sexta-feira, 29 de julho de 2022

A humanidade aumenta a percepção do universo, permanentemente.

  Em 2019 a Marinha dos Estados Unidos convocou a imprensa e declarou que os OVNIS, seres de outros planetas, eram uma realidade e que a humanidade teria que aprender a tratar com isso. Hoje, no jornal da Cultura, saiu que o Pentágonou criou um departamento exclusivo pra examinar e estudar as naves que surgem cada vez em maior número. Há tempos eu vejo declarações de pilotos, de militares do mundo inteiro, que dizem ser maior o número de avistamentos e contatos em áreas onde há bases de mísseis nucleares - e que essas naves teriam a capacidade de desativar, ao menos por um tempo, todas as armas atômicas.

A humanidade se aproxima do tempo em que se dará conta de que o universo é todo habitado, em que começará a se relacionar com outras civilizações de outros sistemas solares - que se contam às centenas de bilhões em cada galáxia, que também se contam, as galáxias, aos bilhões e bilhões até onde alcançam os telescópios mais avançados. Que não alcançam nada parecido com um limite ou um fim do espaço universal.
Estamos em tempo de transição e o planeta, a humanidade, terá que entrar em outra freqüência, em outra vibração, pra alcançar o nível pra se relacionar com outras humanidades, muito mais avançadas. A harmonia social e planetária virá como uma necessidade evolutiva pra que alcancemos tais vibrações. Daí a necessidade de expurgar as agressividades destrutivas, os conflitos, os desequilíbrios, as perversidades. Daí a migração planetária tão falada por sensitivos de todo o tipo, religiosos ou não. Muitos passarão a um planeta mais novo, que está num estágio onde a agressividade e a indiferença com o sofrimento alheio são elementos de sobrevivência. Não é castigo, é sintonia, adequação vibratória. Certamente levarão no inconsciente muita informação útil ao desenvolvimento de outras humanidades mais primitivas, ainda no tempo do animalismo.
Não tenho apego a essa idéia, mas sinto estar mais próxima da realidade que muitas das interpretações religiosas - principalmente as que levam à discriminação dos que não lhes partilham as crenças, que produzem preconceitos, julgamentos e sentimentos de raiva e repulsa a outras pessoas, gerando conflitos, violência e sofrimentos.
Diante das centenas de milhares de anos que tem a nossa humanidade, uma vida é um estalinho no tempo. Gerações passarão nessa transição dos nossos tempos. Tempos de revelações, de definições, de colheitas. E de novos plantios.







Curtinhas do Feicebuque

                                                        Cidadão de Bem

É uma diferença brutal.
Quando ouço falar em "cidadão de bem", em geral estão falando de "cidadão de bens" - nada a ver com o bem geral, nada a ver com senso de justiça, nada a ver com sensibilidade, com solidariedade. Muito ao contrário. É a pregação do egoísmo, da indiferença com as injustiças sociais e com o sofrimento causado por elas a milhões e milhões de sabotados - em educação e informação de verdade, em alimentação, em moradia decente, em consciência social, enfim, em vida.

Respeito Próprio
Não quero fazer o que nunca foi feito. Não quero ser iniciador de nada. Quero fazer o que eu goste, o que eu respeite, o que minha consciência aprove. Quero ter prazer em ver o que fiz, aprender com isso e fazer outras coisas, no mesmo critério. Não busco aprovação, a não ser a da minha própria consciência. Gostar do que faço e do que andei fazendo é uma necessidade minha. Com a humildade de reconhecer eventuais erros, enganos e vacilos. E disposição pra reparar ou compensar os prejuízos causados por esses erros, sempre que possível. Por isso tudo, o único respeito do qual não posso abrir mão é o meu próprio respeito. Os demais são muito bons, mas não são fundamentais.

Intuição e Crença
Perguntam se eu acredito em Deus. Respondo que à minha maneira. Não preciso acreditar em nada. Com o tempo, vou ficar sabendo. Não comecei quando nasci, não vou acabar quando morrer. É o que sinto. Só precisa respeitar, como respeito as religiões e crenças, sejam quais forem. Já os religiosos, depende da atitude - alguns se especializam em distorcer "escritos sagrados" pra atender seus interesses, materiais ou pessoais, do próprio ego. Não respeito nada que agrida, discrimine, nada que produza sentimentos destrutivos, que ameace ou crie conflitos. Isso me determina exercer a espiritualidade no meu dia a dia, nos meus sentimentos, nas minhas relações pessoais e sociais, nas minhas escolhas, nos meus valores e comportamentos. E me impede de seguir qualquer religião. Mesmo as que afirmam, mentirosamente, não serem religião - mas mantêm as ameaças, cobranças e julgamentos, "em nome" do que quer que seja.

