarde e bruta, são cursos de perversidade e desumanização, catalizando demônios aos magotes. A sociedade, aprisionada e aprisionante, parece não andar pra lugar nenhum, ou caminha na direção do abismo.
No escuro, tateio em busca de luz. Pretendo acender, pretendo encontrar, mas onde está? O sentimento de impotência paralisa e dói. Acendo minha alma, mas parece não adiantar nada. Tenho também muitas escuridões. Depois de trinta anos, aparece aquela pergunta que fiz aos dezenove - o que estou fazendo aqui? Pra que serve isso tudo? Merda de mundo, merda de sociedade, merda de vida.
Porra, momento, passa logo duma vez. Preciso trabalhar, preciso continuar, preciso lutar.
Que difícil está respirar...
Meu filho não me conhece e me detesta. Fanatizado numa religião precária cheia de hipocrisia, condenou meu cabelo "ripe". Perguntei a ele se Jesus tinha cabelo ripe e ele disse que não, Jesus tinha cabelos longos e ondulados. A mãe dele o convenceu de que fui uma fonte de sofrimentos pra ela. E ele disse que acredita nela até a morte. Até o nome dele foi trocado. Ainda me lembro da risada dela, fomos felizes enquanto moramos em minha casa, que eu considerava nossa, como considerei que o apartamento de Copacabana fosse nosso, até ela me enxotar do apartamento "dela". Só então entendi a mudança de comportamento, depois que entramos nesse diabo desse apartamento, onde eu não quis ir, mas cedi pra não me sentir egoísta. Eu queria ter ficado em Mauá. Ela diz que ele foi fruto de um "erro". Lembro de que tipo de gente ela se cercava, só pilantra, drogado, vampiro, mau-caráter. Sumiram todos, quando ela fechou comigo. Se aquilo foi um erro, o que seria dela se continuasse no caminho em que estava? Passei noções de caráter e de engajamento na vida, partilhei minhas idéias e meus sentimentos, ela embarcou na minha canoa pobre de grana, mas rica de sentimentos, de pensamentos, de coerências, de trabalho. Ainda ecoa na memória uma de suas frases finais - "eu quero mesmo é regalia". E eu me tornei um merda, na sua visão. Lembro do orelhão em que eu estava, ouvindo suas acusações, quando me informou que estava mudando pro Ceará com meu filho neném. Implorei pra que não fizesse isso, mas ela estava implacável. Avisou numa quarta e foi embora no sábado. Quando desliguei o telefone, escorreguei pela haste do orelhão, até deitar no chão, em pranto convulsivo, e ali fiquei não sei quanto tempo. Era tarde da noite, a rua vazia, passou alguém que se aproximou, não lembro se homem ou mulher, me levantou delicadamente e me deu um abraço em silêncio, um longo e profundo abraço que acalmou meu desespero. E pude ir pra casa, com minha tristeza mais calma. No dia seguinte ainda fui levar o carro numa transportadora, pra ela. Meu amor mais intenso desmoronou assim, arrebentando o peito. Poucos anos depois ela trouxe o menino pra me ver, ou usou isso de pretexto pra se reaproximar, não sei, sei apenas que ainda a amava profundamente, apesar de tudo, inclusive de já estar convivendo com outra mulher - que pensei amar, mas hoje vejo que o que sentia era uma espécie de gratidão, por ela aparecer e se aproximar quando eu me sentia jogado no lixo, feio, triste, amargo. Em seu orgulho, ela não usou as chaves que abririam de novo as portas pra ela. Sua intenção foi um único e breve olhar não assumido. Se ela tivesse declarado arrependimento, pedido desculpas ou dito simplesmente "eu te amo", eu teria desmoronado e percebido a fraca base do meu novo casamento, e tudo teria tomado outro rumo. Eu não poderia tomar a iniciativa, enxotado como fui da sua vida. É mentira que eu lhe tenha causado tanto sofrimento. Minha pobreza material, que é o que ela alega, esteve sempre em exposição e ela entrou na minha vida sabendo de tudo. Quem não sabia de nada era eu. Agora ela se apega a Jesus, mas não se apega à verdade. Não é uma contradição? No último contato com meu filho, tentei dizer a ele que a visão a meu respeito estava distorcida, mas ele me mandou tomar vergonha na cara. Dispensado pela mãe, dispensado pelo filho. Me custa compreender a hostilidade dessas pessoas comigo, pois nunca fiz nada de mal a eles. Acho que é porque sou como eles desprezam - pobre de grana. E não conheço meu lugar, porque não me sinto inferiorizado, olho nos olhos e, se não me superiorizo, tampouco me inferiorizo. Afinal, pior é a pobreza de espírito, a pobreza de caráter, a pobreza de sentimentos. Gostaria que ela descesse do seu pedestal de vidro e me tratasse da mesma forma que eu a trataria, com respeito, consideração, sem raivas inúteis e nocivas. Mas acho que ela não consegue, é preciso me desprezar. Não guardo sentimentos ruins a seu respeito, este é um momento especialmente triste pra mim, por isso afloram essas mágoas momentâneas. Sei que passa logo. Gostaria que ela acordasse, mas me parece que ela prefere continuar dormindo, enquanto a vida passa.
Meu grande amigo foi morar no extremo sul. Deixou um vazio difícil de preencher. Às vezes parece que vejo sua silhueta subindo a rua, às vezes parece que escuto seu grito quando estou na bicicleta.
Não consigo mais me apaixonar. Será que peguei uma doença crônica e nunca mais? Essa é a sensação. Meu amor anda atolado na descrença, na convicção da impermanência. Que ninguém me venha com lógicas e explicações, sigo o caminho e espero os fatos que virão. Mais uma vez, torço pra estar enganado, coisa nada rara.
