sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Raymundo Araújo Filho





      Eu o conheci via internet. Textos denunciadores, indignados, verdadeira metralhadora giratória, atirando pra todos os lados. Dei uma opinião, fui recebido com agressividade, me expliquei, ele se desculpou por ter sido “meio grosso”. Havia identidade na percepção do mundo, apesar da diferença de temperamentos – o que não dificultou em nada a afeição espontânea que rolou. O que ele exigia, (sim, exigia), era sinceridade e boa fé. Nada mais. E tão raro...
      Assim ficamos amigos, por identidade pura. Lia seus textos, muitas vezes achando um exagero pela quantidade de insultos – devo admitir que compreensíveis –, de denúncias, desqualificações e acusações. Ele começou a ler uns meus, certamente me achando por demais cordial e ameno. Ele gostava de dar nome aos bois e de adjetivar os mesmos bois sem piedade. Quadrilheiro, cheirador de pó, ladrão safado, camarilha eram expressões corriqueiras nos seus escritos. E nas suas falas, bastava por a mão num microfone, pra terror dos hipócritas, desses “revolucionários” em causa própria. Ele nunca advogava em causa própria e emanava seu caráter e disposição ao combate, de forma irresistível.
      Um dia ele me convidou pra defender o cine Icaraí, prédio histórico em área cara – se diz “nobre” –, e nos encontramos pela primeira vez. Com seus pelos brancos, cabelo e barba, tinha olhos de menino e coração de anjo. Um anjo ateu. Ou agnóstico, ele dizia, talvez a única concessão que fazia para evitar confronto com gente boa, de luta, sincera e que tem religião. Com uma caixa de som e um microfone, meio no improviso, ele ligou sua metralhadora. Eu ali, do lado, olhando as pessoas se juntarem pra ouvir. Alguém que estendia uma faixa atrás teve dificuldade e ele não titubeou. Passou o microfone pra mim, sem aviso, "vai falando aí" e foi ajudar o cara. Pego de surpresa - nunca tinha falado num microfone -, comecei a falar qualquer coisa a respeito das mentiras que somos obrigados a engolir, entre o espanto e o improviso. Depois reclamei com ele, "comé que cê faz uma coisa dessa, meu", ele riu, "sabia que cê ia falar bem". É assim o meu amigo, amorosamente autoritário.
      Na segunda vez, ele me convocou pra ajudar a construção de uma favela cênica que seria montada na praia de Icaraí, praticamente em frente à manifestação do cinema, só que na areia. O chamado foi feito às dez da noite, fui de bicicleta. Estava lá um grupo da Associação dos Desabrigados das Chuvas de Niterói, já havia um ano sem casa nem solução por parte da prefeitura, que exercia requintes de crueldade com as famílias  desabrigadas. Ele havia chegado de uma viagem longa, sem dormir, estava meio zumbizando, acabou indo dormir numa barraca montada lá com essa finalidade, dar descanso a quem precisasse. Quando amanheceu o dia, o cenário estava pronto, ele acordou a tempo de providenciar um modesto café da manhã para todos. Pela cara das pessoas que passavam, lotando os ônibus, nos carros, correndo no calçadão, deu pra sentir que a coisa chamava a atenção e teria repercussão.

      

