sexta-feira, 21 de março de 2014

Propaganda, publicidade e márquetim - atividades criminosas

Vito Giannotti possui fontes preciosas. Encontrou os filmes de propaganda anticomunista que foram repetidos à exaustão na preparação da "opinião pública" pro golpe de 1964 e despertando ódio contra o comunismo e os comunistas. Na ainda primitiva televisão, nas rádios, nos jornais, nos cinemas, em cartazes e placas, se fez um massacre publicitário, com orientação da matriz estadunidense. Em suas palestras, começou a utilizar os filmes pra denunciar a força da propaganda, as distorções e mentiras anunciadas como verdades absolutas, o despertar do medo como forma de paralisar. Mas desistiu. O troço é tão insidioso que as pessoas vinham opinar que "de certa forma", algumas coisas eram "verdade", se deixando levar mesmo diante das advertências. A porra é demoníaca.


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"A publicidade é um cadáver que nos sorri."         Oliviero Toscani


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A publicidade, a propaganda, o márquetim têm sido atividades criminosas dentro da sociedade humana. Mentem com extrema eficiência, distorcem a realidade de forma convincente, induzem opiniões, valores e comportamentos nocivos, doentios, que dispersam o pensamento e aprisionam as consciências. E se orgulham disso, quando deviam se envergonhar. O engano se comemora como êxito. A mentira é um sucesso.

O maior e mais profundo trabalho revolucionário está dentro de cada um de nós, condicionados que somos, sem defesa, desde o útero materno, por toda a infância, adolescência, juventude e maturidade, pra quem já chegou nela. Repetimos, sem perceber, condicionamentos do nosso próprio inconsciente, profundamente trabalhados pela psicologia aplicada na criação dos padrões vigentes.

Vivemos com medo e desconfiança, tememos derrotas que o mundo oferece por atacado, almejamos vitórias reservadas a poucos, amargamos a angústia de uma vida sem sentido verdadeiro, perdidos em sentidos artificiais que se impõem sob ameaça velada ou descarada. Alegrias tristes pontuam nossas vidas, superficiais e fugidias, enquanto tristezas abissais nos aguardam a cada silêncio, a cada momento de solidão e pensamento, na forma de angústia e falta de sentido na vida.

19 comentários:

  1. Muito interessante... se não me engano no seu livro "Opiniões e Pontos de Vista" vc diferencia propaganda da publicidade, onde a primeira tem o papel de informar já a segunda deve ser considerada criminosa pois cria necessidade desnecessária... impõe valores absurdos, valorizando o supérfluo . Porém, gostaria de entender na humildade seu pensamento sobre "o poder" juntamente com suas implicações para o gênero humano. Bem, ultimamente andei refletindo como o poder fascina, seduz, manipula, ostenta, tem uma necessidade inerente de ser aceito e reconhecido, uns acham que possuem o poder indicado por "Deus" e o exercem em suas religiões outros legitimam tal autoridade pela herança ( monarquia) e por fim o poderosos políticos que podem ser divididos em 3 :grupos 1) a falsa democracia representativa, 2) ditaduras e a 3) o capital econômico por trás tanto das falsas democracias e ditaduras. Poder, dinheiro e mulher, interessante como estas três palavras tem relações tão estreitas e perigosas ao mesmo tempo, uma puxa a outra. Tento entender as loucura que os homens fazem por essas três palavras más não me convenço de que tal busca se acha acima do bem e do mal para defender seus interesses pra isso, mentem, roubam, matam, torturam. Pensei que o caminho era a participação política, ledo engano, hoje entendo que tanto o capitalismo e o socialismo foram financiados como uma experiência só pra ver o circo pegar fogo, onde quem pode mais chora menos e o capitalismo venceu. Não defendo mais nenhuma ideologia é tudo farinha do mesmo saco, defendem suas ideias como pretexto de acumular mais poder, dinheiro e mulher.

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  2. Publicidade cria desejos de consumo, estimula vaidades e disputas. Propaganda é ideológica, forma opiniões e mentalidades, comportamentos e costumes. Na atualidade, nem a propaganda nem a publicidade informam, e sim deformam a realidade de acordo com os interesses do punhado super-empoderado que domina os poderes dito públicos - que são, na verdade, controlados dos bastidores luxuosos e ostensivos dos vampiros da humanidade, mega-endinheirados, mimados e desumanos.

    O grupo humano não é um bloco homogêneo. Há anjos e demônios entre nós, embora a esmagadora maioria ainda não esteja em condições de se assumir e seja levada pelas tendências e imposições criadas de forma subliminar ou explícita pelos que se julgam superiores e jogam sem escrúpulos com bilhões de vidas, se beneficiando da desgraça das multidões.

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    1. Então... Eduardo a sua simpatia pela esquerda começa e termina aonde? Exemplo: Cuba possui os melhores índice de saúde e educação do planeta, mas não há alternância de poder, quem manda lá é sempre os mesmos. Um ser humano tem o direito de controlar o direito de ir e vir de outro? Por exemplo, os médicos cubanos não podem vir com seus familiares em suas missões. Não é contraditório tal governo usar a lógica capitalista de exploração(médicos) pra manutenção de seu regime? Os fins justificam os meios? Qual suas opiniões?

