quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Covardia contra a Aldeia Maracanã - são as grandes empresas, como sempre, manipulando seus fantoches políticos pra saquear o patrimônio público.

O antigo Museu do Índio, fundado por Darcy Ribeiro junto com várias lideranças dos povos originários, é a Casa do Índio no Rio de Janeiro, que tem hoje o nome de Aldeia Maracanã. A posse foi oficialmente dada a eles há muitos anos, e o poder público abandonou a casa, a idéia e as pessoas à sua própria sorte. A existência dessa aldeia, a ocupação desse espaço pelos nativos locais, desde antes dos europeus chegarem, contraria interesses empresariais. Como o Estado e a coisa pública são controlados pelos grandes ricos da sociedade, esse punhado que anda de helicóptero e põe o serviço público a seu serviço, a Casa do Índio foi se deteriorando - na certa com a torcida empresarial para que caísse. Mas a resistência existe.

O atual governador (devo dizer gerente) está empenhado em atender a demanda dos seus financiadores de campanha - tranformar esse reduto cultural, a primeira casa dedicada à cultura indígena na América Latina, num estacionamento para o chópim-center que será construído no Estádio Mário Filho, o Maracanã. O cúmulo da insensibilidade, do descaramento, da falta de respeito e da hipocrisia.

Falam em desenvolvimento... que porra de desenvolvimento é esse que só existe na matéria? Não se desenvolve a alma, não? Não dá vergonha a continuação do massacre secular, sempre por interesses materiais, nisso que chamam de riquezas, mas que empobrece escandalosamente o espírito? Somos uma civilização muito sem-vergonha, mesmo.

Falam em atraso dos índios... no entanto nas sociedade indígenas não há abandonados, não há privilegiados e sacrificados, a miséria e o excesso são desconhecidos e indesejados, por desnecessário. Exatamente a busca do excesso está na raiz das crueldades sem conta que se praticam todo dia, em toda parte. A ânsia por muito mais do que se precisa é causa primária da estrutura social em que estamos, onde a vida é uma arena onde todos são adversários, não existe solidariedade e tudo se resume no mercado de consumo e no mercado de trabalho - com o martelar de entretenimentos vazios pelo meio, pra servir de válvula de escape e ajudar a alienar o pensamento, a confundir a realidade. Não há moral pra falar da sociedade indígena, em uma sociedade tão injusta, perversa, covarde, genocida, ecocida e suicida.

A liminar que impedia a remoção dos índígenas de várias etnias da Aldeia Maracanã - e a demolição da casa - foi derrubada ontem e o governador tratou de reafirmar a intenção de retirar as pessoas que resistem lá, há anos - a ataques, ameaças, incêndios criminosos, bombas atiradas de madrugada, sabotagens e terrorismo cotidianos. Uma covardia descarada, mas é preciso acalmar os empresários que sofrem por ainda não terem construído o tal estacionamento. Afinal, eles investiram muita grana nas eleições, agora querem a contrapartida. A lei - ora a lei -, a única lei que esses caras reconhecem é a lei do mercado. E usam o jurídico pra dar um aspecto legal aos seus crimes morais. Contratam advogados que são verdadeiros malabaristas de leis. O que não é difícil, pois no direito romano que estrutura a legislação brasileira, patrício se dá bem e plebeu se fode.




(...)

Ontem, segunda-feira, dia 13 de Novembro, foi cassada a liminar que impedia a demolição do antigo Museu do Índio e protegia os índios da Aldeia Maracanã que lá residem. A Aldeia Maracanã é uma comunidade indígena multiétnica que já há 6 anos ocupa aquele espaço, abandonado pelo poder público, de forma construtiva, promovendo eventos culturais, preservando e tornando acessível a cultura indígena. Funciona como centro de referência para os inúmeros índios que chegam ao Rio de Janeiro, do Brasil inteiro, em busca de estudo e emprego. A queda da liminar representa uma ameaça da iminente retirada dos índios que lá moram. E, consequentemente, uma ameaça às suas vidas, uma vez que eles já se estabilizaram no local e não tem para onde ir. O próprio prédio -centenário - tem valor histórico e cultural inestimável, tendo funcionado como o Museu do Índio, fundado por Darcy Ribeiro e em operação até a década de 70 (hoje se encontra em Botafogo), e marcando os passos do Marechal Rondon.
Vale ressaltar, apesar da falta de verba para reforma, que o prédio está, na medida do possível, conservado e bem utilizado. Segundo o defensor público André Ordacgy, existe um laudo do IPHAN a favor da preservação do prédio, assim como um laudo do CREA afirmando que a reforma é possível.
Uma ocupação na própria aldeia, a favor da permanência dos índios e do prédio, está sendo organizada e em processo de efetivação. Pedimos, então, a cobertura da mídia como forma de dar visibilidade à manifestação e fazer pressão ao governo estadual e municipal, mostrando a posição contrária às remoções para a sociedade civil (esta que não foi consultada quanto às obras em nenhum momento).
Mando o contato de dois dos representantes da Aldeia:
Afonso Apurinã: 8362-1472
José Guajajara: 9504-7517

(Breno)

No vídeo abaixo, depois de apresentar a casa, termina apresentando um texto em que aparece a empresa interessada na demolição, IMX. Sabe-se que terminam em X as siglas das empresas do podre de rico Eike Batista, o mesmo que está financiando Unidades de Polícia Pacificadora em locais estratégicos. Com que interesses, não é difícil imaginar. Mas é um notório financiador de campanhas, o "investimento" mais seguro que existe e de maior retorno imediato em obras superfaturadas, em utilização das forças de segurança pública para a "limpeza" dos locais onde haja interesses empresariais (leia-se a remoção dos pobres, com direito a gases tóxicos, pancadas a rodo, tiros de borracha e o cacete. Diálogo gravado pela polícia federal revelou o conselho de um rico empresário a outro - "investe 30 milhões em campanhas e você tem 300 milhões em obras públicas pro ano todo". Esta é a sociedade em que vivemos. Vergonha de participar disso, não posso ser "normal" nessa merda social. Essa civilização é a própria barbárie. Com altas e baixas tecnologias, a alma é esquecida.
Com a exigência legal de audiência pública a respeito da privatização do Maracanã, o governo monta uma farsa e tenta ignorar a sólida oposição moral à entrega de mais esse patrimônio público à avidez empresarial por lucros a qualquer custo. Não só a Aldeia Maracanã, com a Casa do Índio, mas uma escola pública também está destinada, por esse governo-gerência, à demolição, para abrir espaço aos lucros tão ambicionados pelos financiadores de campanhas eleitorais, donos de políticos, sejam legisladores ou governantes.
Isso não é o Brasil, nem representa mais que a parte menor e mais doente da sociedade. Os governantes, os "representantes" do povo, são comprados nos balcões eleitorais. Não é de se estranhar que as ditas "políticas públicas" sejam decididas por empresários, nos bastidores das campanhas e no ar condicionado dos gabinetes. E há idiotas que responsabilizam a própria população, deliberadamente sabotada em instrução, em informação, altamente narcotizada pela mídia e pelo massacre publicitário, conduzida como gado aos infernos das suas vidas. Uma demonstração de cegueira e impiedade. As estratégias de controle, condução e repressão estão aí, no cotidiano, no dia a dia, em toda parte, explícito ou subliminar, declaradamente ou pelo inconsciente.

