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terça-feira, 30 de agosto de 2022
Consciência popular
domingo, 28 de agosto de 2022
terça-feira, 23 de agosto de 2022
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
sexta-feira, 29 de julho de 2022
A humanidade aumenta a percepção do universo, permanentemente.
Em 2019 a Marinha dos Estados Unidos convocou a imprensa e declarou que os OVNIS, seres de outros planetas, eram uma realidade e que a humanidade teria que aprender a tratar com isso. Hoje, no jornal da Cultura, saiu que o Pentágonou criou um departamento exclusivo pra examinar e estudar as naves que surgem cada vez em maior número. Há tempos eu vejo declarações de pilotos, de militares do mundo inteiro, que dizem ser maior o número de avistamentos e contatos em áreas onde há bases de mísseis nucleares - e que essas naves teriam a capacidade de desativar, ao menos por um tempo, todas as armas atômicas.
Curtinhas do Feicebuque
Cidadão de Bem
quarta-feira, 6 de julho de 2022
Falcatrua social, se enquadrar é frustração certa.
sexta-feira, 24 de junho de 2022
Disparates esclarecedores – ou entre o luxo e o sofrimento
“O ano da maior crise econômica brasileira nas últimas décadas...
...é também o ano do lucro recorde dos bancos.”
“Os bancos brasileiros têm lucro recorde no pior ano da pandemia.”
“Divulgação de lucros no BB” (Banco do Brasil) “gera comoção nas redes sociais: ‘lucro pros bancos, fome pro povo’.”
“Enquanto uma multidão passa a não ter mais teto...
... outros” (uns poucos) “fazem fila para comprar mansões e carros de luxo.”
“Revendedora de Porshe ... tem fila de 1500 compradores no Brasil.”
Quantos têm fome? 33 milhões, diz uma estatística aí, na minha opinião subestimando a realidade. Insegurança alimentar é fome com alguma coisa de comer às vezes, pouco por dia. Enquanto isso, alguns milhares lucram milhões na e com a pandemia.
“Mercado de alto padrão se manterá aquecido em 2022.”
O alto padrão citado certamente não é o padrão moral. Muito menos o padrão de humanidade que se espera de uma sociedade que se pretenda humana.
“Mercado de casas de veraneio está superaquecido.”
Gera empregos, dirão alguns – e estarão certos –, mas bem se vê que não há espaço pra todos, a maioria permanece com fome, numa economia em frangalhos. Se traz alívio a uma parcela dos mais pobres, não deixa de ser uma demonstração de injustiça social, um cenário revelador da estruturação da sociedade e suas necessidades de ajustes na direção da harmonia coletiva que deve ser, sempre, o objetivo de qualquer coletivo.
Harmonia, aliás, em todos os níveis, internos e externos, no indivíduo, no coletivo, com o ambiente e, proximamente, com o universo à nossa volta. Acredito na existência de incontáveis vidas entre os bilhões de estrelas e seus sistemas planetários, aos bilhões pelas galáxias afora, contadas também aos bilhões. Os contatos diretos virão na medida em que formos nos aproximando da harmonia interna, planetária, entre nós, os seres, toda a família planetária for se percebendo como tal.
“No país onde trabalhadores fazem fila para pedir auxílio, o ministro da economia esconde mais de 50 milhões de reais em paraíso fiscal, impunemente.”
Está se revelando como a sociedade funciona, quem é que tem o poder de verdade, por trás das fachadas “democráticas”, por dentro dos seus mecanismos, dominando o funcionamento a favor de poucos, em prejuízo flagrante das grandes maiorias – em todos os sentidos. Não a todos, mas a muitos, o processo tem o seu caminho, seu tempo, cabe aos que vêem trazerem à tona, cada um nos seus espaços, nas suas possibilidades – é a partir da consciência individual que se pode trabalhar na coletiva, com respeito, afeto, solidariedade.