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    2. Minha simpatia é pela insatisfação com as injustiças cotidianas impostas à coletividade humana por essa estrutura social concentradora, exploradora, perversa, covarde. Essa insatisfação é o que move as contestações, sejam de que natureza forem. Não me sinto com moral pra falar de Cuba a partir de um país com tanta miséria, fome e ignorância. Repetir a mídia me constrange, as razões de Cuba são fortes o suficiente e as conseqüências são visíveis pra olhos que procuram ver a realidade.

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  3. Queria pensar igual a você, mas mudando o viés político para o humano não me sinto confortável em pensar que lá em Cuba com certeza esses "poderosos" mataram em nome de sua ideologia, fico imaginando também os privilégios que essa elite poderosa cubana deve possuir, principalmente em relação à alimentação comparada a maioria de sua população. Sinceramente os fins também justificam os meio da mesma forma, tanto no socialismo como no capitalismo. Engraçado não vejo diferença entre "poderosos" aqui ou na China ou em Cuba - usam ate´roupa de marca Nike, Adidas. é só procurar na google têm um monte de fotos do Fidel com tais marcas.

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    1. Não sei, mas acho que "elite" e "poderosos" em Cuba não se compara ao que vemos de elites e poderosos por aqui. E a má vontade com a ilha, na minha opinião se dá por motivos bem simples e facilmente confirmáveis. Não pretendo crer em sociedade perfeita, mas em aperfeiçoamento - e dessa maneira de ver, não temos moral. Uma sociedade sem desabrigados, sem analfabetos, onde todos (TODOS) recebem atendimento médico (com a mentalidade que se vê em entrevistas de médicos cubanos e, mais importante, dos pacientes tratados por eles - medicina como serviço humano e solidário, pra horror dos laboratórios e da medicina de consumo), onde livros custam tanto quanto picolés, há tantos espaços de debates, de encontros, de cultura. Essas informações são fáceis de confirmar, mas não através da mídia comercial, mentirosa e criminosa que, numa sociedade que se desse ao respeito, jamais teria uma licença pra fazer comunicação pública, por impossibilidade moral historicamente comprovada.

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    2. Esqueci de mencionar um motivo de ódio pros interesses mega-empresariais, infalível: em Cuba é proibida a publicidade comercial, é proibido estimular o consumo desnecessário. Ao contrário, recomenda-se consumir apenas o necessário, pra que não falte pra ninguém. Afinal, o país enfrenta um bloqueio sujo e brutal por parte da potência mundial das corporações, sabotagens e atentados há mais de cinqüenta anos, situação que acabou gerando um orgulho cubano e uma união popular sem precedentes nas Américas - daí o terrorismo da mídia comercial privada contra Cuba, um precedente a ser eliminado. É esse o pavor dos punhados, das elites exploradoras dos recursos públicos, do Estado e da população em geral: a união dos povos, dos de baixo, os imprescindíveis da sociedade mantidos no escuro da inconsciência, da ignorância de sua própria importância. A consciência do que acontece se espalhando pra todo lado é o pesadelo dos grandes vampiros e suas elites subalternas locais.

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    3. No meu humilde ponto de vista, sempre tenho dificuldade de compreender/aceitar que temos liberdade.
      Liberdade numa economia de mercado??? Como assim?? Pensando na prática da vida, nós temos hoje 1 kg de tomate custando, em média, R$ 10,00. Isso corresponde a 1,5% do salário mínimo. E o preço do feijão R$ 3,5 - 0,5% do salário mínimo -.
      Veja, 1,5% e 05,% do salário de uma criatura que, de ordinário, não é um ermitão, as pessoas têm famílias... é muita loucura!! Para fazer isso compreensível pra algumas pessoas, façamos uma comparação: digamos que seu salário seja de R$ 8.000,00 (hipótese), isso corresponderia ao preço do tomate a R$ 120,00 e o preço do feijão R$ 40,00. Acho que, nessa situação você se sentiria agrilhoado, ultrajado e privado dos seus mais lídimos direitos. Isso, principalmente se tivesse o conhecimento de que esses preços são irreais, eles são fabricado, por que, caso a safra seja muito boa e venha a significar uma baixa nos preços, essas pessoas solucionam esse “problema” com um método muito simples: incineração do “excedente”. É assim que a “mão invisível” ajusta o mercado.
      Ah! Detalhe, você só vai e vem se estiver com, no mínimo, sete pratas no bolso. O que é muito para a massa esmagadora da população. Assim, ficam presos em suas cidades.
      Contudo, a propaganda está aí mesmo para nos fazer acreditar que é o Cuba o pior lugar do mundo, que é lá que se sofre todas a injustiças . Que hoje é um novo dia de um novo tempo... Pra quem mesmo, hem!??
      Só teremos parâmetros justos de análise se nos colocarmos no lugar do outro. Se a gente ajustar os preços aos nossos salários, saberemos mais apropriadamente o peso que o outro está suportando.
      Liberdade não se coaduna com objetivos de adquirir vantagens imorais, pois se trata de situações diametralmente opostas.
      Toda empresa é uma ditadura: um manda, e, todos obedecem – se se tiver juízo, dizem-.
      Isso tem de mudar. E, depende de nós.
      Parabéns, Eduardo. Seu trabalho é ótimo.

