sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Espiritualidade não é religião

Não ter religião não significa de maneira nenhuma ser ateu. Significa apenas não acreditar nas interpretações religiosas sobre espiritualidade, arrogantes, repressivas, donas de verdades improváveis, que cobram crença sob ameaça de punição, de incorrer na "ira divina", expressão, a meu ver, ridícula, que atribui um dos piores sentimentos à divindade. É o ser humano projetado na imagem do "ser supremo".
Espiritualidade acima da média é amorosidade, generosidade, tolerância, respeito, senso de justiça, cooperatividade, além de humildade e espírito de serviço. Intolerância, julgamento, ameaça, irritação, acusação, preconceitos são característica da baixa espiritualidade, do primitivismo religioso, separatista, orgulhoso, atrasado, verdadeira âncora no desenvolvimento da humanidade.
Não preciso nem posso saber o que está fora do alcance da minha capacidade de compreensão. Tenho quase sessenta anos, não demora muito vou estar de cara pra essa realidade, sem intermediação de nada nem ninguém. E "alguma coisa" me diz que, se tenho uma consciência ativa, alerta, e estou de acordo com ela, em paz comigo mesmo e com o mundo a minha volta, estou bem espiritualmente pra encontrar as boas sintonias das outras dimensões. Saber, só assim mesmo. No momento, é intuição, sentimento e atuação na coletividade humana, minha família espiritual, primitiva e em desenvolvimento.

Arrogância como distância

Há uma produção intensa e intencional de arrogância, via estimulação de egos, pela mídia e pelo sistema social em geral. Vaidades, superficialidades, fragilidades são criadas, induzidas, estimuladas. Os motivos são simples, ligados à dominação da estrutura, da sociedade como um todo. A arrogância é o melhor conservante pra ignorância e desinformação. Bloqueia qualquer tentativa de esclarecimento com insultos programados e automáticos, de forma superficial e grosseira. Afasta as pessoas e torna as relações superficiais.

Arrogância é um recurso de domínio social, entre muitos outros. Induzida entre acadêmicos, é uma forma infalível de conter o conhecimento entre poucos, os que se destinam ao controle, à administração da maioria ignorante e desinformada, da massa explorável, escravizável, roubada em seus direitos constitucionais, fácil de conduzir pela mídia, pelas redes sociais, desarmada de senso crítico, de conhecimentos e informações, apesar de ser a classe mais forte, mais resistente e que, pelas dificuldades com que trata rotineiramente, desenvolve a sabedoria das vivências e convivências, da superação de obstáculos, problemas e dificuldades. Para o punhado de dominantes, o saber não pode se aproximar da sabedoria, é uma "heresia", pros que dominam, a idéia de instruir e informar, de verdade, a população. A ignorância é parte fundamental do alicerce desta estrutura social, a superficialidade, a desinformação, a alienação são básicas pra existência da injustiça, da exploração, a competição, a ânsia de consumo, o valor humano diretamente ligado e dependente do patrimônio, da forma muito além do conteúdo, tudo são armações psicológicas, induções criminosas na formação da mentalidade geral. A arrogância é uma barreira, mais uma entre tantas, no caminho do saber. 

A arrogância serve também como capa, biombo pra esconder a insegurança pessoal, social ou afetiva. Afasta as pessoas e tornam as relações superficiais e distantes. Um esconderijo, um castelo de areia, uma capa de invisibilidade que só convence os igualmente condicionados, induzidos a estes valores e procedimentos. Mesmo assim, entre os que acatam a arrogância dos "superiores", muitos sentem alguma coisa no ar, algum desequilíbrio, alguma falsidade, encenação, alguma coisa por trás da situação, que passa despercebida, embora intuída.

O que seria bom levar em conta é que a arrogância cega, muitas pessoas deixam de perceber os sinais sutis que a vida apresenta, os avisos e advertências diante de decisões e escolhas. Perdem boa parte da capacidade de aprendizado, sobretudo dos que lhe são “socialmente inferiores”, mais uma estupidez planejada. Arrogância diminui a sensibilidade, a capacidade de percepção, o senso de justiça. As coisas passam a ser analisadas de acordo com a própria conveniência, só se chegam a conclusões convenientes, só se vê o que se quer e não há como se esclarecer a respeito dos próprios erros. O arrogante tem enorme dificuldade em corrigir as próprias falhas porque não as admite. Os que tentam mostrar o que não se quer ver são desqualificados de imediato, quando não insultados e agredidos.

Arrogância – freqüentemente ligada a egoísmo, a vaidade, a interesses materiais e financeiros, a forma, a aparência, a superficialidade – é terra árida, infértil, desértica, onde só crescem cactos e plantas agressivas, até pela agressividade do meio. Quem tiver sementes pra plantar, melhor guardar pra terras férteis, que estão sempre por aí. Sei que todo deserto tem seus oásis, mas poucos têm condições de encontrar, melhor deixar pra especialistas, gente com mais sabedoria que eu. Não gosto e não quero perder sementes. Quando percebo a impossibilidade, a infertilidade, a hostilidade, a tranca, me calo, sem ranço, sem mágoas, sem julgamentos.

Conheço o mundo onde vivo, sei das fábricas de pensamentos e sentimentos rasteiros, atrasados, conflituosos, percebo os planos de causar discórdias e confrontos, a manipulação mental que acompanha a distorção da realidade pelo jornalismo empresarial, a sabotagem de todo sistema de ensino, cada setor de uma forma específica, na construção da sociedade onde vivo e das mentalidades que vigoram nesse momento da eternidade. Um emissor ocasional de barbaridades e desumanidades ideológicas é um repetidor de programações mentais, um papagaio de mídia, teleguiado e com pequena capacidade de criação do seu próprio pensamento, da própria visão de mundo. A própria sociedade é desumana e cria barbárie nas suas periferias. Eu sou igualmente condicionado se me aborreço com este repetidor, se o julgo e condeno, decompondo a pessoa em fatores químicos tóxicos, insultando e acusando. Ou mesmo se o responsabilizo pelo pensamento emitido. Sei que é produção em massa, que são usados conhecimentos profundos de psicologia do inconsciente, psicologia de massa, antropologia, sociologia, tudo quanto é estudo do ser humano e da sociedade. Contratam-se as “melhores cabeças” por fortunas que anestesiam as consciências, pra compor laboratórios de pensamento na intenção de construir valores, comportamentos, desejos, visão de mundo, objetivos de vida.

O mercado das consciências movimenta muita, muuita grana pelo mundo afora, monitorando academias e demais produtores de conhecimento. Salários altíssimos e garantias sociais são anestésicos potentes pra consciências e sensibilidades. E a arrogância é um ingrediente importante na composição desses anestésicos. Os efeitos colaterais são aqueles mencionados lá atrás, de passagem: a tendência à cegueira, à distorção da realidade, o desenvolvimento de egoísmo e de vaidades – sobretudo simbólicas, que confirmem sua falsa superioridade –, a queda no sentimento de solidariedade, a criação de isolamento, de dificuldades afetivas... e por aí vai. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. Não como castigo, mas sim como conseqüência. A arrogância bloqueia a inteligência e impede que se tome consciência. Afasta e mantém distância.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Guerra en América Latina (II): Receita para incendiar un continente



