domingo, 26 de abril de 2020

Desconfio



Desconfio que estou vendo um tabuleiro, um imenso tabuleiro cheio de peças sendo jogadas, todos de olho nas peças. Os movimentos de cada uma geram comentários, opiniões, debates, denúncias fundadas ou alucinadas. Conclusões são tiradas, previsões estabelecidas. “Está se armando pra ser presidente na próxima eleição”, “está se preparando pra dar um golpe de Estado”, nomes são sugeridos pra cargos, candidatos se posicionam, uns dentro do tabuleiro, outros prontos pra entrar, alguns outros na penumbra, em espera de ocasião favorável. No escuro dos bastidores, longe das luzes e dos olhares, os poderes que  movem as peças estudam suas jogadas. A platéia se agita diante do “espetáculo”, se divide nas torcidas várias, de diferentes linhas, idéias, opiniões, visões de mundo. Propostas, saídas e soluções são colocadas pra resolver todos os problemas. O “fim da corrupção” volta à baila. E não se vê a corrupção como regra fundamental do jogo. Como parte da estrutura social. Não aparecem os “jogadores”, não estão neles os holofotes das mídias empresariais, as peças são apresentadas como quem decide seus próprios movimentos. A mentira é pregada no inconsciente coletivo: o bom político serve ao povo, o mau político serve a si mesmo e a seu grupo. E não se vêem as forças tenebrosas que decidem as “políticas públicas”, o nível de atendimento à população, que determinam o modelo de ensino, dominam as comunicações e criam as mentalidades induzidas, em todos os níveis sociais e educacionais, que verão poder de decisão e autonomia nas peças do jogo. Os níveis se hierarquizando entre si, uns vendo e entendendo mais, outros menos, mas sobre a mesma ilusão. De tudo isso, desconfio.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

"É o fim do mundo...", diziam os mais velhos no meu tempo de criança

Em 24 horas, 407 mortes de coronavírus no Brasil. E as mortes por problemas respiratórios se multiplicaram sem se considerar a possibilidade. Sem exames, não contam esses mortos. Ao que me parece, a multiplicação de óbitos (mortes) por questões respiratórias está acontecendo em muitos lugares. Os registros oficiais de óbitos dão conta da multiplicação desses casos, em cemitérios e em cartórios. Ridículo não ligar as coisas.
Quando se fala nisso se ouve falar em conspiração, em torcidas, comunismos incríveis e outras superficialidades toscas, ignorantes ao extremo. Estamos chegando nos 50 mil infectados sem levar em conta os não examinados nem os mortos "por fora". Quanto mais vamos precisar pra essas pessoas silenciarem, raivosas e constrangidas, até que a raiva se transforme em medo, pânico, até que a covardia aflore e se negue tudo o que se disse e defendeu até então? Qual a força que obrigará a reclusão desse ódio nos corações que o abrigam e sua transformação em arrependimento e vergonha? Não serão todos, certamente. Mas serão muitos.
Quantas vezes ouvi os mais velhos do meu tempo de criança - por motivos hoje "triviais", como uma minissaia exagerada, uma briga de torcidas, um homem com feminilidade, uma criança grávida, um assassinato brutal,... -, "é o fim do mundo!" E eu achava graça, criança que era. Agora sou eu a dizer "é o fim do mundo". Só que o fim do mundo, pra mim, é outra coisa.
Cada fim se liga a um novo começo, cada começo se destina a um fim. O fim de um mundo leva ao surgimento de um outro mundo. Esse "outro mundo possível" de que alguns falam, onde não existam a miséria, a ignorância, a fome e o abandono, onde a prioridade seja o ser humano como um todo, a prioridade esteja no atendimento de toda necessidade fundamental da vida, na eliminação de toda conseqüência da desumanidade de um sistema social onde a economia das empresas é mais importante que a vida, a saúde, a educação verdadeira, humanizada, direcionada à formação de seres humanos que se integrem com harmonia na sociedade, solidariamente, uma educação que tenha como objetivo a harmonia social. E não a formação de competidores implacáveis pro mercado de trabalho ou, muito pior, o mercado financeiro. Mercados pra quem a vida não vale nada, diante da ânsia de lucro, de riquezas e poder. 
Valuá diria que gosta do meu otimismo, porque ele vê péssimas possibilidades à frente, no sentido social. Eu não me sinto nem um pouco otimista, o que estou vendo é muito sofrimento pela frente, como é sofrimento tanto morte quanto parto. Serão gerações nessa lida, não é coisa de pouco tempo. Mas sinto a lapidação acontecendo, a partir de mim mesmo e no mundo à minha volta. Esse sentir está ligado ao alcance que posso ter de espiritualidade, onde as dimensões de existência são muitas - a material é apenas uma delas, o campo de provas e aprendizados onde podemos crescer e nos desenvolver - embora eu não tenha o atrevimento de "entender" ou "explicar". Não permito que minha razão se meta onde não tem alcance. Ali o que vai mais fundo é o sentir, a intuição, ainda sem a pretensão de chegar nem perto da totalidade, apenas vai muito mais longe que a razão na percepção da realidade. Valuá é ateu por completo.
A vantagem que tenho nessas discordâncias é saber que, se eu estiver certo, vou poder dizer pra ele, "viu? Não te falei? Eu te disse, eu te disse". Já ele, se estiver certo, não vai poder falar nada.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Eduardo Marinho ao vivo - aos 12 minutos o áudio melhora