sábado, 10 de novembro de 2012

O silêncio, nada inocente, do Programa Nuclear Brasileiro


101112 mina Uranio
Foto: Mina de urânio em Caetité, no estado da Bahía, única em produção da América Latina

Brasil - Portal em Pauta - [Zoraide Vilasboas]

Dois acidentes, graves, em menos de um mês, expõem, mais uma vez, as vulnerabilidades do Programa Nuclear Brasileiro. Mas as autoridades responsáveis não saem do "sapato alto".
Vale tudo pra tentar reforçar a cortina do silêncio, com a qual tentam blindar os crimes ambientais praticados a 757 km de Salvador, pela unidade de exploração de urânio da Indústrias Nucleares do Brasil –INB, em Caetité, onde começa o ciclo de produção da cara e perigosa energia atômica, que ameaça a sobrevivência da humanidade, como vem alertando as várias catástrofe nucleares ocorridas no mundo (Chernobyl, Fukushima, etc.), deixando em seu rastro a letal contaminação radioativa.
Sexta-feira passada (2/11/2012), os operadores da INB enfrentaram, de forma precária, como é habitual, novo desafio. Estancar um vazamento de ácido sulfúrico que estava sendo drenado de um tanque, que estoca 100 mil litros do produto, para uma das bacias que armazenam licor de urânio. A tubulação do ácido furou e, com as chuvas, a contenção não resistiu. O ácido foi parar no reservatório de água pluvial, que é pequeno e, quando chove, costuma transbordar para o meio ambiente. Desde o acidente, a produção está paralisada. Vazamentos de ácido sulfúrico são corriqueiros na planta da INB.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Domínio público - documentário importante precisa de ajuda pra existir




Esse filme revela os por trás dos acontecimentos, traz à mostra a realidade por trás da realidade em que a maioria acredita. São revelações necessárias, raras, que tratam com todas as dificuldades que o sistema põe em seu caminho. Uma iniciativa pra se apoiar, de humanidade, de inconformação, de solidariedade.

Abraços a todos,
                             Eduardo.




Domínio Público

"Esse documentário começou a ser filmado há um ano atrás, de forma independente, com pouquíssimo recurso conseguido através da produção de um evento cultural. A equipe abriu mão de seus salários e os equipamentos foram cedidos gratuitamente. Percorremos as comunidades do Vidigal, Vila Autódromo, Providência, toda a Zona Portuária do Rio de Janeiro e o Maracanã, obtendo diversas imagens, entrevistando muitos moradores, participando de reuniões, debates e conflitos. Além disso, entrevistamos o professor Carlos Vainer do IPPUR/UFRJ, pesquisador sobre megaeventos, o Deputado Estadual Marcelo Freixo e o Deputado Federal Romário. Para entrevistar esse último, tivemos que nos deslocar de carro até Brasília, aproveitando a ocasião para fazer algumas imagens da cidade e das obras do estádio Mané Garrincha. Nesse período, investigamos para onde estão indo todos os bilhões investidos no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, visando a Copa do Mundo e as Olímpiadas. Está muito claro para nós, que grande parte desse dinheiro sairá dos cofres públicos e servirá para enriquecer um grupo muito restrito de empreiteiros, políticos, bancos e empresários envolvidos com esses megaeventos. O legado que vai ser deixado para a população é muito pequeno. E o pior de tudo: várias comunidades estão sendo removidas, ilegalmente, das áreas de forte interesse imobiliário para periferias distantes, sem nenhuma infraestrutura e dominadas por milícias fortemente armadas e extremamente violentas. Se você pensa que pode fazer algo para mudar essa realidade e não sabe o quê, colabore com o nosso projeto, onde o roteiro está aberto e podemos mudar o final dessa história. A sua doação vai ajudar na produção e divulgação dessas informações, incentivando a participação da população nas decisões sobre o seu futuro. Precisamos de 90.000 reais, o que ainda é pouco, pois queremos filmar muito mais, finalizar um longa-metragem, divulgar na internet e exibir nas ruas, praças e comunidades através do Cine Ataque. Acreditamos que o nosso vídeo pode chamar a atenção da sociedade para as injustiças que estão sendo cometidas contra o povo brasileiro. JUNTOS, NÓS PODEMOS INTERVIR NESSA REALIDADE. PARTICIPE !!!! ACESSE: catarse.me/dominiopublico"

Fausto Mota, Raoni Vidal e Henrique Ligeiro



http://www.facebook.com/ProjetoDominioPublico 



PARA ASSISTIR O FILME E DOAR, ACESSE: 

www.catarse.me/dominiopublico 



Texto da postagem de 20 setembro


Acabei de assistir esse vídeo, precioso por sua raridade, por seu ponto de vista do chão da sociedade onde toda a estrutura se sustenta.  

A coisa toda é simples demais. Os mais ricos dos mais ricos dominaram a sociedade. Pressionam o supremo tribunal, o congresso, as câmaras legislativas, mandam em governos, dispõem de farto apoio dos organismos públicos, dominam as comunicações, fazem a cabeça do povo pobre, das classes médias e das elites subalternas. Induzem comportamentos e valores que sustentam todo o sistema, esvaziando a vida de qualquer sentido além do consumo compulsivo, a busca de riquezas, a competição permanente, os preconceitos, as divisões, as rixas e disputas. A estrutura social se alimenta dessas coisas. E nós pagamos o preço em angústia, colaborando inconscientemente, sem questionar se nossos valores são mesmo criados por nós - ou são induzidos pelas convenções e pela psicologia do inconsciente, muito usada pela publicidade, além da própria educação -, se queremos realmente viver como vivemos e senão, por que vivemos assim, quais são as causas dentro de nós, como foram e são produzidas desde fora - por cabeças estudiosas das entranhas do inconsciente - e o que podemos fazer pra acabar com elas. Senão na sociedade toda, pelo menos em nossas vidas, cada um na sua. E estaremos fazendo por nós e pelo mundo. 

A mentalidade empresarista está entranhada no dia a dia, no palavreado, nos valores, nos comportamentos. O primeiro passo é perceber em nós mesmos. O resto é conseqüência, a vida dá seqüência.

Merece apoio quem trabalha com a busca da verdade, com a humanização da sociedade, pelo esclarecimento e conscientização das pessoas, em todos os níveis. Esse é um trabalho merecedor.

Divulgue-se.

Abraços a todos e bom proveito. 

O documentário (em curta) completo, no vimeo:
https://vimeo.com/49419197

Darcy Ribeiro, o brasileiro.

