sábado, 12 de maio de 2018

Exército treina policiais pro genocídio popular


O fiasco da tal "intervenção" continua sendo escamoteado pela mídia e pelas instituições. Em seu lugar, a fantasia. "Forças de segurança prendem 153 em festa de milícia", na zona norte da cidade. A maioria não tinha nada com milícia, pagou ingresso pra entrar e estava só se divertindo. O movimento dos familiares e as denúncias nas redes sociais se impuseram, em parte, e até ontem a "justiça" havia mandado soltar 138, que tinham provas da sua inocência e familiares ativos em manifestações. Quantos não tinham familiares pressionando, quantos não têm "provas" de inocência? A injustiça contra os pobres é institucional. E a ação, puramente cênica, causa efeito na mídia. Cara de pau deslavada.

Anunciam pelos jornais que o exército vai treinar policiais. Pra alguns, isso seria "a solução", mentalidade superficializada pelo massacre midiático, especializado em convencer de mentiras. O exército treina combatentes que têm como objetivo a eliminação do inimigo ou sua incapacitação completa. É a demonstração de que o Estado, com essas "autoridades constituídas", não tem interesse nenhum na paz social, mas sim na guerra total. As tais "autoridades" são reles marionetes enfeitadas e cheias de pose, controladas dos bastidores da farsa política pelos "donos" do poder, dinastias de podres de ricos acostumados a fazer dos "governos" seus servidores, sempre em prejuízo do todo, da população em geral, em favor dos seus interesses egoístas, perversos e anti-sociais. Protegidos em suas bolhas de segurança, de riquezas e privilégios, circulando não pelas ruas, mas em helicópteros e jatinhos, dominam as instituições ditas "públicas" de acordo com seus interesses, que atropelam interesses coletivos, indiferentes ao sofrimento causado a milhões, à miséria e ao abandono das periferias, áreas de abandono social.

Está declarado e em execução intensiva o genocídio nas favelas e periferias. A própria estrutura da sociedade cria o campo da criminalidade, descumprindo sua constituição em tudo o que diz respeito à maioria do povo. E, ao invés de eliminar suas causas, cria a idéia mentirosa de "combate ao crime". As vítimas "colaterais", trabalhadores pobres, periféricos e favelados, não têm importância social suficiente, nem instrução, informação e consciência pra impor as soluções óbvias da criminalidade epidêmica. São mentirosos os governos, são mentirosas as empresas de comunicação. Mas é verdadeira a guerra civil em que vivemos.

Os gastos com deslocamento de tropas, com armamentos e munições, com caminhões e tanques, helicópteros e caveirões são colossais. Bilhões e bilhões são gastos nessa "guerra", sem nenhum resultado positivo, sem acabar nem diminuir a criminalidade. Ao contrário, quanto mais brutais são as ações do Estado, mais brutais se tornam os crimes, quanto mais se mata "bandidos", mais os bandidos matam sem hesitar. Com a vida em alto risco, não consideram a vida de ninguém. Com esses recursos aplicados no simples cumprimento da sua constituição, em seus artigos sobre os direitos da população e de todo brasileiro, a criminalidade cairia vertiginosamente. Quem vai arriscar a vida pegando em armas, se há condições de se desenvolver, se as necessidades básicas estão atendidas e a sociedade centraliza seus esforços na resolução dos primitivismos sociais? A mão de obra do crime não seria tão farta como agora, quando a miséria campeia, o desabrigo é visível em todas as cidades e a exclusão é perseguida, desprezada e reprimida. O crime organizado surge como uma espécie de vingança social que dá acesso ao que a publicidade massacrante impõe.

Se as populações das periferias fossem atendidas em seus direitos, isso sim seria um fator de diminuição da criminalidade. Escolas bem estruturadas, com professores bem preparados e bem pagos, com um modelo de ensino voltado à harmonia social e não puramente para o mercado de trabalho, com ensino de qualidade e recursos didáticos e formadores de senso crítico e consciência social; saneamento básico e condições de vida digna e cidadã, transporte público sem a tortura imposta pelos empresários do transporte; comunicações honestas, sem o domínio empresarial que distorce as informações e falseia a realidade, produzindo com seu massacre ideológico-publicitário valores falsos, conflitos de ego, necessidades artificiais e consumo compulsivo como finalidade da vida. Aí sim, se estaria trabalhando a causa, a fonte da criminalidade, a ausência de perspectiva e de possibilidades de melhor qualidade de vida, que levam milhares e milhares de adolescente desatendidos a ansiarem por uma vaga no crime organizado - organização que parte das elites, onde estão os empresários bandidos cujos "funcionários" morrem como moscas e são facilmente substituídos, sem nenhum encargo trabalhista, vivendo e morrendo por conta própria e sem se darem conta de ao quê estão servindo. O tráfico e os demais crimes organizados têm uma infinita fonte de reserva de trabalhadores. A miséria, a ignorância e a ânsia de consumo e de ostentação que os publicitários fazem crer - usando psicologia do inconsciente e todos os recursos de indução - que é a "valorização" social.

