sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Guerra en América Latina (II): Receita para incendiar un continente



Por: Claudio Fabian Guevara

Publicado 31 diciembre 2019



Um plano explícito e documentado se foca em detonar uma conflagração na América Latina em torno de Venezuela e Caribe. Agora se soma a transformação da Bolívia em um novo estado criminoso que colabore com a geração da guerra. No horizonte, um caos de longa duração e a subdivisão política do continente em unidades menores.
“Estados Unidos, em vista do seu retroceso mundial, quer reordenar seu espaço geopolítico …() e afundar Nuestra América num caos sem fim de ódios ideológicos implantados de fora”.
Miguel Angel Barrios
“A América Latina é, mais uma vez, o território da disputa geopolítica de colonização ou descolonização. Em todos os lugares – Bolívia, Chile, Argentina, Brasil, Venezuela, Uruguai...- e assim, no mesmo padrão: os liberais pró Estados Unidos (+ liberais de extrema direita) contra as forças de descolonização, em sua maioria de esquerda”.
Alexander Dugin

As peças vão se juntando. Com o desmentelamento da UNASUR e das instituições multilaterais que garantiam a paz e os projetos de integração entre as nações sulamericanas, todas as fichas se movem em direção a uma guerra induzida na América Latina. Nas duas últimas semanas, todas as variáveis se aceleraram.
As principais hipóteses de conflito partem do cerco multidimensional à Venezuela. Agora aparecem os perigos de uma “ruandização” da Bolivia e sua transformação em um novo estado criminoso que colabore com a geração da guerra, junto com Colômbia, Peru, Equador, Brasil e Guiana.
As nações latinoamericanas não têm motivos históricos verdadeiros para entrar em guerra. Um potencial conflito bélico só pode ser criado artificialmente, a partir de denúncias falsas, ataques de falsa bandeira ou decisões governamentais para queimar o continente no altar de uma quimera de origem estrangeira, como “a defesa da democracia” na Venezuela, ou “a luta contra o terrorismo” que alimenta o regime usurpador de La Paz.
Um plano detalhado para envolver um grupo de nações latinoamericanas em um conflito deste tipo veio à luz no ano passado e seus primeiros passos estão à vista.

A agenda profunda do “golpe de mestre”

No início de 2018, um artigo da jornalista Stella Calloni trouxe à luz um documento de 11 páginas, com a assinatura do almirante Kurt Walter Tidd, então comandante em chefe do Comando Sul (SouthCom) estadunidense: “Plan to overthrow the Venezuelan Dictatorship – Masterstroke”. Ali se esboça a agenda profunda da guerra contra a Venezuela que, em sua etapa mais avançada prevê uma operação multinacional. O documento manda executar passos práticos com o objetivo de desgastar o governo de Nicolás Maduro e forçar a sua queda:

- No plano econômico, incrementar a instabilidade interna, intensificando a descapitalização do país, a fuga de capitais estrangeiros e a deterioração da moeda nacional, mediante a aplicação de medidas inflacionárias que acelerem essa deterioração. Obstruir todas as importações e desmotivar os investidores externos. Sabotar a indústria do petróleo. Generalizar o desabastecimento de comida, remédios e bens básicos. Contribuir fazendo mais críticas à situação da população e fomentar o descontentamento. Todas as calamidades vividas pela população serão exploradas para “culpar o governo”.
- No plano social, apelar a aliados internos e agentes externos implantados no país para provocar protestos e atos violentos, gerar insegurança, saques e roubos. Promover os seqüestros de embarcações para desertar do país. Estruturar um plano para conseguir a deserção dos profissionais mais qualificados do país. Promover o desgaste entre os membros do partido governante e seus seguidores.
- No plano midiático, ridicularizar a figura de Maduro, fazê-lo cair em arroubos verbais e equívocos, para provocar desconfiança à sua figura. Acossá-lo, ridicularizá-lo e apontá-lo como exemplo de torpeza e incompetência. Minimizar sua importância internacional. Expô-lo como marionete de Cuba. Exagerar as diferenças entre os membros do grupo no governo.
- No plano militar, instigar um golpe de Estado, continuar o fogo contínuo na fronteira com a Colômbia, multiplicar o tráfico de combustíveis e outros bens, o movimento dos paramilitares, incursões armadas e tráfico de drogas. Provocar incidentes armados com as forças de segurança nas fronteiras. Também recrutar paramilitares, principalmente nos campos de refugiados de Cúcuta, Guajira e no norte de Santander.
Num primeiro nível de leitura, o plano é uma explícita declaração de guerra e de interferência descarada, que explica em grande parte os padecimentos da Venezuela hoje.
Num segundo nível de leitura, o documento pode ser interpretado como um manual para o assédio e controle das populações das colônias. Este conjunto de estratégias se aplicam em outros cenários, contra outros povos.
Em um terceiro, é uma instrução ideológica para os centros geradores de notícias. Os estereótipos e construções verbais propostos pelo documento para desacreditar o “líder inimigo” aparecem transversalmente na cobertura noticiosa sobre a Venezuela atual.
Preparação de una coalizão internacional
Enquanto se fomenta a instabilidade interna, se traça um plano para obter a cooperação das autoridades aliadas de “países amigos”: Brasil, Argentina, Colômbia, Panamá e Guiana.
-As provisões das tropas, apoio logístico e médico se realizarão a partir do Panamá. Se fará uso das facilidades da vigilância eletrônica e dos sinais inteligentes, de hospitais e instalações levadas a Darién (selva panamenha), o equipamento de drones do Plano Colômbia, como também as terras das antigas bases militares de Howard e Albrood (no Panamá), assim como as pertencentes a Rio Hato.
- Além disso se utilizará o Centro Regional Humanitário das Nações Unidas, desenhado para situações de catástrofes e emergências humanitárias, que conta com um campo de aterrissagem e seus próprios armazéns.
- A operação militar será desenvolvida sob bandeira internacional, patrocinada pela Conferência dos Exércitos Latinoamericanos, sob a proteção da OEA e a supervisão, “no contexto legal e midiático, do secretário geral (da OEA) Luis Almagro (SIC).
- É prevista uma Operação Multilateral com a contribuição de Estados, organismos não estatais e corpos internacionais, antecipando especialmente os pontos mais importantes em Aruba, Puerto Carreño, Inirida, Maicao, Barranquilla e Sincelejo, em Colômbia e Roraima, Manaus e Boa Vista, no Brasil.
- Se unirão ao Brasil, Argentina, Colômbia e Panamá para contribuir com o número de tropas, com a presença de unidades de combate dos Estados Unidos e destas nações, sob comando geral do Estado Maior Conjunto, liderado pelos Estados Unidos.
Esta plano – pensa Stella Calloni – “torna compreensíveis as recentes manobras militares de Estados Unidos nesta região de fronteira entre Brasil e Venezuela (Brasil, Peru e Colômbia), no Atlântico Sul (EUA, Chile, Grã Bretanha, Argentina), no caso argentino sem autorização do Congresso Nacional”.
O “Golpe de Mestre” previa acelerar os acontecimentos antes das eleições de maio de 2018. Não conseguiu seus objetivos nos prazos anunciados. O almirante Tidd foi aposentado poucos meses depois das revelações jornalísticas. Mas o plano continua sua marcha.
Ultimas novidades na frente venezuelana

Internamente a Venezuela vive todos os ingredientes do plano previsto no “Golpe de Mestre”: ao boicote da economia se somam um acúmulo de ações desestabilizadores. Durante 2019, cinco conspirações violentas da direita venezulana foram descobertas e desativadas. O último incidente aconteceu em 23 de dezembro, com o  ataque de um grupo armado ao Batalhão 513 no estado sulista e fronteiriço de Bolívar, onde morreu um militar das FANB (exército venezuelano – n do T). O governo venezuelano informou o roubo de armamento de guerra, supostamente com o propósito de realizar uma ação de bandeira falsa, para provocar uma intervenção militar dos EUA contra a Venezuela.
Os governos da região, longe de impedir a propagação da violência, mostram uma convergência com as linhas de ação previstas no plano do Comando Sul. O ministro da informação da Venezuela, Jorge Rodríguez, disse que Colômbia, Peru, Equador e Brasil facilitaram os movimentos do grupo armado responsável pelo ataque ao Batalhão 513. Os fatos parecem lhe dar razão.
O presidente Maduro exigiu do Brasil a captura dos militares responsáveis, que no entanto foram recebidos em território brasileiro, no marco da “Operação Boas Vindas”. A chancelaria brasileira anunciou que os desertores solicitaram asilo e lhes foi concedido.
Isto é, por um lado há um estímulo à imigração, uma recepção “amigável”, inclusive se tratando de elementos violentos.
Por outro lado, se aponta o êxodo dos venezuelanos como um motivo de “alarme internacional”. No 11 de setembro de 2019, 11 países das Américas (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Honduras, Paraguai, República Dominicana) resolveram convocar uma reunião do TIAR (Tratado Inter Americano de Assistência Recíproca), com o argumento de que a situação atual na Venezuela tem um "impacto desestabilizador" y planeja una "ameaça para a paz e a segurança no hemisfério".
Esta reunião pode ser a ante-sala de uma operação militar conjunta.