Por: Claudio Fabian Guevara

Publicado 31 diciembre 2019



Um plano explícito e documentado se foca em detonar uma conflagração na América Latina em torno de Venezuela e Caribe. Agora se soma a transformação da Bolívia em um novo estado criminoso que colabore com a geração da guerra. No horizonte, um caos de longa duração e a subdivisão política do continente em unidades menores.
“Estados Unidos, em vista do seu retroceso mundial, quer reordenar seu espaço geopolítico …() e afundar Nuestra América num caos sem fim de ódios ideológicos implantados de fora”.
Miguel Angel Barrios
“A América Latina é, mais uma vez, o território da disputa geopolítica de colonização ou descolonização. Em todos os lugares – Bolívia, Chile, Argentina, Brasil, Venezuela, Uruguai...- e assim, no mesmo padrão: os liberais pró Estados Unidos (+ liberais de extrema direita) contra as forças de descolonização, em sua maioria de esquerda”.
Alexander Dugin

As peças vão se juntando. Com o desmentelamento da UNASUR e das instituições multilaterais que garantiam a paz e os projetos de integração entre as nações sulamericanas, todas as fichas se movem em direção a uma guerra induzida na América Latina. Nas duas últimas semanas, todas as variáveis se aceleraram.
As principais hipóteses de conflito partem do cerco multidimensional à Venezuela. Agora aparecem os perigos de uma “ruandização” da Bolivia e sua transformação em um novo estado criminoso que colabore com a geração da guerra, junto com Colômbia, Peru, Equador, Brasil e Guiana.
As nações latinoamericanas não têm motivos históricos verdadeiros para entrar em guerra. Um potencial conflito bélico só pode ser criado artificialmente, a partir de denúncias falsas, ataques de falsa bandeira ou decisões governamentais para queimar o continente no altar de uma quimera de origem estrangeira, como “a defesa da democracia” na Venezuela, ou “a luta contra o terrorismo” que alimenta o regime usurpador de La Paz.
Um plano detalhado para envolver um grupo de nações latinoamericanas em um conflito deste tipo veio à luz no ano passado e seus primeiros passos estão à vista.

A agenda profunda do “golpe de mestre”

No início de 2018, um artigo da jornalista Stella Calloni trouxe à luz um documento de 11 páginas, com a assinatura do almirante Kurt Walter Tidd, então comandante em chefe do Comando Sul (SouthCom) estadunidense: “Plan to overthrow the Venezuelan Dictatorship – Masterstroke”. Ali se esboça a agenda profunda da guerra contra a Venezuela que, em sua etapa mais avançada prevê uma operação multinacional. O documento manda executar passos práticos com o objetivo de desgastar o governo de Nicolás Maduro e forçar a sua queda:

- No plano econômico, incrementar a instabilidade interna, intensificando a descapitalização do país, a fuga de capitais estrangeiros e a deterioração da moeda nacional, mediante a aplicação de medidas inflacionárias que acelerem essa deterioração. Obstruir todas as importações e desmotivar os investidores externos. Sabotar a indústria do petróleo. Generalizar o desabastecimento de comida, remédios e bens básicos. Contribuir fazendo mais críticas à situação da população e fomentar o descontentamento. Todas as calamidades vividas pela população serão exploradas para “culpar o governo”.
- No plano social, apelar a aliados internos e agentes externos implantados no país para provocar protestos e atos violentos, gerar insegurança, saques e roubos. Promover os seqüestros de embarcações para desertar do país. Estruturar um plano para conseguir a deserção dos profissionais mais qualificados do país. Promover o desgaste entre os membros do partido governante e seus seguidores.
- No plano midiático, ridicularizar a figura de Maduro, fazê-lo cair em arroubos verbais e equívocos, para provocar desconfiança à sua figura. Acossá-lo, ridicularizá-lo e apontá-lo como exemplo de torpeza e incompetência. Minimizar sua importância internacional. Expô-lo como marionete de Cuba. Exagerar as diferenças entre os membros do grupo no governo.
- No plano militar, instigar um golpe de Estado, continuar o fogo contínuo na fronteira com a Colômbia, multiplicar o tráfico de combustíveis e outros bens, o movimento dos paramilitares, incursões armadas e tráfico de drogas. Provocar incidentes armados com as forças de segurança nas fronteiras. Também recrutar paramilitares, principalmente nos campos de refugiados de Cúcuta, Guajira e no norte de Santander.
Num primeiro nível de leitura, o plano é uma explícita declaração de guerra e de interferência descarada, que explica em grande parte os padecimentos da Venezuela hoje.
Num segundo nível de leitura, o documento pode ser interpretado como um manual para o assédio e controle das populações das colônias. Este conjunto de estratégias se aplicam em outros cenários, contra outros povos.
Em um terceiro, é uma instrução ideológica para os centros geradores de notícias. Os estereótipos e construções verbais propostos pelo documento para desacreditar o “líder inimigo” aparecem transversalmente na cobertura noticiosa sobre a Venezuela atual.
Preparação de una coalizão internacional
Enquanto se fomenta a instabilidade interna, se traça um plano para obter a cooperação das autoridades aliadas de “países amigos”: Brasil, Argentina, Colômbia, Panamá e Guiana.
-As provisões das tropas, apoio logístico e médico se realizarão a partir do Panamá. Se fará uso das facilidades da vigilância eletrônica e dos sinais inteligentes, de hospitais e instalações levadas a Darién (selva panamenha), o equipamento de drones do Plano Colômbia, como também as terras das antigas bases militares de Howard e Albrood (no Panamá), assim como as pertencentes a Rio Hato.
- Além disso se utilizará o Centro Regional Humanitário das Nações Unidas, desenhado para situações de catástrofes e emergências humanitárias, que conta com um campo de aterrissagem e seus próprios armazéns.
- A operação militar será desenvolvida sob bandeira internacional, patrocinada pela Conferência dos Exércitos Latinoamericanos, sob a proteção da OEA e a supervisão, “no contexto legal e midiático, do secretário geral (da OEA) Luis Almagro (SIC).
- É prevista uma Operação Multilateral com a contribuição de Estados, organismos não estatais e corpos internacionais, antecipando especialmente os pontos mais importantes em Aruba, Puerto Carreño, Inirida, Maicao, Barranquilla e Sincelejo, em Colômbia e Roraima, Manaus e Boa Vista, no Brasil.
- Se unirão ao Brasil, Argentina, Colômbia e Panamá para contribuir com o número de tropas, com a presença de unidades de combate dos Estados Unidos e destas nações, sob comando geral do Estado Maior Conjunto, liderado pelos Estados Unidos.
Esta plano – pensa Stella Calloni – “torna compreensíveis as recentes manobras militares de Estados Unidos nesta região de fronteira entre Brasil e Venezuela (Brasil, Peru e Colômbia), no Atlântico Sul (EUA, Chile, Grã Bretanha, Argentina), no caso argentino sem autorização do Congresso Nacional”.
O “Golpe de Mestre” previa acelerar os acontecimentos antes das eleições de maio de 2018. Não conseguiu seus objetivos nos prazos anunciados. O almirante Tidd foi aposentado poucos meses depois das revelações jornalísticas. Mas o plano continua sua marcha.
Ultimas novidades na frente venezuelana

Internamente a Venezuela vive todos os ingredientes do plano previsto no “Golpe de Mestre”: ao boicote da economia se somam um acúmulo de ações desestabilizadores. Durante 2019, cinco conspirações violentas da direita venezulana foram descobertas e desativadas. O último incidente aconteceu em 23 de dezembro, com o  ataque de um grupo armado ao Batalhão 513 no estado sulista e fronteiriço de Bolívar, onde morreu um militar das FANB (exército venezuelano – n do T). O governo venezuelano informou o roubo de armamento de guerra, supostamente com o propósito de realizar uma ação de bandeira falsa, para provocar uma intervenção militar dos EUA contra a Venezuela.
Os governos da região, longe de impedir a propagação da violência, mostram uma convergência com as linhas de ação previstas no plano do Comando Sul. O ministro da informação da Venezuela, Jorge Rodríguez, disse que Colômbia, Peru, Equador e Brasil facilitaram os movimentos do grupo armado responsável pelo ataque ao Batalhão 513. Os fatos parecem lhe dar razão.
O presidente Maduro exigiu do Brasil a captura dos militares responsáveis, que no entanto foram recebidos em território brasileiro, no marco da “Operação Boas Vindas”. A chancelaria brasileira anunciou que os desertores solicitaram asilo e lhes foi concedido.
Isto é, por um lado há um estímulo à imigração, uma recepção “amigável”, inclusive se tratando de elementos violentos.
Por outro lado, se aponta o êxodo dos venezuelanos como um motivo de “alarme internacional”. No 11 de setembro de 2019, 11 países das Américas (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Honduras, Paraguai, República Dominicana) resolveram convocar uma reunião do TIAR (Tratado Inter Americano de Assistência Recíproca), com o argumento de que a situação atual na Venezuela tem um "impacto desestabilizador" y planeja una "ameaça para a paz e a segurança no hemisfério".
Esta reunião pode ser a ante-sala de uma operação militar conjunta.