      A associação havia pedido ajuda a uma dessas siglas de esquerda, mas como não estava no programa desta sigla, não houve apoio. O manifesto foi feito sem nenhum revolucionário de carteirinha e chamou tanta atenção que saiu em vários jornais, inclusive no exterior. Aí a sigla se animou e armou a arapuca, ligando pra associação e oferecendo uma sala no DCE da UFF pro pessoal se reunir. Fui convidado e, ao ouvir o endereço, senti cheiro de armação. Questionei mas, sem fazer parte da associação, não me senti no direito de insistir, acabei indo. E lá estava o Ray. Ele compartilhava da mesma impressão. Aliás, ele não tinha impressão, tinha certeza. E viera pro combate.
      Os "revolucionários" da sigla já estavam com o circo montado. Inclusive se pensavam preparados pra encarar a metralhadora, vã ilusão de inexperientes. Com o Raymundo eles só podiam jogar deslealmente, porque na razão eles não tinham condições. Não tinham sinceridade nem boa fé e várias vezes pensei que ia sair porrada, já tinha até escolhido uma cadeira mais pesada pra rodar, caso aqueles caras atacassem o Raymundo, estimulados por sua superioridade numérica e a magreza atrevida e insultante do oponente grisalho. Na verdade eu queria tirar o cara dali, mas ele parecia tomado por algum exu caveira e espalhava brasa pra todo lado. Creio que sua razão inibia qualquer iniciativa mais truculenta. E ele estava coberto de razão, via claro todo o processo de cooptação, conhecia as estratégias, denunciou até o procedimento ensaiado – procedimento torpe – da turminha siglesca e doutrinária. Escrevi um texto na época, “Os desabrigados e os revolucionários”, contando o acontecido, com tristeza. A associação sucumbiu, os melhores saíram, a cooptação aconteceu. Mas a amizade se solidificou depois daquilo.
      Raymundo veio à minha casa várias vezes, trocávamos idéias, concordávamos e discordávamos, sentia nele um respeito que não via ele usar com os outros. Era, concluí muito depois, o tributo à sinceridade, à boa fé, à resistência ao sistema, à não rendição aos padrões condicionados de comportamento. Atrás daquela turbulência toda, um coração enorme, um olhar de criança, um amor irrestrito pela humanidade, pelos animais, pela justiça. Sentia por ele um respeito que relevava sua forma acadêmica de falar, sua prática política de confronto, sua agressividade, sua posse de verdades. Quando ele exercia essas coisas pra cima de mim, eu ria sem expor minha discordância, ele percebia e amenizava. Fora do confronto, ele era o amor em pessoa.
      Lembro de ter falado com ele, depois de um desses confrontos em que parecia que ele ia se atirar no pescoço do oponente, “tu inda vai ter um treco por conta dessas raivas, desse estado de nervos que tu fica”. Ele respondeu que era teatro, tava tudo sob controle. Não era e não tava. Seu ódio era por amor e ele não sabia resistir aos sentimentos.
      Costumo dizer que vou morrer do coração, por ter amado demais, ou com um tiro na testa, por ter falado demais. Pro Ray, o amor chegou antes. Cedo demais.
      Senti um baque quando o Francisco me avisou, no portão. Nem quis entrar. Acho que não acreditei, deu um formigamento no corpo, a vontade me disse “é engano”. Mas não era. Raymundo Araujo Filho, a metralhadora, parou de atirar. Ou melhor, parou de produzir tiros, porque os petardos que ele lançou estão por aí, acendendo luzes, inflamando consciências. Levei dois dias pra digerir o acontecimento. Lembrei do enterro de um outro lutador, quilombola, na Bahia, há muitos anos, assassinado por jagunços. Seu pai, um velho sábio, disse a uma mulher que chorava, “chora de saudade, fia, não chora por ele. Bom como era, cheio de amor por todo mundo, ele agora tá melhor que nós tudo”.
      Por tudo que fez, por tudo que era, por tudo que deixou, o Ray agora tá melhor que nós tudo. Nós choramos de saudade, pela perda que o mundo teve. Não lamento por ele. Lamento por nós. Mas, lembrando que por essa porta passamos todos, acendo a esperança e mando a mensagem – boa viagem, irmão, até o dia em que nos abraçaremos de novo.

40 comentários:

  1. Cara, a morte é uma coisa muito dificil pra mim, por que ainda não tive pessoas proximas morrendo, além das bem velhinhas. Consigo nem mensurar tua dor. Força ai.

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  2. Força ai Edu, é sempre triste perder nesse plano alguém que amamos e nos espelhamos. Eu e Pedro estamos daqui emanando coisas boas para ti. Beijos, Karen

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  3. A morte vem para todos, independente se eram bons ou ruins. Mas mesmo assim é difícil aceitar esse fato, principalmente de pessoas boas, que são raras neste mundo.

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  4. Ele inflamou as consciências, você bem disse.

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  5. A morte é a porta de saída, por onde todos passaremos. Não há grande sofrimento, apenas a saudade que fica daqueles que brilham. Um dia a gente se vê.

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    1. Eduardo, queria te perguntar, com qual certeza você fala que a morte é a saída para um lugar ?

      o que te fez acreditar nisso? eu particularmente tenho minhas dúvidas, as vezes acho que a morte é o fim....