Ser radical é preciso
Radicalismo não é extremismo, não é agressividade, não é intolerância. Radicalismo é a prática de buscar as raízes, as causas dos problemas, é pensar profundo, é questionar a realidade e as informações postas.
Distorcer o significado desta palavra é uma estratégia social do mercado financeiro, dos podres de ricos que dominam a sociedade, na construção da mentalidade superficial, rasa, consumista, competitiva que mantém a miséria, o desabrigo, a ignorância e a desinformação neste modelo social injusto, perverso, covarde e suicida.
O sacode planetário está apenas começando - e vai durar algumas gerações em mutação acelerada.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Falcatrua social, se enquadrar é frustração certa.

 

Comer e morar são os dois primeiros direitos básicos, fundamentais e CONSTITUCIONAIS. A fome e o desabrigo são provas materiais dos crimes contra a constituição que a sociedade como um todo, através da administração do Estado, comete em cima dessa enorme parcela da população, abaixo ainda dos mal qualificados, mal instruídos, mal equipados e desinformados - também vítimas de crimes constitucionais - que formam a grande maioria do povo brasileiro.
Até que ponto é possível conviver passivamente com tanta maldade, tanto egoísmo, tanta produção de sofrimento - sob controle de umas poucas centenas de podres de ricos e sua corte nas classes mais altas? Até que ponto se pode assimilar e exercer - nas escolhas e comportamentos - os valores apresentados por esta sociedade? Até que ponto é preciso adaptar e violar a alma em nome de confortos e privilégios materiais, sociais, externos?
Que nenhum entendimento distorcido suponha aqui apologia da pobreza para todos. Falo de sobriedade, de suprir necessidades materiais básicas e perceber o trabalho interno, tanto no indivíduo quanto no coletivo. Da sensibilização, do desenvolvimento solidário, do investimento prioritário nas verdadeiras prioridades sociais, no topo de importância da hierarquia orçamentária.
Alimento saudável, moradia também saudável, instrução profunda, educação ampla, informação verdadeira, interesse geral no atendimento de todos, desenvolvimento do senso de justiça coletivo, são a base de uma sociedade que tem na harmonia, no equilíbrio, no bem estar de todos o seu objetivo e sua função.
Os contaminados pelas induções sociais não entenderão, nem podem vislumbrar a sociedade do futuro. Tudo isso, na visão induzida, é apenas um delírio, uma viagem alucinógena, uma ilusão, uma fantasia, uma crença idiota. É preciso respeitar a opinião alheia e a gente conhece bem essas mentalidades. Com respeito, cortesia e muita calma se encaminha o papo pra despedida e se parte de perto, em busca de outras sintonias.
As exceções têm se multiplicado muito nesses últimos quarenta anos. Ao mesmo tempo, o momento é de estímulo à revelação de perversidades escondidas. Estão se assumindo preconceitos, ódios, repulsas, maldades, rancores, agressividades. Tempos de revelação. Tendo a acreditar na migração planetária, na separação das sintonias, "os mansos herdarão a Terra". A vibração do conflito, do ódio destrutivo, da indiferença com o sofrimento alheio, do egoísmo perverso vai encontrar sua sintonia onde tudo isso é necessário à sobrevivência. A migração está em curso há tempos, embora nestes anos ela tenha acelerado muito e, segundo consta entre médiuns e videntes, esteja ainda em franca aceleração. A paz virá na "reconstrução", na recuperação dos escombros, por várias e várias gerações.
Há muito tempo minha intuição vem dizendo, prepara o lombo que vem peia, é preciso estar pronto pra encarar o que vier, desenvolver a capacidade de superar dificuldades. Será o campo certo pra criar e desenvolver a solidariedade, pra se dar a mão, pra se sentir família humana - a caminho da família planetária. Grande parte da população já tem essa capacidade e esses sentimentos, não como uma virtude, mas como uma ferramenta coletiva de sobrevivência, diante das condições sociais em que vivem.
Do meio dos desprezados brotarão muitos instrutores.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Disparates esclarecedores – ou entre o luxo e o sofrimento

 “O ano da maior crise econômica brasileira nas últimas décadas...

...é também o ano do lucro recorde dos bancos.”

“Os bancos brasileiros têm lucro recorde no pior ano da pandemia.”

“Divulgação de lucros no BB” (Banco do Brasil) “gera comoção nas redes sociais: ‘lucro pros bancos, fome pro povo’.”