Darcy Ribeiro, o guerreiro sonhador
(documentário)

"O que eu tenho pelo Brasil é exaltação, de sentir tudo o que ele pode ser, vai ser, há de ser, e tudo o que ele ainda não é. Eu tenho pena de... nos meus anos (de vida) eu fiz força pro Brasil dar certo... eu tenho pena de, eu ando meio doentinho, posso até morrer, e ficam vocês encarregados de fazer esse país. Mas façam, façam!, sem copiar ninguém, realizando as potencialidades do nosso povo, potencialidades que são imensas, uma civilização tropical, uma civilização mestiça e, sobretudo, uma civilização humana, que herdou dos índios essa capacidade e esse talento pro convívio, dos negros essa espiritualidade, e dos europeus a tecnologia e a sabedoria européia. Nós estamos prontos pra ser uma das CIVILIZAÇÕES do mundo." D.R.






O Povo Brasileiro 

Documentário em dez capítulos sobre a formação do povo brasileiro em grande quantidade de nuances. Imagino que o formato se deva à intenção de fazer aulas. Aulas de Brasil, o verdadeiro, a população, sua formação, seu jeito, sua história. Vale demais, é visto de menos.
Baseado no livro do mesmo nome, uma das últimas obras do mestre, já condenado à morte por um câncer, consciente da sua situação e com pressa. Depois de conseguir sair do hospital, ele produziu mais cinco livros, nos dois últimos anos de vida. Um guerreiro de verdade. Uma obra inestimável e que permanece sem divulgação, pois vai no sentido de criar amor próprio e autonomia, de criar consciência e sentimentos de identidade, noção do próprio valor e da própria capacidade. Tudo o que não interessa aos exploradores, aos beneficiários da ignorância, da miséria, da exclusão e da exploração. Mas sempre há quem espalhe por aí. Cada vez mais.

















quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rafael Correa por Julian Assange - os poderes por trás dos "poderes", as informações por trás das "informações"

Julian Assange é pioneiro do Wikileaks, o saite que leva a público as tramas dos intestinos dessa realidade que vivemos, documentos, telegramas, comunicações escondidas, envolvendo crimes contra soberanias, populações, governos, traições, mentiras dos meios de comunicação de massa, campanhas mentirosas, etc. Há uma publicação a respeito dele neste blogue. Provavelmente mais de uma.

Obviamente é perseguido sob qualquer pretexto para que se cale. Está refugiado na embaixada do Equador, em Londres, cercado pela polícia londrina, que ameaçou mas não se atreveu a invadir a representação.

Ele mantém um programa de entrevistas e, neste, entrevistou Rafael Correa.

Rafael dá um espetáculo de clareza e concisão. Tem espírito o cara.

Começa falando das relações com os Estados Unidos, explica depois a expulsão da embaixadora, coisa escondida por nossa mídia que tratou o assunto como uma loucura ou tirania do governo do Equador - não assisti, apenas suponho.

Explica também aquele movimento policial que chegou a fazê-lo refém por uns momentos. A infiltração da CIA nas forças de segurança é impressionante, embora não surpreendente. É prática cotidiana nas atribuições que esta agência se dá, ao violar soberanias no interesse das empresas que comandam seus governos. Sua existência é conhecida, reconhecida, denunciada, desmascarada inúmeras vezes na história mundial. Não há país latinoamericano que tenha escapado disso.  E nenhum se livrou por completo, apesar de vermos processos avançados, sempre malditos pelas mídias privadas do mundo inteiro - Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e alguns países caribenhos formam a ALBA, alternativa de união para mútuo apoio e criação de independência econômica e política das imposições de sacrifícios às populações para benefício do punhado mais rico, acostumado a fazer e desfazer, de acordo com seus interesses, o que bem entendem com as sociedades.

Rafael Correa comenta o assunto crucial que tenho levantado. Acredito ser determinante, neste estado de barbárie, a atuação da mídia, das comunicações controladas por interesses econômicos. O governo do Equador apresentou ao congresso uma proposta que divide o espaço das comunicações em três setores iguais. Um terço para a mídia comercial, outro terço para atividades comunitárias e o último para o poder público, incluídos os poderes federais, estaduais e municipais. A proposta está no congresso equatoriano mas não é votada, porque a maioria parlamentar deve serviço aos magnatas da mídia e de outros poderes econômicos, sempre associados à mídia privada por interesses comuns, sobretudo de se servir do que é público. É como no Brasil.

Ele coincide comigo em estabelecer a diferença entre os que servem à população e os que se servem dela. Eu ainda faria diferença entre os que pretendem servir, mas não sabem como, os que não conhecem a população e seus códigos, os que querem mas em troca de cargos dirigentes e os que servem no cotidiano, sem querer nada pra si, além da satisfação de ver as coisas caminhando para melhorar, através da conscientização geral, da tomada de decisões por assembléias informadas e em condição de decidir.

Aponta a diminuição do poder das corporações imperiais - "sobretudo o financeiro" - e pede pro Wikileaks publicar tudo o que achou sobre o Equador - e ilustra com uma passagem significativa de comunicados secretos entre a embaixada e o governo dos Estados Unidos sobre o governo equatoriano. Declara a inevitabilidade do confronto em algumas áreas. Mas confrontos com a corrupção, com a exploração, com a interferência indevida, com o predomínio dos interesses privados sobre as sociedades.

Pra quem não sabe, existe um Wikileaks Brasil e inúmeros outros espalhados em outros países, não posso dizer em todos, mas tomara fosse.

Desnecessário afirmar a necessidade de divulgação deste material no acendimento de luzes no mundo.




Sobre Julian Assange, abrir a reportagem abaixo ("mais informações") e clicar sobre o nome Assange escrito em vermelho. Vários artigos a respeito.

Entrevista - Mente Consciente, Vanguarda do Rap Nacional e Mundo do Rap - set/2010