É preciso buscar dentro de si os valores condicionados, as verdadeiras falsidades ideológicas que nos implantam goela abaixo da consciência. Não creio que exista quem não tenha suas contaminações ideológicas, em valores, em temperamento, em desejos, posturas, objetivos de vida, medos e expectativas, em maior ou menor grau, todos temos. Por isso o primeiro e mais importante trabalho é o na própria consciência, o trabalho externo, coletivo, surge por conseqüência e será muito mais eficiente, porque partilhado com humildade. Quem trabalha nas próprias falhas, não se dá ao trabalho de julgar falhas alheias – já vi isso em algum lugar.
Nota: todas as frases entre aspas (“...”) foram retiradas do final do vídeo do Henry Bugalho, já com o Eduardo Moreira (“de banqueiro a companheiro”) e, penso eu, a turma do ICL que ele encabeça. Eles têm departamento jurídico e as fontes de todas essas frases.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=AVDMM4cP3tw
quinta-feira, 23 de junho de 2022
E o vereador foi cassado
Renato Freitas teve cassado seu mandato de vereador na câmara de Curitiba. Se fosse um julgamento ele teria sido inocentado, dada a quantidade de provas desmentindo as acusações, inclusive uma carta da Arquidiocese de Curitiba pedindo pela não cassação do mandato, pois não houve a “invasão” alegada. O que houve foi uma convocação a uma manifestação de protesto pela morte de Moïses, o congolês morto a pauladas por cobrar dias de serviço num quiosque de praia. As portas da igreja estavam abertas, não havia missa, as pessoas entraram, falaram no microfone e no som da própria igreja, o padre ali do lado olhando – já sem a batina – ninguém quebrando nada, nenhuma correria, nenhum grito. A igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – como sugere o próprio nome – é um local onde se fazem manifestações anti-racistas, historicamente.
As mentiras
espalhadas de pessoas desmaiando, de portas arrombadas e coisas quebradas
serviram de “provas” na escolha duplamente racista – de cor e de classe –
escancarada na carta recebida por Renato, por email do vereador que o acusava, “volta
pra senzala”, “vamos embranquecer...” e revelações do gênero. Nos parlamentos,
como se vê, provas são inventadas ou ignoradas, de acordo com os interesses do
momento. A revelação é a do racismo, do escravismo ainda presente, entranhada no
fundo da alma social. É mesmo preciso muita luz pra que se perceba claramente,
de forma inegável.
Pelo pouco
que conheci do Renato, nada disso o surpreende muito, escaldado que é com o
tratamento que recebe da sociedade “organizada” e seus tentáculos repressivos,
desde sua vida inteira. Filho de faxineira, cresceu nas áreas de abandono
social, onde o estado, por omissão plena, comete crimes contra sua população
mais pobre, de todo o tipo, a partir dos crimes constitucionais contra os
direitos básicos. Onde o destino traçado é a exploração, a “siviração” ou o
crime. As “sortes”, as “coincidências”, encontros, decisões, superações de
obstáculos e barreiras tornaram Renato uma raridade, um originário do abandono
e da pobreza com título de curso superior, consciência social e aplicação
coletiva. Uma pedra rara no cascalho da política pública, uma voz que fala a linguagem
das periferias, a língua intuitiva dos sabotados da sociedade, construídos pra
serem mão de obra barata ou de baixa qualificação.
É a língua
dos de baixo que ele fala, a da multidão roubada nos seus direitos a uma
formação, à alimentação sadia, educação de verdade, moradia decente, entregue a
um massacre midiático, ideológico, publicitário, formando mentalidades
consumistas e competitivas, superficiais e fáceis de enganar, de induzir e
conduzir. É ali onde mais se precisa de consciência, ali onde mais se precisa
de acendedores de luz e é o campo mais fértil pra se plantar. Dali que vem a
força da construção, da manutenção, do funcionamento de toda a coletividade
humana, de toda a sociedade. Por isso a ignorância, a desinformação e a dispersão
dos interesses são estratégias de dominação, de escravização, pra que se
mantenha tudo como está – no controle de poucos.