As veias abertas da América Latina
A guerra já começou há muitos anos, com o epicentro na Colômbia. Há mais de meio século que a pátria de Gabriel Garcia Márquez é sangrada, com o Estado ausente em muitos meios rurais, hoje nas mãos de narcotraficantes e paramilitares. Colômbia, nas últimas décadas, registrou ao menos 260 mil mortos, 60 mil desaparecidos y mais de sete milhões de deslocados. Desde a assinatura dos acordos de paz, em 2016, se registrou o assassinato de 620 líderes sociales.
Neste clima, se teme que o presidente Iván Duque se aventure numa guerra contra seu vizinho, Venezuela. Duque se somou à campanha contra a pátria bolivariana, no início de 2019, com a operação de “assistência humanitária” em Cúcuta, e em setembro, com um show lastimável na ONU, onde denunciou a Venezuela por proteger guerrilheiros do Ejército de Liberación Nacional (ELN). Mas Duque apresentou como “prova” fotos falsas, e caiu em ridículo cuando a Agência France-Press o colocou em evidência.
A fronteira colombiana-venezuelana é uma zona de permanentes atritos. Desde junho em Cúcuta e Maicao, cidades fronteiriças com a Venezuela, há um contingente de “capacetes brancos” da chancelaria argentina. Na Síria e em outros cenários, os capacetes brancos têm sido responsáveis por operações de falsa bandeira e fraudes noticiosas. A missão, mais que uma ação de assistência sanitária, faz parte do cordão de pressão contra a Venezuela e pode detonar episódios que sirvam de pretexto para o início das operações.
América Central é outra zona de tensões. Cuba e Nicarágua estão advertidas mais uma vez  que são um marco militar do Pentágono. A fortaleza militar da ilha não parece haver diminuído, mas a Nicarágua deu mostras de ter sido infiltrada com o ensaio de guerra híbrida em abril de 2018. A NED e a USAID deram respaldo explícito aos estudantes/paramilitares nicaraguenses que no ano passado mobilizaram protestos violentos que provocaram centenas de mortos y feridos.
Bolívia é outro aríete contra a paz regional. O desgoverno de fato de Jeanine Añez começa a fazer o papel de cão raivoso, ao estilo de Israel no Oriente Médio. Há duas semanas houve uma incursão ilegal de miltares bolivianos em território argentino. Agora se anuncia a potencial invasão da embaixada do México em La Paz e a expulsão da embaixadora mexicana e diplomatas espanhóis. Este incidente segue a matriz da crise das embaixadas venezuelanas e o descrédito criado a partir do reconhecimento, em alguns Estados, dos falsos representantes diplomáticos de Guaidó. A política da Bolívia hoje é funcional à deterioração da institucionalidade da região, uma linha de ação persistente do “pentagonismo”. Trata-se de ridicularizar a ordem jurídica dos países da zona “não integrada”, entronizar líderes de papel, desconhecer normas elementais de convivência entre as nações e confundir a população com falsos debates.

Conclusões: os piromaníacos que se lancem ao fogo

Un programa de guerra de longa duração, criado pelo Pentagonismo, tem estratégias bem definidas para detonar uma conflagração na América Latina. O novo mapa do Pentágono vai se perfilando com preparativos no terreno, condições sociais longamente preparadas e uma narrativa que o justifica nos noticiários. Trata-se de um conjunto de elementos de grande dinamismo, com diferentes atores, capazes de entrar ou sair de cena, segundo o curso dos acontecimentos.
Esta receita para incendiar a América Latina não terá vencedores entre as nações latinoamericanas. O desenho da guerra tem como objetivo uma ruína generalizada, a imposição de um caos de longa duração, que facilite a reconfiguração da região e a subdivisão política do continente em unidades menores (a divisão de Santa Cruz, a balcanização da Venezuela e o desmembramento da Argentina figuram na agenda globalista).
Assim vê Stella Calloni: “Estados Unidos estão armando um cenário de guerra na Latinoamérica que depois ameaçará a todos os países da região, inclusiive os que hoje se prestam aos planos contra a Venezuela".
Em Caracas se dará uma batalha decisiva. Como disse Atilio Borón, Venezuela é a nova Stalingrado.

Tradução – Eduardo Marinho

4 comentários:

  1. Bastante esclarecedor sobre o assunto. sempre pensei a respeito dessa situação da venezuela, mas nao entendia direito o motivo de um país "rico" estar naquela situação, agora deu uma melhor compreensão, mas sempre pensei mesmo sobre outros países querer saqueala, mas e pior que eu imaginei, e em toda América do Sul, triste realidade e mais triste ainda é não conseguir enchergar saída para tudo isso.

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  2. Os EUA, Russia entre outros ja faziam isso no oriente, vietnã, afeganistão, iraque etc, criam conflitos usando países menores como palco e como "matéria prima" de guerra. agora querem trazer essa merda toda pra cá. nós aqui da américa do sul que não somos de entrar em conflitos entre os países daqui de proporções às guerras iguais as de lá do oriente... espero que nós aqui latinos americanos tenhamos uma cabeça melhor que o pessoal do outro lado do mundo, que não entre nessa... pois enquanto os eua patrocinam alguns a rússia patrocina outros é sempre a mesma merda, vide o armamento militar venezuelano comprado russo... quem se dá bem sempre é as grandes potências e quem vende arma...

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  3. https://lunaticasterraqueas.blogspot.com/2019/07/mexam-se-e-ergao-se.html?m=1

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