A miséria, o sofrimento, a mentira, a inconsciência campeiam à minha volta. Meus irmãos abandonados, meus pais e filhos comendo lixo e apanhando da polícia, a parte rica da família indiferente à barbárie, usufruindo de privilégios que consideram seu direito e que roubam os direitos à maior parte da família humana, em sua soberba idiota e desumana. Os hospitais que atendem à população são infernos para pacientes e trabalhadores, as escolas de medicina constróem divindades receitadoras de remédios e atravessadoras de procedimentos médico-industriais. O egoísmo é estimulado ao extremo e a culpa do sofrimento é dos sofredores, a justa punição da incompetência fabricada pela estrutura social. Culpa-se a vítima. É a sociedade da mentira, da maldade, do egoísmo, da indiferença com o sofrimento das multidões. As cadeias, superlotadas, são casas da vingança mais covarde e bruta, são cursos de perversidade e desumanização, catalizando demônios aos magotes. A sociedade, aprisionada e aprisionante, parece não andar pra lugar nenhum, ou caminha na direção do abismo.
No escuro, tateio em busca de luz. Pretendo acender, pretendo encontrar, mas onde está? O sentimento de impotência paralisa e dói. Acendo minha alma, mas parece não adiantar nada. Tenho também muitas escuridões. Depois de trinta anos, aparece aquela pergunta que fiz aos dezenove - o que estou fazendo aqui? Pra que serve isso tudo? Merda de mundo, merda de sociedade, merda de vida.
Porra, momento, passa logo duma vez. Preciso trabalhar, preciso continuar, preciso lutar.
Que difícil está respirar...
Celso Blues Boy foi embora.
Morreu ontem, de manhã, em Floripa. Eu o conheci em Itaperuna, nos idos de 82, quando eu era um bicho solto, sem morada nem destino, circulando a esmo pelos territórios, tomando avidamente a vida, em todos os lugares, seguindo a direção que apontava o meu nariz. O acaso me levou a Itaperuna, saído de Carangola, passando por Faria Lemos, Tombos, Porciúncula e Natividade, entre Minas e o norte do estado do Rio. Cheguei à noite, vi o movimento, o palco e ouvi a música. Ganhei um segurança na idéia e entrei de graça - dei a ele um par de brincos. E me encantei com aquele bluseiro cantando na minha língua, de forma tão bonita. Muito sentimento, muita entrega naquele som. A bebida era de graça, a maconha rolava solta, um clima de paz contagiante, circulei de grupo em grupo, acolhido com carinho em todos, sem nenhuma rejeição, sem nenhuma reserva. Depois das apresentações, bêbado, dormi embaixo do palco, num frio danado, coberto com álcool. Acordei com um sol enviesado na minha cara, ainda ouvindo a novidade daquelas músicas que eu não conhecia, querendo guardar sem saber como, sem saber que já estava guardada em minha memória e em meu coração.
Senti uma ligação forte com aquele cara que eu não conhecia, como se o conhecesse há muito tempo e estivesse reencontrando um irmão mais velho. Amor antigo, de outras vidas, de outros cantos. Era um trabalho de coração e o meu se irmanou com a alma do som. O cara emanava amor. Era a contraposição à decadência do rock, pasteurizado pela transformação em mercadoria promovida pela sede de lucros dos empresários. Eles estragam tudo com ganância, transformam em merda tudo o que tocam. Mas Celso seguia intocável na sua linha, um dinossauro de resistência ao impacto destruidor do mercado maldito.
Partiu mais um companheiro e eu me sinto só, triste, no deserto em meio às multidões. Vai parceiro, segue teu caminho, agora além da matéria física. Há coisas que não se pode entender, é preciso respeitar pra não entrar em crise. Amei muito tua passagem. Tava no direito de não querer tratamento, mas se eu pudesse teria te dito - precisava ir tão cedo? Neste momento sinto um enorme vazio no peito, lágrimas quentes me descem na cara, uma saudade inexplicável, pois não convivemos nada e, pra mim, tua música era tu mesmo.
Se eu pudesse, pediria pra se demorar um pouco mais. Sinto enormemente a sua falta, parceiro.
"As coisas são assim
pra quê se lamentar
se dentro de nós
sempre brilhará..."
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=HgPsE_WVjTs
Senti uma ligação forte com aquele cara que eu não conhecia, como se o conhecesse há muito tempo e estivesse reencontrando um irmão mais velho. Amor antigo, de outras vidas, de outros cantos. Era um trabalho de coração e o meu se irmanou com a alma do som. O cara emanava amor. Era a contraposição à decadência do rock, pasteurizado pela transformação em mercadoria promovida pela sede de lucros dos empresários. Eles estragam tudo com ganância, transformam em merda tudo o que tocam. Mas Celso seguia intocável na sua linha, um dinossauro de resistência ao impacto destruidor do mercado maldito.
Partiu mais um companheiro e eu me sinto só, triste, no deserto em meio às multidões. Vai parceiro, segue teu caminho, agora além da matéria física. Há coisas que não se pode entender, é preciso respeitar pra não entrar em crise. Amei muito tua passagem. Tava no direito de não querer tratamento, mas se eu pudesse teria te dito - precisava ir tão cedo? Neste momento sinto um enorme vazio no peito, lágrimas quentes me descem na cara, uma saudade inexplicável, pois não convivemos nada e, pra mim, tua música era tu mesmo.
Se eu pudesse, pediria pra se demorar um pouco mais. Sinto enormemente a sua falta, parceiro.
"As coisas são assim
pra quê se lamentar
se dentro de nós
sempre brilhará..."