Tomar
consciência da realidade é uma necessidade na busca de harmonia social,
sobretudo entre os que formam o alicerce da sociedade. Tomar consciência do
próprio valor, da própria capacidade de superação, da própria resistência é uma
necessidade de cada um. Consciência é uma parada que contamina, um caminho que
não tem fim, uma necessidade da alma.
Renato
Freitas, depois dessa injustiça descarada – reveladora ao máximo do racismo
enraizado em nossa sociedade como um todo, não só na câmara de Curitiba –, deve
ter crescido em sabedoria, em aprendizado, como toda dor cria essa
oportunidade, quando se tem a humildade do aprendiz, que é o que somos sempre.
Certamente ele tem muito a acrescentar no coletivo, na formação das mudanças e
alcances, na criação de consciência, no despertar dos distraídos e dos
sonolentos.
A construção
de uma nova sociedade começa no seu alicerce. É preciso muitos mais Renatos
Freitas, é preciso pobres, periféricos, pretas e pretos nas chamadas “instituições
públicas”. Talvez assim elas, finalmente, possam ir se tornando públicas de
verdade.
sábado, 28 de maio de 2022
sexta-feira, 27 de maio de 2022
sábado, 2 de abril de 2022
"Americano"?
Os cara chama estadunidense de americano. Brasileiros, submetidos pelos poderes estadunidenses desde a medula, induzidos a um sentimento de inferioridade que facilita o saque das nossas riquezas. Que nos faz admirar, além de um império criminoso, os Estados Unidos, que interfere em todos os países das Américas -, a Europa, um continente construído em cima da colonização do resto do mundo, de invasões, destruições, escravizações, extermínios muitos, saques permanentes até hoje, apresentando em seu pequeno território condições sociais invejáveis em qualquer outro lugar do mundo. "Invejáveis" pra quem não tem noção de como foram construídas essas condições de "primeiro mundo". Vergonhosas, pra quem tem. Não há motivo pra admiração nenhuma.
Escuto o cara falando no vídeo - assunto bom, denso, ligado na realidade - que o interesse "americano" tá na guerra da Ucrânia. Concordo que os Estados Unidos vêm fabricando essa guerra desde a década de noventa do século passado, mas contesto o linguajar num comentário.
"Americano"? Tu é o quê? Eu sou o quê? Sub-americano? Tu assume essa subalternidade? Eles são estadunidenses, além de americanos. Nós somos brasileiros, além de americanos. Chamar estadunidense de americano é reconhecer "os donos", os "patrões", os "senhores" do continente americano. Subliminarmente, claro, condicionamento do inconsciente com psicologia do mesmo nome. E a gente repetindo por aí, programações mentais do colonialismo. Se liga, cumpade. Não estou sendo hostil, raivoso, dono de verdade nenhuma, tô só te dando um toque. A gente exerce esse colonialismo sem perceber. Mas se percebe, pode ser útil no desfazimento dessa "inferioridade" artificial, criada pelos colonizadores - com o auxílio da elite local - pra manter o controle, inclusive mental, além de ideológico, psicológico, cultural, a partir da alma. Arte conversa com a alma. É preciso muita responsabilidade. Mas, como em todas as áreas, a gente vê a arte ser usada mais pra aprisionar do que pra libertar. Arte não é boa coisa só por ser arte. Depende sempre do artista, de quem produz a arte. Do caráter, do interesse, da intenção, daquilo que move o artista. É nessa base que tá o valor da arte, não na fama, na repercussão, no celebrismo. Aí, muitas vezes, é que tá a perdição da arte. No sentido da evolução humana.
Sobre a guerra na Ucrânia eu não tô falando, porque fico triste de ver como as pessoas repetem, em vários níveis, os condicionamentos, as distorções e as mentiras da mídia empresarial, dominante no mundo ocidental todo. Lembrando sempre que "mundo ocidental" pode até nos incluir, como subalternos, aliados na língua deles - assim como empregado, funcionário ou contratado agora é "colaborador" -, mas na verdade o que se considera "ocidente" tem a Europa e os Estados Unidos. Tá bom, o Canadá também, embora economicamente "desprezível", tá de irmão menos, de linhas coloniais francesa e inglesa. Mas América Latina, África, Ásia e Oceania tá tudo fora, é tudo "sub-gente" pra eles.
