terça-feira, 17 de março de 2026

Que país é esse?

"Em ... existe um fenômeno raro na história das nações: há mais pessoas qualificadas do que o mercado pode absorver. Há engenheiros que dirigem táxis, médicos que trabalham em funções simples, professores que cultivam a terra, historiadores que atendem em restaurantes, filósofos que limpam salas, pensadores que carregam caixas, cientistas que trabalham em feiras. Não porque lhes falte capacidade, mas porque lhes falta espaço econômico para que todo o seu talento seja plenamente utilizado. E por que isso acontece? Porque a educação em ... é tão ampla, tão profunda, tão acessível, que formou uma multidão de homens e mulheres preparados, cultos, curiosos, capazes de compreender o mundo em sua complexidade. O acesso ao ensino superior não é privilégio, é direito. O conhecimento não é mercadoria, é patrimônio do povo. E quando o saber deixa de ser privilégio, ele floresce em todos os lugares. Assim, encontramos agricultores que discutem história universal, mulheres da feira que compreendem bioquímica, garçons que falam de sociologia, trabalhadores humildes que conhecem matemática, física, filosofia, literatura. Não é exagero. É o resultado natural de um país que decidiu educar seu povo antes de enriquecer suas elites. Mas essa abundância de inteligência convive com uma limitação cruel. O bloqueio econômico imposto, há décadas, restringe o desenvolvimento, limita investimentos, impede que toda essa força humana se transforme plenamente em produção, tecnologia, pesquisa, indústria, prosperidade. É como se uma nação inteira estivesse pronta para correr, mas tivesse os pés acorrentados. E ainda assim, ... continua formando. Continua ensinando. Continua preparando. Continua acreditando que o futuro virá. O que vemos hoje não é fracasso. É potencial acumulado. ... é, neste momento, uma multidão de possibilidades esperando o instante em que as correntes se rompam. Cada engenheiro dirigindo um táxi é uma usina que ainda não foi construída. Cada médico sem hospital suficiente é uma vida que ainda será salva. Cada professor sem sala é uma geração que ainda será formada. Cada filósofo trabalhando em silêncio é uma consciência que ainda iluminará o mundo. Enquanto muitos países abandonam a educação e convivem com o analfabetismo e o analfabetismo funcional, ... fez o contrário: construiu primeiro a riqueza humana. E a riqueza humana não se perde. Ela espera. Por isso ... já é rica, mesmo quando parece pobre. Rica de leitores. Rica de estudantes. Rica de professores. Rica de cientistas. Rica de consciência. Rica de dignidade. O dia em que o bloqueio cair, não será apenas a economia que crescerá. Será como se uma represa se abrisse. Toda essa inteligência acumulada, toda essa formação, todo esse amor pelo conhecimento, todo esse povo preparado, se transformará em uma força impossível de conter. E então o mundo verá, com clareza, aquilo que hoje poucos conseguem enxergar: ... não é um país pequeno. ... é um gigante contido. Um gigante formado por homens e mulheres que aprenderam a ler, a pensar, a estudar, a ensinar, e que aguardam, com paciência histórica, o momento de mostrar ao mundo o brilho extraordinário de um povo que fez da educação a sua maior riqueza." O texto não é meu, por isso está entre aspas. Omiti o nome do país, cujo nome desperta repulsa, revolta, raiva, em grande parte das pessoas. Por um trabalho minucioso e permanente de difamação, calúnias, demonização feito a partir de laboratórios de pensamento muito bem pagos e impostos ao inconsciente coletivo pelas mídias empresariais, permanentemente, conforme os interesses de poderes econômicos, de punhados de bilionários que dominam a cena internacional a partir dos impérios colonizadores - que contam com cúmplices nas elites locais, dominantes pra dentro e dominada de fora dos seus países. Aliás, "seus países" é uma forma de dizer, porque essas figuras não têm pátria, sua pátria são seus bilhões. A covardia contra os países que não se deixam dominar é exercida pelas tais "sanções" estadunidenses, que fazem de tudo pra sufocar os povos na tentativa de virá-los contra o governo e produzir "mudanças de regime", sempre no sentido de estabelecer governos-fantoches a seu serviço e contra suas populações. Creio que se colocasse o nome desse país, muitos nem começariam a ler o texto. Faz parte da lavagem cerebral a recusa de qualquer informação em desacordo com a imagem distorcida que levou muitas décadas sendo formada cotidianamente nos meios de comunicação empresarial. É o que estamos vendo não só com relação a esse país, mas a tudo que questione profundamente o sistema social e proponha tentativas de formar sociedades menos injustas, mais igualitárias, menos perversas e mais solidárias. A verdadeira solidariedade social é mantida no patamar de subversiva. É o terror das elites dominantes, que precisam de ignorância, desinformação e alienação - que contróem sociedades submetidas à ditaduras econômicas fantasiadas de democracia. Mas o tempo não pára e a mutação é permanente. Estamos em processo de transição planetária acelerada, apesar de toda a alienação, superficialidade e consumismo que continuam sendo produzidas e induzidas cotidianamente, em todo lugar onde as comunicações são dominadas pelos vampiros sociais podres de ricos - e seus cúmplices sem consciência social ou de consciência comprada, submetida às conveniências sociais da ambição material.

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