“Enquanto uma multidão passa a não ter mais teto...

... outros” (uns poucos) “fazem fila para comprar mansões e carros de luxo.”

“Revendedora de Porshe ... tem fila de 1500 compradores no Brasil.”

Quantos têm fome? 33 milhões, diz uma estatística aí, na minha opinião subestimando a realidade. Insegurança alimentar é fome com alguma coisa de comer às vezes, pouco por dia. Enquanto isso, alguns milhares lucram milhões na e com a pandemia.

“Mercado de alto padrão se manterá aquecido em 2022.”

O alto padrão citado certamente não é o padrão moral. Muito menos o padrão de humanidade que se espera de uma sociedade que se pretenda humana. 

“Mercado de casas de veraneio está superaquecido.”

Gera empregos, dirão alguns – e estarão certos –, mas bem se vê que não há espaço pra todos, a maioria permanece com fome, numa economia em frangalhos. Se traz alívio a uma parcela dos mais pobres, não deixa de ser uma demonstração de injustiça social, um cenário revelador da estruturação da sociedade e suas necessidades de ajustes na direção da harmonia coletiva que deve ser, sempre, o objetivo de qualquer coletivo.

Harmonia, aliás, em todos os níveis, internos e externos, no indivíduo, no coletivo, com o ambiente e, proximamente, com o universo à nossa volta. Acredito na existência de incontáveis vidas entre os bilhões de estrelas e seus sistemas planetários, aos bilhões pelas galáxias afora, contadas também aos bilhões. Os contatos diretos virão na medida em que formos nos aproximando da harmonia interna, planetária, entre nós, os seres, toda a família planetária for se percebendo como tal.

“No país onde trabalhadores fazem fila para pedir auxílio, o ministro da economia esconde mais de 50 milhões de reais em paraíso fiscal, impunemente.”

Está se revelando como a sociedade funciona, quem é que tem o poder de verdade, por trás das fachadas “democráticas”, por dentro dos seus mecanismos, dominando o funcionamento a favor de poucos, em prejuízo flagrante das grandes maiorias – em todos os sentidos. Não a todos, mas a muitos, o processo tem o seu caminho, seu tempo, cabe aos que vêem trazerem à tona, cada um nos seus espaços, nas suas possibilidades – é a partir da consciência individual que se pode trabalhar na coletiva, com respeito, afeto, solidariedade.

É preciso buscar dentro de si os valores condicionados, as verdadeiras falsidades ideológicas que nos implantam goela abaixo da consciência. Não creio que exista quem não tenha suas contaminações ideológicas, em valores, em temperamento, em desejos, posturas, objetivos de vida, medos e expectativas, em maior ou menor grau, todos temos.  Por isso o primeiro e mais importante trabalho é o na própria consciência, o trabalho externo, coletivo, surge por conseqüência e será muito mais eficiente, porque partilhado com humildade. Quem trabalha nas próprias falhas, não se dá ao trabalho de julgar falhas alheias – já vi isso em algum lugar.

Nota: todas as frases entre aspas (“...”) foram retiradas do final do vídeo do Henry Bugalho, já com o Eduardo Moreira (“de banqueiro a companheiro”) e, penso eu, a turma do ICL que ele encabeça. Eles têm departamento jurídico e as fontes de todas essas frases.

Link do vídeo:  https://www.youtube.com/watch?v=AVDMM4cP3tw

quinta-feira, 23 de junho de 2022

E o vereador foi cassado

 Renato Freitas teve cassado seu mandato de vereador na câmara de Curitiba. Se fosse um julgamento ele teria sido inocentado, dada a quantidade de provas desmentindo as acusações, inclusive uma carta da Arquidiocese de Curitiba pedindo pela não cassação do mandato, pois não houve a “invasão” alegada. O que houve foi uma convocação a uma manifestação de protesto pela morte de Moïses, o congolês morto a pauladas por cobrar dias de serviço num quiosque de praia. As portas da igreja estavam abertas, não havia missa, as pessoas entraram, falaram no microfone e no som da própria igreja, o padre ali do lado olhando – já sem a batina – ninguém quebrando nada, nenhuma correria, nenhum grito. A igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – como sugere o próprio nome – é um local onde se fazem manifestações anti-racistas, historicamente.

As mentiras espalhadas de pessoas desmaiando, de portas arrombadas e coisas quebradas serviram de “provas” na escolha duplamente racista – de cor e de classe – escancarada na carta recebida por Renato, por email do vereador que o acusava, “volta pra senzala”, “vamos embranquecer...” e revelações do gênero. Nos parlamentos, como se vê, provas são inventadas ou ignoradas, de acordo com os interesses do momento. A revelação é a do racismo, do escravismo ainda presente, entranhada no fundo da alma social. É mesmo preciso muita luz pra que se perceba claramente, de forma inegável.