Colonialismo mental, cultural, econômico, social, político, psicológico, comportamental é um assunto pra se pensar.
quinta-feira, 24 de março de 2022
A caminho.
Estamos por criar uma sociedade em que as empresas estarão a serviço do ser humano, superando essa estrutura que ainda põe os interesses econômicos no patamar de maior importância e relega o ser humano a um patamar secundário. Uma sociedade humanista está em gestação, através dos sacodes planetários, climáticos, ecológicos e sociais.
quinta-feira, 10 de março de 2022
Distorções e Induções
Impressionante o poder das empresas de comunicação em distorcer a realidade e criar mentalidades, em provocar e insuflar sentimentos na direção dos interesses que controlam essas empresas e o que é dito, em conduzir a opinião pública. Ao longo da minha vida, vi inúmeras campanhas midiáticas - que juntam jornalismo, entretenimentos, programas de auditório ou não, agora com as redes internéticas - criarem ambientes pra acontecimentos terríveis, estimulando ódios e conflitos. Com o tempo, invariavelmente, se provavam mentiras, farsas, manipulações, difamações, injustiças, sempre a favor dos tais interesses. Passa o tempo e nova campanha começa. Eu já sinto o constrangimento de ver toda a mídia criando as opiniões que vou ouvir por aí como se fosse próprias. Os temperamentos agressivos usam essas mentiras programadas pra criar conflitos, insultar, provocar e expandir sua destrutividade.
Observo com calma, não alimento conflito, não vejo sentido. Só me sinto constrangido diante de tanta superficialidade, tanta fragilidade diante das induções. Olho através do tempo e vejo mudanças sem parar ao longo de todo o caminho. Ele não termina, segue a perder de vista, tudo mudando todo o tempo.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
A farsa se descara - ou a ilusão vai se demonstrando claramente.
Estou vendo por aí se falar de "declínio da democracia". Na minha visão, um engano. Está se vendo é o descaramento da falsidade, essa tal "democracia" nunca existiu de verdade além de instituições de fachada, infiltradas, pressionadas e submetida por poderes econômicos - banqueiros, mega-empresários, financistas e outros que formam um punhado de podres de ricos escondidos sob o nome de "mercado", fonte da corrupção que a mídia empresarial aponta, estrategicamente, na chamada "política". Os corruptos são responsabilizados genericamente enquanto os corruptores não são nem mencionados.
sábado, 5 de fevereiro de 2022
Agora "foi golpe"? As mutações se impõem.
O departamento de estado estadunidense dá as regras e estas são seguidas, da mesma forma, em vários países da América Latina. O candidato indesejado é eleito, a oposição tenta colar o rótulo de "fraude". Não colando, parte pra sabotagem do governo eleito - geralmente unindo consciências vendidas em congressos e judiciários. Provocando o insucesso da governabilidade, arma-se o cenário pra um impítiman. Em todos os países há pilantras prontos a servir os saqueadores e trair sua nação - vender a própria consciência rende fortunas, nesses casos. O mesmo procedimento no Brasil, na Argentina, no Paraguai, na Venezuela, na Bolívia, enfim, onde não haja governos dominados pelos "interesses econômicos" - a partir dos mega-banqueiros mundiais que já há séculos dominam as nações, contando com a cumplicidade das "elites locais", em geral brancas e descendentes dos maiores senhores de escravos, colonizadas mental e espiritualmente.