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=HgPsE_WVjTs
terça-feira, 17 de julho de 2012
O MILAGRE GERSON (2004) (Legendas Pt)
Não conferi as informações. Já tinha visto esse filme, fiquei de verificar e não fiz, não tenho tempo, preciso produzir desenhos, aquarelas, livrinhos... o que me rende mal e mal o que gasto. Como passou de novo pelo meu caminho, resolvi postar. Faz todo o sentido. Creio que há várias maneiras de curar os duzentos tipos de câncer. Mas o mercado do câncer movimenta bilhões de dólares, desacredita-se de tudo o que não precise das quimioterapias, radioterapias, cirurgias e tantas e quantas maneiras de ganhar dinheiro. Os médicos se tornaram receitadores de remédios e tratamentos, para que a indústria médica e farmacêutica - infiltrada nas universidades, na formação dos médicos! - possam lucrar ao extremo. O filme mostra uns episódios, sem aprofundar as causas, sem acusar ninguém. "Incrivelmente, nos Estados Unidos o método do dr. Max Gerson continua proibido", informa, delicadamente, o locutor. Incrivelmente? Ou compreensivelmente? Tiveram que ir pro México, montaram um Hospital Gerson em Tijuana. Depois, outro foi montado em Budapeste, na Hungria. O método é simples e genial. Humano, eu diria, como deveria ser tudo o ligado à medicina, ao ensino, ao serviço público em geral. Sinto verdade nesse documentário. Não sei se dará certo com todos, mas certamente dá com muitos, pelo descrito, a esmagadora maioria. Acho que esse filme deveria ser extremamente divulgado, conferido, adaptado, conhecido.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Crime de Estado - só mais um exemplo
O vídeo foca na figura do governador, quando se sabe que o poder está acima da política, nos financiadores de campanhas e nos financiadores dos financiadores de campanhas, que são maiores e piores. A promiscuidade entre grandes empresários e representantes públicos, seus governos e suas empresas, é notória, descarada e despreocupada a não ser com os altos círculos do poder econômico-midiático. A marionete faz o que lhe comandam os fios. Atacar os fantoches não afeta quem segura os fios, o estoque de bonecos é farto, morcegos nas mãos de vampiros. Chega a ser ingênuo.
Outra discordância é com a atitude do nobre deputado Paulo Ramos, ao provocar a revolta e o insulto coletivo às forças de segurança ali presentes por ordem "superior" e treinadas pra atacar sem dó. Qual é, vai bater o pé e gritar "isca!" pro pastor alemão em ponto de bala? Isso é colocar toda a coletividade em risco, uma irresponsabilidade. O extremo desta atitude pode ser visto nas conseqüências de Pinheirinho, quando algum maluco postou o vídeo dos moradores do bairro armados de escudos de pvc, capacetes de motociclistas, brandindo porretes e cantando cantos de guerra, tipo daqui ninguém me tira. Uma total irresponsabilidade. Duvido que esse vídeo não tenha sido passado muitas vezes, talvez acrescido de fundos musicais escolhidos, praqueles militares que foram lá, no dia anterior, enquanto técnicas de incitamento são postas em cima dos caras, desumanizando-os, tirando deles o que o ser humano tem de melhor, sua sensibilidade. Crianças, idosos, enfermos, trabalhadores, animais, materiais de trabalho, casas com oito anos de moradia foram expulsos, espancados, feridos, mortos, destruídos, destroçados pelas forças públicas de segurança. Mais de oito mil pessoas, em mais de mil e seiscentas famílias. Cães mortos a tiros na frente das famílias, cenas de terror que nunca mais sairão da cabeça daquelas pessoas, sobretudo as crianças. Isso sem falar em Belo Monte, Tucuruí, o Rio dos Macacos, a lista é imensa e a de casos desconhecidos do mundo, muito maior.
Quanto ao deputado, eu, se me fosse dado, sugeriria uma outra atitude. Olhar e se dirigir aos policiais, a começar pelos de mais alta patente, apelar à humanidade deles, "capitão, eu apelo à sua humanidade, veja com seus olhos, há doentes, não têm pra onde ir, conteste suas ordens, é uma desumanidade, não é possível que vocês tenham perdido a humanidade (pode ter um tom dramático, pois é um drama que se desenrola na realidade), como é possível alguém se dispor a tirar essas pessoas daí, nessas condições? Como tratar com violência pessoas que não são a menor ameaça, não esboçam nenhuma agressividade? Como participar do ato de atirar essas pessoas doentes ao deus-dará? Que tipo de ordem pode obrigar a tamanha covardia? Vocês são pessoas, seres humanos, antes de serem militares. Têm família, mãe, pai, avós, tias, sobrinhos... olhem o que estão pra fazer, gente, eu falo com a consciência que tá dentro de cada um, todo mundo tem, pode esconder, mas tem."
Acho que isso dito por um deputado talvez desse pra arrumar um tempo pra correr atrás de um jeito. Bota os advogados pra correr. Bueno, não sou deputado, né? Mas tá na hora de perceber que a língua do confronto é a língua do opressor, pro confronto eles tão preparados. Não tão preparados é pra consciência. Mas esse é um trabalho mais difícil, mais profundo, mais reflexivo e que não permite o arrebanhamento. Além disso, exige um profundo e sincero trabalho constante dentro de si mesmo, corrigindo e se melhorando pra melhorar, senão o mundo, pelo menos o ambiente. Tô cansado de ver "revolucionário" usando roupa de marca. E quem perguntar o que tem uma coisa a ver com a outra eu respondo: cê não sabe de nada, vai se informar. Muito preferem acreditar que vão conduzir as massas. Só se forem entregar pizzas, penso eu.
Mas a importância, aqui, está na denúncia do crime de Estado. Na madrugada, estão ocorrendo desocupações em toda a área declarada o tal porto maravilha. Por muitas décadas, aquela área portuária e vizinhas foram abandonadas. Como capital nacional e porto, havia grande quantidade de prédios públicos, que foram deteriorando, desocupados. Pouco a pouco, a população esquecida pela sociedade, desabrigada, foi ocupando esses prédios, às centenas de prédios, às milhares de pessoas, famílias, crianças, idosos, deficientes. Isso, enquanto a especulação imobiliária concentrou sua atenção na Barra e adjacências, na vastidão da orla oeste. Agora, com a área saturando, os interesses se voltam pra área portuária, depois do sucesso da "recuperação" da área da Lapa e das ruas históricas, tudo entregue a empresários, já "limpo", o serviço sujo o Estado faz. Abandonados, os prédios, as velhas casas, tudo permanece com aspecto antigo, patrimônio histórico, reforma-se dentro do padrão e ganha um outro valor. Revitalizar a área. Só precisa expulsar os pobres, os moradores que, mal ou bem, conservaram, limparam e mantiveram as estruturas que, de outra forma, teriam caído ou estariam irrecuperáveis. E mesmo que não fosse, não muda nada.
