quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Tudo cênico, tudo mentiroso.

No sistema carcerário não há e nunca houve intenção de "re-socialização", de recuperação, de reintegração à sociedade. O segundo maior massacre de presos foi cometido num presídio chamado "Centro de Recuperação Regional de Altamira". Só mais uma entre tantas mentiras institucionais. Governos não governam, escolas não ensinam, hospitais matam, em toda parte se vêem máfias instaladas e operantes. O Estado é uma organização social, pra mim, totalmente desmoralizada, não merece consideração nem respeito, apenas medo do seu aparato de cobrança, perseguição, ameaça e repressão, apenas a intenção de passar o mais despercebido possível. O que o Estado faz na área falsamente chamada de segurança pública, o que a sociedade em sua minoria comandante quer é vingança, é causar sofrimento, é morte, é caça àqueles que não se enquadram na situação de explorados, de escravizados com a cabeça baixa, conformados, que se fiam nas exceções pra contar com a sorte, que sofrem a vida inteira nesse sonho até, decepcionados consigo mesmos e se culpando pelo próprio "fracasso" socialmente programado, encontrar a morte.

Se não fosse um escândalo internacional nesse grau evolutivo da planetaridade, os presídios seriam oficialmente centros de extermínio e de trabalhos forçados. Perversidade ainda existe pra isso, pode-se ver, quando se olha atrás da farsa, da fraude social apresentada nisso que chamam "democracia" ou, pior ainda, pra deboche, "mundo livre". Algumas pessoas até expressam essa "opinião", sem nenhum pudor - opinião fabricada e estimulada de muitas, incontáveis formas, que encontra eco no próprio primitivismo humano e social a ser superado no caminhar permanente através do tempo. É a opinião que interessa aos poderes econômicos, implantada profundamente na mentalidade coletiva pela mídia, porta-voz e indutora ideológica do poder econômico-financeiro a partir do inconsciente da população - induções e condicionamento diferenciados por classes sociais. E ainda há quem resista, há sempre exceções às regras.

Uma semana antes do massacre de mais de cinqüenta no presídio de Altamira, um preso avisa à mãe, em visita, da tensão na cadeia. Pede pra ela memorizar sua bermuda e camisa, pro caso de ser necessário reconhecer o corpo. Nas classes protegidas, parece irreal, parece "absurdo", parece outra realidade. O mundo dos direitos garantidos, o mundo dos privilégios parece outro mundo mesmo. Não se percebe a ligação entre o privilégio e a barbárie social. Quem conhece esta situação sabe que isso é regra, não exceção. É este o sistema que pretenderia "recuperar criminosos para a sociedade". Esta é uma sociedade que se diz humana. Que mente em todos os sentidos, engana, apresenta farsas que se desmentem na prática cotidiana e, sobretudo, nas conseqüências. Gente como lixo, ignorância analfabeta, desinformação, massacre midiático-publicitário incitando violência e criminalidade em permanente produção, organizações criminosas empresariais, forças de segurança que aterrorizam a população pobre e têm comportamento oposto nos bairros mais ricos, postos de saúde sem condições de atendimento, transportes públicos torturantes e precários, trabalho escravo comendo solto.

Dizem que presídios vão diminuir a criminalidade, que a punição mais dura vai conter a violência. Ora, vão pro raio que os parta! Isso é estupidez ou mau-caráter? O camarada que cai preso por ter roubado uma galinha, ou melhor, por ser pobre, tem que matar, arrancar uma cabeça e brandi-la aos outros, pra ganhar "respeito". Tem que se incorporar às quadrilhas, às organizações do crime - que têm suas raízes no próprio "mercado", seus empresários financiando e controlando autoridades e posições de mando "público" - pra sobreviver. Periculosidade, destrutividade significa respeito, a cadeia é a formação acadêmica do crime, a especialização, a insensibilização plena. O sistema carcerário é formador de criminosos, deformador de almas, sua visão é um painel demonstrativo de como somos uma sociedade primitiva, precisando evoluir a forma humana de existência.