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    2. Certeza? Cê precisa de certeza? Fica na dúvida, xará, não faz mal nenhum. Não tenho certeza, tenho o sentimento, a intuição. Provas? Tenho não. Nem preciso, não sei de nada. Só sinto. A vida é uma passagem, do nascimento à morte. A realidade não depende do que acreditamos.

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    3. Entendi parceiro muito obrigado por ter respondido, acho que essas coisas só sabemos quando partimos.

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    4. A luz não para quando a estrela apaga. Ainda mais quando a estrela dá origem a valores próprios, não aceitando os valores desse universo degenerado.

      Bacana o relato, dá vontade de conhecer mais sobre o Raymundo, seu legado. Ele tinha algum blog ou escreveu algum texto que você recomende, em especial?

      Luciano

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    5. Olha esse texto dele, a Tita é jornalista e vivia com ele, vale a pena ver o trabalho dela, que publicou vários artigos dele, entre outros do mesmo nível, em geral esclarecedores, engajados na humanidade e acendendo luzes.

      http://titaferreira.multiply.com/journal/item/2852

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  6. Lembro de vc contar esse episódio do DCE na cerveja q o Fabio me convidou pra beber com vcs.
    Perdemos nós, o resto é reverência e saudade.
    Belo texto, velho.

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  7. gostei muito do seu trabalho, eduardo...na verdade,me identifico com voce.sofro de tab(transtorno afetivo bipolar),mas meu grau é o mais amenos, nao me acarreta muitos problemas,mas,como toda doença,preciso ter alguns cuidados.
    tenho uma visao de mundo socrática, de que nada sei,nada eh estático,nada é eterno...mas isso,principalmente para as pessoas qu amo, atitudes aparentemente tidas como loucas, para mim sao autenticas de meu jeito de ser,sendo,muitas vezes, de modo que passa rapidamente de atitudes excentricas para egocentricas...
    tenho um blog, http://blogquixotedelamancha.blogspot.com.br/ ....se der para dar uma força cara!
    valeu pelo belo rabalho,, e um agradecimento especial a sua força de vontae de ser o que é mesm...voce é um genio,mas mesmo assim,se mistura com ingënuos e pobres....realmente parabens!

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    1. Véio, nem sou gênio, nem me misturo. Já nascemos misturados e as divisoes são artificiais. Evito mesmo é gente pobre de espírito, de sentimento, de humanidade. Até por não saber o que fazer com eles, além de manter distância. Gosto de trabalhar em terras férteis.
      Faço o que sinto necessidade de fazer. Não há mérito nisso.

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    2. Eduardo Marinho,

      É muito fácil conviver com pessoas humildes que lhe tratam bem e mais fácil ainda se afastar daqueles que são pobres de espírito, de sentimento e de humanidade,mas não procure se distanciar deles, pois, quando se existem enfermos nos hospitais, quem cura são os médicos. Imagine que a doença deles é a pobreza de espirito, de sentimento e de humanidade... A cura está em cada exemplo que damos de paciência, de afeto, em cada atitude. Como você falou em um de seus videos, no fim todos nós vamos ter a intuição de que somos uma só família,mas para que isso aconteça, temos que dar exemplos. Quem sabe isso não é mais um sentido pras nossas vidas? cuidar de nossos irmãos doentes. Sou teu fã. Abraço!
      Romulo Guerra - Recife-PE.

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  8. Sempre que a vida me escapa
    Penso lembranças de ti
    Em que distancias te escondes?
    Em que planeta andarás?

    (Paulo Barroso)

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  9. http://www.youtube.com/watch?v=r9BWEh89CO8&fb_source=message

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Em 1999, quando me formei na ETA (Escola Técnica de Agricultura) de Viamão - RS, conheci o Raymundão. Foi um grande amigo, parceiro e mestre nos ensinamentos sobre ecologia e militância! Uma grande perda! Felizes aqueles que compartilharam momentos com o Raymundo!

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    1. certo Jorge ! me conta um pouco do Raymundo..