1.      (Mente Consciente): Conte um pouco da sua historia de vida.
    Nasci na parte garantida da sociedade. Fui nela, usufruindo sem perceber, até os 15, 16 anos. Fui percebendo aos poucos a desigualdade e a injustiça. Comecei a me sentir constrangido, como um atleta que recebe o privilégio de começar a prova próximo ao final - que honra pode haver nisso?
    Fui experimentando e percebendo quantas distâncias, além das aparentes, me separavam da maioria e da sua realidade. O convívio foi me mostrando minhas próprias fraquezas, as fraquezas dos privilegiados, que dependem de serviçais pra quase tudo e os tratam com uma arrogância grosseira, ou mesmo uma superioridade benevolente. Então fui experimentar como é não ter nada.
    Tinha sido bancário (BB), militar (EsPCEx), vendedor, mergulhador e estudante de direito. E estava com 19 anos. Meus pais não concordaram, mas eu estava decidido a experimentar. A vida tinha perdido o sentido (não admitia esquecer o mundo e pensar só em mim e na minha carreira, era pouco pra ser a razão da vida, eu precisava de objetivos que me dessem satisfação ao espírito, que acabassem com minha enorme angústia – difícil explicar de forma resumida) e eu precisava procurar algum. Não pedia nada, além do respeito à minha decisão. Impotentes em impedir, ameaçaram com o banimento definitivo se eu não seguisse o caminho convencional. Mas eu precisava não ter nada, precisava construir o meu respeito próprio, diferente da sensação de superioridade que eu via à minha volta, artificial e falsa. Então as relações foram cortadas e minha experiência se tornou minha situação. O preço de voltar atrás cobrava minha alma, por isso eu não tinha caminho de volta.
    A partir daí, toda a bagagem educacional e informacional que eu tinha passou a ser usada na análise das vivências que passei a ter, sem posição de classe, materialmente abaixo de qualquer classe. Tudo o que eu tinha de material, carregava nas costas.
    Perdi os documentos e a proteção social. Andava na estrada, a pé e de carona, dormindo nos acostamentos, postos, construções abandonadas, debaixo de marquises. O mundo passou a me tratar como mendigo, hippie, ralé. Eu não me importava, ao contrário, percebia que quanto maior a minha “inferioridade”, mais sinceridade o mundo tinha comigo e mais próximo eu ficava da realidade. Eu não queria privilégios, já os tinha tido e sabia que não eram grandes coisas, diante do significado que eu buscava na vida. O sentimento de superioridade, a meu ver, bloqueava a inteligência, tornava as pessoas burras, em certos aspectos. Eu queria era aprender, mesmo sem saber muito bem o quê. E aprendia o tempo todo.
    Vivia nas periferias, entre os sabotados da sociedade, encantado com a sabedoria que nunca imaginara. A coletividade, tendo negado o acesso ao saber, desenvolvia uma sabedoria tão profunda que superava em muito o saber acadêmico, que já me parecia meio desumano. Percebia que isso vinha do sentimento, do coração, e não da razão, do cérebro. Isso fez nascer e crescer um grande respeito pelos sabotados, os excluídos, os periféricos. Atrás daquela ignorância explícita, havia um saber vivencial, uma sabedoria forte e profunda, parte vinda de dentro, parte da vivência, muito mais forte que o saber acadêmico. O saber se envolve em medo, proteção e, com triste freqüência, é bloqueado pelo sentimento de superioridade. A sabedoria nasce da serenidade diante das dificuldades, da experimentação empírica, da humildade e da intuição.
    Logo no começo, casei com uma figura pra quem balancei a mochila quase vazia no ar e avisei, “tudo o que eu quero de material na vida tem que caber nessa mochila. O que não couber, não me pertence, nem me interessa”, como um aviso, uma advertência. Calma, eu tinha só 19 anos, lembrem-se de vocês mesmos (os que tiverem pelo menos mais de 30. Os que forem mais jovens, saibam que criamos conceitos pétreos e, com o tempo, percebemos que a vida pode virar um vulcão e derreter as pedras). Três filhos eu tive com essa figura, vivendo de arte e artesanato. Vim para o sudeste, definitivamente, em 85, e morei no Rio, em Saquarema, Bacaxá, nas ruas do Rio, Jacarepaguá, Petrópolis, Montes Claros, Sete Lagoas, Prudente de Morais, Belo Horizonte, Visconde de Mauá, Rio de novo e Niterói, onde estou até hoje.  Isso pra resumir a história.



2.      (Mente Consciente) “A minha pobreza é a minha riqueza, e nessa sociedade competitiva a minha derrota é minha vitoria”. O que te levou a abandonar, a renunciar todo prestigio e privilégios que o capitalismo pode te proporcionar?

   É um prestígio falso, baseado num sentimento de superioridade social fajuto, improvisado, com jeito de farsa, que não resiste a um olhar mais atento. Superioridade social é manter como prioridade máxima o atendimento a todas as necessidades básicas materiais e não materiais de toda a população, sem admitir de forma alguma, exceções. Isso é superioridade social, a responsabilidade solidária de todos para com todos e a prioridade das situações de fragilidade de qualquer espécie. Nossa sociedade não alcançou, ainda, esse patamar mínimo de dignidade. Estar em situação de privilégio, numa sociedade como a nossa, deveria ser motivo de constrangimento, de vergonha. A meu ver, aqueles que se encontram em patamares mais privilegiados da sociedade estão é em dívida moral, com a maioria que não tem acesso, e deveriam tomar seus privilégios como responsabilidade social, e não superioridade. Mas o ego, superestimulado pela cultura midiática do consumo, da posse e da ostentação, transforma essa responsabilidade em soberba. Claro que é apenas minha opinião, há quem pense diferente. E é claro que vai agir diferente e seguir sua consciência e seus valores. Eu analiso as ações, mas não julgo os atores. Cada um com suas decisões e suas conseqüências, que “o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória”. Prefiro trabalhar na direção do explorado, do oprimido que é, em última análise, o sustentáculo inconsciente desta sociedade injusta, perversa, covarde e suicida.
    Os privilégios que eu usufruía eram parte da minha realidade, eram comuns no meu nível social. No nível de angústia, de falta de sentido na minha vida, não me pareciam valores a serem considerados. Ao contrário, pareciam um peso a tirar de cima de mim, pra eu descobrir algum sentido na vida. Não ter nada, no princípio, foi uma embriaguez, um respirar, uma sensação de estar livre pra crescer, pra procurar sem saber nem direito o quê, de perguntar, ouvir, aprender, observar e absorver sem fim e perceber que, pra mim, é este o sentido da vida. Aprender, crescer, se desenvolver por dentro e por fora.
    Quando vejo os privilegiados da sociedade, meu sentimento passa longe de admiração ou inveja; tampouco se aproxima do ódio ou do despeito; nem mesmo de indiferença ou desprezo. É difícil definir. Não gostaria de estar entre eles, embora não me recuse a circular por ali, se é preciso. Diante da minha humanidade, teria vergonha de usufruir privilégios. O que não significa condenar os abastados, nem santificar a pobreza.

continua... é grande a entrevista.

domingo, 4 de novembro de 2012

Mensalão nada, o nome é Seculão. Ou Permanentão. Ou Desdessemprão.


A marionete política, o cidadão comum na hora de folga, cabeça feita. O hospital público que parece uma cadeia, a escola pública em ruínas. A meia altura, do lado esquerdo, alguns "revolucionários" fazem barulho, sem nenhum efeito, afastados da massa abaixo da corrente pesada da escravidão contemporânea. Estas correntes são muito bem feitas de mentiras e sua força depende de o quanto acreditamos nelas. Tomar consciência é um permanente romper correntes.