Na madrugada. O Estado tá sinistro. Em toda parte acontecem coisas semelhantes. É óbvio que é coisa do - pra falar vagamente - "mercado". Interesses econômicos. E até quando vamos servir ao "mercado" com nossos comportamentos, com nossos valores, com nossas opiniões padronizadas? Ninguém escapou do condicionamento massacrante cotidiano há décadas por publicidade, propaganda, condicionamentos, psicologia do inconsciente, márquetim, merchandaise e o escambau. Pra isso a academia serviu - e serve - direitinho. Seria bom que servisse pra achar o jeito de todo mundo ter seus direitos respeitados.
Reforço - não é crime do Cabral, é crime da própria sociedade, é crime do Estado, é crime público.
Crime do Cabral contra o IASERJ. 15.07.2012
Outra discordância é com a atitude do nobre deputado Paulo Ramos, ao provocar a revolta e o insulto coletivo às forças de segurança ali presentes por ordem "superior" e treinadas pra atacar sem dó. Qual é, vai bater o pé e gritar "isca!" pro pastor alemão em ponto de bala? Isso é colocar toda a coletividade em risco, uma irresponsabilidade. O extremo desta atitude pode ser visto nas conseqüências de Pinheirinho, quando algum maluco postou o vídeo dos moradores do bairro armados de escudos de pvc, capacetes de motociclistas, brandindo porretes e cantando cantos de guerra, tipo daqui ninguém me tira. Uma total irresponsabilidade. Duvido que esse vídeo não tenha sido passado muitas vezes, talvez acrescido de fundos musicais escolhidos, praqueles militares que foram lá, no dia anterior, enquanto técnicas de incitamento são postas em cima dos caras, desumanizando-os, tirando deles o que o ser humano tem de melhor, sua sensibilidade. Crianças, idosos, enfermos, trabalhadores, animais, materiais de trabalho, casas com oito anos de moradia foram expulsos, espancados, feridos, mortos, destruídos, destroçados pelas forças públicas de segurança. Mais de oito mil pessoas, em mais de mil e seiscentas famílias. Cães mortos a tiros na frente das famílias, cenas de terror que nunca mais sairão da cabeça daquelas pessoas, sobretudo as crianças. Isso sem falar em Belo Monte, Tucuruí, o Rio dos Macacos, a lista é imensa e a de casos desconhecidos do mundo, muito maior.
Quanto ao deputado, eu, se me fosse dado, sugeriria uma outra atitude. Olhar e se dirigir aos policiais, a começar pelos de mais alta patente, apelar à humanidade deles, "capitão, eu apelo à sua humanidade, veja com seus olhos, há doentes, não têm pra onde ir, conteste suas ordens, é uma desumanidade, não é possível que vocês tenham perdido a humanidade (pode ter um tom dramático, pois é um drama que se desenrola na realidade), como é possível alguém se dispor a tirar essas pessoas daí, nessas condições? Como tratar com violência pessoas que não são a menor ameaça, não esboçam nenhuma agressividade? Como participar do ato de atirar essas pessoas doentes ao deus-dará? Que tipo de ordem pode obrigar a tamanha covardia? Vocês são pessoas, seres humanos, antes de serem militares. Têm família, mãe, pai, avós, tias, sobrinhos... olhem o que estão pra fazer, gente, eu falo com a consciência que tá dentro de cada um, todo mundo tem, pode esconder, mas tem."
Acho que isso dito por um deputado talvez desse pra arrumar um tempo pra correr atrás de um jeito. Bota os advogados pra correr. Bueno, não sou deputado, né? Mas tá na hora de perceber que a língua do confronto é a língua do opressor, pro confronto eles tão preparados. Não tão preparados é pra consciência. Mas esse é um trabalho mais difícil, mais profundo, mais reflexivo e que não permite o arrebanhamento. Além disso, exige um profundo e sincero trabalho constante dentro de si mesmo, corrigindo e se melhorando pra melhorar, senão o mundo, pelo menos o ambiente. Tô cansado de ver "revolucionário" usando roupa de marca. E quem perguntar o que tem uma coisa a ver com a outra eu respondo: cê não sabe de nada, vai se informar. Muito preferem acreditar que vão conduzir as massas. Só se forem entregar pizzas, penso eu.
Mas a importância, aqui, está na denúncia do crime de Estado. Na madrugada, estão ocorrendo desocupações em toda a área declarada o tal porto maravilha. Por muitas décadas, aquela área portuária e vizinhas foram abandonadas. Como capital nacional e porto, havia grande quantidade de prédios públicos, que foram deteriorando, desocupados. Pouco a pouco, a população esquecida pela sociedade, desabrigada, foi ocupando esses prédios, às centenas de prédios, às milhares de pessoas, famílias, crianças, idosos, deficientes. Isso, enquanto a especulação imobiliária concentrou sua atenção na Barra e adjacências, na vastidão da orla oeste. Agora, com a área saturando, os interesses se voltam pra área portuária, depois do sucesso da "recuperação" da área da Lapa e das ruas históricas, tudo entregue a empresários, já "limpo", o serviço sujo o Estado faz. Abandonados, os prédios, as velhas casas, tudo permanece com aspecto antigo, patrimônio histórico, reforma-se dentro do padrão e ganha um outro valor. Revitalizar a área. Só precisa expulsar os pobres, os moradores que, mal ou bem, conservaram, limparam e mantiveram as estruturas que, de outra forma, teriam caído ou estariam irrecuperáveis. E mesmo que não fosse, não muda nada.
