Gravíssima situação, à beira de mais um crime contra a humanidade. É a ameaça de extinção de mais uma etnia originária, anunciada e reportada, para que ninguém fique isento de responsabilidade nesta vergonha, mais uma pra coleção de torpezas sofridas pelos povos locais.
A história se arrasta há séculos, desde a chegada da civilização européia. Durante a época dos militares, tentou-se diluir os índios na sociedade, com uma série de medidas "culturicidas". A idéia imposta era a de que não havia mais índios, eram todos brasileiros. Ridículo, absurdo, de uma insensibilidade criminosa. Não podia dar certo, apesar de ter causado muito sofrimento e alguns genocídios que hoje devem ser investigados pela tal Comissão da Verdade. Os Waimiri Atroari, por exemplo, contam em mais de três mil o número de mortos, em meio à sua diáspora para a construção da estrada Manaus/Boa Vista.
Em 2012 a coisa recrudesce pro lado dos Guarani Kaiowá. Massacre em cima de massacre, lideranças mortas uma atrás da outra, isolamento do grupo remanescente entre grandes fazendas e assédio constante de jagunços, tiros a esmo de noite, pressão e perseguição, ódio constante, desprezo cultivado. Cansei de ouvir a frase "índio tem que morrer" em áreas onde convivem indígenas e latifúndios. Os "bugres" são vistos com repulsa, com desconfiança, com nojo, na mais perversa distorção da realidade, na habitual transformação das vítimas em culpados. Falta de humanidade, falta de justiça, falta de vergonha na cara.
Agora os Guarani lançam um documento em que anunciam sua morte coletiva. O índice de suicídio entre eles é altíssimo, causado pelas condições em que vivem os remanescentes dessa outrora grande tribo, pressionados de todos os lados para que não existam. Alguns êxitos jurídicos na direção dos seu direito às terras demarcadas e outorgadas, mas ocupadas por fazendeiros, levantaram o ódio dos invasores. O assédio da violência se tornou insuportável, os recursos inundaram o judiciário, a conivência de juízes atuou na direção de adiar a retomada das terras ancestrais para o dia de são nunca. Com a ordem de despejo dada por um juiz da região, cúmplice dos fazendeiros que desejam o fim desse povo que está no caminho dos seus lucros, da sua avidez territorial, os guaranis viram apagar a luz da esperança e já não desejam viver, apenas morrer e serem enterrados na terra dos seus ancestrais. Eles estão acampados à margem de um rio, área federal, não de fazendas, mas a ordem foi dada assim mesmo.
Estamos diante de um crime anunciado, mais uma demonstração dos valores exercidos em nossa sociedade pelos maus que gerenciam os poderes falsamente ditos públicos. Mais um sinal de como é vergonhosa a participação nesta coletividade "civilizada", com seus valores distorcidos e seu comportamento bandido contra tudo e todos os que não se adequam ao modo de vida estabelecido. Com um mínimo de dignidade, é necessário retirar de dentro de cada um de nós os condicionamentos e as mentiras plantadas com intenções de domínio e controle sobre a sociedade. É preciso contestar o comportamento criminosos cotidiano dessa civilização dos diabos. É preciso recusar e desobedecer as ordens tácitas do sistema. Chega de ânsia de consumo, chega de competição desenfreada, chega de avidez, de divinizar o lucro e desprezar a vida. Chega de crimes, de falsidades, de interesses mesquinhos. Despertar é preciso.
Abaixo, o asrtigo que traz a carta em que os Guarani Kaiowá anunciam sua decisão. Esta página da história será estudada, no futuro, com horror e espanto diante desta estrutura de sociedade assassina, a serviço dos mais perversos vampiros da humanidade. Todo o aparato público, de repressão, de leis, de justiça, de governos, etc, tudo foi controlado e posto a serviço dessa minoriazinha safada e perversa, capaz dos piores crimes em nome dos seus interesses de poder e patrimônio. Esta sociedade, em todas as suas nuances (com raras exceções localizadas e esterilizadas), é de envergonhar qualquer um com um mínimo de consciência, dignidade e sentimento humano. Há muitas outras informações sobre o que vem acontecendo nesse links e através deles se pode montar um painel dos últimos acontecimentos.
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6553&action=read
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6553&action=read&page=4
Audio do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
http://www.cimi.org.br/pub/Potyro/Potyro793.mp3
Não pensamos muito nisso, não faz parte da nossa realidade cotidiana. Mas o clima tenso é constante, dia e noite. A qualquer momento, tiros varam o acampamento guarani. A todo instante, ameaças de morte e extermínio. Acusações infundadas, reações criminalizadas, desqualificação preconceitual. Somos todos parte da responsabilidade por essa vergonhosa existência "civilizatória". Se esse é o preço do desenvolvimento, que porra de desenvolvimento é esse que inferniza as relações sociais? É uma mentira a mais, isso não é desenvolvimento real. É, sim, o desenvolvimento da barbárie, do roubo, do assassinato, do genocídio, da dizimação dos povos indígenas. É a cracia do demo, essa democracia.
Galeria de vídeos
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/index.php?system=videos

