domingo, 4 de dezembro de 2016

Eduardo Marinho - sobre Deus ou espiritualidade.

O planeta Terra, em sua proporção astronômica, é uma poeira cósmica girando em torno de uma estrela anã (o sol), insignificante, na periferia de uma galáxia de cem bilhões de estrelas, quase todas maiores do que o sol, com dezenas, centenas de planetas, cada um com seus satélites, luas a perder a conta, em suas órbitas, estrelas dez, cem, mil vezes maiores que o nosso solzinho, estrela-anã. Imaginar (criar a imagem) destas dimensões exige uma certa concentração e algum senso de espaço. É preciso se projetar na imensidão do espaço universal e preceber a insignificante participação do nosso sistema diante do infinito existir perceptível. 

Se levar em conta que essa galáxia espiralada em que existimos (a via láctea) é também uma das mais simples e menores entre os duzentos bilhões (!) de galáxias contadas e catalogadas por inúmeras gerações de astrônomos, algumas com trilhões de estrelas, sóis com seus sistemas planetários, aí se começa a ter noção da nossa insignificância. Dessas dimensões universais, podemos perceber que somos um pequeno grupo de viventes numa poeira cósmica e, a partir daí, assumir o fato de semos uma família planetária em evolução permanente em meio a todo o movimento universal, em mutação eterna. Chega a ser irracional imaginar que só tem vida aqui na Terra e do jeito que conhecemos.

Essa visão toda, a meu ver, serve pra gente deixar de ser besta, primitivo e inseguro e parar de criar divindades que só nos separam, distanciam e criam confronto, e perceber que nossa necessidade maior está entre nós, nas formas de nos relacionarmos, nos valores truncados que nos enfiam goela abaixo, no desenvolvimento da sociedade humana de verdade. Não esse desenvolvimento mentiroso, que só aponta economia e tecnologia, mas o desenvolvimento moral que nos permitiria simplesmente atender a todas as necessidades de todos os seres do planeta, pois condições materiais pra isso já existem, o que não existe é o desenvolvimento moral e de consciência. Enquanto focalizamos deuses imaginários, geralmente machos – generosos e amorosos mas vingativos e cruéis ao mesmo tempo – concepções ridículas (me perdoem os religiosos) que tiveram sua função, a de acalmar o primitivismo humano com castigos e prêmios, dispersamos as nossas possibilidades de construir uma sociedade harmônica, sem tanta miséria e abandono, violência e criminalidade.

É preciso perceber que a espiritualidade se manifesta na conduta, no caráter, no temperamento, no dia a dia, no relacionamento com as pessoas e com os acontecimentos. Nos sentimentos que se produzem, tanto dentro de si como ao seu entorno, nas pessoas com quem se trata. No templo todo mundo é "santo", devoto, contrito e bajulador do seu deus. Mas a revelação se faz nas atitudes, tolerantes ou intolerantes, amorosas ou raivosas, humildes ou arrogantes, compreensivas ou julgadoras. A crença ou não crença importa menos. O que se acredita pode mudar de uma hora pra outra, conforme circunstâncias da vida, é o que tenho visto por aí. Mas o que se faz é determinante, fez tá feito, a conseqüência tali na frente. "Não importa o que tu pensa, "mo fio", importa é o que tu faz". Ouvi isso de uma entidade num terreiro de candomblé, em Salvador, numa festa de Cosme e Damião. Foi uma das coisas mais sábias que já ouvi.

Não preciso acreditar em nada, assumo que não sei e assim fico menos fechado na percepção da realidade. Além do mais, se minha espiritualidade está na matéria, é na matéria que devo exercer e desenvolver minha espiritualidade, não nas projeções pra além da minha capacidade de compreensão, que se demonstram historicamente como fonte de conflitos e disputas, totalmente de acordo com um modelo social que nos estimula conflitos e disputas, uma sociedade altamente competitiva que nos atira intencionalmente uns contra os outros - no interesse egoísta, ambicioso, ávido e perverso de um pequeno grupo de podres de ricos que domina os Estados, os mercados sobretudo os financeiros, as comunicações, o modelo de ensino e tudo o que podem, criando a mentalidade, os valores, os desejos e objetivos de vida. Essa estrutura social depende do comportamento geral, daí a mudança mais premente - e eficiente - ser a mudança interna, a que muda o comportamento.

Se aproxima o momento de dispensar a religiosidade e perceber que ninguém escapa da espiritualidade.

18 comentários:

  1. vlw pela visão, eu te considero uma pessoa especial vc consegue ver a realidade do jeito que ela é, nao é qualquer um q ver do jeito q vc ver o mundo.

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  2. Sentir é mais que saber, seria você este camarada que voltou.? kkk
    Valeu pela coletividade Eduardo.! Fica na PAZ irmão..!

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    1. Eduardo Marinho, gosto muito das suas palestras. Você tem me ajudado muito. Gratidão por tudo.

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  3. É por reflexões como esta que tens toda a minha admiração e respeito Eduardo Marinho. Obrigado por nos mostrar o mundo através dos teus olhos.

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  4. "Ser teísta ou ateu, para mim, são ambos absurdos. Se você soubesse o que a verdade é, o que Deus é, não seria nem teísta nem ateu, pois nessa conscientização a crença é desnecessária. É o homem que não está consciente, que só espera e supõe, que confia na crença ou na descrença para apoiá-lo, e para levá-lo a agir de um modo particular.
    Ora, se vocês abordam isto de forma completamente diferente, descobrirão por vocês mesmos, como indivíduos, uma coisa real que está fora das limitações de crenças, fora da ilusão das palavras. Mas isso, a descoberta da verdade, de Deus, exige grande inteligência, que não é afirmação de crença ou descrença, mas o reconhecimento dos obstáculos criados pela falta de inteligência. Assim, para encontrar Deus ou verdade – e eu afirmo que tal coisa existe, eu percebi – para reconhecer isso, para perceber isso, a mente deve estar livre de todos os obstáculos que foram criados através dos tempos, baseados na autoproteção e na segurança. Você não pode se libertar da segurança simplesmente dizendo que está livre. Para penetrar nos muros desses obstáculos, você tem que ter muita inteligência, não apenas intelecto. Inteligência, para mim, é a mente e o coração em total harmonia; e então você descobrirá por si mesmo, sem perguntar a ninguém, o que essa realidade é".