Na madrugada. O Estado tá sinistro. Em toda parte acontecem coisas semelhantes. É óbvio que é coisa do - pra falar vagamente - "mercado". Interesses econômicos. E até quando vamos servir ao "mercado" com nossos comportamentos, com nossos valores, com nossas opiniões padronizadas? Ninguém escapou do condicionamento massacrante cotidiano há décadas por publicidade, propaganda, condicionamentos, psicologia do inconsciente, márquetim, merchandaise e o escambau. Pra isso a academia serviu - e serve - direitinho. Seria bom que servisse pra achar o jeito de todo mundo ter seus direitos respeitados.
Reforço - não é crime do Cabral, é crime da própria sociedade, é crime do Estado, é crime público.
Crime do Cabral contra o IASERJ. 15.07.2012
domingo, 15 de julho de 2012
Alguns pensamentos
"Quando reparto meu pão com os pobres, me chamam de santo. Quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista." Hélder Câmara
A pior pobreza é a de dentro. Pobreza de grana, por si só, não nos diminui a alma. E.M.
"Se não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas e amar as que estão oprimindo." Malcom X
"Poucos são aqueles que vêem com os próprios olhos e sentem com o próprio coração." Albert Einstein
"O ser humano não é o único bicho que pensa, mas é o único que pensa que não é bicho." Tupã (faixa no sambódromo, onde foram entulhados os indígenas que vieram para a cúpula dos povos)
"O comunismo só existe porque a civilização cristã não é tão cristã quanto se diz. " Martin Luther King
A pior pobreza é a de dentro. Pobreza de grana, por si só, não nos diminui a alma. E.M.
"Se não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas e amar as que estão oprimindo." Malcom X
"Poucos são aqueles que vêem com os próprios olhos e sentem com o próprio coração." Albert Einstein
"O ser humano não é o único bicho que pensa, mas é o único que pensa que não é bicho." Tupã (faixa no sambódromo, onde foram entulhados os indígenas que vieram para a cúpula dos povos)
"O comunismo só existe porque a civilização cristã não é tão cristã quanto se diz. " Martin Luther King
sexta-feira, 13 de julho de 2012
O outro lado das eleições
Beyond Elections Documentario Parte 1 (Portugues - Introdução)
Foi assim que me chegou, com esse nome aí. Tive que consultar o dicionário pra saber o que é beyond. Essa é a primeira parte de uma série de temas muito bem colocados, interessantes e necessários, cada um na sua área. Dava um bom debate, depois de cada um, se fosse exibido num auditório.
As últimas partes me tocaram mais profundamente. Achei necessário, esse documentário.
São doze partes, eu acho. Todas preciosas.
Abraços a todos.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
TEDxCanoas - Eduardo Marinho - O que a razão não alcança
Canoas, vizinha a Porto Alegre. Fui de trem. Da estação tomei um ônibus que me deixou lá em menos de dez minutos. Depois voltei andando pra estação, mas errei o caminho, cheguei numa estação mais distante uns dois quilômetros e acabei dando uma boa volta por aquela área da cidade, enquanto o sol morria no horizonte.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Fala do presidente do Uruguai, Pepe Mujica. na Rio+20
Autoridades presentes, de todas as
latitudes e organizações, muito obrigado. E muito obrigado, nosso agradecimento
ao povo do Brasil e à sua senhora presidente. E muito obrigado à boa-fé que,
seguramente, manifestaram todos os oradores que me precederam.
Expressamos a íntima vontade, como
governantes, de acompanhar todos os acordos que esta nossa pobre humanidade
possa subscrever. No entanto, seja-nos permitido fazer algumas perguntas em voz
alta. Durante toda a tarde esteve-se falando em desenvolvimento sustentável, de
tirar imensas massas da pobreza. O que nos passa pela cabeça? O modelo de
desenvolvimento do consumo é o atual das sociedades ricas. Eu gostaria de perguntar o que aconteceria a este
planeta se os indianos tivessem a mesma proporção de carros por família têm os
alemães? Quanto oxigênio nos restaria para podermos respirar?
Mais claro: o mundo tem, hoje, os
elementos materiais para fazer possível que sete, oito bilhões de pessoas
possam ter o mesmo nível de consumo e desperdício das mais opulentas sociedades
ocidentais? Será possível ? Ou teremos que nos dar, algum dia, outro tipo de
discussão? Porque criou-se uma civilização, na que estamos, filha do mercado,
filha da competição, que se deparou com um progresso material portentoso e
explosivo. Mas o que foi economia de mercado criou a sociedade de mercado. E se
apresentou esta "globalização" que significa olhar por todo o
planeta. Estamos governando a globalização ou a globalização nos governa? É
possível falar de solidariedade e de que estamos todos juntos numa economia que
está baseada na competição desapiedada? Até onde chega a nossa fraternidade?
Nada disso digo para negar a importância
desse evento. Não, pelo contrário, o desafio que temos pela frente é de uma
magnitude e de um caráter colossal e a grande crise não é psicológica, é
política. O homem não governa, hoje. A força que se liberou, ou a força que
liberaram governa o homem... e à vida. Porque não viemos ao planeta para nos
desenvolvermos em termos gerais. Viemos à vida tentando ser felizes. Porque a
vida é curta e nos acaba. Nenhum bem vale como a vida e isto é elementar. Mas
se a vida me vai escapar trabalhando e trabalhando para consumir o máximo e a
sociedade de consumo é o motor, porque se definitivamente se paralisa o consumo
ou se detém, se detém a economia, e se se detém a economia é o fantasma da
estagnação para cada um de nós. Mas esse hiper-consumo, a juízo, é o que está
agredindo o planeta e esse hiper-consumo tem que gerar coisas que durem pouco,
porque é preciso vender muito. Uma lâmpada elétrica não pode durar mais de mil
horas acesa. Há lâmpadas que podem durar cem mil, duzentas mil horas, mas essas
não se pode fazer. Porque o problema é o mercado. Porque temos que trabalhar.
Temos que estar numa sociedade de uso e descarte, estamos num círculo
vicioso. Estes são problemas de caráter
político que estão nos dizendo da necessidade de lutar por outra cultura.