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    4. Fato: o mínimo vigente quem dita é o mercado e não a Constituição! Eu não quero defender nem direita, nem esquerda pois ambos distorceram os ideias de liberdade, igualdade e fraternidade prejudicando grandemente o gênero humano. O Eduardo explica muito bem como e porquê o povo é condicionado a trabalhar por essa querela chamada de "salário mínimo" - olha aqui povo - vocês aceitam esse pouquinho se não vocês serão miseráveis e ao mesmo tempo instiga esse mesmo povo a desejar bens de consumo para - criando assim um ciclo vicioso. E quem tem... aí a coisa fica pior pois o incentivo é para acumular mais e mais, isso que quando se morre não se leva nada!

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  4. Por razões que você explicitou em seu comentário/resposta de 24 de março, é que a mídia capitalista/neoliberal está sempre torpedeando Cuba, Venezuela; são regimes que se importam tanto com o País como com seus habitantes; Cuba está, digamos assim, estável no que se propôs a fazer; Venezuela luta ainda, desesperadamente, para consolidar seus objetivos maiores; está bem mais difícil pra ela, agora, sem Hugo Chávez. O QG Internacional de Poder, com infiltrações em TODAS as instâncias, não quer governos que não sejam totalmente alinhados ao seu comando; qualquer mínimo desvio e começam os ataques da porta-voz do sistema - MÍDIA CAPITALISTA/NEOLIBERAL, tão poderosa quanto, pois é o principal braço de penetração em qualquer parte do Mundo, salvo naquelas em que foram -BANIDAS!

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  5. Eduardo, você tá vendendo seu livro ainda ou eu acho por outro endereço? valeu!

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    1. Lugar estranho pra fazer contato... Vendo o livro, sim, o endereço tá no cabeçário do blogue, arteutil.em@gmail.com.

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  6. por Sergio Venuto, 26/Março.2014 no feicebuque:

    "Por definição, publicidade é desinformação. Ela é ferramenta para divulgar, promover um produto (serviço, etc) baseada em persuasão, sedução, condução, etc. Portanto, publicidade e informação realmente não combinam. E ainda tem o tal do "informe publicitário" tentando nos convencer de que o anúncio é uma reportagem.

    Mas, assim como "especular em bolsa = investir", "publicidade = informação". Ah, e papai noel existe, já que eu posso confirmar por morar numa colônia finlandesa!

    E no fim, o brinde com a cerveja Brahma, com ou sem chocolate Lindt, acompanhado de Jack Daniels, é só uma realização ingênua da nossa liberdade de escolha e do viver a vida.
    Ah, e não esqueçamos de ligar a sky, no campeonato brasileiro, pra torcer pro nosso time ganhar do outro, preferencialmente usando a camiseta oficial nike de R$ 200.
    Mas isso só tem validade se a gente ficar reclamando da vida, deste mundo insano, desses capitalistas selvagens, deste sistema injusto, enquanto abrimos a porta do nosso escritório para a copeira entrar e nos servir um cafezinho para a próxima reunião de negócios com o objetivo de vencer a concorrência, maximizar lucros e expandir mercado do mais novo produto essencial para a humanidade!"

    e segue... quebrando correntes.

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  8. Fala mano, mano qual sua opinião sobre o marco civil da internet? abraz

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  9. A ideia de uma indústria do entreterimento é alienante de nós mesmos ao meu ver, criando na fantasia, desejos da vida real, uma vida ficticía. E com essas distrações, deixamos de conhecer a nós mesmos, perdemos a capacidade de lidar com as intempéries da vida e buscamos resolver nossos problemas com elementos externos, consumindo. Rolezinho ao shopping, viagens, remédios. Devemos prestar mais atenção em nós mesmos. Eu particularmente me sinto muito mais feliz apreciando um pôr - do - Sol do que comprando um tênis de marca feito com mão de obra escrava. E rapidamente sobre o assunto referente aos modelos político - econômicos, acho que eles estão ligados as mãos que o conduzem. Tão pouco importaria qual fosse se soubessemos realmente viver em sociedade, com solidariedade, moral, humanidade.

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  10. E ainda tem gente que faz uma faculdade dessa e dedica 1 terço do seu dia para enganar e manipular as pessoas. Além de não contribuir em nada para a sociedade, ainda atrapalha.

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  11. Ja li o livro do eduardo marinho e pirei na visão de mundo do mesmo
    Ederson paulo
    Valinhos sp

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  12. Eduardo marinho, sou um estudante de 16 anos.. E quero saber qual a sua opinião sobre o sistema educacional da maioria das escolas que ainda possuem moldes de uma fábrica.

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