Falam em repressão e encarceramento, uma estupidez, e o investimento na formação de um povo instruído, informado e consciente é ostensivamente sabotado. Cadeias são escolas superiores do crime, da perversidade, instrumentos de vingança da classe média, vítima primeira das ações criminosas mas inconscientes das causas verdadeiras, conduzidas pela hipnose midiática ao ódio vingativo que, ao invés de resolver, agrava a situação.

Vamos à constituição. Ali está escrito que cada brasileiro tem o direito, garantido pelo Estado, à boa alimentação, à moradia digna e sã, ao ensino de qualidade, à informação honesta, ao atendimento médico que for necessário, ao desenvolvimento humano e profissional, entre outros. E o Estado não cumpre nenhum desses artigos. Seqüestrado pelos poderes econômicos, pelos mais ricos do mercado financeiro, pelos banqueiros e mega-empresários, o "poder público" é impedido de cumprir a sua constituição, a "carta magna", a "lei maior" - permanentemente violada pelo Estado e deformada pelos legislativos comprados, exercidos pelos poucos ricos em prejuízo da totalidade.

Os bolsões de miséria, pobreza, ignorância e exclusão, estimulados pelo massacre ideológico, midiático e publicitário, fornecem inesgotável fonte de "funcionários" às empresas dos crimes organizados. A idéia de combater o crime com "guerra", com operações de combate, na base do armamento pesado e sempre nas periferias, seria estúpida se não fosse mal intencionada. Ao mesmo tempo em que estabelece um controle populacional com o extermínio de pobres, cria pavor nas classes médias que possuem voz social, pra que apóiem com sua "opinião pública" induzida pela mídia o incremento e o investimento nas forças de "segurança pública". Que, pelo que se vê, não tem nem de longe o objetivo de criar paz social, ao contrário, são elementos do caos, ingênuos ou perversos mas, de toda forma, utilizados pelos criminosos do verdadeiro poder.

Na idéia desumana de explorar o trabalho e a inconsciência, está a eliminação dos excessos, porque "pobre reproduz demais e isso pode ser perigoso", como ouvi de um podre de rico que não vê gente nas periferias, mas sim estatísticas, uma sub-gente merecedora das condições em que é mantida pela estrutura empresarista da sociedade. Uma certa quantidade de miséria é necessária pra pressionar os trabalhadores a aceitarem qualquer condição de trabalho, mas é preciso manter essa miséria sob controle, monitorada pra não se perder o controle.

São esses seres desumano que controlam toda a estrutura social, dos bastidores. Seu porta-voz é a mídia privada, conduzindo com mentiras, distorções, difamações e campanhas massivas a opinião pública que, planejadamente sem condições de pensar criticamente, acaba apoiando decisões e ações contra a população, em benefício dos seus algozes, dos criminosos engravatados e institucionalizados, dos reais donos do sistema social. Como bem dizia Eduardo Galeano, a criminalidade do poder é a mãe de todas as criminalidades. Não é de se estranhar que a sociedade seja constituída por máfias, desde as altas - banqueiros, mega-empresários, grandes fazendeiros - até as baixas - flanelinhas, taxistas, camelôs -, passando por todos os níveis, comerciantes, transportadores, distribuidores, etc, etc. Sem ser mafiosa, uma empresa não entra numa licitação sequer. É a natureza do sistema em que vivemos, que de humano só tem o nome, pois existe em torno dos interesses de um punhado que chafurda em riquezas, privilégios e poderes acima dos poderes constituídos, chamados falsamente de públicos e totalmente subalternizados.

É isso que está se revelando na atualidade. As tais "delações premiadas", o jogo jurídico escandalosamente interesseiro, os cortes nos poucos direitos ainda concedidos à população, tudo isso não revela a "corrupção" de empresas com governos. Revela, isso sim, o funcionamento de um Estado que desde a sua criação é como um "robinhude" ao contrário, rouba dos pobres pra dar aos que menos precisam. Estão se revelando os mecanismos internos do funcionamento desta sociedade, nos bastidores dos seus cenários de poder público, que nunca foi público. A descoberta, a revelação do funcionamento, das relações ocultas entre os "poderes da república" e os poderes de verdade, mostra as causas tenebrosas da manutenção desta estrutura desumana e empresarista. Está em curso a percepção desta realidade, a quebra das ilusões institucionais, a tomada de consciência, é tempo de acendimento de luzes. O processo já vem há milênios e tem seu ritmo, que ninguém tenha a pretensão ingênua de o conduzir, mas sim de participar dele da forma que escolhermos, não como fomos induzidos a participar. Com valores próprios, não com os valores induzidos por uma educação tendenciosa e pelas falcatruas sedutoras da mídia. Com objetivos de vida além dos materiais, paz de espírito, solidariedade e união entre todos. Uma sociedade humanista, que tenha nas pessoas e na harmonia social seu principal objetivo e não na economia, no patrimônio e nos interesses empresarias que põem em plano secundário o ser humano, a vida, o bem estar e a harmonia social.

3 comentários:

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.