A maior parte dos presidiários sofreu crimes de Estado desde a infância, muitos foram levados ao crime pelo próprio Estado criminoso e esses crimes continuam sendo praticados no cotidiano, na rotina da sociedade, contra a maioria mais pobre, a parte mais explorada, por isso mesmo mantida na ignorância e na desinformação, num círculo vicioso sem fim. Educação e informação também são áreas sociais regidas por mentiras de enorme gravidade, por interesses empresariais óbvios, impondo a ideologia do consumo, do conflito, da competição permanente, a superficialidade como regra. O controle social pelo mercado é obviamente negado com toda a ênfase e veemência, raivosamente ou debochadamente pelos mesmo ideólogos da mídia, jornalistas, especialistas, comentaristas, todos de consciência comprada ou ignorância social comprovada - malabaristas da fala, da idéia, enroladores muito bem pagos pra confundir as coisas e deformar a realidade. A mídia é porta-voz dos interesses empresariais mais desumanos e anti-sociais da corte dos parasitas, banqueiros e mega-empresários que se escondem nos bastidores dos poderes falsamente apresentados como públicos.

Quando houver (Se houvesse) alguma intenção verdadeira em diminuir a violência e a criminalidade social, veremos (veríamos) investimentos verdadeiros, profundos e maciços em educação, em alimentação, em saúde e moradia, em dignidade na existência e na formação das pessoas, sem exceções, investimentos nos direitos da população como um todo. E o retorno dos investimentos se fariam com uma população mais instruída, informada, consciente, em condições de pensar e escolher com base e com senso crítico, os caminhos coletivos da sociedade na construção de harmonia social. Como a intenção no sistema social de agora é a escravidão, a exploração injusta do trabalho de baixa qualificação, o sistema de ensino público é mentiroso, não tem intenção de instruir a maioria, ao contrário, o desestímulo ao desenvolvimento é marca registrada, visível, patente, óbvio. O incômodo causado pelas pessoas vocacionadas, as que têm o dom, o prazer, a intenção de instruir, de formar as pessoas desde a infância, provoca discriminação, perseguição e, no limite, exclusão dessas pessoas. Por isso se vê professores adoecendo tanto, a educação pública adoece os bem intencionados.

Por outro lado, o sistema de saúde não tem interesse em saúde, mas em doença. Como toda a estrutura social é impregnada com a ideologia empresarista, desumana e anti-social, o interesse na medicina, como em todas as áreas, é o lucro. Saúde não gera lucro, doença sim. A medicina lucrativa vende remédios, procedimentos, internações, consumos, tudo na finalidade do lucro e não da "saúde", como se apresenta. É mentira em cima de mentira.

Educação, saúde, transporte, habitação, mineração, agricultura, turismo, construção, comunicações, em todas as áreas da sociedade é máfia, é mentira, é farsa. Assim se pode entender  tanta miséria, ignorância, abandono e sofrimento desnecessários. DESNECESSÁRIOS diante da capacidade atual de produção, transporte e distribuição, diante do desenvolvimento tecnológico, diante das condições materiais de eliminação desses primitivismos. Mas necessários, fundamentais na manutenção do controle social por poucos, pouquíssimos podres de ricos, parasitas da sociedade, escravistas e torturadores de multidões em nome de seu poder, patrimônio e lucro, indiferentes ao sofrimento de milhões. Abjeções tão necessárias quanto a mentalidade superficial, consumista, alienada da realidade, a visão egoísta e pequena, focada no entorno imediato e não na situação geral, nas razões de ser, nas raízes dos problemas a serem resolvidos e superados. O desenvolvimento da consciência, o desenvolvimento verdadeiro do ser humanos, da coletividade humana, da harmonia social e planetária não interessa a esse punhado desumano, que fez, faz e fará tudo e qualquer coisa pra impedir. A cooptação de inteligências brilhantes e consciências compráveis é permanente. E a grande mentira é caprichada e convincente. Consciência social é o terror dos dominantes - pra esse pequeníssimo grupo, consciência é um mercado privatizado. Desde as "melhores" universidades. Desde o próprio "poder público", seqüestrado, dominado, feito marionete do Mercado - sempre o mesmo punhado e os mesmos cúmplices, mudam personagens, permanecem as entidades tenebrosas, macabras, nos bastidores escuros dos poderes - vislumbráveis por olhos atentos em algumas ocasiões, ou sempre nas suas conseqüências coletivas - miséria, ignorância, abandono, sofrimento e a violência, a criminalidade que acompanha estas situações, nas sociedades de consumo chamadas ironicamente de "mundo livre". Livre pros demônios do poder econômico-financeiro, pelo que se vê. A escravidão mental é característica social.