As veias abertas da América Latina
A guerra já começou há muitos anos, com o epicentro na Colômbia. Há mais de meio século que a pátria de Gabriel Garcia Márquez é sangrada, com o Estado ausente em muitos meios rurais, hoje nas mãos de narcotraficantes e paramilitares. Colômbia, nas últimas décadas, registrou ao menos 260 mil mortos, 60 mil desaparecidos y mais de sete milhões de deslocados. Desde a assinatura dos acordos de paz, em 2016, se registrou o assassinato de 620 líderes sociales.
Neste clima, se teme que o presidente Iván Duque se aventure numa guerra contra seu vizinho, Venezuela. Duque se somou à campanha contra a pátria bolivariana, no início de 2019, com a operação de “assistência humanitária” em Cúcuta, e em setembro, com um show lastimável na ONU, onde denunciou a Venezuela por proteger guerrilheiros do Ejército de Liberación Nacional (ELN). Mas Duque apresentou como “prova” fotos falsas, e caiu em ridículo cuando a Agência France-Press o colocou em evidência.
A fronteira colombiana-venezuelana é uma zona de permanentes atritos. Desde junho em Cúcuta e Maicao, cidades fronteiriças com a Venezuela, há um contingente de “capacetes brancos” da chancelaria argentina. Na Síria e em outros cenários, os capacetes brancos têm sido responsáveis por operações de falsa bandeira e fraudes noticiosas. A missão, mais que uma ação de assistência sanitária, faz parte do cordão de pressão contra a Venezuela e pode detonar episódios que sirvam de pretexto para o início das operações.
América Central é outra zona de tensões. Cuba e Nicarágua estão advertidas mais uma vez  que são um marco militar do Pentágono. A fortaleza militar da ilha não parece haver diminuído, mas a Nicarágua deu mostras de ter sido infiltrada com o ensaio de guerra híbrida em abril de 2018. A NED e a USAID deram respaldo explícito aos estudantes/paramilitares nicaraguenses que no ano passado mobilizaram protestos violentos que provocaram centenas de mortos y feridos.
Bolívia é outro aríete contra a paz regional. O desgoverno de fato de Jeanine Añez começa a fazer o papel de cão raivoso, ao estilo de Israel no Oriente Médio. Há duas semanas houve uma incursão ilegal de miltares bolivianos em território argentino. Agora se anuncia a potencial invasão da embaixada do México em La Paz e a expulsão da embaixadora mexicana e diplomatas espanhóis. Este incidente segue a matriz da crise das embaixadas venezuelanas e o descrédito criado a partir do reconhecimento, em alguns Estados, dos falsos representantes diplomáticos de Guaidó. A política da Bolívia hoje é funcional à deterioração da institucionalidade da região, uma linha de ação persistente do “pentagonismo”. Trata-se de ridicularizar a ordem jurídica dos países da zona “não integrada”, entronizar líderes de papel, desconhecer normas elementais de convivência entre as nações e confundir a população com falsos debates.

Conclusões: os piromaníacos que se lancem ao fogo

Un programa de guerra de longa duração, criado pelo Pentagonismo, tem estratégias bem definidas para detonar uma conflagração na América Latina. O novo mapa do Pentágono vai se perfilando com preparativos no terreno, condições sociais longamente preparadas e uma narrativa que o justifica nos noticiários. Trata-se de um conjunto de elementos de grande dinamismo, com diferentes atores, capazes de entrar ou sair de cena, segundo o curso dos acontecimentos.
Esta receita para incendiar a América Latina não terá vencedores entre as nações latinoamericanas. O desenho da guerra tem como objetivo uma ruína generalizada, a imposição de um caos de longa duração, que facilite a reconfiguração da região e a subdivisão política do continente em unidades menores (a divisão de Santa Cruz, a balcanização da Venezuela e o desmembramento da Argentina figuram na agenda globalista).
Assim vê Stella Calloni: “Estados Unidos estão armando um cenário de guerra na Latinoamérica que depois ameaçará a todos os países da região, inclusiive os que hoje se prestam aos planos contra a Venezuela".
Em Caracas se dará uma batalha decisiva. Como disse Atilio Borón, Venezuela é a nova Stalingrado.

Tradução – Eduardo Marinho

Tempestades à vista – nada de feliz ano novo.