Não se trata de propor
voltar aos homens das cavernas, nem fazer um monumento ao atraso. É que não
podemos, indefinidamente, continuar governados pelo mercado mas, sim, temos que
governar o mercado. Por isso digo que o problema é de caráter político.
Na minha humilde maneira
de pensar - porque, como os velhos pensadores definiam, Epicuro, Sêneca, ..., -
pobre não é o que tem pouco, mas o verdadeiramente pobre é o que necessita
infinitamente muito e deseja e deseja e deseja mais e mais. Esta é uma chave de
caráter cultural. Então, vou saudar o esforço e lhes recordo que é assim.
Vou acompanhar, como
governante, porque sei que alguma coisa das que digo se retêm. Mas temos que
nos dar conta que a crise da água, que a crise do meio ambiente não são uma
causa. A causa é o modelo de civilização que construímos e o que temos que
rever é a nossa forma de viver. Por quê? Pois temos um país pequeno, muito bem
dotado de recursos naturais para viver. Em meu país há três milhões de
habitantes, pouco mais, três milhões e duzentos, mas há treze milhões de vacas,
das melhores do mundo, e uns oito a dez milhões de ovelhas, estupendas. Meu
país é exportador de comida, de arte ou de carne. É uma enorme planície, quase
noventa por cento do seu território é aproveitável. Meus companheiros
trabalhadores lutaram muito pelas oito horas de trabalho. Agora estão
conseguindo seis horas. Mas aquele que consegue as seis horas, consegue outro
trabalho, portanto trabalha mais que antes. Por quê? Porque tem que pagar uma
quantidade de mensalidades, a motocicleta que comprou, o carrinho que comprou,
e paga prestação e paga prestação e quando se dá conta, é um velho reumático
como eu e se lhe foi a vida. E se faz essa pergunta: esse é o destino da vida
humana?
Estas coisas são muito
elementares. O desenvolvimento não pode ser contra a felicidade, tem que ser a
favor da felicidade humana, do amor sobre a terra, nas relações humanas, no
cuidar dos filhos, em ter amigos, em ter o mínimo necessário. Precisamente, porque esse
é o tesouro mais importante que existe. Quando lutamos pelo meio ambiente, o
primeiro elemento do meio ambiente se chama felicidade humana. Obrigado.
José Mujica, el Pepe.
(Tradução - Eduardo Marinho)
(Tradução - Eduardo Marinho)
"Portas Abertas", de novo, em Santa Teresa
eu: E aí, Pedrão.
Tá sabendo que amanhã tem um "portas
abertas", em Santa?
Pedro: Fala Edu.
To sabendo, não.
eu: Apois...
Eu até ia viajar pra Mauá, mas não deu. Tem que preparar mais material pra subir a serra.
Vou ter que ir lá na falcatrua desse portas fechadas pros artistas mais pobres, que expõem nas ruas de Santa Teresa. Ou exponho meus desenhos, ou minhas opiniões a
respeito do evento, ligando com a realidade da nossa sociedade,
onde o serviço público serve ao privado e o povo que se f...
Pedro: Amanhã eu vou pra Saquarema. Fds que vem
vc vai estar no rio?
eu: Vou amanhã na porra desse evento.
Não sei se no próximo eu vou estar. Continuo
querendo ir pra Mauá. Chei de sodade de Alice Luz e de Brisa do Outono.
Pedro: Tu viu o título de patrimônio da
humanidade?
eu: Vi. O que tem de mais?
Pedro: Hoje descobri o real motivo.
eu: Aié? E qual é?
Pedro: Criaram um fundo.
Da prefeitura
eu: O que esses caras mais criam são fundos -
por onde eles entram e saem.
Pedro: Isso.
eu: É por onde escoam os dinheiros públicos
pros bolsos privados.
Pelos fundos. Pode ser um motivo. Mas tem vários
outros, eu penso.
Cê tem informação sobre isso?
Pedro: Saiu no globo hj:
Pedro: primeiro eles fizeram cada carioca se
sentir um vitorioso pelo título, depois criam o fundo pra escoar o dinheiro.
eu: E não se sabe como se
"administra" os fundos. Se intui.
Xovê essa merda...
Enviado às 08:50 de sexta-feira
Pedro: O quê isso muda na prática, para um
cidadão comum no rio de janeiro?
eu: Coitado do cidadão comum...
eu: Então acaba a secretaria municipal de
patrimônio e entra o instituto rio patrimônio histórico...
E o secretário vira presidente do instituto.
Pedro: rs
eu: E sai do controle público.
Aliás, "controle" público (com aspíssimas),
que é só na lei, mesmo. Mesmo que não funcione, é sempre um risco.
Cauteloso, sabendo das coisas, o prefeito já
deu uma preventiva.
Vai que algum maluco do ministério público ou
do tribunal de contas da união resolve criar problemas e dar uma incerta nas
contas...
Pedro: rs
eu: ,,, num instituto isso encontra mais
barreiras que numa secretaria municipal, imagino.
Pedro: O título é de patrimônio
"Cultural" da humanidade.
eu: É a cultura da competição, do consumo, da
obsolescência, da publicidade... a porta enfeitada do inferno.
Pedro: primeiro a mídia começou a criar a
expectativa, olha só o título da matéria:
"Rio ainda tem chance de ser Patrimônio
da Humanidade"
eu: Peraê, cumpade, não comi nada hoje ainda,
não posso vomitar.
Pedro: rs
eu: Tô na concentração pra encarar o ‘portas’
de amanhã.
Se não me deixarem expor meus desenhos, vou
expor minhas opiniões.
Isso eles não podem impedir...
Pedro: Podem tentar. rs
eu: Me impedir de falar?
Isso eu ia querer ver.