Enquanto rolava o golpe, o silêncio institucional era estarrecedor. As tais "pedaladas" que serviram de pretexto - já que o exército de investigadores, brasileiros e estrangeiros (sobretudo estadunidenses, britânicos e israelenses), não conseguiu encontrar uma só falcatrua, um único real ou dólar ilegal nas contas do metalúrgico e da ex-guerrilheira - foram legalizadas pelo congresso nacional pouco tempo depois, por serem um procedimento comum, de praxe, usado pelos governantes em geral e de qualquer ideologia, pra continuarem servindo ao equilíbrio orçamentário de estados e do país. Não havia crime de responsabilidade, não havia motivo legal, pra impitimar a presidente. Apenas ela não tinha a vaselina do ex-metalúrgico pra tratar com corruptos, esmagadora maioria no congresso e nos poderes públicos, e criou uma rejeição enorme entre os "eleitos" do legislativo ao rechaçar qualquer papo com cheiro de sujeira, de entreguismo e falcatruas institucionais. Ao botar pra fora do seu gabinete, aos insultos, parlamentares vendidos a interesses econômicos que exigiam o sacrifício da população, rotineiro e cotidiano até então. Obviamente, o massacre midiático criou tamanha tsunamis desinformatica que, até hoje, se mantêm mentalidades brutalmente convencidas da "bandidagem petralha", sem perceber a estrutura social inteiramente construída pra funcionar sob o domínio dos corruptores. De quem, aliás, não se fala - a vista meio cega só enxerga os corruptos. Na dita "política", claro, porque o "mercado" onde moram os corruptores é apresentado como a fonte das virtudes e da competência.
Que forças amarraram tão fortemente os poderes institucionais que poderiam ter impedido esse golpe e evitado a tragédia da eleição de um criminoso declarado, conhecido, praticante de falcatruas há décadas? Quais os poderes que estão acima dos chamados "poderes públicos"? A pista está na convocação recente do BGT Pactual, um banco de segunda linha, aos "presidenciáveis", pra um evento sintomaticamente chamado "CEO Conference", em inglês mesmo, descarado. Dizem que é o "mercado financeiro", pra não dizer que são os maiores banqueiros, na verdade controladores do tal "mercado" tanto quanto ou mais ainda do que dos "poderes públicos". Pra esconderem esse punhado de podres de ricos - causa e fonte de toda a miséria, fome, desabrigo, ignorância e desinformação, em última análise - se usa o termo genérico, nebuloso, de "mercado", pra manter os verdadeiros poderes, que submetem todos os governos, no escuro, nos bastidores, ocultos, longe dos holofotes da mídia empresarial, dominante nas comunicações do país e dominada por esses mesmos vampiros sociais.
O silêncio covarde do supremo tribunal, diante de um golpe de estado armado de fora pra dentro, contando com a trairagem das "elites" políticas e econômicas - e com a lavagem cerebral permanente executada pelo massacre midiático, publicitário e ideológico -, foi imposto pelos poderes imperiais, colonizadores, saqueadores das riquezas das nações e sabotadores do seu desenvolvimento. No Brasil a sabotagem iniciada com o golpe seguiu destruindo todos os instrumentos e mecanismos criados para um verdadeiro desenvolvimento do país e seu povo, ainda no nascedouro. Pequenas aberturas foram fechadas, na educação, na agricultura, nas comunicações, nas relações sociais, em toda parte. E o silêncio dos "magistrados" ecoaram como um trovão, anunciando os poderes ocultos que dominam os chamados "poderes públicos", que nunca foram mesmo públicos, até agora. Ainda serão.
Agora, que a indústria naval foi destruída, a indústria da construção pesada fechou mais de 200 empresas no território, que a Petrobrás foi esquartejada e reduzida, privatizada na surdina nas suas partes mais rentáveis e produtivas, deixando de refinar os combustíveis que atendiam a todas as necessidades do país e passando a comprar no exterior a um preço que depende do tal "mercado internacional", que o acesso mínimo aberto à população mais sabotada em escolas e universidades vem sendo fechado e dificultado ao máximo, que a fome tornou a se espalhar, o desabrigo se expõe em toda parte, que milhões e milhões estão sem trabalho, agora que a perversidade está escandalosamente instalada nos cargos mais visíveis dos governos, surgem tardiamente as vozes dissonantes. Onde estavam esses covardes enquanto esses crimes sociais eram cometidos na preparação da situação de agora? Nos mesmo lugares onde estavam caladinhos, o que dá a perceber que receberam algum tipo de permissão pra começar a se manifestar, a esboçar alguma reação institucional. O contraste com o silêncio os denuncia.