Não quis, não fui, não saí de casa. Foi todo mundo, fiquei sozinho pra não atrapalhar ninguém. Não quero ouvir “feliz ano novo”, repetidas vezes, com os jargões de sempre, todo ano, todo “fim de ciclo”, um monte de gente pedindo mudanças pras entidades, sejam quais forem, mudanças que só podem ser feitas por escolha própria, mudanças de valores, de atitudes, por percepções de si mesmo seguidas de mudanças de sentimentos, de disposições, de objetivos, de desejos, de comportamentos, de formas de ver o mundo, os acontecimentos, as pessoas, as coisas, a vida. Mas não, espera-se que alguma coisa faça o nosso serviço pessoal e intransferível. Dá-se pulinhos, queimam-se velas, joga-se arroz, castanhas, ervilhas, lentilhas, usa-se branco, preto, amarelo, laranja, vermelho, roxo, todos os rituais, todas as mandingas, todas as ilusões. A esperança é que alguma interferência externa melhore as coisas, traga dinheiro, facilite a vida. Os mesmos pedidos, repetidos ano a ano, as mesmas confianças e convicções, esquecer o passado, agora é tudo novo.
Esquecer o passado é o maior risco de repetir velhos erros. E se não há mudança interna, percebida, assumida, escolhida, decidida e posta em prática, não há mudança nenhuma além das que o tempo impõe a tudo, no seu ritmo e do seu jeito. Os desejos, os mesmos produzidos em laboratórios de pensamento e implantados pelo massacre publicitário-ideológico. A cegueira é palpável, sedutoramente imposta, quase voluntária. Feliz ano novo.
O ano que termina viu o desmonte de tudo o que fazia alguma defesa do meio ambiente, das terras indígenas, da agricultura familiar e orgânica, dos direitos humanos. As instituições foram ocupadas por mentalidades destrutivas, rasas, ignorantes, truculentas, orgulhosas da sua truculência e ostensivas da sua ignorância. A indústria nacional foi destruída enquanto o teatro político-partidário encenava a farsa tragicômica dos desencontros, chamando a atenção pra si, ocupando os holofotes da mídia empresarial, enquanto nos bastidores, nas casas legislativas, no poder judiciário, rola a destruição de todo pudor no saque, na anti-socialidade, na criação de miséria, desemprego e criminalidade. Os horizontes estão cheios de nuvens escuras, carregadas, a miséria aumenta, os desabrigados se multiplicam sem controle, o crack, as drogas, anestesias no abandono, sendo consumidos à destruição, os cortes na assistência social esmoleira cria mais abandono e sofrimento, a violência se armando, as forças de segurança sendo treinadas e incitadas pra guerra, pro combate “ao crime” nas favelas, periferias e bairros pobres, a pobreza crescente gerando mão de obra pro crime organizado, mais e mais violência. As atrocidades do Estado refletindo nas atrocidades cada vez mais sem limites do crime, penitenciárias sendo construídas e lotadas, especializando a criminalidade, formando as forças inimigas num conflito social sem fronteiras ou limites, onde a população é o campo de batalha exposto a todas as barbaridades da guerra. E os empresários do crime proliferam junto ao Estado, financiam campanhas eleitorais, saem nas colunas sociais com suas obras beneméritas entre a população roubada nos seus direitos constitucionais, humanos, básicos, fundamentais. (Feliz ano novo...)
Os assassinos dos povos originários, entre madeireiros, garimpeiros, mineradoras, empresas agrícolas, ricos criadores de gado, plantadores de soja e outras monoculturas extensivas (as tais comódities) estão atiçados, rosnando indóceis, incentivados pelo governo e pela retirada dos órgãos de defesa tanto das terras indígenas, quanto do meio ambiente. Os assassinatos voltam a recrudescer, como na colônia, quando matar os indígenas era a regra. Foi até criado o dia do fogo, quando milhares de peões foram pagos, municiados de combustível e enviados de moto na missão de criar focos de incêndio, a tal ponto que escandalizou o mundo.
 A viagem que temos planejada pra começar em janeiro, passando por Tocantins e Maranhão, passa pelas terras indígenas onde foi assassinada a quarta liderança em dois meses. Vamos encontrar histórias aí, na certa. De dor e resistência, de ameaças, ataques e sobrevivência. Estamos do lado socialmente mais fraco, humanamente muito mais forte. E é essa a força que tentamos captar e passar adiante, na busca de consciência e solidariedade social numa estrutura construída pra ser egoísta e indiferente ao sofrimento das multidões injustiçadas pelos poderes falsamente ditos públicos, pois seqüestrados e dominados pelos poderes econômico-financeiros, exercido nos bastidores da farsa.
Foram liberados este ano mais de 200 venenos agrícolas com nomes nojentamente falsificados como “defensivos”, alguns dos quais proibidos nos países dos próprios fabricantes. Estamos sendo conduzidos ao câncer e várias outras doenças, pelas químicas não só agrícolas, mas também da indústria alimentícia, que só tem esse nome pela criminalidade social em que vivemos, pois é responsável direta pelo adoecimento compulsivo da atualidade, entre outros fatores também sociais como vida estressante, pressões de mercado, insegurança no trabalho, paranóias e medos intensificados (e mesmo criados) no massacre publicitário-ideológico exercido permanentemente pela mídia empresarial.
O rio Doce continua produzindo doenças degenerativas pelos metais pesados, nos oitocentos e cinqüenta quilômetros da maior bacia hidrográfica da região sudeste brasileira, empesteado pelos rejeitos da mineração que desceram com o rompimento da barragem de Fundão, ao sul do município de Mariana, MG. O litoral de ES, BA, RJ, SP e PR já têm infestação dos metais pesados lançados em Regência, foz do rio Doce, há quatro anos no oceano Atlântico. Os poderes públicos são cúmplices das mineradoras, não à toa. Elas financiam campanhas tanto eleitorais quanto publicitárias, apoiando e sendo apoiadas em seus interesses dentro dos poderes municipais, estaduais e federais, em prejuízo da nação, do meio ambiente e da população. Agora mais que nunca. Médicos foram retirados de locais onde sua necessidade cresce em ritmo alucinado. As águas de banhar, de beber, de cozinhar, de usar, no vale do rio Doce, estão todas contaminadas de metais pesados, altamente cancerígenos. E não se fala nada, o silêncio cúmplice das empresas de comunicação é o mesmo dos poderes falsamente públicos, o escândalo, os crimes contra a população são escondidos, jogados debaixo do tapete, com medidas ridículas, cênicas, hipócritas, cheias de demagogia e perversidade. Os venenos da mineração que devastaram Brumadinho, das mesmas empresas, contaminam agora o vale do São Francisco, que é vital pelo sertão adentro, fonte única de água pra inúmeros municípios. Dessa vez não é avassalador como o rio Doce, é mais sutil, menos escancarado, está contaminando aos poucos e, por isso mesmo, está passando “despercebido” pela mídia, pelo Estado, pelos que cometem crimes sociais permanentemente contra a nação brasileira e sua população. Esta, a população ribeirinha, irá adoecendo lentamente, gradativamente, sem ter ligadas as causas do aumento de ocorrência de doenças degenerativas, sobretudo cânceres, aos peixes contaminados, à água de irrigação, aos poços de consumo doméstico.
O que vem se anunciando pelos fatos torna o “feliz ano novo” ridículo. Não quero ser desmancha-prazeres, não quero ser o chato reclamão, não quero cortar as alegrias que se fabricam no atacado por esta época do ano - não por acaso. É a estratégia da superficialização do pensamento, da percepção, criando ilusões de mudança pra que tudo permaneça como está, pra que não se perceba as raízes, as razões dos enormes problemas sociais, nem as ameaças que se mostram aproximar como nuvens de tempestades terríveis sobre todos nós. Por isso passo a noite em casa, sozinho, tomando um vinho, enquanto se festeja a “chegada de um novo ano, novas esperanças, ano novo, vida nova, tudo novo”.  Não tô pra isso, não dá. Não consigo nem quero olhar pro outro lado.
Sociedade mafiosa, em todos os campos há máfias. O Estado é uma entidade criminosa, dominado pelos poderes econômico-financeiros de um punhado de parasitas sociais podres de ricos que ditam o modelo, o formato, a estrutura da sociedade, o tipo de educação, os valores, os comportamentos, as mentalidades. Parasitas que têm na mídia seu porta-voz, seu condutor de pensamentos e mentalidades, seu deformador da realidade, seu criador de valores e comportamentos sociais, com as melhores cabeças compradas nas melhores universidades, consciências vendidas, pra constituírem laboratórios de pensamento que criarão o que quer que seja pra enganar e conduzir a população, como gado, usando psicologia do inconsciente e todos os recursos do conhecimento sobre o ser humano.
Não se trata de ser pessimista ou otimista, se trata de ser realista ou idiota. Feliz ano novo é o cacete. Não participo disso. Estamos em tempos nefastos, desumanos, e o que se anuncia é colapso. Não tem “feliz”, não tem “ano” e não tem “novo”. É tudo mentira. É preciso preparar o pé pra segurar o tranco. Por gerações.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Segue a encenação