    J. Krishnamurti, The Book of Life

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  5. Creio que vida é a capacidade de partilha,pois bem sabemos que ninguém é alguém sem um outro alguém.
    a verdade é que em vez de massa de manobra amorfa a cidade deve ser um grande ajuntameno de comunidades, onde cada um encontra-se consigo mesmo pelo encontro com o outro.
    "somos quem somos porque somos todos nós"
    que posssamos oberservar o outro e como diferente, e não desigual. é preciso absorver o máximo deste mundo ao qual vivemos, e nós humanos fazemos parte desde mundo, e não apenas a mera materialidade. absorver o eu consciente a capacidade intelectual e moral, o que nos distingue de todos os outros seres da natureza.
    " arte de ser louco é jamais cometer o erro de ser um sujeito normal".

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  6. Creio que vida é a capacidade de partilha,pois bem sabemos que ninguém é alguém sem um outro alguém.
    A verdade é que em vez de massa de manobra amorfa a cidade deve ser um grande ajuntameno de comunidades, onde cada um encontra-se consigo mesmo pelo encontro com o outro.
    "somos quem somos porque somos todos nós"
    que posssamos oberservar o outro como sendo diferente, e não como desigual. é preciso absorver o máximo deste mundo ao qual vivemos, e nós humanos fazemos parte desde mundo,absorver o melhor do outro nos trará um grande aprendizado; e não apenas a mera materialidade. absorver o eu consciente a capacidade intelectual e moral, o que nos distingue de todos os outros seres da natureza.
    " arte de ser louco é jamais cometer o erro de ser um sujeito normal".

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  7. Boa noite a todxs!

    Sou Lucila de Noronha, Pedagoga, Especialista em Educação e, acima de tudo, uma autodidata, curiosa pesquisadora contínua, na questão do 'SER HUMANO'... Da 'HUMANIDADE'...

    Descobri, há alguns meses, um ser humano admirável, observando e "GARIMPANDO entre os cascalhos da HUMANIDADE",como tão sensivelmente ouvi de Eduardo Marinho, encontrei essa PÉROLA PRECIOSA, JOIA RARA, QUE TODOS ESTÃO TENDO O PRIVILÉGIO E A ALEGRIA DE CONHECER E BEBER DA SUA FONTE...

    Sou Professora convidada da Disciplina Escola e Sociedade da Pós Graduação em Psicopedagogia da UNIFACEX - NATAL/RN.
    Quero pedir licença e autorização à você, Eduardo Marinho, para Sábado, dia 17/12/2016, compartilhar com meus alunos um dos seus exemplares filmes. Certamente muito irá fortalecer nossas reflexões. Gosto e aprecio as suas ideias, que são além de um raciocínio autêntico, sobre os sentimentos humanos, elas são iluminadas pela maior de todas as virtude: a sensitividade/sensibilidade que flui do fundo do coração...

    Vivencio o conhecimento junto aos meus alunos, através de metodologias ativas, interativas e integrativas: problematização, criatividade, ludicidade, contemplação e sensitividade, em que a reflexão se faz necessária e sempre presente, unindo o SENTIR E O PENSAR EM SINERGISMO, para possibilitar uma maior consciência sobre as nossas práticas e práxis do cotidiano...

    Muito grata por VOCÊ existir e contribuir para que seja MENOS DIFÍCIL AMAR!
    Será preciso HUMANESCER... PARA HUMANO SER!!!

    Um forte abraço. Continue sendo LUZ PARA A HUMANIDADE... TE DESEJO PAZ!!!...
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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. COMO É GRATIFICANTE ENCONTRAR PESSOAS QUE PARTILHAM DA MESMA VISÃO QUE A MINHA...GRATIDÃO POR TER CONHECIDO SEU BLOG. QUE VC CONTINUE SUA CAMINHADA ESPALHANDO LUZ, AMOR E REFELXÃO NAS MENTES E CORAÇÕES.

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  10. Concordo, no meu ponto de vista essas "divindades" ainda servem na verdade ao propósito primário de massagear o ego dos fiéis, a fé é secundária.

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  11. Jesus veio aqui, explicou tudo direitinho, igual vc faz Eduardo. -Amai o próximo, faça o bem, trate todos de forma igual e etc, etc e etc... No final das contas ninguém entendeu nada... E ainda fazem tudo ao contrário, e a cada dia o amor tá sendo deixado de lado. Sinto gratidão pelas suas palavras Eduardo Marinho.

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  12. Único jeito de agradar minha família é fazendo parte da religião dela, de onde saí há dois anos sob muito estresse. Praticamente todo mundo deixou de falar comigo. Penso seriamente em fazer como você fez, colocar o pé na estrada e assumir minha personalidade. Mas várias vezes, principalmente à noite, me desespero por causa de um remorso antecipado. Se nem saí de casa e já me sinto assim, fico pensando no que não sentirei longe. Neste exato momento minha família está lá, "feliz", vivendo de aparências na igreja. Meus antigos amigos também. E eu nesse dilema intragável... Por isso as pessoas crêem em Deus. A crença abarca vários impasses emocionais. Alguma sugestão, Eduardo?

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