segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Guaranis Kaiowás pedem a morte




Gravíssima situação, à beira de mais um crime contra a humanidade. É a ameaça de extinção de mais uma etnia originária, anunciada e reportada, para que ninguém fique isento de responsabilidade nesta vergonha, mais uma pra coleção de torpezas sofridas pelos povos locais.

A história se arrasta há séculos, desde a chegada da civilização européia. Durante a época dos militares, tentou-se diluir os índios na sociedade, com uma série de medidas "culturicidas". A idéia imposta era a de que não havia mais índios, eram todos brasileiros. Ridículo, absurdo, de uma insensibilidade criminosa. Não podia dar certo, apesar de ter causado muito sofrimento e alguns genocídios que hoje devem ser investigados pela tal Comissão da Verdade. Os Waimiri Atroari, por exemplo, contam em mais de três mil o número de mortos, em meio à sua diáspora para a construção da estrada Manaus/Boa Vista.

Em 2012 a coisa recrudesce pro lado dos Guarani Kaiowá. Massacre em cima de massacre, lideranças mortas uma atrás da outra, isolamento do grupo remanescente entre grandes fazendas e assédio constante de jagunços, tiros a esmo de noite, pressão e perseguição, ódio constante, desprezo cultivado. Cansei de ouvir a frase "índio tem que morrer" em áreas onde convivem indígenas e latifúndios. Os "bugres" são vistos com repulsa, com desconfiança, com nojo, na mais perversa distorção da realidade, na habitual transformação das vítimas em culpados. Falta de humanidade, falta de justiça, falta de vergonha na cara.

Agora os Guarani lançam um documento em que anunciam sua morte coletiva. O índice de suicídio entre eles é altíssimo, causado pelas condições em que vivem os remanescentes dessa outrora grande tribo, pressionados de todos os lados para que não existam. Alguns êxitos jurídicos na direção dos seu direito às terras demarcadas e outorgadas, mas ocupadas por fazendeiros, levantaram o ódio dos invasores. O assédio da violência se tornou insuportável, os recursos inundaram o judiciário, a conivência de juízes atuou na direção de adiar a retomada das terras ancestrais para o dia de são nunca. Com a ordem de despejo dada por um juiz da região, cúmplice dos fazendeiros que desejam o fim desse povo que está no caminho dos seus lucros, da sua avidez territorial, os guaranis viram apagar a luz da esperança e já não desejam viver, apenas morrer e serem enterrados na terra dos seus ancestrais. Eles estão acampados à margem de um rio, área federal, não de fazendas, mas a ordem foi dada assim mesmo.

Estamos diante de um crime anunciado, mais uma demonstração dos valores exercidos em nossa sociedade pelos maus que gerenciam os poderes falsamente ditos públicos. Mais um sinal de como é vergonhosa a participação nesta coletividade "civilizada", com seus valores distorcidos e seu comportamento bandido contra tudo e todos os que não se adequam ao modo de vida estabelecido. Com um mínimo de dignidade, é necessário retirar de dentro de cada um de nós os condicionamentos e as mentiras plantadas com intenções de domínio e controle sobre a sociedade. É preciso contestar o comportamento criminosos cotidiano dessa civilização dos diabos. É preciso recusar e desobedecer as ordens tácitas do sistema. Chega de ânsia de consumo, chega de competição desenfreada, chega de avidez, de divinizar o lucro e desprezar a vida. Chega de crimes, de falsidades, de interesses mesquinhos. Despertar é preciso.

Abaixo, o asrtigo que traz a carta em que os Guarani Kaiowá anunciam sua decisão. Esta página da história será estudada, no futuro, com horror e espanto diante desta estrutura de sociedade assassina, a serviço dos mais perversos vampiros da humanidade. Todo o aparato público, de repressão, de leis, de justiça, de governos, etc, tudo foi controlado e posto a serviço dessa minoriazinha safada e perversa, capaz dos piores crimes em nome dos seus interesses de poder e patrimônio. Esta sociedade, em todas as suas nuances (com raras exceções localizadas e esterilizadas), é de envergonhar qualquer um com um mínimo de consciência, dignidade e sentimento humano. Há muitas outras informações sobre o que vem acontecendo nesse links e através deles se pode montar um painel dos últimos acontecimentos.