Eduardo Marinho - 20122019

A guerra entre globo e record continua, subterrânea nos acontecimentos divulgados pela mídia. Agora que o "perigo vermelho" está fora dos cargos de governo, se pegam entre si os caçadores de cabeças. Esse tal "perigo vermelho" não é perigo e muito menos vermelho. Apenas sinalizava, entre as gerações sucessivas, um caminho de instrução e conseqüente tomada de consciência, com peso nas estatísticas da população daqui a muitas gerações, a terem continuidade suas políticas sociais. Pensavam que podiam compor com os banqueiros, os senhores da escravidão, da violência e da criminalidade mundial. Mas eles têm laboratórios de pensamento, têm controle da informação, da mentalidade, da instrução e foram informados que gente feita pra ser explorada não pode ter instrução de verdade, porque põe em risco a escravidão e o domínio dos vampiros sociais, ainda que leve algumas gerações. Avisaram os patrões, que tomaram suas providências. Difamação, calúnia, indução, programação mental generalizada, controle das comunicações, do jornalismo, das redes sociais acabam controlando as mentes em quantidade suficiente pra chegar onde querem. A ignorância é a base, o ódio o combustível.
Antes derrubaram e prenderam sem provas. Agora há provas até demais, mas não se toma atitude, porque os poderes verdadeiros não estão se importando muito com essas provas. É preciso ficar mais descarado ainda, como se fosse possível, pra derrubar essa quadrilha instalada nos poderes ditos públicos. E ainda assim, pra colocar no lugar coisa bem semelhante nos resultados, embora com mais polimento no trato. Não importam muito as marionetes, além do estilo próprio de cada. Os poderes instalados continuam instalados, claro, nos bastidores da farsa político-econômica.
Os resultados são o que temos a maioria esmagadora, vendo a quantidade de desabrigados aumentando há anos, num ritmo lento e contínuo. A injustiça, a miséria, a ignorância, a desinformação, a pobreza, a fome, o abandono levam ao desequilíbrio, à revolta, à violência, à criminalidade, à produção de uma segurança pública altamente repressiva, não pra provocar bem estar, paz e segurança social, mas medo, agressividade, violência e destruição. É a evolução do caos social já previsto e afirmado há muito, muito tempo, e abafado, escondido, omitido pelos meios de comunicação, todos dominados por poderes econômicos. Os fuzis e armamentos pesados, antes restritos aos grandes centros, se espalham pelo país, a criminalidade alcança mais e mais lugares, espaços e territórios.
Os direitos das pessoas no trabalho sumiram, criminalizados, apontados como causa da “crise”, cortam-se então, eliminam-se, é cada um por si, “se o trabalhador quer direito, não pode ter trabalho, se quer trabalho, não pode exigir direitos” foi o que disse o agora capataz da vez, muito antes, inclusive, de ser eleito. O desemprego cresce veloz, agonia de ver tanta gente sendo despedida, fila de espera da demissão nos empresas, vários conhecidos passaram por essa agonia e ainda passam. Agora se adaptam as estatísticas, o que antes era visto como desemprego – a pessoa perde o emprego mas a vida continua e é preciso dar seu jeito, arruma uma banca e vai vender sei lá o quê nas calçadas, procura um lugar, às vezes disputa e se impõe ou se conforma e encontra outro, agora sai da estatística, deixa de se considerar desempregado nas estatísticas mostradas ao povo. O trabalho informal, último recurso do desempregado pra sobreviver – antes do crime empresariado, passa a ser considerado “emprego”. “Está melhorando, os empregos estão aumentando, os índice de desemprego caem...” dizem os canalhas, os de consciência vendida, e os ignorantes, os desinformados que se julgam informados por acompanharem o jornalismo das empresas de comunicação, repetem, convictos, raivosos porque seus “argumentos” não podem ser sustentados sem briga, sem insultos, sem poeira levantada.
A maldade assume os cargos sem disfarce. Antes ela vinha disfarçada, entre a hipocrisia, a demagogia, a encenação bem treinada, com os “agrados” populistas, com jogos de cena minimamente sedutores. A truculência se travestia de delicadeza. Agora é a truculência assumida, sem constrangimento, orgulhosamente se levanta a bandeira da violência e da maldade social, em nome da pátria traída, entregue a poderes econômicos internacionais, saqueada e escravizada, da família modelo, homofóbica, hipócrita e repressiva e de um deus de ódio e intolerância, de agressividade e desamor, um deus que não reconheço.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Escolha sexual?

Quando eu morava em Minas e ia manguear em Belo Horizonte, nos bares, nas noites, tinha alguns percursos que eu fazia, encontrando os bares, as mesas nas calçadas, os lugares onde se podia entrar pra vender. Conheci muitas figuras interessantes, que me instruíram, sem perceber, a respeito da humanidade. Era entre 1988 e 1992.
Havia um bar com mesas nas calçadas - era uma esquina -, a última mesa quase em frente a um prédio, na sequência da avenida Brasil. Nessa última mesa conheci um moço dos seus vinte e poucos anos, que tinha capacidade reflexiva, que se identificava com meu trabalho questionador, cheio de idéias, denúncias, propostas, tiradas, ironias, enfim, ficamos quase amigos. Várias vezes ele comprou meus broches, gostava, dava de presente. Ele morava no prédio, tomava sua cerveja na mesa mais próxima.
Uma vez ele me perguntou, depois de questionar como eu chegava àquelas idéias e pensamentos, se eu não sentia uma solidão imensa. Eu nunca tinha pensado nisso. E naquele instante, eu percebi todas as solidões da minha vida, a quantidade de vezes em que eu estava sozinho no mundo, em estradas, em reservas florestais, em meio às multidões, nas periferias, cercado de gente também. Senti uma solidão imensa que me fez refletir, pensar e me modificar de várias maneiras. Vi espaços, sertões, estradas, solidões, em cidades, em idéias, em sentimentos.... Ele percebeu, na minha reação, toda uma divagação, passou muita coisa nos meus olhos de memória, até recuou, "não queria causar um sofrimento", eu o tranquilizei, tava só pensando, percebendo o que não tinha percebido.
Esse moço era bem feminino e se percebia fácil a sua homossexualidade. Eu nunca tinha falado nisso, até porque isso pra mim não tem a menor importância, além do desrespeito inaceitável e tão comum em nosso meio. Mas quando ele me tocou tão fundo e me fez refletir a respeito de mim mesmo, da minha vida, da trajetória até ali, já com três filhos... Acho que me senti na liberdade de questionar também, de minha parte.
E perguntei como era isso de ser homossexual. É escolha, opção sexual como a gente escuta por aí?Em princípio ele se incomodou com a abordagem direta, "mas é assim tão evidente?" Eu ri, era evidente demais, os modos eram totalmente femininos, mas disse "não, mas eu percebo" e ele relaxou, "ah, claro, você percebe, é natural..." Perguntei, é uma escolha, quando aparece, como tu fica sabendo? Ele riu, "escolha? Cê acha que alguém pode escolher ser homossexual? A gente sabe como o mundo trata os homossexuais, alguém pode escolher isso? Só se for masoquista." Achei óbvio.
E contou que era um menino normal de classe média, jogava bola com os amigos, quando foi chegando a idade em que os amigos falavam de meninas, ele se desinteressava, queria jogar bola, ir pra outras atividades. Até o dia em que, depois de uma partida de futebol, um amigo tomou um banho na sua casa e ele sentiu desejo por esse amigo. Entrou em pânico, "não posso ser viado", tentou namorar meninas, se enturmar em casais, só deu errado, só problema, não era sua onda, não era sua sexualidade. Nunca tinha sentido tanta solidão, não podia falar disso com ninguém, nem com a própria mãe, com quem se dava muito bem. Andou perdido, sem rumo, entre góticos, punks, até encontrar um coroa que disse a ele que ele era homossexual, que era preciso assumir, que toda a angústia vinha disso, da sua negação. E o levou pra redutos homossexuais, pra conviver com a homossexualidade naturalmente, pra se sentir humano, digno e respeitável.
Não é uma escolha, aprendi com a vida, com a observação, com a boa vontade, com a sinceridade. É um fato, uma situação, uma realidade, mas não uma escolha, uma opção. Se houvesse opção nesta sociedade primitiva e violenta, ninguém escolheria ser homossexual, seria, como disse meu amigo, masoquismo uma escolha dessa.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O poder econômico domina o político