Pelo pouco que conheci do Renato, nada disso o surpreende muito, escaldado que é com o tratamento que recebe da sociedade “organizada” e seus tentáculos repressivos, desde sua vida inteira. Filho de faxineira, cresceu nas áreas de abandono social, onde o estado, por omissão plena, comete crimes contra sua população mais pobre, de todo o tipo, a partir dos crimes constitucionais contra os direitos básicos. Onde o destino traçado é a exploração, a “siviração” ou o crime. As “sortes”, as “coincidências”, encontros, decisões, superações de obstáculos e barreiras tornaram Renato uma raridade, um originário do abandono e da pobreza com título de curso superior, consciência social e aplicação coletiva. Uma pedra rara no cascalho da política pública, uma voz que fala a linguagem das periferias, a língua intuitiva dos sabotados da sociedade, construídos pra serem mão de obra barata ou de baixa qualificação.

É a língua dos de baixo que ele fala, a da multidão roubada nos seus direitos a uma formação, à alimentação sadia, educação de verdade, moradia decente, entregue a um massacre midiático, ideológico, publicitário, formando mentalidades consumistas e competitivas, superficiais e fáceis de enganar, de induzir e conduzir. É ali onde mais se precisa de consciência, ali onde mais se precisa de acendedores de luz e é o campo mais fértil pra se plantar. Dali que vem a força da construção, da manutenção, do funcionamento de toda a coletividade humana, de toda a sociedade. Por isso a ignorância, a desinformação e a dispersão dos interesses são estratégias de dominação, de escravização, pra que se mantenha tudo como está – no controle de poucos.

Tomar consciência da realidade é uma necessidade na busca de harmonia social, sobretudo entre os que formam o alicerce da sociedade. Tomar consciência do próprio valor, da própria capacidade de superação, da própria resistência é uma necessidade de cada um. Consciência é uma parada que contamina, um caminho que não tem fim, uma necessidade da alma.

Renato Freitas, depois dessa injustiça descarada – reveladora ao máximo do racismo enraizado em nossa sociedade como um todo, não só na câmara de Curitiba –, deve ter crescido em sabedoria, em aprendizado, como toda dor cria essa oportunidade, quando se tem a humildade do aprendiz, que é o que somos sempre. Certamente ele tem muito a acrescentar no coletivo, na formação das mudanças e alcances, na criação de consciência, no despertar dos distraídos e dos sonolentos.

A construção de uma nova sociedade começa no seu alicerce. É preciso muitos mais Renatos Freitas, é preciso pobres, periféricos, pretas e pretos nas chamadas “instituições públicas”. Talvez assim elas, finalmente, possam ir se tornando públicas de verdade.

sábado, 2 de abril de 2022

"Americano"?

Os cara chama estadunidense de americano. Brasileiros, submetidos pelos poderes estadunidenses desde a medula, induzidos a um sentimento de inferioridade que facilita o saque das nossas riquezas. Que nos faz admirar, além de um império criminoso, os Estados Unidos, que interfere em todos os países das Américas -, a Europa, um continente construído em cima da colonização do resto do mundo, de invasões, destruições, escravizações, extermínios muitos, saques permanentes até hoje, apresentando em seu pequeno território condições sociais invejáveis em qualquer outro lugar do mundo. "Invejáveis" pra quem não tem noção de como foram construídas essas condições de "primeiro mundo". Vergonhosas, pra quem tem. Não há motivo pra admiração nenhuma.

Escuto o cara falando no vídeo - assunto bom, denso, ligado na realidade - que o interesse "americano" tá na guerra da Ucrânia. Concordo que os Estados Unidos vêm fabricando essa guerra desde a década de noventa do século passado, mas contesto o linguajar num comentário.