Primeiro vídeo ao vivo, feito em Cavalcante, Goiás, no Hostel&Camping do mesmo nome. Foi ao vivo, mas foi gravado. E taí.

O áudio estava uma porcaria, sabe como é, a primeira vez costuma ser meio atrapalhada. Não que estejamos livres de novas trapalhadas, mas a possibilidade vai diminuindo com o tempo e a prática, né não? Depois de doze minutos entra o fone com microfone, porque as pessoas estavam reclamando nos comentários, dizendo que não estavam ouvindo direito. Aí o som melhorou.

Quem não tiver paciência ou não estiver mesmo escutando nada, pula pros doze minutos direto é minha sugestão. De resto, bom proveito.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

"Pequena coleta num artigo de hoje" ou "Pandemia" ou "Cegueira Bovina"

" Naquela mesma manhã, enquanto esperava a transferência para um hospital, postou em sua página no Facebook um relato desesperado.
“É horrível, uma tosse que não pára. Te impossibilita de respirar e te faz ter dores que você não imaginaria. Não aguento mais essas dores, ficar em uma sala de isolamento para poder melhorar e nada mudar. Qualquer coisa que você faça, já fica cansado, sem ar. Se cuidem, fiquem em casa, não é gripezinha. É real e está muito perto de todos.”
Foi a última mensagem de Diogo nas redes sociais, no último dia que a dona de casa Eromar Azeredo Polo Boz, de 55 anos, viu o filho.
Em Osasco, Eromar cuidava dos trâmites da liberação do corpo de Diogo, sem direito a velório nem enterro por causa do risco de contaminação. O jovem foi cremado. As cinzas, conta a mãe, serão entregues em 24 de abril à família, um dia depois da data que o rapaz completaria 28 anos.
“Vou ao supermercado e vejo gente falando que quer trabalhar, que a economia não pode parar. Eu preferia ficar na miséria do que ter perdido meu filho. Dinheiro, coisas materiais, a gente conquista. Meu filho não volta mais.” "
Sem muito a dizer. Com muito a sentir. Sem raiva. Com perplexidade. Não diante da pandemia, que dessa já me dei conta, é mundial, artificial ou não. Mas perplexo, espantado diante da renitência, da insistência, da não percepção da roubada que nos foi imposta a todos, pela manipulação mental, como a conseqüência não só da sabotagem por décadas da educação pública, como do enquadramento da educação privada, das classes médias e altas. A realidade não entra na carapaça mental criada pelos condicionamentos sociais. Há uma "realidade" fabricada em laboratórios de pensamento e implantada tão profundamente no inconsciente coletivo, que se cria um campo de força intransponível por qualquer evidência. E se a evidência for inegável, detona-se uma agressividade invencível, um rancor destrutivo, um ódio sem freio nem direção que explode em inconsciência, ignorância e destruição. Aqui eu uso essa palavra no mais profundo e sincero significado: triste.

Bom lembrar que tristeza não me leva à depressão ou à desistência. Leva, sim, à digestão dos primitivismos no meu meio, à reflexão, a outras compreensões e atitudes. Sempre na função do serviço. Vida e trampo são a mesma coisa.