O promotor público diz que o Estado é cúmplice dos crimes madeireiros. “O poder de cooptação do grupo é proporcional ao seu poder econômico. Existe corrupção e cooptação de agentes públicos, como funcionários de órgãos ambientais”, conta o promotor. Se o madeireiro precisa de documento pra vender a madeira, o estado dá, se precisa legislação, o parlamento faz a lei, se precisa de vista grossa e olhos fechados, distanciam pessoas de processos decisórios ou fiscalizadores.
Ele ta falando de um caso municipal, talvez até estadual. Imagine-se a nível nacional, continental, mundial, o tamanho das forças econômicas, dos interesses gigantescos que se envolvem nos poderes públicos, no controle das comunicações como força de pressão, de controle de opinião e da visão de mundo, em todo o tecido social, em todas as áreas. Vivemos uma colossal falcatrua social onde o ser humano está em plano secundário e em primeiro plano estão os interesses parasitários de banqueiros e mega-empresários de todos os ramos, uma casta de aristocratas, a nobreza da atualidade. A estrutura social é em função destes e em prejuízo dos povos, das populações como um todo, nos países ricos menos, nos pobres mais visivelmente, escancarados prejuízos, miséria, ignorância, desinformação, violência e criminalidade.
É preciso ver o mundo como ele é, ver a sociedade e suas falsidades, pra não se deixar levar e poder escolher de vontade própria como viver sem se frustrar com as mentiras publicitárias, empresaristas, estragando o pouco tempo que temos pra viver com as ilusões fabricadas pelo massacre midiático-ideológico, que visam manter a estrutura social injusta, perversa, desumana como ela é. Entende-se a dívida pública que drena riquezas nacionais pra uma ficção econômica que, sempre que foi auditada, investigada, revelou ilegalidades que roubavam dinheiro público. A Auditoria da Dívida Pública tai mesmo, com todas as informações a respeito, mundialmente conhecidas e estrondosamente omitidas, escondidas pelo jornalismo empresarial.
Estamos numa sociedade totalmente enganosa. Ver permite se soltar das suas falsidades.

Obs.: A citação do primeiro parágrafo faz referência a reportagem de Diálogos do Sul - https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/meio-ambiente/61866/o-maior-desmatador-do-brasil-possui-120-madeireiras-na-regiao-norte-do-pais

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Vida, passagem de "nascimorte".

Aos dezenove anos eu pensava que não viveria além dos trinta anos - "não chego nos trinta". Pela vida que eu vivia, tinha a convicção de que "minha hora" a qualquer momento "chegaria". Vi "chegar a hora" de várias pessoas e muitos bichos, vi mortes de muitos tipos, às vezes com a sensação de que não tinha sido minha vez a cada vez que escapava - às vezes "milagrosamente". Depois vieram os filhos e, da primeira vez que bala zumbiu na minha orelha em tempos de paternidade, o sentimento de gravidade foi grande, pela primeira vez. E os riscos, então, passaram a incomodar e serem evitados. A prudência ocupou o lugar da temeridade. Ainda que se possa por essa "prudência" entre aspas. Era só a negação do exagero, dos riscos desnecessários.
E a vida foi passando, crianças crescendo, décadas que se viveram, trinta, quarenta, cinquenta... pelo meio dessa década reparei que tinha vivido já muito mais do que imaginava, nos princípios. Num momento de tristeza, brinquei comigo, que que eu ainda tô fazendo por aqui, filhos criados, ninguém dependendo mais de mim pra viver, já tinha produzido tanta coisa, espalhado pelo mundo, já tava me repetindo demais, tudo já gravado por aí em vídeo, no iutube, nas redes, dito, redito e repetido até demais, não precisa mais d'eu por aqui, não. Minha condenação, pelo jeito, é bem maior do que eu imaginava. Devo ter cometido algum crime hediondo noutra passagem.
A vida como uma condenação, uma sentença, um castigo - uma brincadeira antiga, que transforma a morte num alívio, como contraponto à tragédia que se vê. A morte não é mais que a porta de saída, tudo o que nasce tem como destino a morte, tudo o que entra na matéria vai sair um dia, de volta à sua dimensão original. De volta à dimensão espiritual da sua sintonia, sua freqüência vibracional, seu nível espiritual. "Isso não é filosofia, é física", dizia Einstein, o gênio da física. "Sintonize a sua freqüência e esta é a realidade que você terá. Não tem como ser diferente."
Morte não é o contrário de vida, mas de nascimento. Porta de saída é oposto a porta de entrada. Vida é o espaço e tempo que temos pra passar de uma porta à outra. Se mantenho isso na cabeça, os falsos valores implantados pela sociedade em sua farsa se tornam cada vez mais evidentes. É uma passagem. Uma passagem rápida, vamos vendo à medida em que vai passando. Formando uma visão bem diferente da que é mostrada, percebendo necessidades outras, além da publicidade, das pressões do consumo como valor. A satisfação consigo mesmo, com as próprias atividades, a troca de afeto, a criação de laços afetivos, de solidariedade, a cooperatividade, o bem estar da alma, interno, a busca de harmonia coletiva e individual.
O conforto interno aparece mais importante que o externo, por passageiro que é. Estar bem consigo mesmo, com seus sentimentos e sua consciência, é fundamental, nessa visão da vida, por ser o que prevalece no bem estar verdadeiro. O bem estar material, o excesso apregoado pelo massacre cultural publicitário, midiático, ideológico, é uma ilusão angustiante, isolante, falsificada e falsificadora da realidade - muito além das formas e aparências. O excesso, o luxo, a riqueza exigem o sacrifício da alma, da consciência, da sensibilidade, do senso de justiça. Exigem conivência e cumplicidade, indiferença com o sofrimento de multidões e perversidade no proveito dos crimes sociais que criam mão de obra barata, roubando direitos constitucionais. Numa sociedade em desequilíbrio, qualquer privilégio é uma grande responsabilidade diante da sabotagem dos direitos de tantos.
A "consideração social" custa muito caro em espiritualidade. Percebi que pra manter essa consideração - nasci num meio socialmente bem considerado - teria que sacrificar meus sentimentos e minha consciência. Não aceitei, decidi outra coisa, diferente do esperado, do convencional. Escolhi a alma, o bem estar, o conforto interno. O resto foi como que automático, a desconsideração começou na própria família de origem e se estendeu por toda a sociedade. Tudo começou a me tratar pior. Menos os que, naquele momento, me pareciam os melhores e mais interessantes, justamente os perseguidos, os párias, a ralé, os de vida rica em acontecimentos, dificuldades e histórias. Perdi o respeito e a consideração pela sociedade, pelo seu modelo estrutural, onde os interesses econômicos valem mais que o ser humano, mais que a vida, onde se vale o que se tem. E, por conseqüência, perdi também qualquer necessidade de consideração da sociedade, com seus valores furados, superficiais, vazios, impostos pela própria sociedade, com a mídia, o modelo de educação empresarista, a cultura do consumo, utilizando em larga escala psicologia do inconsciente pra enquadrar mentes e corações, formar mentalidades e visão distorcida da realidade. Toda aquela consideração era falsa, condicional à cumplicidade com os crimes sociais. E a desconsideração é sinceridade. Melhor um pé na bunda sincero que um sorriso falso. Na minha opinião, claro, há quem prefira o contrário.
Na sociedade do patrimônio, dos interesses econômicos, da ânsia por bens, luxos e privilégios duvidosos, o bem mais importante e, ao mesmo tempo, mais esquecido, mais sacrificado, é o bem estar consigo mesmo, com a própria consciência, com o próprio sentimento em estar vivo nessa bagaça.


sábado, 19 de outubro de 2019

Coentro retira metais pesados do corpo

São tempos de metais pesados. Na água, no ar, na comida, pela pele adentro. Por isso é que se precisa do coentro. Ele retira metais pesados do corpo, do sangue, dos tecidos, é a informação que rola.