Pr’eu não falar alto e bom som, talvez até na
parte de cima da rua - que serve muito bem de tribuna -, tenho que estar expondo meus desenhos. Aí eu falo mais baixo e com menos gente de cada vez, só com os que pararem pra ver os desenhos. Se me embarreirar, vou explanar geral. Vão ter que me prender ou me abater a tiros. Como vai estar cheio de gente, acho que não fazem isso, não.
O problema é que eu tô sem câmera pra registrar. Perdi o carregador de pilha e não sei se a
máquina engasgou ou ficou sem pilha. Com as convencionais não funciona.
Vai estar todo mundo proibido de expor. A
guarda municipal já deu o sinal, passaram num carro, domingo, mandando todo
mundo que tava expondo sair. Mas não ficaram e, depois de fazer todo mundo
recolher as mercadorias, foram embora e todo mundo expôs de novo.
Eles não voltaram.
Pedro: Vixe!
eu: Achei que era uma preparação pro evento
das 'portas abertas'.
Engraçado que não falaram comigo.
Parece que sabem que iam ter que perder muito
tempo comigo, eu não ia sair así, no más. Ou talvez foi porque eu não ocupo o chão, só as paredes.
Pedro: Todo ano é esse inferno, né?
eu: É esse evento, organizado por empresa privada. Na visão dos empresários, é preciso "limpar" as ruas e isso significa expulsar os mais pobres de grana, exatamente quem mais precisa trabalhar. Eu, no máximo, tiraria os coloridos, se
pressentisse a apreensão. Esses dão trabalho demais pra arriscar. Se é pro sacrifício, prefiro deixar só os p&b. A dor é menor. Mas acho improvável que chegasse nesse ponto.
Pedro: Eduardo, só abre teu olho que esses caras
são covardes pra caramba!
eu: Ih, rapaz, eu corro muito.
Mas os covardes de verdade não botam a cara,
mandam os de baixo, os trabalhadores. E com esses, na maioria das vezes, dá pra
tratar.
Os covardes ficam atrás das mesas, telefone na
orelha.
Enviado às 09:08
de sexta-feira
eu: Bueno, um que outro
vai pra rua, há covardes entre os de baixo também, mas são menos, a maioria é
só peão, tem que fazer o que mandam. Quando percebem que eu os respeito, mesmo
encarando, que não é pessoal, mas de consciência, e que não fico agressivo com
eles, mesmo que apreendam meus desenhos, aí eles suavizam.
Eles tão acostumados com reações agressivas
direcionadas a eles. Mas comigo
não tem isso, sei que a responsa não é deles.
Até hoje, só perdi minhas coisas em operações,
quando não tem conversa, só agressão e apreensão. Mas foram muito poucas vezes...
Espero expor, como todo fim de semana. Eles pretendem impedir - na visão desumana deles, é preciso limpar a rua dos expositores que não pagam a empresa pelo evento, como os comerciantes e os artistas mais abastados do bairro. Não percebem a hipocrisia, não se tocam da covardia, não se importam com prejudicar os mais pobres de grana. É uma exposição da pior pobreza, a de espírito, comum entre endinheirados - não é preconceito, é pós-conceito, diante dessa prática tão comum. As empresas de bebidas e refrigerantes, as empresas de revenda nos estádios, mais o poder dito público, proibiram os isopores - recurso dos mais pobres para arrumar um dinheiro ou tomar seu refri ou cerva mais baratos - de funcionar nas calçadas e logradouros, num raio de quilômetros dos estádios. As evidências são óbvias, apesar de qualquer argumentação, e há uma profusão delas, que tente explicar com outras razões. Muitas verdades pequenas escondendo a grande mentira - o objetivo é o lucro máximo e nada mais. Pra isso o aparato público é posto a perseguir os pobres que tentam trabalhar apesar do desemprego - aliás, por causa dele.
Aos que dizem que não pagamos impostos e por isso é justo que sejamos impedidos de expor, respondo que pago mais impostos, proporcionalmente, que qualquer um que afirme essa mentira. Mais da metade do que ganho sai em impostos, pois o sistema tributário se baseia no consumo, não na renda, nem na propriedade, que esses têm é isenção de todo jeito. Além do mais, expondo em paredes externas, eu teria que pagar que tipo de imposto? Predial? Não faço comércio, faço arte, e pago impostos sobre tudo o que uso, papel, tintas, ferramentas, transportes, tudo, tudo.
O direito ao trabalho me autoriza, já que o Estado não garante o que manda sua constituição federal, alimento, moradia, ensino de qualidade, trabalho, saúde, etc, etc. Que moral tem esse Estado criminoso pra me impedir de trabalhar, me atacar com o aparato de segurança pública como se eu fosse um perigo pra coletividade, me tomar o produto do meu trabalho e, se encontrar resistência, me agredir e prender? Moral não tem, mas tem armas e soldados treinados pra atacar quem não pode se defender.
Os guardas dizem pra ir na prefeitura tirar uma autorização. Eu respondo que há mais de trinta anos vivo do que faço, expondo nas ruas e praças, e jamais um poder público me autorizou, exceção feita a essas feirinhas que as prefeituras estragam com sua ingerência e que junta um monte de aposentados (as) que não vive exclusivamente do que expõe e pode ficar comendo mosca sem vender nada, fazendo terapia ocupacional. Essas feiras não vendem. Acho que é por isso que autorizam. Onde se vende, não pode. Além do mais, nas prefeituras eles ficam te mandando de um lugar pra outro, querem te qualificar num dos padrões definidos por eles, que nunca satisfazem, pelo desconhecimento da nossa realidade, e te fazem esperar e esperar até que você desiste, depois de perder um tempão que não podia ser perdido. Se fosse esperar por esse poder corrompido, morreria de fome com minha família, depois de perder casa e tudo o mais.