https://www.pragmatismopolitico.com.br/2020/04/diogo-azeredo-polo-morre-coronavirus.html?utm_source=push&utm_medium=social&utm_campaign=artigos

segunda-feira, 13 de abril de 2020

O recurso da rifa



Parados em Cavalcante, uma cidadezinha ao norte de Goiás, no meio da Chapada dos Veadeiros, estamos sem poder vender, sem poder fazer eventos e exposições, gastando o que estávamos juntando na viagem pra chegar de volta em condições de pagar as despesas, comprar matéria prima – papéis, manta magnética, camisas, tintas, etc. – e se sustentar pelo tempo em que estivermos produzindo até juntar mercadoria outra vez. Não havia rolado nem metade da viagem quando a pandemia foi “decretada” no Brasil, pra nós foi primeiro em Brasília, depois em Goiás, até pararmos por aqui, a convite de Tiago Gaúcho, pra olharmos os acontecimentos e como se estavam encaminhando as coisas. Pra tomar pé da situação real, se informando por meios de comunicação mais confiáveis que a mídia. Então Palmas desmarcou o evento, dois dias depois o Ceará fechou as fronteiras e nós até pensamos em voltar pra casa, cruzando todo o estado de Minas. Mas era o período em que a pandemia tava no tempo de infestação, no período da contaminação – e aí não dava mais pra não ver, dava pra sentir que a coisa ia ser uma avalanche, embora não quisesse acreditar. Em cinco adultos e uma criança, decidimos ficar por aqui. Com uma sensação de apocalipse. Alugamos um quarto pro mês.
Como recurso pra bancar as despesas e não acabar a grana toda, Ravi e Satya sugeriram uma rifa, o que achei uma boa idéia. No momento, é uma forma de fazer frente às despesas inesperadas sem acabar com a grana toda, sem ficar a perigo geral. As coisas foram escolhidas hoje, conforme as fotos mostram. Só pra referência:
·         Três camisas, duas de sessenta reais (baby look G), uma preta de setenta (tamanho a escolher), total R$ 190.
·         Coleção completa do fanzine “Pençá”, dez reais cada um, total R$ 50.
·         Coleção dos livrinhos feitos à mão, tamanho cordel, 16 páginas, também dez cada, R$ 50.
·         A trilogia do povo caminhando, a família humana em direção à tomada de consciência, cada um custa 50 reais, o bondinho também a 50 e o “Loucos” a 60, total, R$ 260.
·         E os ímãs – chamados “de geladeira” – a 4 reais cada um, são cinco, total R$ 20.

   Dez reais cada bilhete da rifa. Serão, ao todo, duzentos bilhetes, vendidos no feicebuque, por mensagem na página 






Em 1996, quando eu morava em Santa Teresa, aprendi com Moisa a trabalhar com malha, fazendo camisetas desde a modelagem. Então fiz desenhos pra estampar as minhas próprias camisetas, enquanto trabalhava nas dela, em sociedade. Quando ela resolveu voltar ao Maranhão, seu lugar de origem, eu já tinha vários desenhos, entre eles essas pessoas caminhando. A idéia era que a humanidade caminha através do tempo e do espaço em direção à tomada cada vez maior de consciência. A consciência de que é uma família planetária, que chegaria junto com a consciência de que há infinitas famílias planetárias pelo universo afora. Durante anos imprimi e vendi esse desenho, em camisas e em papel pra emoldurar e “vestir” paredes nuas. Representam exceções na multidão condicionada, que caminha presa de padrões e valores comportamentais medíocres e impostos por uma sociedade mediocrizante.


Em 2003, levando em conta que as exceções chamam a atenção e que consciência contamina, fiz um segundo desenho sobre o mesmo tema. Mais pessoas caminham em direção à tomada de consciência, mais pessoas se destacam dos valores vigentes, vendo e sentindo mais por conta própria do que pelas imposições sociais, pelas lavagens cerebrais da educação, da cultura, da mídia, do jornalismo distorcedor. Mais gente percebendo a falsidade das propostas de vida que a sociedade apresenta e tomando iniciativas “loucas”, na visão convencional. Há mudança de pessoas, mas muitas permanecem. A lavadeira, com trouxa de roupa na cabeça, foi minha vizinha no Alto de São Francisco, na Boca do Rio, em Salvador. De mão dada com ela, o neto – ela cuidava dele enquanto a filha trabalhava fora, num emprego – e o cachorro que ia sempre com eles, quando ela levava pra entregar e trazia pra lavar mais.




Em 2010, finalmente, resolvi representar a humanidade como se fosse inteira, pra simbolizar um futuro ainda distante muitas gerações, num planeta mais evoluído, numa sociedade mais humana, onde não existam a fome, o abandono, a miséria, gente largada como lixo. Uma sociedade que priorize o bem estar de todos, incluindo bichos e plantas, equilíbrio social e ambiental, harmonia planetária. Aí, sim, poderemos desenvolver estágios superiores de existência. Nesse desenho eu me retratei e a meu filho Ravi, coloquei o Pepe – meu irmão peruano afro-asiático -, o Gandhi, numa humilde segunda linha, minha amiga Helena Cristina, com uma mecha branca no cabelo. A bruxa está nos três desenhos, representando a mística diferenciada, não convencional e perseguida por séculos de dominação cristã, com sua sabedoria resistente a toda tentativa de extermínio. Ela está caminhando voluntariamente – eu digo sempre que ela estava voando na vassoura que está carregando, viu a multidão e desceu pra participar da caminhada, em solidariedade humana. Tentei abranger o máximo de tipos humanos que pude me lembrar, nesse pouco espaço do papel. A intenção é representar a humanidade como um todo, caminhando junto como família que é.




