sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Eduardo Marinho - forças armadas, psicologia do inconsciente e democracia

Vídeo feito por Aline Campbell, que veio à minha casa pra isso. Em agosto.

O tema forças de segurança não costuma ser visto pelo lado humano da coisa. As polícias são como a sociedade, principalmente a militar. A maioria é de classes baixas, soldados, cabos e sargentos, e há a minoria formada nas academias, as universidades policiais, que são os oficiais, a minoria de elite, superior, que comanda os praças, subalternos com menos estudo - não menos vida -, mas que são quem põe a cara pro povo, quem põe a mão na massa, quem cumpre as ordens dos de cima, enfim, quem faz as coisas funcionarem. Como em toda parte.

Não entendo por que não se questionam as instruções recebidas pelos agentes da segurança pública. Que instruções são essas? Quem as planeja e qual o seu real objetivo? Como são dadas, em que consistem, quais as matérias, o que aprendem os policiais? Quais as reais intenções do tipo de instruções recebidas pelas forças de segurança pública? Não estou falando da balela retórica sobre funções sociais. Como e por que se forjam pessoas tão insensíveis ao sofrimento alheio, capazes de atacar quem quer que seja, sob qualquer pretexto? Qual visão da realidade é implantada nessas pessoas sem defesa crítica, sem formação de cidadania, sem instrução nem informação verdadeiras, oriundos que são do sistema de educação pública e alienados como são pelos meios de comunicação? Pra quê eles são realmente preparados? Sob que tipo de pressões? Que tipo de ideologia é passada nas instruções, que formação ideológica é imposta nas forças de segurança? Por que as instruções não são públicas ou publicadas? Pelo comportamento que se vê, é clara a disposição antipopular dos policiais, é clara a compulsão à violência, à agressão gratuita, ao desrespeito à lei e à cidadania, a indiferença com a dor alheia e com a legislação. As polícias são colocadas fora e acima da lei - e isso atrai os mais nocivos, as piores pessoas, com tendências sádicas, caráter corrupto, arrogantes, violentas, criminosas. E os que não são assim são discriminados e evitam o trabalho nas ruas, preferem o interno, na burocracia, na mecânica, na saúde, em qualquer dos setores que não estejam em contato com a barbárie rotineira das ruas. Aí pesam as garantias trabalhistas - plano de carreira, atendimento médico, escolas pros filhos, treinamento, armamento, fardamento, moral social numa estrutura que desmonta os direitos trabalhistas, onde ninguém tem garantia de nada e a flutuação de trabalhadores é cada vez maior. O Estado garante tudo aos seus mais importantes servidores, encarregados de conter a população roubada em seus direitos fundamentais, revoltada contra uma estrutura que os sacrifica pra privilegiar minorias ricas. Quando os excessos vêm a público, pune os elementos envolvidos - se não há alternativas pra aliviar - pra "demonstrar" que "não admite" criminosos numa estrutura feita pra ser criminosa.

Idiotas são os que atacam as forças de segurança - elas foram preparadas pra isso mesmo. Estes, com isso, apenas confirmam as instruções que são diariamente recebidas pelos policiais e, geralmente, provocam o seu ataque a quem não tem nada com isso e está apenas se manifestando. Uma burrice covarde e contraproducente, que joga a favor do sistema fazendo pose de contra.

Ressalva aqui aos blequibloques que entram na defesa, depois que a polícia ataca. Aliás, essa foi a origem, na minha visão, dos blequibloques brasileiros. Depois de uns dias em que a polícia atacava barbaramente os manifestantes, eles começaram a aparecer. Em bloco e pra encarar. Mas, na mídia, a polícia sempre "revida", "reage", "é obrigada a intervir".



5 comentários:

  1. '' até que a filosofia que torna uma raça superior e outra inferior seja finalmente, permanentemente, desacreditada e abandona, haverá guerra... rumores de guerra.. até que direitos iguais prevaleçam pra todos sem distinção de raça, de credo ou de cor haverá guerra.. rumores de guerra..''

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  2. Eduardo, preciso lhe admoestar. Desculpe. O teu discurso, de uns tempos para cá, tem migrado para um tipo de radicalismo subjacente. E eu o leio como muita atenção, acredite.