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  13. PARTE 1
    Velho.. Vi um depoimento seu hoje a tarde e desde então nao parei de consumir o conteúdo que voce produz!!! Distribuindo riqueza. Fazendo riqueza. Riqueza de verdade!!!! Parabéns. Sinto muito pela perda de seu amigo, mas não é disso que quero escrever aqui.

    Eu sou parafuso do sistema. Sou herdeiro de uma empresa. Ganho bem e trabalho bastante.. Levo uma vida repleta de falsos privilégios e medo. Nessa época mesmo em que estamos, meus irmãos estão assustados com a possibilidade de falência. De certa forma isso não me atinge. Eu confio na minha consciencia e capacidade.. Se for o caso recomecar tudo.. eu tenho a capacidade de ter recursos financeiros pra levar a vida e até recuperar financeiramente o alto padrão que temos... Minha mente me permite isso. Mas estou dando esse depoimento (e espero que voce leia) por que eu me identifico com a sua história.

    Meu pai me botou pra trabalhar cedo com ele. Eu devia ter uns 14 anos e trabalhava no estoque.. Fechava caixa todos os dias e convivia com pessoas que tinham menos condições financeiras do que eu. Estoquistas, "chão de fábrica".. E eu adorava estar ali. Eu senti, aos 14 anos, a percepção que voce sentiu quanto ao comportamento dessas pessoas.. E eu gostava de estar ali. Sentia uma cooperação e sinceridade que não percebia em casa.. A conversa, as atitudes, as risadas, os olhares.. O comportamento, a energia.. era diferente ali.... Meu melhor amigo era o filho do caseiro do vizinho chamado Mamedes... Origem humilde de dinheiro, mas rico de alma, muito rico. Andavamos de skate juntos o dia todo. Hoje percebo que meu pai se orgulhava dessa amizade... O amigo do seu filho rico era o filho do caseiro do vizinho.. Ele frequentava o nosso meio, jantares com amigos do meu pai, da alta sociedade.. e ficava encabulado. Chegaram a perguntar pra ele.. "voce é filho de quem?? Quem é seu pai???"... O Mamedes sentia vergonha. Meu pai sentia orgulho. Eu sentia indiferença.. Estava com o meu brother e ponto. É isso que interessa.

    Aos 15 anos fui viajar, programa de intercambio. Fui pros EUA e vi um outro lado, do consumo desgovernado.. As lojas sempre cheias.. As pessoas não paravam de fazer compras. As coisas custavam muito e desvalorizava rapido. Perdia-se o valor. Uma camiseta da coleção tinha bem mais "valor" do que a do uma idêntica do ano anterior... E as pessoas reconhecem esse falso valor, participavam desse circo, alienadas a essa percepção.

    Eu estava no olho do furacão do consumo aos 15 anos. Dentro da casa de um familia americana no meio do Texas. Aquilo me assustou e me encantou ao mesmo tempo. Percebi, há 10 anos atrás, que isso, um dia, tem que ter fim.. Não é possivel que a população continue alienada, comprando, jogando fora, comprando, escravizando os pobres, pagando impostos, e consumindo, consumindo.. Fazendo a maquina girar. Não é possivel. Isso vai parar um dia. É até fisicamente impossivel. Até aonde vamos? Mas aquilo ao mesmo tempo que me assustava, me encantou.. No sentido de que, cacete, que máquina. Articulada. Tudo tem um motivo pensado, tudo é implementado. Os padrões são impostos. A politicagem, a tecnologia, a medicina.. Caralho!!! A engenharia é fudida. Maléfica, mas fudida.

    Cara, vou tentar resumir.. Enquanto ainda estava nesse programa de intercambio, acordei com uma ligação e meu pai havia falecido. Precisava voltar pra casa. Foi um baque. Faziam 8 meses que não via meu pai, um homem de valores excepcionais, e eu fui do avião direto pro enterro. Reencontrei minha familia, meus irmãos.. E precisavamos tocar a empresa. Precisávamos cuidar do "pequeno império" que nos foi dado.. E precisava de uma faculdade.. Prestei vestibular e passei em Direito.. Sempre gostei de história e português. Cursei durante 2 anos e meio e larguei.. Fui viajar, rodar o mundo, arrumando uns bicos.. enfim..