Tenho uma desagradável sensação quando ouço falarem do tal mensalão, revelado por um fascínora às vésperas do próprio julgamento, pra tumultuar tudo e minimizar ao máximo os próprios danos. No que, aliás, foi muito bem sucedido, tá lá ele na lista dos deputados federais, depois de um período de férias forçadas em suas fazendas. As "revelações" excitaram a mídia, que evitou investigar a fundo pra não aparecer o próprio rabo e os dos seus aliados na política e no poder econômico. É evidente que houve corrupção, mas essa corrupção não se resume ao mensalão. É a prática parlamentar, desde que o parlamento foi criado. A mídia falar tão repetidamente, martelando jargões como slogans publicitários, batendo claramente na administração petista, é parte de uma campanha visando diminuir o capital eleitoral do PT e aliados. Desmoralizar os desafetos. Política partidária do pior nível, feita pela mídia, com publicidade pesada exercida pelo que apresentam como "jornalismo". Uma disputa pela gerência, nada mais, pois o patrão é o poder econômico, grandes bancos nacionais, mas sobretudo internacionais, e mega-empresas nacionais, mas sobretudo idem. E a mídia joga do lado do PSDB, mais elitista, privatista geral,  servidor das elites estrangeiras, mais linha dura com os pobres, sobretudo os que se organizam. Estes recebem os títulos de baderneiros, vândalos e terroristas. E são implacavelmente atacados pelas forças de segurança toda vez que algum interesse empresarial está em jogo, com o apoio do judiciário na criminalização dos movimentos sociais. O chamado mensalão é a parte forte da campanha, descaradamente utilizado no período eleitoral, para favorecer os peessedebistas contra os petistas. O buraco, no entanto, é bem mais embaixo. 

Protógenes Queiroz, o delegado que prendeu o banqueiro envolvido na compra do congresso pra mudar a constituição e reeleger o presidente (além de vários outros crimes envolvendo enormes cifras), entrou com ordem de busca e apreensão na casa do banqueiro e encontrou um fundo falso no armário. Dentro, um disco rígido continha informações sobre as movimentações financeiras do Opportunity, banco sediado nas ilhas Cayman e pertencente ao dito banqueiro. Esse disco foi estudado por Protógenes e guardado em sigilo pela Polícia Federal. Depois a justiça requereu e guardou essa fonte de informações, sem jamais revelar o seu conteúdo. Mino Carta, jornalista e dono da revista semanal "Carta Capital", pergunta a Paulo Lacerda, chefe de Protógenes na Operação Chacal, da Polícia Federal, e na Satyagraha, que levou ao banqueiro. Reproduzo as palavras de Mino:

"Por que o mensalão petista vai ao tribunal antes daqueles tucanos que o precederam? E por que Daniel Dantas (banqueiro dono do Opportunity), que esteve por trás de todos, não está no banco dos réus? Por que as operações policiais que desnudaram seus crimes adernaram miseravelmente? Por que o disco rígido do Opportunity, sequestrado pela Polícia Federal durante a Operação Chacal e entregue ao STF, nunca foi aberto? No fim de 2005 dirigi esta pergunta ao então diretor da PF, Paulo Lacerda, na presença de Luiz Gonzaga Belluzzo e Sergio Lirio. O delegado, anos depois desterrado para Portugal, respondeu: ‘Se abrirem, a República acaba’."

Acaba, por quê? Porquê vem à tona a prática cotidiana de compra do congresso nacional? Acho que o que aparece é a inexistência da república. Da democracia. Porque nunca houve, foi sempre uma fachada, desde que se instaurou a democracia, a república e mesmo a independência, que escondia a dependência econômica, política, cultural e militar das potências estrangeiras da época. As chamadas instituições democráticas estão postas sob controle desde sua criação. Quando esse controle foi ameaçado, os militares foram acionados e o golpe de 1964 fechou o tempo, suspendeu a pretensa democracia pra amarrar tudo direitinho antes de "redemocratizar". O que está acontecendo é o começo de um despertamento. Informações que nunca estiveram disponíveis estão sendo conhecidas, notícias que jamais são transmitidas pela mídia privada circulam na internet, pra todo lado. O que vai acontecer, não dá pra saber. Mas que vai acontecer, vai. Já tá acontecendo, divagazim...

Protógenes se elegeu pelo PC do B de São Paulo, apesar de ser de Niterói, e luta por uma CPI da Privataria Tucana, com base no livro de mesmo nome que denuncia, com provas documentais ocupando metade das páginas, as falcatruas nas “vendas” das empresas públicas mais ricas e rentáveis à ganância dos mega-empresários, propinas, compras de parlamentares, promiscuidade público-privada pura. Luta solitária e sem frutos. A política institucional foi esterilizada, não funciona e foi regulamentada pra não funcionar. A não ser em benefício dos privilegiados donos do poder, os financiadores das campanhas eleitorais, que é a grande feira de políticos. Os que não se enquadram nos costumes, se conseguem furar o bloqueio e se elegem por um furo da estrutura, são isolados nos parlamentos, não conseguem aprovar – ou mesmo apresentar em tribuna – a maior parte dos seus projetos. E nos executivos são cercados pela mídia e pelos vícios do sistema, o controle sobre a estrutura administrativa das empresas parasitas que dependem do Estado e têm grande penetração nos organismos estatais através de relacionamentos e corrupção, em relações de conivência. Essa área é toda minada. Embora alguns avanços sempre se consigam, desde que não ameacem diretamente as estruturas da sociedade, de privilégios pra alguns e exploração da maioria - os dois lados da mesma moeda.

A árvore não nasce das folhas pra raiz. Esse é o grande engano da intelectualidade revolucionária. Das folhas eles acreditam que, por ver melhor o terreno, devem comandar as raízes. Mas não descem lá e não as conhecem. Alguns as desprezam, outros têm medo delas, muitos as duas coisas. Mas as raízes estão aí, firmes, sustentando toda a árvore social, inconcientes da sua força, entorpecidas pelas fumaças midiáticas, desprovidas dos nutrientes educacionais, sem perceber a própria sabedoria e o próprio valor, a capacidade de superar obstáculos, dificuldades, problemas e fatalidades. As raízes precisam de um pouco de conhecimento e muita consciência da realidade. Assim se faz uma revolução. Independente da política partidária, os movimentos acontecem. Em toda parte. E a América Latina tem sido um grande foco.

Talvez seja assim mesmo, as mudanças partem de dentro dos indivíduos, espalhados no mundo inteiro, contaminando, transformando, operando e cooperando, descobrindo novas formas de relações, percebendo as induções, discernindo, escolhendo por si e pela coletividade. As coletividades se formam. Percebem-se. Sem coordenação visível, o processo caminha seus passos cada vez mais acelerados, embora ainda lentos. A rigidez e a intolerância perdem espaço a partir das relações pessoais. Os costumes são questionados, os valores induzidos são denunciados como nunca. Os efeitos ainda não aparecem na coletividade, as coisas vão solidificando aos poucos, a criança engatinha. Ingenuidade acreditar em efeito imediato, o caminho é longo. Participar dele já é a satisfação que espero da vida. Caminhar do jeito que se quer, e não do jeito que mandam caminhar. É o sentido da vida, no momento. E é fonte de contágio.

