segunda-feira, 16 de abril de 2018

Documentário sobre a ordem social vigente.

Não sei o ano exato, mas esse filme foi feito muito antes da crise dos bancos, em 2008. O que significa crise geral, por extensão. Uma crise fabricada, que drenou quinze trilhões de dólares (TRILHÕES), dinheiro público arrancado de muitos Estados do mundo, submetidos pelo sistema financeiro. O domínio banqueiro-mega-empresarial submete Estados, países, governos, e dita a ordem criminosa da sociedade, a estrutura onde vivemos todos. Os privilegiados se encastelam atrás de muros e grades, com segurança armada, vivem ameaçados e cheios de medo do mundo "lá fora". Os garantidos e os que têm seus direitos respeitados no mínimo necessário se defendem como podem, muito mais próximos do assédio que a criminalidade e violência que a miséria, o abandono, a ignorância e a desinformação produzem - sem que existam "forças de segurança" capazes de conter. Está-se vendo repetidas vezes, todos os dias. O combate ao crime não impede o crime de crescer cada vez mais, inclusive contaminando a fundo as próprias forças de segurança, os parlamentos, os tribunais e os governos. É o "alto nível" do crime organizado que comanda a segurança pública, através do controle do Estado como um todo, em todas as suas instituições, com uma bolha de honestidade aqui, outra ali, isoladas pra não "contaminar" o sistema e muito úteis pra exibir como "provas" da honestidade do próprio sistema. A mídia taí pra isso.

Alguns sentirão arrepios quando ouvirem o nome de Marx, citado um par de vezes pelo Jean. Mas eu não tenho essa alergia, embora não seja devoto, e isso não diminui em nada a importância das informações e visões de mundo expostas no filme. Achei brilhante o Galeano, como sempre, em suas metáforas e ironias finas na interpretação da realidade. Ele toca fundo nos conceitos impostos, nas estratégias de criação de imagens e idéias a serviço do punhado de parasitas podres de ricos que explora a humanidade, mantendo o sistema criador de miséria e sofrimento.

A construção de uma sociedade verdadeira humana, que tenha na vida o seu maior valor, e não na propriedade, no lucro e nos interesses banqueiro-empresariais, passa pelas percepções necessárias a respeito da realidade à nossa volta mas, sobretudo, em nossa própria visão de mundo, em nossos valores, nossos objetivos de vida, nosso comportamento, na forma de se relacionar com as pessoas, com os acontecimentos, em nossas expectativas e no que acreditamos. É preciso perceber os próprios condicionamentos, porque ninguém está imune ao massacre publicitário-midiático-ideológico, estendido ao sistema de educação do primeiro ao último patamar.

No documentário, Galeano e Ziegler apontam "o que fazer", no último bloco. Ver é o primeiro passo pra modificar a si e à própria vida, pois é isso que cria condições de mudar o mundo. Exemplificando para as gerações que  não páram de chegar, sucessivas e permanentes, se trabalha na evolução social, planetária, no longuíssimo prazo que é sua característica e não adianta querer apressar - só frustra. Essa arrogância pretensiosa de querer "mudar o mundo", "fazer a diferença", "organizar a classe trabalhadora" só resulta em desistências sucessivas, enquanto os que insistem passam a vida dando murro em ponta de faca e colecionando decepções. E já vi várias vezes se transformar em descrença total, "isso nunca vai mudar", outra ingenuidade. A mutação é permanente e nada permanece como é, nascemos em pleno processo de mutação que, neste nosso planeta, conta com coisa de quatro bilhões de anos. A civilização ocidental, essa que nos domina, tem cerca de dois mil e quinhentos anos de existência, passando por mudanças que a história nos mostra, ao longo dos séculos. Uma vida tem algumas décadas e já se pretende mudar como se deseja a realidade. Ingenuidade ou estímulo ao ego, à arrogância, à vaidade, à hierarquização, pelo sistema social, de todas as formas?

Bueno, aí está o filme que considero valioso na formação de visão de mundo, no repensar os próprios pensamentos, no desconfiar de si mesmo - até onde penso por minha própria conta, até onde pude escolher os meus valores e comportamentos, o que desejo da vida?

                                       A ordem criminosa do mundo


10 comentários:

  1. Na verdade não foram 15 bilhões e sim mais de 700 bilhões. Dinheiro pra cacete, roubado de toda populaçao para salvar esses parasitas

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    1. Tá corrigido, são quinze TRILHÕES de dólares. Ou foram, na época.

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    2. quinze TRILHÕES ?cê e loco tio. tinha nem ideia que era tanto dinheiro assim. agora entendi o porque dos eua ser o pais mais endividado do mundo

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  2. Vim parar aqui por que o encontrei hoje, como por um acaso, na palestra do TED. Daí veio outro video seu, e mais outro, e assim, o achei aqui. O que dizer pra você? Sei lá, acho que não ha nada que alguém já o não tenha dito. Mas começarei com o mais óbvio: você me faz pensar. E me faz pensar o que já pensava moleca, adolescente e hoje, mulher. Na verdade, suas palavras, sua maneira de pensar, sua postura sobre a vida, apenas me confirmaram que não sou a única nessa mundo a sentir a imensa angústia da corrida frenética atrás do ouro, do carro mais bonito, da roupa de grife, do status, da eterna e angustiante competição desse tempo que é o nosso. Diria a você tantas coisas, mas não caberia nesse espaço. Então, resumo com um obrigada. Por hora.

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  3. Eu vi muitas pessoas desistirem de causas nobres por nao enxergarem a sociedade mudar como queriam. Plantadores de arvores, professores e militares entre outros. O caminho é este que você citou, nao ter a pretrnsão de achar que o mundo ira mudar rapido e entender que se faz parte do processo. É contribuir com o máximo que der! E ver onde vai dar.

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  4. Seres bitolados violentando com a monocultura.O planeta e a vida são pequenos pra tanta gastura. Sinto o chamado de me ligar na Permacultura.
    O dizer campesino "se não estudar vai viver no de pé da enxada", aqui sofre um leve alteração: "Estude para viver no pé da enxada, senão só vai restar o escritório" (ou escrotório se preferir)

    Meu posicionamento político não é partidário, é jardinário. Faço política com o lixo, com a terra, com minhocas, com galinhas, com plantas, com fungos, bactérias, com as mãos, com os pés. (Hugo Theophilo)

    "Não estou interessado em nenhuma teoria, amar e cuidar das coisas me interessa mais."
    Grato. Paz e amor.

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  5. La Belle Verte (turista espacial)
    Muito sensível, mostra com arte (sensibilidade e beleza) a lenta evolução e a "quebra do sistema de maneira mansa, mais serena e pacifica. Sistemas de desconexão.

    https://vimeo.com/189798641

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  6. Bom dia! Vi seus vídeos e assisti seu documentário, vc é um ser humano incrível, gostaria de saber quando você vem para Bauru-sp ou região, aguardo obrigada!

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  7. https://www.youtube.com/watch?v=MEQS82BtBTk
    Excelente documentário complementar. Cimática é o estudo das ondas. Está associado aos padrões físicos produzidos pela interação de ondas.

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