Esta nossa sociedade é uma grande farsa. E é a partir desta percepção que se pode e vai construir um outro modelo, mais humano, mais harmônico, menos injusto, mais igualitário, menos perverso e mais solidário. Quanto tempo, quantas gerações isso vai levar, depende de nós, das nossas reações, individuais e coletivas. Mas o planeta, com todas as mutações que se apresentam cada vez mais profundas e amplas, parece preparar um grande impulso nessa direção. É o que me parece.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Jornalismo empresarial: cadê a realidade?
Eu queria saber o que acontece com os kaiapó, depois de Belo Monte construída no rio onde eles viviam. Foram seis meses de Acampamento Indígena na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em protesto contra a construção da usina - luta "até a morte", segundo eles. Que acabou mesmo na morte de um cacique, do coração, por conta dos gases que as polícias lançavam a cada vez que destruíam aquele acampamento, que era reconstruído em seguida por outra leva de indígenas kaiapó. E na morte de uma criança que ainda estava em gestação, pelo mesmo motivo, ataque das "forças de segurança" do Estado inimigo da população quando se trata de atender interesses econômicos.
Queria saber do vale do rio Doce, contaminado de metais pesados desde 2015, foco de todos os tipos de câncer que os resíduos da mineração são capazes de provocar. São mais de oitocentos quilômetros, mais de vinte municípios na beira do rio, até o mar, no Espírito Santo, passando por um território indígena, os Krenak. As pessoas estão cozinhando com água de poços, a contaminação é geral, deve ser o maior nível de câncer por habitante do país - de esôfago, de estômago, intestinos, pulmões... Barra Longa tá com o maior índice nas vias respiratórias, Valadares tá comendo um peixe mutante que apareceu na água infestada de metais pesados, cor de ferrugem, o vale todo é uma fonte de contaminação geral. Os laboratórios farmacêuticos estão lucrando muito por ali.
O que está acontecendo nas "frentes agrícolas" que derrubam e queimam florestas? E nas terras indígenas e quilombolas, sempre cercadas de olhos ambiciosos, armados e prontos pra atacar as pessoas e tomar as terras onde vivem há gerações sem conta?
O que passa nas periferias e favelas das cidades grandes? A quantas anda a repressão, os mortos por balas "perdidas"? Como está o movimento de êxodo urbano, que vem inchando as cidades do interior e levando os problemas das metrópoles pras áreas onde ainda não havia?
O que acontece hoje com as 250 mil famílias que foram expulsas das suas casas - na base da porrada, do gás lacrimogêneo, da repressão pelas "forças de segurança"- pra dar espaço às obras empresariais da copa do mundo e das olimpíadas que o país sediou? Não se fala do destino dessas pessoas, tratadas como pragas, formigas, espalhadas e atiradas à própria sorte - ou azar de não ter nascido entre os privilegiados sociais.
A imprensa, o jornalismo em geral só fala das personagens, marionetes nas mãos dos poderes "ocultos", nos bastidores - banqueiros, mega-empresários e seus cúmplices na política e nas elites "nacionais". É Moro, Bolsonaro, Lula, Dilma, Dória, Ciro, personagens, no fundo, cênicos da política partidária, que se diferenciam pelas personalidades, mas são subalternos aos "poderes de mercado", ao "mercado financeiro", aos poderes econômicos mundiais e seu braço nacional, que é essa elite de um punhado de podres de ricos, descendentes dos senhores de escravos, antigas alavancas do poderio banqueiro mundial, desde que tinham sede, principalmente, no império britânico. E que hoje estão mais nos Estados Unidos, embora se mantenham ainda pela Europa - o que nos põe sob o controle do imperialismo euro-estadunidense - que se impõe a quase todo continente Americano e a quase toda África. Domínio e saque europeu na África, domínio e saque estadunidense na América Latina. Os que fazem e constróem de verdade a história e as histórias por aí ficam fora dos holofotes, no escuro, mantidos na ignorância e desinformação, impedidos por muitas formas de tomar consciência da realidade como é e suas causas mais profundas.