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  14. PARTE 2
    Desde os 20 anos eu trabalho na empresa. Voltei. Tenho 26. Quando eu tinha 21, li um texto do Deepak Chopra e conheci a meditação. A consciência de verdade, plena. Aquele exemplo do estoque me marcou muito, levo comigo até hoje. Adoro perceber o comportamento das pessoas. Ganho dinheiro pra viajar, e quando viajo, fico no meios dos pobres.. Muitas vezes as viagens são para surfar, desbravar uma onda em algum lugar do mundo. Acampo na rua, na praia.. nos acampamento de refugiados na Africa, num pequeno vialarejo no interior do Marrocos. E isso me faz alcançar um estado de espírito elevado. Eu procuro entrar na rotina, na vibração do lugar e das pessoas... Eu procuro viver a vida delas. E me faz bem.

    Deepak Chopra fala que na meditação os verdadeiros sentimentos e vontades afloram. Ele compara a mente humana a rio.. Quando estamos sofrendo interferências de toda essa máquina.. nossa mente é um rio, cheio de ondas e tempestades.. Voce pode soltar uma bomba nesse rio, que mal será perceptível. Quando se esta meditando, ou em contato com a natureza.. natureza plena (humana, animal etc.. ) Sua mente fica com aguas muito calmas.. E aquela vontade.. aquela pequena pedra sincera dentro de voce.. vai fazer com a onda reverbe por toda eternidade. Que a sua vontade sincera.. Aflore.

    É assim como eu me sinto quando me refugio no meio das pessoas e das ondas. O ser intuitivo. Se eu vacilar, a onda me da um caldo. Muitas vezes a queda é mental. Se naquele segundo em que estou remando, eu pensar em queda, eu vou cair. É preciso estar completamente intuitivo, assim alcanço os objetivos. E gosto muito do seu pensamento que o pobre desenvolve o lado intuitivo da vida.. A percepção da vibração que a pessoa emana.. Que tudo emana.. Muito mais cedo. Essa é a verdadeira força. Se a humanidade tomar ciência dessa força, dessa unidade.. Seria um poder incomparável. É preciso sentir.. É preciso ser... Nossa razão é implantada, não é pura. Estou com você nessa.

    Espero que um dia eu encontre o sentido da vida como voce encontrou o da sua. Emanar essa força, ajudar a esclarecer.. Me atingiu aqui, parabéns!!!
    Um grande amigo me ensinou que o legal da filosofia é que ela acende uma luz que já estava dentro de você. Voce percebe coisas que já estavam ali, como se realmente acendesse uma luz lá dentro, mas uma luz que voce já tinha. Só estava desapagada.
    Suas ideias acenderam mais uma lâmpada aqui, via internet, uma mídia democrática.. Onde escolhemos nosso consumo! Será que não estamos beirando o momento dessa revolução?!?! (que dá outro papo de vááárias horas hehehe)

    Gosto de pensar num final feliz pra essa história.. num final de bem.... de elevação... de consciencia de toda humanidade!!

    Por favor, gostaria que voce me respondesse.. se achar que deve.. meu email é dax@ricsen.com
    Sou de Curitiba.

    Grande abraço.
    Dax Senden

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    1. A meu ver, privilégios são dívidas morais. Numa sociedade que sabota, explora e engana a maioria, que atira à miséria a ao abandono enorme parcela das populações, qualquer privilégio deveria ser uma vergonha. No entanto, a cultura foi tão distorcida que vejo privilegiados ostentando seus privilégios despudoradamente, sem perceber o espetáculo grotesco do seu próprio egoísmo. O que seria motivo de constrangimento, ao contrário, dá orgulho, uma espécie de orgulho primário e egoísta, que precisa acreditar que seus privilégios são direitos adquiridos - e em várias outras mentiras repetidas à exaustão no processo de alienação e superficialização do pensamento. Buscar a realidade não é fácil, nem recomendado. Mas é o que dá real sentido à vida, não só tomar consciência da evolução, mas tomar atitudes de acordo com essa tomada, se liberar um pouco do medo e abraçar a humanidade como um todo, de coração. Não é fácil, mas o que tem valor nesse mundo é exatamente o difícil - embora se recomende e se busque basicamente facilidades. Não é à toa tanta angústia - e tanta gente tomando anti-depressivo.

