domingo, 22 de março de 2020

Crise mundial em meio à viagem

Pores e nasceres de sol, no cerrado, são de uma amplidão esmagadora. Ali se sente poeira insignificante em meio à beleza. Aí era chegando em Goiânia, antes de Rio Verde e de Brasília.

Paramos pra apreciar a esplanada dos ministérios, no estacionamento da catedral de Brasília. Ganhei uma miniatura da estátua Candangos, do Niemáier, de um vendedor que me reconheceu e até escreveu meu nome na peça.

O Teatro Dulcina é um belo espaço. Levamos um pouco de música, um bocado de idéia e a exposição reflexiva.

Saída do Guará, rumo norte, caminho de Alto Paraíso de Goiás onde teve exposição e fala. De banho tomado.

A vista do cerrado e seu céu, pela janela de Celestina, a kombi.

A exposição foi na pousada Linda Flor. A fala também, só que não foi gravada.

Depois de Alto Paraíso, surgiu a pandemia. Ou melhor, se intensificou e espalhou. Fiquei meio incrédulo, claro, mídia privada não merece confiança, mas vi a tsunami dos acontecimentos. Resolvemos parar numa cidadezinha fim de linha, que não é passagem e chega quem vem pra ela, pra observar os acontecimentos, absorver os impactos e as impressões e decidir o que fazer. A foto, de Amanda Mara, simboliza bem como estávamos de espírito, nos preparando pra uma tempestade.


"Não sou exemplo pra ninguém" é uma afirmação que já fiz muitas vezes. Minhas atitudes são minhas, como são minhas as consequências. Não tenho o costume arrogante de aconselhar, de "saber" o que outros devem fazer, nunca pretendi "conscientizar e esclarecer" além de mim mesmo. Só com o passar das décadas foi que percebi a utilidade coletiva do meu trabalho, certamente pela inspiração além da minha capacidade de percepção, atribuída por mim à espiritualidade que sinto sem racionalizar, sem permitir que minha razão se meta a entender ou explicar. Sentir é mais que saber. Quando eu estiver pronto pra saber, saberei. Antes disso, nem pretendo, me basta sentir. Deixa acontecer.
Creio que o coronavírus é armação, sim. Talvez um tiro que saiu pela culatra, uma pedra atirada que virou uma avalanche. Mais uma arrogância humana, estratégia de dominação, de destruição por controle. Que poderes acima dos que conhecemos estão usando na lapidação da espiritualidade no planeta. Nada havia conseguido parar a "economia", prioridade mundial imposta pelo mercado econômico-financeiro ao mundo inteiro. Estamos acompanhados desde outras dimensões nessa experiência coletiva, nesta aula intensiva em que estamos todos imersos, mais ou menos conscientes. Os "poderosos" do mundo, sobretudo mega-banqueiros, mega-empresários, a casta mínima dos podres de ricos mundiais não é tão poderosa quanto pensa, diante da espiritualidade. Enquanto todo o sofrimento que produziram no planeta foi necessário à evolução do mundo, tiveram liberdade de o produzir. A estrutura social mundial é uma armação estratégica, desumana, escravista, anti-social e criminosa. Não dá pra confiar em poderes públicos, nas mídias empresariais, em bancos ou empresas.
Parece que é chegada um momento de mudança brutal. A economia, pela primeira vez desde a tal "revolução industrial", está indo pra segundo plano. Indústria, comércio, bolsas de valores, transportes, movimentos de gente e de mercadorias estão sob controle rígido, caminhamos pra fechar fronteiras e criar autonomias locais - em todos os sentidos. Cobram-se sentimentos mais evoluídos, solidariedade, cuidado com os mais frágeis, enfim, tudo o que deve se tornar rotineiro, mas que hoje ainda aparecem como "virtudes".
É a evolução planetária num momento de pico, de choque. Uma necessidade nossa no caminho do desenvolvimento verdadeiro, interno, de almas. A alma do planeta se modificando na pressão.
Estamos no meio de uma viagem, que pretendia subir ao alto Tocantins e cruzar o sertão por Balsas, Picos, Crato, Campina Grande até João Pessoa. Fomos interrompidos em Goiás pelas notícias da pandemia mundial, em Alto Paraíso. Diante da comoção geral, paramos em Calvalcante, aproveitando um convite do Tiago Minuzzi, pra nos situar e escolher o que fazer. A viagem mudou de rumo, não pode mais ser a mesma. Até a fronteira com o Ceará foi fechada. Eventos foram desprogramados em Palmas e no Crato. Eventos potenciais despotencializaram. Agora é rumo de casa, de volta à base.
Mas... vamos na função. O que encontrarmos, vamos gravando e repassando. O caminho passa pelo rio São Francisco, de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, até Três Marias, na beira da BR 040. Se até lá não se constituírem barreiras, seguimos por essa estrada de volta, passando por Beagá e Juiz de Fora, além de todas as cidades pelos caminhos. Só não vamos expor, tocar e falar por conta da contra-indicação de aglomerados.
O risco da contaminação existe, não nego. Mas muito cedo, há mais de quarenta anos, assumi riscos bem maiores, imediatos e cotidianos, por saber que liberdade é risco e segurança é prisão, além do que a maior segurança que existe é a da morte. Nascer é a garantia de morrer. O que me propus é viver enquanto isso da forma que mais me satisfizesse. Morte é apenas a porta pra outra dimensão, mais real até do que essa física em que claramente estamos de passagem. Essa epidemia nos pegou longe de casa, o que temos a fazer pelos caminhos de volta - eu nem voltaria, se não fosse tudo estar parado e a hostilidade de locais estar em desenvolvimento contra os forasteiros, vistos como ameaças de contaminação.
Em tempos de confinamento, temos mais de dois mil quilômetros pra percorrer. É claro que vamos dar proveito à situação que não esperávamos. Vamos passar por bons pedaços do Brasil profundo e vamos divulgando tudo o que pudermos, até a chegada.
Espero que a placa de Niterói e a explicação de termos sido pegos de surpresa no meio da viagem sejam bons passaportes em eventuais barreiras pelos caminhos. Dependendo das informações, escolheremos as estradas.