    Você, mesmo com esse discurso manso, dito pacifico, está fomentando o ódio e o rancor na sociedade. Não percebe? Não é possível que não perceba. Se não prcebe, fique atento, pois é o que está fazendo. Seja sincero, que tipo de sociedade você quer, Eduardo? Comunista? Sei e ja li que é contra revoluções. Mas não se da conta que está fomentando uma? Pergunto pois sei que estudou o marxismo e o teu discurso está impregnado de marxismo. O leitor comum não percebe, óbvio, mas eu percebo -- e se percebo.
    Você acha mesmo que o rico é um criminoso que rouba dos pobres? Acredita mesmo na teoria da mais valia? Sério? O que você propõe? Que se mate os ricos como propôs Marx? Que se implante uma medida ditatorial para acabar com as propagandas? Você defende o MST? Você sabia que eles tem orientação ideológica comunista? Sabia que estão sendo treinados pela ditadura da Venezuela? Você sab o que é o Foro de São Paulo? Que tipo de orientação moral você segue, Eduardo? Me explique pois não estou entendendo.

    Quanto aos policiais; sim existe um treinamento ruim. Concordo. Mas em que ajuda condenar toda a polícia e fomentar o ódio contra o policial? Você sabia que o Brasil é um dos países onde mais se mata policiais no mundo, Eduardo? Sabia que morrem no Brasil, assassinadas por bandidos, mais de 60,000 pessoas por ano? O que você acha que fomenta a criminalidade no Brasil? A desigualdade, ou discurso que justifica o roubo pelo incentivo da propaganda? Ou seriam ambos? Acha mesmo que alguém só rouba por não poder ter algo? Ou será porque é mau caráter? Sim, pois nem todo miserável rouba. E você sabe disso.

    E que mal há em alguém querer ficar rico? Pode até ser um desejo fútil, mas isso é um direito da pessoa, que você pode criticar, mas não pode condenar. Afinal, alguém é virtuoso apenas por ser pobre? Uma pessoa rica não pode ter virtudes? O que me diz de Goethe? Não era rico? E não foi um grande poeta?


    Olha, sinceramente, o Brasil é um país desigual por conta de discursos equivocados como o teu, Eduardo. Vá ver como vivem, por exemplo, os pobres americanos e canadenses. Lhe garanto que vivem melhor que a casse média daqui. Não é condenando a riqueza que se acaba com a pobreza. Se acaba com a pobreza reduzindo impostos, deixando o mercado mais livre e disseminando ideais e valores elevados na sociedade. Isso é perfeito? Não. Não existe sociedade perfeita e nunca existirá.


    Outra coisa: que raios de "ditadura empresarial" é esta? Me diga: onde é que um empresario manda em alguma coisa neste país? Uma empresa no Brasil não manda nada, está nas mãos do governo do PT. O governo dita as regras e quem não cumpre está fora. Simples assim. E isso, claro fomenta a corrupção. É um capitalismo de estado. Um governo semi-socialista. A política econômica que se pratica no Brasil é deixar o grande empresario ganhar dinheiro e nada mais. Ou seja, quem é amigo do rei tem tudo, quem não é fica às traças. Não viu o que aconteceu com a funcionaria do Banco Santander que falou mal do PT? Foi DEMITIDA. Que raio de empresário ditador e este?

    Eduardo, acorde, meu caro. A esquerda está destruindo o país. Não é possivel haver uma melhoria sem uma dialética ideológica. Aliás, não existe democracia sem debate ideológico.


    Para finalizar, não sei se ja leu os autores que listarei abaixo, mas eu recomendo muito. Leia-os urgentemente. Não fique preso apenas no universo da esquerda, existem outros spectros na política; espectros que podem ser analisados pelo prisma da dialética em seus pontos fortes.



    Mario Ferreira dos Santos:

    1 - http://www.iphi.org.br/sites/filosofia_brasil/mario_ferreira_dos_santos_-_o_problema_social.pdf

    2 - https://www.scribd.com/doc/153659511/Mario-Ferreira-dos-Santos-Analise-Dialetica-do-Marxismo-pdf



    Ludwig Von Mises: http://www.mises.org.br/files/literature/A%C3%A7%C3%A3o%20Humana%20-%20WEB.pdf


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    1. Não tô preocupado com esquerda ou direita, mas com a cabeça de hidra, do mercado financeiro ao mercado de mídia, dos poderes reais, não os teatrais dessa falsa democracia. Se propusesse alguma coisa, proporia que todos nos dedicássemos a entender como funciona esta estrutura doente da sociedade, por que produz tanta injustiça, miséria e ignorância, por que o Estado não cumpre os preceitos básicos da Constituição. Discussões teóricas são como discussões religiosas, não levam a nada além de insultos e conflitos. E isso não me interessa. Já existem acadêmicos demais fazendo isso. E se dedicando às suas próprias vidas, na esmagadora maioria.

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  3. A luz de fora existe, ainda que resistamos a sair da caverna. Po favor continue... descreva o que vê do lado de fora... Pouco a pouco, no tempo que é de cada um, encontraremos você do lado de fora.
    (Obrigada por isso)

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