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    2. Não vejo final feliz. Não vejo final infeliz. Não vejo final. Acho que não acaba e sim, se tranforma. Um processo que vem não se sabe de onde nem quando, e vai até não se sabe quando ou onde. Não precisamos saber, antes de saber precisamos sentir. Sentir e fazer. Assim crescemos e ampliamos, muito pouco a pouco, nossa visão de mundo e nossas percepções.

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  15. QUe bacana teu depoimento, Dax... tão jovem e tão reflexivo. :-)

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    1. Valeu, Marylin. Eu já ia dizer outras coisas, como o umbigo não é o centro do mundo e outras grosserias. Serenei, te agradeço.

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    2. Obrigado Marylin.. Foi um raro momento de inspiração.. por tudo que li e escutei do Eduardo.. E foi sincero!!!
      E Eduardo.. obrigado pelo comentário também.. Admiro o seu trabalho.. Por favor.. solta o verbo..

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    3. Sincero, sim, parceiro. Mas o espírito de serviço tá ausente da tua visão. Cada um tem seu caminho e não cabe a ninguém julgar ninguém. Mas os interesses se despertam diante do que interessa. A cada um, claro, seus interesses na vida e no mundo.

      Não somos nada diante do todo. Mas somos tudo que temos. Coletividade, irmão, é o que somos.

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    4. Valeu pela resposta parceiro!!! Assimilado.

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  16. Fiquei maravilhada...pela escrita sentida, pura e cheia de verdade, tantas vezes tão incrível que nos parece fantasia...
    Aqui, de portugal, tão perto e tão longe...irei seguir o seu blog com toda a atenção.
    Parabéns!

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  17. http://blogquixotedelamancha.blogspot.com.br/ fiz um post sobre vc e seu blog

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  18. Outra maravilhada com tua escrita e com a inspiração que ela traz.

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  19. Fiquei boquiaberto com seu vídeo na internet. Sou escritor, com um livro publicado já. Sou da escola da vida mesmo, e lutei muito para que a publicação ganhasse reconhecimento do meio academico -ilusório, a gente sabe. Vim de uma cidade extremamente valorizadora da aparência e do status, chamada Caxias do Sul,e é um brasil bem diferente do que se vê na globo. Teu vídeo veio em um bom momento na minha vida. Um momento crucial, do qual eu tenho q decidir por uma vida regular segura ou a vida arriscada das artes. Obrigado. Como poderia lhe presentear com meu livro? Vai o link sobre ele, se tiveres interesse.
    www.invernoscegos.wordpress.com

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    1. Oi Maikel ! vc conhecia o Raymundo , pessoa a qual gerou toda esta lista de comentários ? eu sou de São marcos, e hoje vim fazer uma pesquisa sobre a vida de Raymundo, e achei vc de caxias..

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  20. Texto bem escrito. Mensagem enviada. Estou processando e tentando entender o que realmente me cerca. O que é real e o que é ilusão? Ando pensando que real é somente o que sinto. O restante é efeito de um circo montado pelo sistema.

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  21. Conhecia R.A.F. só através de seus escritos e pelos comentários de amigos que conviviam com ele. Já simpatizava com o sujeito, apesar de achar que os textos do cara poderiam ser um pouco mais sintéticos. Depois dum tempão tive prazer em encontrá-lo numa reunião no CCS-RJ (Centro de Cultura Social do Rio, no bairro Vila Isabel). Ele estava cheio de ideias, iniciando trocentas coisas boas no campo audiovisual, agroecológico... sem deixar a escrita, claro. Lembro que eu estava pensando qual a melhor maneira de lhe oferecer meu fanzine "O Berro" (sou tímido pacas), quando o figura quebrou o gelo pedindo mais ou menos assim: "Me arranja um desses 'O Berro' aí".

    Ficamos (eu e demais compas) com cópias duma matéria dele supercrítica e boa pra caramba sobre a "greve" P.M. Cheguei a mandá-la pruns correspondentes.

    Pena eu não ter podido conhecer melhor R. Araújo Filho.

    Tomei a liberdade de reproduzir esse texto sobre o Raymundo lá no meu blogue Expressão Liberta (http://expressaoliberta.blogspot.com.br/).

    Um abração pra todas e todos!