20 comentários:

  1. Que dê tudo certo...nós brasileiros precisamos da sua visão

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  2. O mundo inteiro precisa dessa visão.
    Bem haja.
    Obrigada pela partilha 😉

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  3. A vida é dura com quem é ignorante e tem um coração duro, tai o corona virus, este flagelo que esta provocando uma mudança estrutural no planeta, difícil, incômoda, porém necessária, pois este atual sistema sócio econômico, como está, não pode continuar, pois já produziu muita desgraça. Eduardo Marinho, mais uma vez você foi no cerne da questão. O que me alivia um pouco, é saber que toda mudança, apesar de causar transtornos, sempre acaba levando para algo melhor. Isto me lembra letra é a sabedoria da música Tom Sawyer do Rush: ele sabe que as mudanças não são permanentes, mas o mudar é.

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  4. Admiro vc gosto de ouvir seu ponto de vista continue assim . Boa viagem amigo.

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  5. Gostei de ter citado Campina Grande. O aguardo aqui pela cidade para trocarmos umas ideias.

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  6. Só um reparo, se me permite. Vírus se reproduzem com muita rapidez, mutações que "dão certo" para sua sobrevivência não são raras neste contexto. Pode-se dizer que o surgimento do coronavírus foi só um acaso. Por outro lado, a exploração política da pandemia só expõe a histórica estupidez humana.

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  7. Sul de minas tem previsão de vim por aqui?

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  8. Importante pensar por si mesmo com humildade para ouvir os outros.

    Aqui ( https://brasil.elpais.com/ideas/2020-03-22/o-coronavirus-de-hoje-e-o-mundo-de-amanha-segundo-o-filosofo-byung-chul-han.html?ssm=TW_CC ) , uma análise apontando diferenças entre a pandemia no ocidente e no oriente e suas possíveis consequências, feita por um professor de filosofia coreano que leciona na universidade de artes de Berlim.

    Boa sorte na viagem.
    Abraços, irmãos.

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  9. Boa sorte meu irmão Eduardo Marinho,gosto dos seus ponto de vista...eu tenho amadurecido ainda mais ...

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  10. Conheci o trabalho de Eduardo agora, mas já sou fã. Vai com Deus, irmão.

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  11. Se cuida moço...tu é importante não so pra mim como pra muitos...grata pela vida em ter cruzado nossos caminhos!!

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  12. Boa noite parabéns entendo tudo e concordo em prosa e verso

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  13. Que vocês tenham uma boa viagem!!!!!

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  14. Eduardo é um prazer está por aqui seu trabalho mim ajudou muito no meu despertar .
    Gratidão brother .acompanho seus vídeos e blog já um tempinho rsrs só hoje tive a liberdade de comentar por aqui. Que Deus te acompanhe amigo por onde vc for te livrando de todo mal.

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  15. Boa viagem, bom regresso e sempre com a devida precaução. Mais uma bela reflexão e uma vez mais obrigado por partilhar. Um grande abraço de Lisboa Portugal.

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  16. Nem estou identificado então me apresento como sempre o faço. Ricardo Martins de Sintra ( Lisboa) Portugal. Cuidem-se e que tudo dê certo. Um grande abraço.

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  17. Nem estou identificado então me apresento como sempre o faço. Ricardo Martins de Sintra ( Lisboa) Portugal. Cuidem-se e que tudo dê certo. Um grande abraço.

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