Voltando ao sistema prisional, não há nada que aponte na direção de paz e harmonia social (aliás, nem no sistema de educação).Expressões ridículas ou absurdas como "combate à violência" ou "à criminalidade", ou mesmo "guerra às drogas" escondem crimes de Estado. Crimes sociais cometidos todos os dias, no atacado, contra a população como um todo, focados principalmente nas classes pobres, nas periferias, nas pessoas que têm seus direitos humanos, fundamentais e constitucionais, roubados pela própria sociedade, pela própria estrutura social montada pra favorecer àquele punhado parasita social e à sociedade de castas como a vemos, minorias privilegiadas e maiorias escravizadas.  Não há um departamento de psicologia em cada presídio pra estudar cada caso de cada preso que chega e determinar suas necessidades e atividades enquanto preso. Não há ocupações socializantes, aulas, cursos profissionalizantes, nada, o preso é tratado como quem "merece" punição, como lixo e nada mais. Não se vê a causa da criminalidade na própria estrutura da sociedade, nas mazelas que ela mesma cria e não pretende resolver, mas reprimir, jogar longe, esconder, segregar, exterminar, encarcerar. Ilusão estúpida pra maioria, ilusão criminosa pra minoria que se protege com cercas eletrificadas, segurança privada, helicópteros e jatos, bolhas de isolamento. Esporadicamente, bolhas estouram.

Na questão da "guerra ao tráfico", me custa acreditar que pessoas instruídas acreditam na honestidade dessa falsa guerra. A mim parece uma evidência essa mentira - aliás, como tantas, é bom frisar. Há décadas, muitas décadas, praticamente todos os países movem o combate ao narcotráfico, em todos os lugares, de todas as formas. Aparatos pesados, armamentos caríssimos são mobilizados, navios, aviões, helicópteros, tropas e mais tropas, destróem-se plantações, apreendem-se cargas, prendem-se e matam-se pessoas. Há décadas e décadas sem parar e o tráfico só cresce, se desenvolve e continua servindo ao mercado riquíssimo do consumo, movendo bilhões no sistema financeiro, espalhando propinas, comprando autoridades, consumindo armas, munições e dinheiros públicos em grande escala, mais que qualquer guerra "oficial" no planeta. É o tráfico uma entidade extraterrestre, fora do alcance das tecnologias e armas terráqueas? É um exército imbatível, inalcançável às tropas e armas que se movem com esse pretexto? Ou é mais fácil perceber que o tráfico está entranhado na própria estrutura da sociedade e tudo o que toca esse assunto é falso, é encenação? E que serve de biombo pra esconder interesses gigantescos como gigantescos são os lucros. Pretexto pra investimentos no aparato de repressão que visa não a paz ou a segurança pública, muito menos acabar com a produção e o tráfico de drogas ilegais, mas sim garantir a permanência desta estrutura social, na contenção da massa periférica sabotada e sem direitos, no terrorismo de estado, na repressão geral.

"Os pretextos ofendem a inteligência, as motivações reais inflamam a indignação." Quem disse isso, mesmo?

Pós escrito:

Os resultados do poder banqueiro-empresarial sobre o Estado estão aí, à nossa volta, em ignorância, miséria, abandono, violência e criminalidade. Essas aberrações sociais existem porque são necessárias neste modelo de sociedade que consentimos, que sustentamos - com nossas atitudes, com os valores induzidos, os comportamentos planejados, os objetivos de vida impostos, a visão de mundo distorcida... não há o que autoridade alguma diga que receba o meu crédito. Nem representantes de empresas ou interesses econômicos. Com estes e diante do quadro social, primeiro a desconfiança. Nenhuma autoridade, nenhum porta-voz de interesses banqueiro-empresariais, diante da desumanidade social, merece confiança. A não ser que denuncie a grande falcatrua da democracia, onde mandam os que dominam a economia, a mídia, o poder econômico-financeiro, mantendo forçosamente a ignorância, a desinformação, a indução, o condicionamento, a distorção da realidade, a coação psicológica e publicitária e o controle das comunicações, do "jornalismo", da mentalidade e do comportamento geral. Nesse caso, não será autoridade muito tempo e só terá chegado neste posto por descuido desse poder no escuro, nos bastidores dos poderes encenados públicos, na verdade privados. Tô cansado de ver os que fazem pela coletividade serem derrubados. Mesmo servindo aos poderes dominantes, econômico-financeiros, adaptados ao sistema social, cumprindo os crimes cotidianos do Estado contra a população, se deixam cair migalhas, se possibilitam instrução, acesso á informação, à formação de consciência, ainda que pontualíssimo, é o suficiente pra cair. O domínio banqueiro-empresarial mantém o aparato estatal sob seu controle, com arapucas contratuais entre o público e o privado, em velhíssima promiscuidade ainda a ser superada no caminhar da humanidade, em seu desenvolvimento verdadeiro, o da alma, do abstrato, em seus valores e em tudo o que decorre disso. Fazemos isso em nossas próprias vidas, e estamos fazendo na sociedade. Não dá pra contar com as instituições, dominadas, infiltradas, seqüestradas pelos poderes econômicos, prontas a reprimir o desenvolvimento de direitos e de respeito com as pessoas todas, arrumadas pra impedir tomadas de consciência e de atitudes organizadas e coletivas. Fazer em si o que se quer no mundo, como dizia Gandhi, e exercer no coletivo, sem impor e sem cobrar, apenas servindo com o que se pode, com respeito. A estratégia de dominação está aí, fala a língua de cada classe, de cada profissão, cada caminho no mundo, impregnada nos valores, comportamentos, visão de mundo... até os revolucionários estão impregnados de condicionamentos e, na sua arrogância, não se percebem reproduzindo essas induções. Bom perceber que há sempre as exceções, em qualquer lugar, em qualquer meio coletivo, em qualquer classe ou grupo. Entre estas há uma ligação além do perceptível à razão, coisa de intuição, de sentimento mesmo. O sentimento de sermos exceções e parte do grande grupo humano, com a responsa que a visão impõe, responsa e não superioridade.









 

13 comentários:

  1. Você eh gênio. Obrigada!!! Concordo com vc.

    ResponderExcluir
  2. Belo texto meu irmão. te encontro no ganjah na Lapa dia 18 tmj.

    ResponderExcluir
  3. Ação contra o Estado seria o maior ato libertário se todos estivessem de olhos abertos e engajados em fazer revolução. Mas a mente das pessoas devido o roubo social não tem capacidade de fazer.

    ResponderExcluir
  4. Ola Eduardo gratidão , meu irmão tem um pensando q a vida e feita de evolução ele fala q temos q construir muito s patrimônio q se humano tem q crescer coisas materiais ( casa, casa )

    ResponderExcluir
  5. Seria possível uma revolução, através da permacultura, e boicotes no consumo, nós orientado uns aos outros, uma reforma agrária..

    ResponderExcluir
  6. Nossa cara..me identifiquei com mtas coisas... Primeiro na não aceitação do sistema..sou da classe dos q se ferraram e nunca consigo o acesso ao conteúdo q acredito q possa trazer o alívio p mente.. Acredito q eu tenha TB q ir mas estou enquadrada e o medo me apavora... Gratidão por toda essa troca de experiência... Aplausos p vc

    ResponderExcluir
  7. Fiz um simples poema sobre tentar sempre "Vencer" na vida , espero que me desculpem os erros .

    ---

    Real

    Eu não quero vencer na vida ,
    Eu quero viver ,
    Sentir abraço e beijo ,
    Dar carinho e ser aceito ,
    O que é vencer ?
    Homem de sucesso ?
    Vida repetida como cartinha de desenho colecionável ?
    Vencer na vida é constantemente competir ,

    Manter liderança e não parar de sofrer ,
    É se restringir ,
    Se abaixar ,
    É sumir e ninguém notar ,
    Mas você vai sentir o peso de se perder ,
    Vencer , para quê ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Liberdade é risco, segurança é prisão
      cada um na sua velocidade pra sair do sistema
      porque todos somos livres
      você não tem que ir pra lugar nenhum
      você tem que ir pra onde você quer
      pra onde se sente bem
      não seja escravo do seu trabalho
      não tenha obrigações
      não deseje estabilidade
      pois essa não é a realidade
      não existe verdade mas existe o "caminho verdadeiro" que leva à sua verdade

      Excluir
  8. Eduardo, vc é uma figura que me faz pensar, que bom que hoje temos desenvolvimento tecnológico, E a Internet criou a oportunidade de conhecer vc.
    Figura ímpar, suas reflexões enriqueceram as minhas reflexões.
    Se um dia Deus permitir gostaria de conhecê-lo pessoalmente.
    Mas agora, valeu a contribuição!

    ResponderExcluir
  9. Ler este texto foi um presente maravilhoso . Obrigdo !

    ResponderExcluir

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.