Essa frase eu encontrei numa folha de papel de caderno amassada como uma bolinha, no chão de uma padaria de Salvador, em 83 – se me lembro bem. Brisa já era nascida, Adhara nasceria no fim do ano. A vontade de colocar no meu trabalho o que eu estava pensando, vendo e sentindo, da vida e do mundo, se desenvolvia. Descobri nessa época a gravura em metal, então com ácido nítrico, e comecei a colocar pensamentos, desenhos, coisas minhas, mais artísticas, no artesanato. Essa foi uma das primeiras frases. Na padaria, havia começado uma discussão no caixa e eu, entediado, “isso aí vai demorar...”, procurava com os olhos alguma coisa pra fazer quando vi a bolinha de papel no chão, perto do meu pé. Peguei e abri, a folha estava toda escrita com frases. Quando vi a dos loucos, a identidade foi imediata e inevitável. Fui chamado de louco quando saí do Banco do Brasil; fui chamado de louco quando pedi desligamento do exército; era chamado de louco porque passava dias na reserva florestal do Mestre Álvaro sozinho no meio do mato, ou viajando de carona nas férias, dormindo no chão e me expondo a “desconfortos”; fui tido como completamente pirado quando larguei a universidade pra lá e segui em busca sem saber bem do quê, satisfação em viver, eu dizia. Eu me senti elogiado na frase, identificado. Foi só em 98 que fiz o primeiro desenho em nanquim pra imprimir na serigrafia, em papel e em tecido. Naquela folha de caderno cheia de frases, na Bahia, constava o nome de Jean Paul Sartre como autor. Durante muitos anos vendi com essa autoria, até que, em Santa Teresa, na primeira década do milênio, um italiano protestou. Não era de Sarte, mas de Carlo Dozzi, “um italiano como io!” ele enfatizou. Aí tive que refazer as matrizes, pra corrigir a informação. Na verdade, creio que importa mesmo a reflexão, o pensamento. A autoria é bom saber, mas não é necessário. Antenas são importantes, na medida das mensagens. Mas são as mensagens a essência da comunicação, a antena é apenas a forma da comunicação. Enfim, no desenho que vai no pacote da rifa tá escrito Carlo Dozzi.




Esse desenho foi feito numa remessa decorativa, a pedidos insistentes pra que fizesse paisagens do Rio de Janeiro, que quase não havia no conjunto do trabalho, focado em pensamentos, reflexões, questionamentos, textos e frases. Encontrei uma foto em preto e branco, mais de quarenta anos de antiga, e copiei a nanquim. O motorneiro aí envelheceu dirigindo os bondes do bairro de Santa Teresa e morreu num acidente há seis ou sete anos atrás, onde morreram várias pessoas e dezenas ficaram feridas. O bonde perdeu o freio na descida, descarrilhou e bateu num muro de pedra. Nélson, o motorneiro, sabia que era precisos pular e ficou gritando praquele monte de estrangeiros pra pular. Os poucos brasileiros pularam, os gringos não. Nélson ficou tentando fazê-los entender até a batida, esqueceu de pular. Não resistiu aos ferimentos. Eu já tinha o desenho, havia conferido com ele mesmo, já mais gordinho, usando suspensórios, bigode já branco, mostrando pra e perguntando se não era ele. “Ih, rapaz, cê fez essa foto, isso tem mais de quarenta anos, olha eu magrinho, nem usava suspensório...” ele riu. Hoje, no total, a foto tem mais de cinqüenta, o desenho tem pouco mais de dez. O bonde não é mais o mesmo, nem passa nessa altura da avenida Almirante Alexandrino, espinha dorsal do bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro.


Pequenos pedaços dos livrinhos feitos à mão, tamanho cordel.


Página central de "O cinco estrelas e a periferia".