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  22. Raymundo de Araújo Filho se faz de morto ao gosto da burguesia mas está bem vivo para deturpar Marx e se vender ao capital. Pau no cu do Raymundo Toddy com um tronco de árvore. Um Autogestionario

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    1. Isso é que é pobreza, do pior tipo, de espírito. Além de covardia, além de grosseria, bem ao gosto dos raivosos e falsos revolucionários. Fácil tripudiar em cima de quem não pode responder. Conheci pessoalmente e respeito o Raymundo, mesmo com várias discordâncias. Esse comentário apenas mostra as correntes que prendem essa pessoa que se esconde nesse pseudônimo.

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  23. olá Eduardo ! prazer em conhecer alguém que conheceu o Raymundo e reconheceu seu valor, não obstante seu jeito tosco, porém necessário para sua missão... nem sei como é que eu vim parar aqui nesta página virtual hoje.. depois de tantos anos do evento da passagem do amigo Raymundo, e que teve o último comentário em 2012, e ainda me deparar com um comentário feito há pouco tempo neste ano(4 anos depois, e coincidentemente no mesmo período que eu), e por uma pessoa aparentemente anônima, encorajada a insultá-lo do lado de lá, quando já não está nem mais aqui para poder se defender, ao seu modo grosseiro mas racional.. deixa estar.. não apareci aqui pra perder tempo com isso, mas sim dedicar um tempo, ainda que atrasadamente, e para neutralizar esta aparição comentarista anterior, em homenagem à vida de Raymundo. Hoje aconteceu que eu comecei a reciclar um maço de papéis sortidos que havia trazido da cidade onde morei muito tempo, e onde tive a sorte de conhecer e conviver com Raymundo. Nos papéis , encontrei umas folhas com poemas que ele havia concebido e me atribuído ao longo de nosso convívio. resolvi parar, ir a um local reservado, para dedicar um tempo sagrado a refazer a leitura dos tais, e convocá-lo à presença.. no fim da tarde, ao por do sol, a leitura me trouxe de volta aquele tempo, àquela pessoa, e com muitas lágrimas saudosas.. sabe, é isso aí mesmo do que tu falas no teu texto, ele era isso.. e nos papéis que eu estava averiguando os conteúdos para saber oque fazia com cada um, encontrei mais 3 cartas que ele escrevia e distribuía por aí, para que as pessoas fossem tocadas com as informações que ele, como poucos tinha a disposição de revelar..,e produzir e doar ao mundo para alertá-lo das falsas verdades.. Mundo, era como eu chamava ele.. bem, aí vim na Internet, especialmente para encontrar algo sobre ele dentro do meu endereço-eletrônico, que, pasme, foi ele quem me deu, tipo de presente, vulgo 'e-mail', pois ele foi quem me convenceu que eu precisava dum há muito tempo atrás.. no tempo em que isso era o suficiente, e não tinha nada mais 'sofisticado como existe hoje.. e eu continuo usando este mesmo contato virtual até hoje.. cuidei dele com carinho todo este tempo, oque evitou com que chegasse uma hora e eu acabasse me desfazendo dele por problemas de má-administração.. só tive que trocar a senha por problema de risco de infecção por vírus, senha que ele mesmo escolheu para a minha conta, oque foi necessário para me presenteá-la pronta, mas com a qual nunca me importei que ele soubesse, mesmo depois de tantos anos longe e sem se comunicar.. acho que precisei trocar a senha depois que ele já tinha partido deste mundo.. lá ele não vai mais precisar de senha.. vai poder estar nos observando de vez em quando.. lembro de um dos poemas que ele me dedicou, chamado Alta Fidelidade. fiquei pasmada com a notícia da sua partida, foi meio de não acreditar, e nada poder fazer. uma perda para a história da nossa humanidade ! que Deus o acompanhe na nova jornada, e espero poder encontra-lo do lado de lá quando eu partir tb.. Raymndo, não pude te salvar das ondas do mar, mas aguarde, se tivermos uma próxima oportunidade de nos encontrar ou do lado de lá, ou numa próxima possível vida aqui em comum, espero poder ser tua salva-vida. Da tua amiga Azougue Serena !

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  24. E pau no cu do Raymundo de Araújo Filho com um tronco de árvore

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observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.