http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6553&action=read
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6553&action=read&page=4

Audio do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
http://www.cimi.org.br/pub/Potyro/Potyro793.mp3

Não pensamos muito nisso, não faz parte da nossa realidade cotidiana. Mas o clima tenso é constante, dia e noite. A qualquer momento, tiros varam o acampamento guarani. A todo instante, ameaças de morte e extermínio. Acusações infundadas, reações criminalizadas, desqualificação preconceitual. Somos todos parte da responsabilidade por essa vergonhosa existência "civilizatória". Se esse é o preço do desenvolvimento, que porra de desenvolvimento é esse que inferniza as relações sociais? É uma mentira a mais, isso não é desenvolvimento real. É, sim, o desenvolvimento da barbárie, do roubo, do assassinato, do genocídio, da dizimação dos povos indígenas. É a cracia do demo, essa democracia.


Galeria de vídeos
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/index.php?system=videos


 Isso aí abaixo é um evento cotidiano. Eu vi, co'esses zói que a terra há de comer, acontecimentos parecidos, pra não dizer iguais, no leste da Amazônia. Senti o ódio plantado na população contra os "bugres", a partir do ódio raivoso dos fazendeiros - quanto mais rico, maior o ódio e o desprezo.


Informativo da comunidade Guarani-Kaiowá de tekoha Arroio Kora-Paranhos-MS
Nós comunidades de Tekoha Arroio Kora em conflito, vimos através deste, informar que no dia 04 de outubro de 2012, mais uma vez, às 09h00min, fomos atacados a tiros pelos pistoleiros da fazenda Porto Domingos, o ataque a tiros foi coordenado pelo próprio atual proprietário o Sr. Luiz Bezerra juntamente com “Francisco paraguaio” e mais de 5 pistoleiros contratados.
11/10/2012
do blog do Comitê Internacional de Solidariedade ao Povo Guarani e Kaiowá
Nós comunidades de Tekoha Arroio Kora em conflito, vimos através deste, informar que no dia 04 de outubro de 2012, mais uma vez, às 09h00min, fomos atacados a tiros pelos pistoleiros da fazenda Porto Domingos, o ataque a tiros foi coordenado pelo próprio atual proprietário o Sr. Luiz Bezerra juntamente com “Francisco paraguaio” e mais de 5 pistoleiros contratados.
Um coordenador/articulador dos pistoleiros desta fazenda Porto Domingos é conhecido como Francisco Paraguai, falante de língua Guarani que coordena a ameaça de morte e ataque desde o dia 10 de agosto de 2012. Francisco paraguaio veio juntamente com mais de 5 pistoleiros e começaram atirar nos indígenas e ameaçou gritando em língua guarani, “ficam sabendo que voltamos hoje para matar todos índios”, “ vocês índios bichos! Vão morrer! índios vagabundos!”. “Nós vamos matar vocês com 12”! Hoje muitos índios vão morrer!”. “Vimos hoje para expulsar e matar vocês todos” . Assim avisaram nos, gritando e começaram a atiram sobre nós. Eles estão todos armados, vieram na caminhonete da fazenda Porto Domingo, dirigido por Luiz Bezerra.
Diante do fato, desde 9 horas denunciamos o ataque a tiro por telefone, passamos a ligar para todas as autoridades federais em Brasília-DF, comunicamos o fato à FUNAI Ponta Porã. A equipe da Polícia Federal e MPF. Agentes da equipe da Polícia da Força Nacional chegaram, às 10h30min, ao Arroio Kora em conflito. Ao avistar a equipe policial de longe, mais de 3 pistoleiros correram com as armas e fugiram do local e se esconderam. A Polícia Força nacional cercaram e encontraram o acampamento dos pistoleiros, em flagrante, o fazendeiro Luiz Bezerra e coordenador/chefe de pistoleiros “Francisco Paraguai” seus auxiliares foram abordados pela polícia.
A caminhonete é do Luiz Bezerra. Às 11 horas uma equipe da Polícia Força Nacional chegou ao local e abordou o fazendeiro Luiz Bezerra e Francisco paraguaio não deu tempo para se esconder e não conseguiu correr e foi abordado. Já é pela segunda vez, o senhor Luiz Bezerra foi abordado e avisado pela Força Nacional para não atirar mais nos indígenas. Ele jurou que não entregará a terra “de mão beijada”. Vai derramar sangue indígena para entregar a terra.
Munições intactas e deflagradas encontrada no local, mostrando ao fazendeiro Luiz Bezerra, ele, falou que os funcionários não tem arma não!
Quando foi abordado, o Francisco paraguaio ameaçou todos nós. Disse em língua Guarani, “ pemano mbaiteta pee ava, apojukata=”vocês índios vão morrer todos, eu vou matar vocês todos!”. Agentes da polícia, não entendeu a língua Guarani, nós entendemos, gravamos e filmamos a declaração de ameaça de morte coletivo do Francisco Paraguaio em frente pertinho da polícia de Força Nacional que vamos entregar à PF e MPF. No local, foi encontrando munições/vários cartuchos deflagrado.
Este é coordenador de ataque a tiros Francisco Paraguaio que ameaçou de morte nós indígenas em frente da Polícia, ameaçou em língua Guarani. “Vou matar todos vocês índios ainda, com certeza! = “Pemanombata, apojuka paiteta pee ava”.
Em resumo, os pistoleiros e nem fazendeiro Luiz Bezerra não foi preso, somente foi avisado, mais uma vez, para não mandar a atacar mais nós indígenas. A noite de 5/10/2012 se juntaram mais no local, os pistoleiros contratados pelo Luiz Bezerra.
Estes fatos resumidos aqui ocorreram hoje no dia 05/10/2012 em parte foi registrado pela equipe da Polícia Força Nacional.
Denunciamos que ameaça de morte coletiva/genocídio anunciado pelo Francisco em idioma guarani ocorrido no dia 05/10/2012, à 11:00 em frente da polícia. Os agentes policiais não entenderam a fala do Francisco.
Nós comunidades, de modo sintético, relatamos e encaminhamos aos conhecimentos de todos (as).
Atenciosamente,
Tekoha Arroio Kora-Paranhos-MS, 06 de outubro de 2012.
Lideranças e comunidades Guarani-Kaiowá de Arroio Kora.