Uma visão maior não significa superioridade. Responsabilidade é o que significa. Conscientizemos uns aos outros, sempre que possível. Com respeito, com carinho, que é a melhor maneira de trocar conhecimentos, sentimentos, idéias, o jeito mais tranqüilo, seguro e proveitoso. E com humildade, principal requisito pra um aprendizado constante. Despertamos cada vez mais e um despertamento traz outro, em sucessão infinita. No indivíduo e na coletividade. 


Reportagem de Paulo Nogueira sobre o uso de Marcos Valério pela mídia:

sábado, 3 de novembro de 2012

Mudança de parede, em Santa Teresa


Exposição em Santa Teresa
      Quebrou a unidade. Percebi quando olhei a foto, o bondinho, a casa, as portas fechadas, os desenhos formando uma unidade, na diversidade entre portas e paredes. Quando as portas abriram, quebrou a unidade, separou os desenhos, perdeu o impacto que a unidade formava. 
      A casa foi reformada, o antigo armazém agora é um café cultural, as portas foram abertas. O lugar está muito bem decorado, bonito de se ver. Há belos quadros nas paredes e um piano que, nas vezes em que expus, tocou lindas músicas que chamo de clássicas porque não conheço muito de música, embora sinta na alma. 
      No entanto, a unidade do meu trabalho foi quebrada com a mudança de cenário, as portas abertas criaram vazios que enfraqueceram. Coisa da vida, do tempo, das mudanças às quais temos que nos adaptar. De alguma forma, é até bom. Ou pode ser.
      As vendas caíram, o espírito mudou, ao invés de unir, tá separado em partes. A capacidade do trabalho em tocar no abstrato, no espírito, no pensamento, no sentimento, perdeu força. O mundo atual é cheio de apelos visuais e sonoros por toda parte, clamando por atenção, freneticamente, as pessoas se acostumaram ao superficial, ao apelo, ao impacto visual ou sonoro, a enxergar apenas o que chama a atenção. 
      Alguns poucos, já vivenciados, acostumados a unir as partes dispersas das coisas, das informações e das experiências, ainda percebem, mas estes são muito poucos. A maior parte, por outro lado, não se liga na exposição pela falta do impacto, olham como parte da paisagem, passam batido, sem despertar a atenção.        A maioria ainda não percebe as nuances por trás das formas, por cima, por baixo, pelos lados, por dentro. Esse é um processo de desenvolvimento que começa na percepção da existência e da força do pluriverso* abstrato. Ou melhor, que existe, mas toma força e responsabilidade a partir do momento em que se toma consciência dele.
      O trabalho exposto em unidade faz uma figura mais perceptível, ele separado perdeu a presença. E eu preciso pagar minhas despesas.
      Tudo isso pra dizer que vou mudar de parede, de lugar. Devo ficar pelo Largo do Guimarães, mesmo, é o que pretendo. Gosto dali, é um ponto centrífugo e centrípeto de incríveis variações de seres. Uma convergência de “loucos” da sociedade, de pessoas que procuram as correntes contrárias ao movimento convencional dos acorrentados. Muitos têm uma capa de loucura, mas são de mentalidade e sentimentos convencionais, egocêntricos, vaidosos, superficiais e perambulam pela área por causa dos reais loucos, tentando se confundir com eles e enganando as almas ingênuas. Estas são suas vítimas. É preciso cuidado com estes falsos "loucos". Bem, por outro lado, estas relações são potenciais aulas de vivências.
      Há reacionários também, alguns bem criativos, outros raivosos, quase todos inofensivos e cordiais, desde que não se pise em nenhum calo. Os reaças são cheios de calos, sobretudo nestes tempos de mudanças, na onda de despertamento pra realidade de inúmeras exceções às regras. Claro que são exceções, mas já fazem seu barulho ser mais ouvido que antes, quando só se tinha como fonte de informação a mídia comercial e todas as notícias chegavam de acordo com os interesses empresariais, em prejuízo das populações. E os donos da sociedade explodem em ódio e violência, enquanto ainda podem, fornecendo pela mídia argumentos, informações distorcidas e instruções aos seus repetidores. Destroem os movimentos que se levantam, mas não podem conter o processo de conscientização que lhes vai tirar a sustentação – ou a dos seus descendentes. Quero ver o que vão fazer esses privilegiados quando não houver mais serviçais com tanta facilidade quanto agora para explorar e aumentar suas fortunas. Esta gente cercada de empregados por todos os lados não planta, não colhe e não faz sua própria comida; não faz sua própria roupa, não lava, não limpa seu próprio lixo; não constrói sua casa, não sabe consertar nem um vazamento. Servem-se da parte sabotada da família humana pra tudo, tanto pra enriquecer quanto pras tarefas cotidianas e ficam perdidos sem seus pobres pra fazer tudo por eles.
      Bom, como eu ia dizendo antes da indignação me tomar, procuro uma parede que permita a unidade em meu trabalho. De preferência no Largo do Guimarães. Senão, ali por perto. De qualquer maneira, o bairro é todo cultural, há muitos lugares. Depois aviso, nesta mesma postagem, onde estou expondo. Aliás, este blogue é a única forma que tenho de anunciar, embora eu não tenha nada a reclamar. Antigamente, quando mudava de lugar, e mudava com muito mais freqüência, não tinha como avisar além de alguns poucos amigos, pessoalmente. Agora posso colocar no ar e explanar geral.
     
     
*Pluriverso – o Universo que conhecemos e estudamos na ciência oficial é o universo material, os planetas, as estrelas, em bilhões, formando galáxias também nos bilhões, trilhões, espaços que não podemos alcançar nem com a imaginação, muito além do nosso alcance, mas todo material. Matéria em relações magnéticas, gravitacionais, química, mas matéria física. Um universo entre outros universos com vibrações moleculares diferentes. Ou atômicas, sei lá. Mas intercalados, interpenetrados no mesmo espaço, em dimensões diversas, como ondas de rádio, cada uma em sua freqüência, sem interferência direta, mas se relacionando de várias formas, com sentimentos, pensamentos, crenças, desejos, intenções  fazendo pontes de comunicação, atraindo, repelindo, sempre interagindo. Uma coexistência plural fora do alcance da razão, mas não da intuição. Sentimos alguma razão de ser na existência, mas não alcançamos, não compreendemos. É possível sentir. A razão, em sua soberba e idiotia, muitas vezes negará a existência dos universos abstratos, com tanto mais força quanto maior for a qualificação acadêmica. Não é uma questão de crença, nem de raciocínio. É intuição, sentimento, percepção subjetiva, numa linguagem mais adaptada à língua acadêmica. O pluriverso não precisa do crédito de ninguém, como o universo não dependeu das crenças em monstros nas beiradas da terra, poucos séculos atrás.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Extermínio dos Guarani Kaiowa. Passo Piraju.