A passagem pelo rio Doce, duas vezes em dois anos, foi marcante. Reveladora dos valores nesta sociedade onde a vida está num plano tão evidentemente secundário que choca a sensibilidade mesmo havendo a consciência de tal disposição, de tal estrutura social, desumana, perversa, capaz de qualquer coisa "possível" em nome de interesses econômicos, empresariais. Inclusive transformando a política, a administração pública, os poderes do Estado em marionetes, em instrumento, em uma farsa institucional que trai cotidianamente a população, dominada nos bastidores, em círculos acima dos poderes públicos, a partir do mercado econômico-financeiro, do punhado de podres de ricos mundiais e seus cúmplices, agentes e beneficiários regionais e locais, elites privilegiadas que usufruem das injustiças e falcatruas sociais.

Na primeira viagem, a barragem de Fundão acabara de romper, havia menos de um mês, e nós começamos em Mariana, invadindo o distrito de Bento Rodrigues* - os acessos estavam embarreirados e a área estava sob controle da segurança da Samarco, mineradora testa da Vale, o terror dos povos originários e ribeirinhos, a população em geral do vale do rio Doce - e depois passando em todas as localidades ao longo do percurso dessa onda descomunal de rejeitos da mineração, metais pesados de todo o tipo, altamente cancerígenos. Desde o rio Gualaxo do Norte, coberto e destruído, passando pelo rio do Carmo, que continua "limpo" no centro de Mariana, mais de vinte quilômetros acima do despejo venenoso, segue ainda oitenta quilômetros serra abaixo até Barra Longa, depois mais dez, onde se junta ao rio Piranga pra formar o rio Doce*.

Em Barra Longa a maré do metal pesado cobriu a área de lazer da cidade, à beira rio. Chegamos à noite lá e no dia seguinte vimos tratores limpando, recolhendo, enchendo caminhões basculante que saíam pingando pelas ruas da cidade pra levar a lama tóxica até um espaço determinado pela prefeitura como depósito dos metais pesados. Claro, sem mencionar "metais pesados" em nenhum momento. Pensei neles, vendo escorrer pelas ruas, "isso vai secar, carros vão passar, a poeira vai levantar, cheia de veneno, pro povo respirar". Não deu outra. Dois anos depois, Barra Longa era "campeã" em doenças nas vias respiratórias, em todo o vale*. Doenças de pele, de esôfago, de estômago, garganta, intestino, pâncreas, fígado, em tudo, proliferaram e continuam proliferando por todos os mais de oitocentos quilômetros do rio Doce, hoje fonte de envenenamento. Não serve nem pra irrigar as plantações.

Bueno, tudo o que estou dizendo aqui já disse antes, a intenção agora é chamar a atenção pro coentro, como desmetalizador pesado de corpos, retira metais pesados que as... como dizer... "atribulações sociais", ou melhor, as mancomunações público-privadas da mineração espalharam em rios, mares, vales, montanhas, em proporção nunca vista. Informação necessária, não só pra ajudar os tratamentos, mas pra ligar sintomas desconhecidos à presença desses venenos, cádmio, chumbo, cobre, ferro, arsênio, etc, etc, etc, nas águas, terras, nos ares, na comida da atualidade.

São tempos de metais pesados. São tempos em que a necessidade do coentro, não só mas sobretudo, aumenta em importância medicinal. Chá de coentro, salada de coentro, coentro na manteiga, no queijo, no azeite, em tudo. Coentro!

http://observareabsorver.blogspot.com/2017/01/o-rio-doce-precisa-de-quelacao-urgente.html

*https://observareabsorver.blogspot.com/2015/11/o-apocalipse-de-bento-rodrigues.html
*https://observareabsorver.blogspot.com/2015/12/rio-doce-cidade.html
*https://observareabsorver.blogspot.com/2018/03/do-bento-barra-longa.html

sábado, 5 de outubro de 2019

Facilidades e dificuldades

Não sou defensor dos pobres e oprimidos, nem imagino de onde foi tirada essa idéia. Só tô vendo a realidade como ela não é mostrada, por estar vivendo exposto há quarenta anos, sem seguro, sem plano de saúde, sem salário, sem emprego - e trabalhando muito, sem férias nem feriados, amarradão, gosto muito do meu trabalho -, sem garantias a não ser a da morte e a da perseguição da sociedade que, sem ter conseguido me enquadrar, sempre tentou me impedir de expor as coisas que faço - e algumas vezes tomou tudo o que eu tinha, me roubando o sustento da minha família e quase me levando ao crime. Nessas horas sempre aparecia um "acaso" ou "coincidência", alguma "casualidade" pra me aliviar a revolta e dissuadir a disposição de delinqüir. As tentações são muitas e o Estado empurra a gente pro crime. Heróis são os que não se tornam criminosos.
Só tô vendo claro que os mais pobres são muito mais fortes do que as classes mais protegidas. Não por evolução espiritual, não por alguma genética ou superioridade, mas pela prática diária, cotidiana, superando dificuldades que as classes médias e altas não têm. Por isso mesmo a maioria é roubada nos seus direitos humanos, constitucionais, sabotada na educação e na informação pra que não se tome consciência da própria força e da própria importância na existência da sociedade como um todo. E se deixe explorar, enganar, conduzir, escravizar, manipular, convencida de uma inferioridade falsa e conformadora pelo modelo de educação, pelo massacre midiático-publicitário, pela prática social cotidiana. A fortaleza passa despercebida. Ainda.
Facilidades geram fragilidade e medo. Dificuldades geram capacidade de superação e resistência. Não é difícil entender. As pessoas mais protegidas, que têm seus direitos respeitados - e mais ainda os que têm regalias e privilégios - são mais frágeis, menos capazes diante das dificuldades, não enfrentam e superam os problemas que a maioria precisa encarar, têm sempre funcionários pra resolver os piores problemas. Os menos protegidos, os roubados nos seus direitos humanos, constitucionais, acabam se tornando mais fortes, por serem obrigados a superar dificuldades cotidianas.
Há pais que não levam em conta estarem formando os adultos de amanhã.  Quem educa seus filhos satisfazendo suas vontades e protegendo em excesso não os prepara pra encarar as dificuldades da vida, ao contrário - cria bundamoles sem capacidade de superação, sem resistência aos tombos e topadas da vida. Os adultos de hoje já dão uma idéia do que resulta da formação consumista, chantagista, subornadora e interesseira. É só olhar em volta o comportamento geral. Com louváveis e comoventes exceções, sempre. A humanidade é um garimpo. Ainda. 