Ímãs chamados "de geladeira"





Então, somando tudo: 190+50+50+260+20 = total geral de R$ 470. A rifa será de dez reais. Tá incluído o correio pra levar seja onde for, daqui de onde estamos a tarifa é bem maior pra sul, sudeste e nordeste, onde meu trabalho é mais conhecido. Serão duzentos números, quem levar leva por dez reais tudo. Pra nós, um recurso de sobrevivência. Pra quem levar, fartura de textos, informações, pensamentos, reflexões, desenhos pra decorar as paredes e três camisas - por dez reais.
Caso dê resultado, faremos outros pacotes – e estamos aceitando sugestões que sejam apenas isso, sugestões. Exigências vão pra outro departamento, a cesta seção (é cesta mesmo, não sexta).

Dez reais cada bilhete da rifa. Serão, ao todo, duzentos bilhetes, vendidos no feicebuque, por mensagem na página 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Récordes de mortos em 24 horas, nos EUA e no Brasil. Fora o que não é notificado.

O Estado mantém o controle, por cartórios, sobre nascimentos e mortes dos brasileiros, na intenção das "políticas públicas" e pra suspender os pagamentos de pensões, aposentadorias e benefícios que a sociedade é obrigada a prover à maioria da população, sabotada e roubada em seus direitos constitucionais, humanos e fundamentais. Isso dá possibilidade de se demonstrar, agora, a omissão, a ocultação do número de mortes pelo coronavírus. As autoridades tentam minimizar a epidemia do covid-19, no momento a serviço de interesses empresariais. Daí ser possível compreender como esses interesses são precários em humanidade, em solidariedade, em consideração pela vida.

https://www.pragmatismopolitico.com.br/2020/04/cartorios-revelam-como-governo-nao-esta-contabilizando-mortos-por-coronavirus.html?utm_source=push&utm_medium=social&utm_campaign=artigos

Levando em conta os registros oficiais, ontem à noite se publicou o maior números de mortes em 24 horas no Brasil. Foram 114 mortos pelo coronavírus, do dia 6 à noite até ontem, 7, às 21:47h, momento da publicação. Os EUA, que são o "exemplo" seguido pelo mandatário nacional em subalternidade explícita, registraram também um récorde nefasto, 1.939 mortos em 24 horas, conforme boletim oficial também de ontem à noite.

https://brasil.elpais.com/brasil/2020-04-08/brasil-registra-recorde-de-mortes-por-coronavirus-em-24-horas-e-busca-garantir-estoque-de-respiradores-com-a-china.html#?sma=newsletter_brasil_diaria20200408

https://www.cartacapital.com.br/mundo/eua-t%C3%AAm-quase-2-mil-mortos-por-coronavirus-em-24-horas/?utm_campaign=novo_layout_newsletter_-_08042020&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

Ao mesmo tempo, se vê a população circulando, depois de alguns dias de confinamento. Em vários centros comerciais pelos interiores as pessoas estão em quase normalidade, a preocupação dispersa pela necessidade imediata e com o estímulo governamental pra "ir trabalhar", de acordo com pressões patronais - uma força eleitoral deste "governo". Em um monte de cidades vejo comentários de que as pessoas não respeitam distâncias, procedimentos, a maioria sem máscaras, sem álcool gel, sem cuidados, como se o vírus fosse uma grande mentira. Não se sabe quantas mentiras há por trás do Covid-19, como de resto por trás de todo o jogo "político" encenado no teatro dos "poderes públicos", mas se vêem as consequências e é preciso tratar com elas. As cenas de terror vividas no Equador (depois que milhares de imigrantes retornaram da Espanha infestada), com cadáveres pelas ruas, sendo queimados, postos fora de casa por familiares, lotando necrotérios e hospitais a ponto de juntar nuvens de urubus atraídos pelo cheiro da putrafação cadavérica, deveria ser advertência suficiente para a gravidade da situação. Deveria ser suficiente pra modificar a disposição de ir pra rua e retomar a vida em nome da economia, porque isso seria também em nome da contaminação em massa e suas macabras consequências. Mas aí se esbarra na irresponsabilidade dos interesses econômico-financeiros, na alma anti-social desta estrutura social. É de se esperar a tragédia. Que deve esclarecer, da pior forma, os que tiverem ainda alguma sensibilidade entre os que apóiam esse "governo". Pelo que parece, não são muitos.

https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-04-08/interior-de-sao-paulo-relaxa-quarentena-e-acelera-contagios-13-polos-podem-espalhar-coronavirus-em-efeito-cascata.html#?sma=newsletter_brasil_diaria20200408

https://www.atribunarj.com.br/covid-19-sao-goncalo-registra-mais-duas-mortes/

Centro de São Gonçalo, ontem. Não tá tão cheio como costuma, mas não está vazio como recomenda a pandemia. 


observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.