Com a situação que se apresenta extrema, à beira da finalização do extermínio, os originários estão cercados pelos fazendeiros e seus capangas criminosos, que babam de ódio e sede de morte contra os "obstáculos" ao roubo do último pedaço de terra que lhes resta. O objetivo é claramente desaparecer com eles. A civilização que se apresenta como avançada destrói tudo que se encontra em seu caminho e não serve aos seus interesses - a economia e a propriedade acima da vida, o lucro acima da preservação de culturas e ambientes, a força das armas acima da justiça. E os povos que resistem à dizimação há quinhentos anos, espancados e mortos cultural e fisicamente, estão reduzidos aos seus últimos integrantes, sob o silêncio criminoso dos meios de comunicação comerciais e da sociedade como um todo. As exceções se apresentam, se desesperam, se envergonham, se mobilizam.

Pedro Rios é o cara que presenciou e registrou parte da barbárie de Pinheirinhos, quando um bairro inteiro, com 1600 famílias, instalado e funcionando normalmente havia oito anos (o usucapião, que lhes dava o direito de posse sobre o terreno abandonado pelo rico empresário que nunca pagou imposto predial pela área - massa falida do tal morcegão Naji Nahas - é de dois anos) foi atacado pelas forças de segurança que fez um combate de terra arrasada, matando, ferindo, destruindo, atacando velhos, crianças, cachorros, mulheres, homens, deficientes, tudo o que respirasse. Casas derrubadas, móveis quebrados, até as árvores do bairro foram arrancadas ou derrubadas. Depois, Pedro se acorrentou em frente à sede da Rede Globo, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, em greve de fome contra a omissão desta emissora criminosa. Durante dias permaneceu ali, até que as forças públicas, sempre elas, vieram pra cima dele, retirando todo o material de apoio, de madrugada, como é o costume. Mas o trabalho estava feito.

Agora Pedro se deslocou para o acampamento dos indígenas para morrer junto com eles, como ele mesmo disse. Esse menino tem disposição, mesmo. Exemplo de militância, não doutrinária, mas humana, ele tá em risco de morte por jagunços, como os índios têm sido cotidianamente. As causas de mortes desse grupo há tempos são os assassinatos e os suicídios. E a população dorme, entre narcóticos midiáticos e uma vida explorada, angustiante e vazia de sentido, enquanto a ganância comanda a sociedade, em nefasta promiscuidade público privada.

Sugeri, em comentário ao vídeo, que se pusesse legendas nas falas em língua dos guarani kaiowá, para que todos entendessem o discurso do cacique e os cantos.

Mais uma vez tive que sofrer a revolta, a vergonha e a tristeza de pertencer a uma sociedade tão injusta, perversa, assassina, desumana, egoísta, indiferente aos sofrimentos extremos que causa, por uma imposição secular de uma minoriazinha vampiresca que se aboleta sobre os poderes públicos, com suas riquezas roubadas e acumuladas por dinastias. São os grandes vampiros da humanidade, que contam com a colaboração inconsciente da maioria, mantida ignorante e desinformada, acreditando em valores falsos e notícias distorcidas, mentirosas e omissoras das realidades que nos cercam.

A existência de gente contestando e trabalhando no esclarecimento, na conscientização e na divulgação da realidade dá um conforto e um estímulo à existência. E à resistência. Pedro Rios é um. Não é o único, mas é um dos bons.

                   

Ato no Rio, pelo respeito aos povos originários, contra a derrubada da Casa do Índio, no Maracanã.


A impotência diante do massacre continuado, sob pretextos de dar nojo que não escondem a perversidade criminosa dos interesses no lucro, esse símbolo sacro-demoníaco da ideologia empresarista (ou elitista, para abranger mais tempo de sociedade), que já se chamou aristocracia, capitalismo e agora é o neo-liberalismo. Há quem diga que começou na década de 80, mas começou no início da sociedade humana, primeiro pelos mais fortes, depois pelos mais espertos, agora pelos mais ricos. O problema não tem sua raiz na estrutura social, mas no ser humano. Os dois escassos modelos que se apresentam - capitalismo e comunismo - encontram seus entraves numa hierarquização forçada. O primeiro comandado pelos que têm mais grana - num preconceito econômico-social - e o segundo pelos que têm mais "formação" - num preconceito intelecto-social. Não se considera a sabedoria, mas o saber, não se considera a vida, mas o patrimônio. E os dois são a maior furada.
Para ouvir a fala da lutadora Alda Silva, guarani kaiowá remanescente de família dizimada pela covardia civilizatória dos jagunços - e dos fazendeiros que os comandam, criminosos que têm no Estado seu maior cúmplice - eis o link:

Artigo de Eliane Brum, contundente, para ler clique no ridículo "mais informações".
(mais vários links de artigos relacionados)

Belo Monte, Anúncio de uma Guerra - filme completo

Há uma postagem neste blog a respeito de Belo Monte, mas não esse filme completo (acabo de ser avisado por uma grande irmãzinha que já postei esse filme. Verifiquei e vi que foi em junho, mas deixo mais uma vez porque o assunto é atual e agora está sob novo recrudescimento - já que a mídia comercial não divulga, quantos mais puderem fazer isso, melhor). Como o genocídio, o ecocídio, o constituicídio e o politicídio continuam, posto como reforço, como lembrança. É um esclarecimento sobre a farsa democrática. São as empresas financiadoras das campanhas desse governo que exigem a construção desse empreendimento criminoso, pois são mega construtoras. O resto do mundo condena, a OEA já declarou crime contra a humanidade, assim como a Comissão de Direitos Humanos da ONU. Mas o governo brasileiro respondeu, gentilmente, que isso é assunto interno do "Brasil" e que esses organismos não têm nada que se meter. "A gente sabe muito bem o que está fazendo" disse o "Brasil". E dá-lhe jagunços, repressão oficial, difamação pela mídia e barbárie no local.

É tanto descaramento que seria cômico, se não fosse tão trágico.

É preciso despertar, cambada. E não ficar passeando no chópim center.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fotografo de Guerra / War Photographer


James Nachtwey (Jim) é um predestinado. Sua forte intuição o levou ao seu caminho. Impressionante em sua interiorização manifesta no seu comportamento introspectivo, executa o trabalho massacrante de mostrar ao mundo o que acontece, as conseqüências do modo de vida que aceitamos sem questionar sua origem. Expõe o resultado do consumismo desenfreado, do estímulo ao egoísmo e à indiferença com as dores da humanidade, embrenhado nos sofrimentos mais agudos aos quais não é imune, mas resiste, na função de retratar as dores mais agudas que essa estrutura tem produzido ao redor do mundo. Depois de vivenciar as tragédias da guerra, entre outras tragédias, ele resume as coisas e demonstra a consciência no seu trabalho.