Diferente da preciosidade mineral, a preciosidade humana contamina, as exceções se multiplicam, dão seu jeito, arrumam formas de viver além dos valores convencionais, soluções pros problemas estrategicamente criados pra dificultar autonomia, justiça, solidariedade, as qualidades sociais que resultarão em harmonia. Os podres de ricos não admitem justiça, vivem do sofrimento das multidões. Estas, as multidões, ao tomarem consciência de si, da sua força e resistência, não precisarão nem pensar em derrubar os opressores - eles cairão sozinhos, porque são sustentados pelas multidões inconscientes.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Estamos a trote na direção dos colapsos

Ao afirmar que as ongs aplicadas na preservação ambiental estariam por trás dos mais de setenta mil focos de incêndio na Amazônia, a "autoridade máxima" do país e seus defensores dão uma demonstração clássica de julgar os outros por si mesmo. A agressividade violenta, intolerante e vingativa é a índole demonstrada à exaustão por essa... digamos... linha política de comportamento. Assim é fácil pensar que se toca fogo por vingança, pela suspensão de verbas destinadas exatamente à preservação ambiental - aliás, já falada e prometida como compromisso de campanha, abertamente, com o apoio total de madeireiros, garimpeiros, criadores de gado, plantadores de soja e outros tradicionais destruidores das florestas, assassinos dos seus povos. É o que nos diz a História, não por acaso outro alvo de ataques dessa "turba", com 'b' mesmo. A ignorância é o alicerce dessa linha política e sua correia de transmissão conta com a mentira e a violência explícita na sua composição. Não pode haver espaço pra reflexão, profunda, serena, sincera, é preciso gritos, insultos, pancadas pra levantar a poeira e não se enxergar a realidade. E a realidade é que, se já caminhávamos em direção ao caos social, agora estamos trotando, correndo, apressando os colapsos. Terríveis consequências se anunciam, já se apresentam em nosso cotidiano social, por mais que se escondam pelos meios de comunicação privados e dominantes das comunicações no país. Exponho aqui algumas coletas de informação do dia de hoje apenas, dos informativos que recebo e leio diariamente. O presidente do PROAM conclui dizendo que o governo cava "seu próprio buraco". Quem dera. O buraco está sendo cavado por todo o território nacional e quem vai ter que sair dele é o povo, principalmente os trabalhadores, os pobres, os miseráveis, os excluídos, as vítimas permanentes desta sociedade primitiva que comete crimes continuados, por gerações, contra sua própria população. O problema, afinal de contas, não é "este governo", mas a formação da sociedade em si. Este governo está apenas descarando o que era menos descarado, apressando o passo em direção aos colapsos sociais que venho anunciando há quatro décadas como inevitáveis, se não houvesse mudanças de costumes, de valores, de comportamentos, enfim, de modelo de sociedade. Não houve. O descaramento total de agora pode ser mais uma chance de se perceber a realidade social e a falcatrua da imagem social apresentada, as mentiras deste modelo e a urgência da criação de outro, outra forma de existir e de ser, coletivamente, socialmente. Ou isso, ou as mudanças serão impostas pelo sofrimento, pela destruição, pela catástrofe, pelos colapsos.

Abaixo uma pequena série do que li hoje. Em parte do que vi, que não tenho tempo pra passar tudo. Bom proveito a quem puder dar.


"Desde que o Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, assumiram seus postos de governo, todas as políticas ambientais ficaram em xeque. Mesmo o fundo de recursos foi alvo de mudanças, o que desagradou seus principais doadores, Noruega e Alemanha que, nas últimas semanas, optaram por suspender os repasses diante do aumento do desmatamento no governo Bolsonaro. Na comparação com julho de 2018, neste ano, houve um aumento de 278% na taxa de devastação, segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Dizer que o Fundo Amazônia era para as ONGs é uma balela. Na verdade, o Fundo atendia não só os poderes públicos estaduais e municipais, como também as próprias comunidades que vivem na Amazônia e que tinham o incentivo ao extrativismo sustentável, que é um saída econômica para aquela região”, afirma (o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental - Proam -, Carlos Bocuhy)Sem os recursos internacionais do Fundo Amazônia, projetos dos corpos de bombeiros florestais do Pará, Tocantins, Mato Grosso, Acre, Rondônia, ou mesmo a fiscalização do Ibama são prejudicados." 
"Durante sua entrevista na Rádio Brasil Atual, o presidente do Proam também criticou o edital, divulgado nesta quinta-feira (22), para contratar uma empresa privada voltada ao monitoramento da Amazônia, a despeito dos sistemas brasileiros usados ao longo de décadas. Bocuhy analisa que isso será “um desperdício de dinheiro público” apenas para contradizer os dados que jogam contra Bolsonaro ao explicitar as consequências de suas políticas."
"Ibama publica edital para empresas privadas monitorarem desmatamento"  
“Você tem a perda do Fundo Amazônia, de milhões e milhões de reais, jogando dinheiro público fora, é um absurdo que o governo faça isso. E, agora, ele quer gastar mais de forma desnecessária. Ou seja, para tumultuar a situação, para dizer que está fazendo uma nova política inovadora, o governo descarta tudo o que já tinha e funcionava bem, afirma Carlos Bocuhy.”
"“Isso me assusta porque, pior que fossem os governos anteriores, era possível dialogar, e agora só nos resta o Judiciário e a pressão internacional”, analisa. “A má imagem do Brasil traz uma perda econômica relativa às commodities, dos produtos certificados e desregula o mercado internamente já que se tem a perda de divisas no exterior. Acredito que o governo está cavando o seu próprio buraco”, finaliza (Bocuhy)."
Foto - Jornal da USP
"O Brasil era até recentemente reconhecido internacionalmente como líder na proteção da biodiversidade, e rapidamente se transformou no país que mais agride a biodiversidade -" ambientalista José Pedro de Oliveira Costa, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo.
"Aquilo que é um bem da população brasileira está se transformando em um bem privado, bem debaixo dos nossos narizes."
"A pesquisa revela o “impacto catastrófico” que agrotóxicos têm no meio ambiente e saúde humana. Estima-se que cerca 1,2 milhão de toneladas de agrotóxicos altamente perigosos são usados nos países de baixa e média renda todos os anos, representando um enorme mercado – cerca de US$ 13 bilhões."
"“É necessário denunciar o uso dos agrotóxicos como uma arma química. Temos que olhar para esses dados como um processo de extermínio da população mais pobre”, aponta categoricamente Francileia Paula de Castro, agrônoma e educadora da FASE, que também integra a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida."
"Um conjunto de 454 municípios brasileiros, com uma população total de 33 milhões de pessoas, apresentou resíduos de agrotóxicos na água para consumo humano acima dos limites legais pelo menos uma vez durante o período de quatro anos, o que representa um quarto do total de cidades. Dos 27 tipos de produtos encontrados, 16 são classificados como altamente tóxicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e 11 associados a doenças como câncer, disfunções hormonais, doenças crônicas e malformação fetal."
"A versão em português do relatório “Lucros altamente perigosos” foi lancado pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida nesta quinta-feira (29), às 15h, na aula pública “O envenenamento do povo brasileiro – impactos dos agrotóxicos à saúde”. A atividade integrou a 18ª Jornada de Agroecologia, que aconteceu em Curitiba de 29 de agosto a 1º de setembro."

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Os resistentes

  • Os índios da Amazônia
Eles são hoje 306 mil, de acordo com o Censo 2010 do IBGE. No sempre difícil e desvantajoso contato com os selvagens do asfalto, tentam fazer com que lhes respeitem a cultura milenar e o modo de vida, baseados na pesca, caça e agricultura. Na Amazônia, perduram seis famílias linguísticas: tupi, aruaque, tukano, jê, karib e pano. A Constituição assegura a eles a posse e o uso da terra, mas, com o aval dos Três Poderes, que fizeram da Carta de 1988 letra morta, têm se repetido na floresta emboscadas, ataques e morticínio por parte de grileiros, garimpeiros e madeireiros contra os nativos da Amazônia. Como os xerifes do capital consideram os índios vagabundos e improdutivos, delegaram a seus capitães do mato a responsabilidade do – por mais que escondam o nome – genocídio. 
  • Raoni Metuktire

JEFF PACHOUD/AFP
Líder dos Kayapo do Xingu, tornou-se 30 anos atrás embaixador da causa dos indígenas ameaçados da Amazônia. Usou de cara o prestígio e o palco do cantor Sting e, aos 89 anos, continua ativo nas suas missões de conversão. 

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.