Amanhã, então, Santa Teresa de "portas abertas"... Espero poder expor. Caso contrário, denunciar o esquema, a covardia, fazer as ligações com a nossa realidade social, política e econômica também será divertido, embora precise vender desenhos. Pra prevenir, hoje vou na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), às 18:30, numa plenária da candidatura do Freixo e do Yuka à prefeitura do Rio que pretende discutir alternativas pro governo municipal. Vou pra expor os desenhos e textos. É uma rapaziada mais pensante, mais sensível que a maioria, mais esclarecida e bem intencionada que outras coletividades da política, ou seja, ali meu trabalho se encaixa bem, tem boa receptividade. E eu me previno pra gastar meu sábado sem vender, só falando com as pessoas, se for preciso. Espero que me deixem expor. Nem que seja pra evitar o incômodo da minha falação bem no centro do bairro e do evento - eles já me conhecem, que eu sei...
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Paraguai fora, Venezuela dentro
A suspensão do Paraguai foi providencial para a inclusão da Venezuela, 3ª maior economia da América do Sul, no bloco regional formado pra fazer frente à exploração e ao controle secular de potências do "primeiro mundo" (muito às nossas custas) sobre nossos países, estrategicamente mantidos divididos para facilitar o predomínio.
O não reconhecimento dos novos "representantes" do Paraguai, o que mais se opunha à inclusão da Venezuela no Mercosul, possibilitou a entrada da potência petroleira, a maior resistência ao império das corporações da atualidade, exceção feita a Cuba. O golpe do parlamento paraguaio foi providencial, neste sentido. Os que defendem a destituição do presidente Fernando Lugo, num processo começado e encerrado em um dia, sem direito à defesa ou a uma investigação, depois do massacre claramente armado pra criar um fato político às custas de vidas de pobres, policiais e camponeses, aproveitando pra matar um oficial irmão de um militar da confiança de Lugo e responsável pela sua segurança, os que defendem esse golpe só podem ser ingênuos, ignorantes ou safados, mesmo. As elites fazem qualquer coisa pra se manterem privilegiadas e no poder. A suspensão do Paraguai das instâncias decisórias e dos debates do Mercosul não incluiu o comércio com aquele país pois, segundo os países componentes, isso afetaria mais a população paraguaia do que o próprio governo falsificado - uma demonstração de humanismo, de quais são as importâncias desse organismo tão mal-falado pelas mídias comerciais de todos os países do continente, representantes legítimas dos interesses empresariais, sobretudo das transnacionais que nos exploram e controlam, há séculos.
Por uma nova sociedade, onde o centro de importância esteja nas populações, não na economia de mercado, no bem estar coletivo, na solidariedade e no amor irrestrito, na sinceridade, na verdade e na transparência mais completa, e não no egoísmo tão estimulado no sistema vigente, na competição desenfreada, no consumo compulsivo. Essa nova sociedade só pode se basear na mudança de valores e comportamentos pessoais, no não acatamento desses valores falsos, implantados pelo massacre midiático, pela infiltração nas instituições, sobretudo de ensino, na transformação da miséria, ignorância e exclusão em fatos lamentáveis, porém inevitáveis. O que antes era reconhecido como enormes injustiças da sociedades hoje é visto como a justa punição da incompetência - escondendo que essa incompetência é planejada e imposta pela sabotagem deliberada do ensino público, pela cooptação das universidades e pelo predomínio das finanças sobre os governos. O artigo escondido no link abaixo ("mais informações") usa uma linguagem de que não gosto e mantenho algumas discordâncias, insignificantes frente à lucidez e à exposição dos fatos envolvidos na questão. Artigo extremamente importante para compreensão do que passa.
Os que ironizam, debocham e desprezam a união latinoamericana, a irmanação desses países, se denunciam como adoradores, subalternos e defensores do predomínio estadunidense-europeu que tanto sofrimento nos causa aos povos.
Sobre o golpe do parlamento paraguaio, suas causas, conseqüências e desdobramentos, há postagens no Notícias da América Latina - link à direita, próximo ao cabeçário.
domingo, 1 de julho de 2012
A (des)regulamentação da Voz do Brasil
Costumo ouvir a Voz do Brasil, às 19 horas. Há décadas, desde que era a Hora do Brasil ou sei lá, tinha outro nome. Acho que era a Hora do Brasil, mesmo. Eram informações importantes que não saíam em outro lugar nas comunicações, na mídia em geral. Trata de como está funcionando o aparato público, os programas de saúde, de educação, as novidades do judiciário, as leis que estão sendo votadas no Congresso, os debates e assuntos que são públicos e geram conseqüências na vida da população, no cotidiano de todos. É claro que os donos do poder, os financiadores dos políticos, infiltrados nas instituições com a mídia de porta-voz e linha de frente na formação da opinião pública, claro que não gostam da Voz do Brasil. Pra eles, quanto menos o povo souber, melhor. O que é preciso saber é dado em escolas particulares totalmente infestadas com a ideologia de mercado, de competição desenfreada, com os currículos direcionados apenas para mercado, esquecendo a formação humana, a solidariedade e a busca por uma sociedade melhor, sem tanta miséria e ignorância. E só pra parcela que é necessária, os que podem ser absorvidos pelos mercados de trabalho e de consumo.
Pro resto, a maioria, a educação pública simplesmente é sabotada, escolas em situação de barbárie, ensino praticamente inexistente, professores adoecendo dos nervos, falta total de condições de ensino, condições precárias pras merendeiras, supervisores, inspetores, administrativos, enfim, os trabalhadores da educação... não é incompetência dos políticos, é uma estratégia deliberada pra manter a população ignorante. Em conluio com a mídia, que pega a população desarmada de senso crítico, pela falta de instrução e informação, e forma valores, comportamentos, induz ao consumo e à alienação completa. Narcose midiática. Assim se controla o Estado e as riquezas públicas. Não é à toa que mais de setenta por cento da população é de analfabetos funcionais, que não conseguem decodificar e entender um texto.
Compartilho o que acabei de ler e achei que devia passar pra frente. O artigo é ótimo, na minha opinião, e deveria ser lido por todos os que podem ler. Peguei no Blog do Miro, quem quiser conhecer, o cara é bão. E posta várias informações interessantes todo dia. É só clicar no "mais informações".
Abraços a todos e bom proveito.
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