A mídia mira seus holofotes no palco das marionetes e esconde os bastidores, os verdadeiros poderes que têm no cenário dito "político" um tabuleiro onde movem suas peças - e controlam inclusive os holofotes. A seu favor e contra povos e nações. A mídia empresarial esconde e distorce a realidade, a favor do lucro e da propriedade do punhado de podres de ricos mundiais e suas elitezinhas locais, cúmplices dos crimes contra a humanidade. E a mídia alternativa, dita "de esquerda", mais humanista mas não menos condicionada, fica na superfície, discutindo e disputando no teatro de marionetes, focada na farsa e sem se dar conta dos próprios condicionamentos, dos aprisionamentos em suas "correntes de pensamento" no desprezo à sabedoria e à resistência popular, dos sentimentos de falsa superioridade que afastam, separam e impedem a troca verdadeira com os verdadeiros construtores e mantenedores de toda a estrutura social - em todo o mundo.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Perguntas pra se fazer a si mesmo - ou revolução interna.
Eu vejo o mundo, a realidade, a vida, a sociedade com meus próprios olhos? Ou pelas lentes distorcedoras que me colocam na cara desde a infância e todo santo dia?
O que eu quero da vida sou eu mesmo quem quer? Ou quero o que fui induzido a querer?
Meus valores foram criados, formados, escolhidos por mim ou me foram impostos pelas convenções sociais?
Meus objetivos de vida me satisfazem o espírito ou às exigências sociais pra "merecer" respeito?
Eu me comporto como quero e me satisfaz ou como sou condicionado e cobrado a me comportar?
Dou mais importância ao olhar alheio ou ao olhar da minha própria consciência?
É tempo de mutação e a principal é a interna. É esta que reflete e influencia as verdadeiras mudanças. Sem a revolução interna, somos prisioneiros dos condicionamentos em que este modelo de sociedade é especialista. E incapazes de uma verdadeira revolução social.
Pequeno quadro social
O Estado, obediente aos poderes econômicos que o controlam - muito além dessa farsa chamada "democracia", o que nunca foi de verdade -, amarra a população com as correntes da ignorância, tranca no quarto escuro da desinformação e ocupa as mentes com o consumismo, a alienação, a superficialização mental, com a cultura do entretenimento vazio e dispersivo. Educação pública sabotada, educação particular com foco na formação de competidores pro "mercado", comunicações dominadas pelos poderes econômicos privados - pra quem o lucro vale mais que a verdade -, formam a estratégia de dominação que conduz a mentalidade geral, em cada classe social, de acordo com esses interesses. Banqueiros e magnatas, que formam a casta do punhado de podres de ricos, dominam os poderes ditos "públicos" e arrancam da maioria - entre a exploração, a pobreza e a exclusão - seus privilégios, luxos e excessos, garantidos pelo próprio Estado e seu sistema de segurança. Suas ricas empresas envenenam as terras, as águas, os ares, os alimentos, enquanto o povo, aturdido, não consegue entender os porquês de tanta dificuldade e sofrimento, desprovido de senso crítico, de informação e consciência social. Roubado em seus direitos humanos, básicos e constitucionais, não tem condições de enxergar as causas de tanta injustiça no mundo. É a partir desse "enxergamento", tomando consciência da realidade, se reconhecendo como base indispensável de toda a estrutura social, que se pode tomar atitudes - no cotidiano - e mudar esse quadro desumano e anti-social implantado de cima pra baixo. É o alicerce que sustenta a pirâmide. E quando o alicerce se movimenta, a casa cai. Caminhamos.