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Fonte: http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com

6 comentários:

  1. A história dos povos indígenas sempre foi uma resistência constante de árdua contra as ambições econômicas e a maldade dos brancos e do sistema capitalista em si. Iniciou-se através do capitalismo comercial, séculos XV e XVI foi o período de maturação desse sistema, que ao longo do tempo foi evoluindo, passando para o capitalismo industrial até hoje em dia. Nos séculos XV e XVI foi através do escambo, a escravidão dos povos indígenas, mortes através de doenças, as missões dos jesuítas que é vista como uma proteção aos indíos destruiu várias culturas para o "abençoado" "catolicismo".
    Escravidão, mortes, destruição ainda são a realidade desses povos infelizmente. Recentemente, através da construção da barragem de Belo Monte mostra a frieza e a ganância dos governos e empresas na obtenção de lucros, sem levar em consideração povos e nações que vivem na região em questão, no Pará, só para mencionar esse fato, existem vários outros, sendo que o projeto é a construção de 130 hidrelétricas na Amazônia toda. Quem será afetado? Enfim, os povos e nações indígenas. O extermínio continua.

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  2. " É a crácia do demo essa democracia."!!!!

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  3. "progresso" e preservaçao do indigenismo no brasil parece algo antagonico no brasil...mas será que esses cabeças vazias, esses protogovernantes desse pais, nao enxergam o quao errado estao sendo?será que se espelham nos massacres realizados pelos estadunidenses em seu territorio, na famosa corrida do ouro para o oeste?nao seria melhor a vivencia pacifica com os indios, sob administraçao da funai, para que ainda assim, pudesse obter exitos em seus planos?
    e mais, esses pistoleiros fazendeiros, tem de ir preso, e sentenciqdos a penas altas por esses climas que lambram genocidios de stalin e hitler

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  4. Estamos vivendo num país totalmente sem contrôle mesmo, onde a barbárie mental é a regra. Os 3 Poderes governam apenas para o interessede uma elite perversa. Nossa mídia é um lixo e um grande perigo. Arrisco a dizer que é realmente o 4º Poder agindo contra nossa sociedade brasileira.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Eduardo!
    Apenas uma coisa para falar:
    PENSO EXATAMENTE COMO VOCÊ!
    GRATIDÃO!

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