Palavras de Jim:

"É cada vez mais difícil conseguir que as publicações se concentrem nestes temas críticos. Nunca foi fácil (vender as fotos denúncia que ele faz da barbárie a que está submetida enorme parcela da população planetária), mas creio que, nos últimos anos, tornou-se ainda mais e mais difícil. A nossa sociedade está mais interessada por entretenimento, celebridades e moda. Os anunciantes estão cansados de ver seus produtos serem apresentados junto com imagens de tragédias. Dizem que atrapalha as vendas."

"O objetivo do meu trabalho é aparecer nas mídias de massa. Não pretendo que minhas imagens sejam vistas como obras de arte. Na verdade são apenas uma forma de comunicação."

"A fome é, seguramente, a mais antiga arma de destruição em massa. É muito primitiva, mas muito eficaz."


Fiquei penalizado ao ver, na mina de enxofre da Indonésia (com cenas incríveis dos mineiros trabalhando em meio à densa fumaça tóxica, tossindo e trabalhando), a conversa de Jim com o grupo, onde apenas um falava inglês. Esse "tradutor" improvisado usava um boné com o símbolo da naique. Talvez como um símbolo de distinção. O inimigo está dentro das cabeças e passa despercebido. Ainda.

Sem nenhuma menção direta, o trabalho de Jim abre as cortinas da realidade e das suas causas.

As cenas são fortes, é preciso preparar o estômago pra esse golpe na consciência. Esse cara é precioso à humanidade inteira. Seu trabalho, mais ainda.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Guaranis Kaiowás pedem a morte




Gravíssima situação, à beira de mais um crime contra a humanidade. É a ameaça de extinção de mais uma etnia originária, anunciada e reportada, para que ninguém fique isento de responsabilidade nesta vergonha, mais uma pra coleção de torpezas sofridas pelos povos locais.

A história se arrasta há séculos, desde a chegada da civilização européia. Durante a época dos militares, tentou-se diluir os índios na sociedade, com uma série de medidas "culturicidas". A idéia imposta era a de que não havia mais índios, eram todos brasileiros. Ridículo, absurdo, de uma insensibilidade criminosa. Não podia dar certo, apesar de ter causado muito sofrimento e alguns genocídios que hoje devem ser investigados pela tal Comissão da Verdade. Os Waimiri Atroari, por exemplo, contam em mais de três mil o número de mortos, em meio à sua diáspora para a construção da estrada Manaus/Boa Vista.

Em 2012 a coisa recrudesce pro lado dos Guarani Kaiowá. Massacre em cima de massacre, lideranças mortas uma atrás da outra, isolamento do grupo remanescente entre grandes fazendas e assédio constante de jagunços, tiros a esmo de noite, pressão e perseguição, ódio constante, desprezo cultivado. Cansei de ouvir a frase "índio tem que morrer" em áreas onde convivem indígenas e latifúndios. Os "bugres" são vistos com repulsa, com desconfiança, com nojo, na mais perversa distorção da realidade, na habitual transformação das vítimas em culpados. Falta de humanidade, falta de justiça, falta de vergonha na cara.

Agora os Guarani lançam um documento em que anunciam sua morte coletiva. O índice de suicídio entre eles é altíssimo, causado pelas condições em que vivem os remanescentes dessa outrora grande tribo, pressionados de todos os lados para que não existam. Alguns êxitos jurídicos na direção dos seu direito às terras demarcadas e outorgadas, mas ocupadas por fazendeiros, levantaram o ódio dos invasores. O assédio da violência se tornou insuportável, os recursos inundaram o judiciário, a conivência de juízes atuou na direção de adiar a retomada das terras ancestrais para o dia de são nunca. Com a ordem de despejo dada por um juiz da região, cúmplice dos fazendeiros que desejam o fim desse povo que está no caminho dos seus lucros, da sua avidez territorial, os guaranis viram apagar a luz da esperança e já não desejam viver, apenas morrer e serem enterrados na terra dos seus ancestrais. Eles estão acampados à margem de um rio, área federal, não de fazendas, mas a ordem foi dada assim mesmo.

Estamos diante de um crime anunciado, mais uma demonstração dos valores exercidos em nossa sociedade pelos maus que gerenciam os poderes falsamente ditos públicos. Mais um sinal de como é vergonhosa a participação nesta coletividade "civilizada", com seus valores distorcidos e seu comportamento bandido contra tudo e todos os que não se adequam ao modo de vida estabelecido. Com um mínimo de dignidade, é necessário retirar de dentro de cada um de nós os condicionamentos e as mentiras plantadas com intenções de domínio e controle sobre a sociedade. É preciso contestar o comportamento criminosos cotidiano dessa civilização dos diabos. É preciso recusar e desobedecer as ordens tácitas do sistema. Chega de ânsia de consumo, chega de competição desenfreada, chega de avidez, de divinizar o lucro e desprezar a vida. Chega de crimes, de falsidades, de interesses mesquinhos. Despertar é preciso.

Abaixo, o asrtigo que traz a carta em que os Guarani Kaiowá anunciam sua decisão. Esta página da história será estudada, no futuro, com horror e espanto diante desta estrutura de sociedade assassina, a serviço dos mais perversos vampiros da humanidade. Todo o aparato público, de repressão, de leis, de justiça, de governos, etc, tudo foi controlado e posto a serviço dessa minoriazinha safada e perversa, capaz dos piores crimes em nome dos seus interesses de poder e patrimônio. Esta sociedade, em todas as suas nuances (com raras exceções localizadas e esterilizadas), é de envergonhar qualquer um com um mínimo de consciência, dignidade e sentimento humano. Há muitas outras informações sobre o que vem acontecendo nesse links e através deles se pode montar um painel dos últimos acontecimentos.

http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6553&action=read
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6553&action=read&page=4

Audio do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
http://www.cimi.org.br/pub/Potyro/Potyro793.mp3

Não pensamos muito nisso, não faz parte da nossa realidade cotidiana. Mas o clima tenso é constante, dia e noite. A qualquer momento, tiros varam o acampamento guarani. A todo instante, ameaças de morte e extermínio. Acusações infundadas, reações criminalizadas, desqualificação preconceitual. Somos todos parte da responsabilidade por essa vergonhosa existência "civilizatória". Se esse é o preço do desenvolvimento, que porra de desenvolvimento é esse que inferniza as relações sociais? É uma mentira a mais, isso não é desenvolvimento real. É, sim, o desenvolvimento da barbárie, do roubo, do assassinato, do genocídio, da dizimação dos povos indígenas. É a cracia do demo, essa democracia.


Galeria de vídeos
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/index.php?system=videos


domingo, 14 de outubro de 2012

Operação Peter Pan: Vaticano e CIA traficaram 14 mil crianças cubanas


DOMINGO, 14 DE OUTUBRO DE 2012

 (documentário)





A Operação Peter Pan ocorreu em 1961, quando mais de 14 mil crianças e adolescentes cubanos foram levados aos EUA por vontade de suas famílias, apoiadas pela Igreja Católica e pela CIA, a Central de Inteligência Americana.







observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.