segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Aprovação traiçoeira


A aprovação social tem um preço alto. Na alma. E jamais vale a pena. O problema é que, geralmente, só se percebe isso no fim da vida. Os poucos que percebem antes, podem se preparar pra discriminação, pra condenação, pro preconceito dos convencionais.
Os que percebem tarde demais, têm a terrível sensação de ter vivido em vão, de vazio, de não ter vivido e de não ter mais tempo. Eu vi isso exposto na minha frente, de um rico empresário, já perto dos noventa, doente, acompanhado de enfermeira. "A sociedade me vê como um vitorioso, um bem-sucedido. E no meu coração eu me sinto um fracassado." Disse mais, "quando percebi que minha vida tá chegando no fim, olhei pra trás e vi um vazio, tudo o que eu achava importante não valia mais nada..." E o que me tocou mais fundo, um sentimento que eu tinha e que pensava ser algum erro meu, "...a sensação que eu tenho é a de que mentiram pra mim lá no começo da minha vida e eu corri atrás dessa mentira a vida inteira." Era o que eu sentia, as pressões pro enquadramento, as promessas de futuro, mentiras, enganos. Tudo o que me diziam que era pro meu bem, não me parecia. Todo ideal de vida que me apontavam parecia frustrante, posição social, excessos, desfrutes, privilégios sociais, me pareciam mais constrangedores que desejáveis.
Estranho eu em meu meio, no princípio da minha vida. Mas a miséria, a pobreza, a exploração de "serviçais", tornavam todo desfrute constrangedor, pra mim, intuitivamente, sem perceber ainda quase nada da estrutura social. Me constrangia, de alguma forma, a posição de privilegiado social, embora fosse muito confortável. Mas um conforto que custava um desconforto interno sem explicação. Um desconforto que vi em muitos dos meus iguais sociais, os mais sensíveis, sempre exceções. Quase todos permaneceram no desfrute das considerações sociais, convivendo com esse desconforto, coisa que eu não fui capaz. O desconforto físico me pesa menos. E se não tenho nenhuma consideração por esta estrutura de sociedade, por que precisaria de alguma consideração social?

6 comentários:

  1. cara? essa atitude que você ta fazendo... são pouco que tem essa coragem, vamos se por que ELES tenha essa coragem, mais se recua no primeiro em pacto que sente de ante do seus olhos e ouvidos... Eu "MARINALDO" te desejo os parabéns e toda felicidade desse mundo... que a quele que veio nos da exemplo antes de ser massacrado pela metade da humanidade>>"JESUS"<< proteja você e sua família eternamente.. # PARABÉNS CARA..

    ResponderExcluir
  2. Eu sinto como você, rejeitei tudo desse caminho falso da sociedade e todas as tentativas de me reprimir e me condicionar foram em vão. Só me sinto preso a meus pais, o sentimento que tenho por eles parece me impedir de seguir meu rumo...tá foda lidar com essa divisão que me impede o foco.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vitor, o Eduardo já mencionou em um dos vários vídeos dele, é bom passar "perrengue", mas não é necessário!(É bom se aproximar dos periféricos) Então brother, não fica frustrado com teus pais, por tentarem te condicionar as coisas que eles julgam certas/necessárias, apenas avalia essas situações e as filtre e aproveita isso para fazer os movimentos da tua vida, almejando os teus ideais, sem essa ruptura com eles! Dá para conduzir nossas vidas de acordo com nossas premissas, a partir do momento em que aprendemos que eles também tem muita coisa pra aprender ( querendo eles ou não hahahha) Enfim meu querido, espero ter ajudado com as palavras! Abraço.

      Excluir
    2. Orgulhar os pais: o maior sucesso terreno que o homem pode conquistar.

      Excluir
  3. Grato por mais essas linhas que me dá lucidez e demonstra que não erro em fugir boiada. Avante

    ResponderExcluir
  4. Beleza, irmão? Essa realidade percebida pelo nosso desligamento no sistema bem articulado que vivemos, embora possa ser desconfortável para muitos, seja pela ruptura de nossas correntes presas na matrix ou pela sensação de vazio, é uma liberdade digna como indivíduos. É aí que podemos construir nossos valores com humanidade e quando realmente conseguimos resgatar nossos valores. O sentido da vida, é dar sentido à ela.

    Apenas sou um jovem, tenho 21 anos. Muitas coisas produzidas de sua consciência acerca do mundo enquanto sociedade já me era perceptivelmente muito robótico, mas a forma que você expressa, envolvendo emoção, fez com que eu tivesse uma sensação de quebra-cabeça terminado. Porque vi que não era o único que ficava deprimido ao me deparar com o caos humano. Vi que não era o único a me enxergar como a ovelha negra de um rebanho e um produto (visto com defeito) que não foi feito para seguir regras e normas impostas em um sistema onde somos moldados a viver por um objetivo que tira a nossa autonomia.

    Ainda que eu compreenda como um acaso a meu favor, ou então nosso, não sabe o quanto a existência de pessoas que lutaram arduamente contra si mesmas por uma luz e que se tornaram auto-conscientes me agradam. Se os loucos são quem foge ao que chamam de "normalidade", então terei orgulho de ser anormal diante de uma sociedade doente.

    Abraços, Eduardo!

    ResponderExcluir

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.