"Americano"? Tu é o quê? Eu sou o quê? Sub-americano? Tu assume essa subalternidade? Eles são estadunidenses, além de americanos. Nós somos brasileiros, além de americanos. Chamar estadunidense de americano é reconhecer "os donos", os "patrões", os "senhores" do continente americano. Subliminarmente, claro, condicionamento do inconsciente com psicologia do mesmo nome. E a gente repetindo por aí, programações mentais do colonialismo. Se liga, cumpade. Não estou sendo hostil, raivoso, dono de verdade nenhuma, tô só te dando um toque. A gente exerce esse colonialismo sem perceber. Mas se percebe, pode ser útil no desfazimento dessa "inferioridade" artificial, criada pelos colonizadores - com o auxílio da elite local - pra manter o controle, inclusive mental, além de ideológico, psicológico, cultural, a partir da alma. Arte conversa com a alma. É preciso muita responsabilidade. Mas, como em todas as áreas, a gente vê a arte ser usada mais pra aprisionar do que pra libertar. Arte não é boa coisa só por ser arte. Depende sempre do artista, de quem produz a arte. Do caráter, do interesse, da intenção, daquilo que move o artista. É nessa base que tá o valor da arte, não na fama, na repercussão, no celebrismo. Aí, muitas vezes, é que tá a perdição da arte. No sentido da evolução humana.

Sobre a guerra na Ucrânia eu não tô falando, porque fico triste de ver como as pessoas repetem, em vários níveis, os condicionamentos, as distorções e as mentiras da mídia empresarial, dominante no mundo ocidental todo. Lembrando sempre que "mundo ocidental" pode até nos incluir, como subalternos, aliados na língua deles - assim como empregado, funcionário ou contratado agora é "colaborador" -, mas na verdade o que se considera "ocidente" tem a Europa e os Estados Unidos. Tá bom, o Canadá também, embora economicamente "desprezível", tá de irmão menos, de linhas coloniais francesa e inglesa. Mas América Latina, África, Ásia e Oceania tá tudo fora, é tudo "sub-gente" pra eles.

Colonialismo mental, cultural, econômico, social, político, psicológico, comportamental é um assunto pra se pensar.

quinta-feira, 24 de março de 2022

A caminho.

 Estamos por criar uma sociedade em que as empresas estarão a serviço do ser humano, superando essa estrutura que ainda põe os interesses econômicos no patamar de maior importância e relega o ser humano a um patamar secundário. Uma sociedade humanista está em gestação, através dos sacodes planetários, climáticos, ecológicos e sociais. 

quinta-feira, 10 de março de 2022

Distorções e Induções

 Impressionante o poder das empresas de comunicação em distorcer a realidade e criar mentalidades, em provocar e insuflar sentimentos na direção dos interesses que controlam essas empresas e o que é dito, em conduzir a opinião pública. Ao longo da minha vida, vi inúmeras campanhas midiáticas - que juntam jornalismo, entretenimentos, programas de auditório ou não, agora com as redes internéticas - criarem ambientes pra acontecimentos terríveis, estimulando ódios e conflitos. Com o tempo, invariavelmente, se provavam mentiras, farsas, manipulações, difamações, injustiças, sempre a favor dos tais interesses. Passa o tempo e nova campanha começa. Eu já sinto o constrangimento de ver toda a mídia criando as opiniões que vou ouvir por aí como se fosse próprias. Os temperamentos agressivos usam essas mentiras programadas pra criar conflitos, insultar, provocar e expandir sua destrutividade.

Observo com calma, não alimento conflito, não vejo sentido. Só me sinto constrangido diante de tanta superficialidade, tanta fragilidade diante das induções. Olho através do tempo e vejo mudanças sem parar ao longo de todo o caminho. Ele não termina, segue a perder de vista, tudo mudando todo o tempo.

Vejo as induções, as mentiras e distorções nos jornais e informativos da mídia comercial, ao longo do tempo - elas se repetem, periodicamente, se adaptando às novas situações, tecnologias e conhecimentos sobre a psicologia humana, o controle mental, a indução e o condicionamento de massa. A mim não me levam mais, há tempos. As provas da grande falcatrua estão na realidade à minha volta, cobertas com as mentiras sociais, planejadas em laboratórios de pensamento e implantadas pelas comunicações empresariais em massa.

Aos poucos - e agora mais que nunca - vão se revelando os bastidores da nossa "realidade". Aos poucos mais e mais pessoas vão percebendo, ainda poucas, exceções que se multiplicam pelas gerações que vão e que chegam. É preciso tolerância com os que se deixam convencer pelo exército de profissionais da mentira. E, em alguns casos, é preciso distância também.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

A farsa se descara - ou a ilusão vai se demonstrando claramente.

 Estou vendo por aí se falar de "declínio da democracia". Na minha visão, um engano. Está se vendo é o descaramento da falsidade, essa tal "democracia" nunca existiu de verdade além de instituições de fachada, infiltradas, pressionadas e submetida por poderes econômicos - banqueiros, mega-empresários, financistas e outros que formam um punhado de podres de ricos escondidos sob o nome de "mercado", fonte da corrupção que a mídia empresarial aponta, estrategicamente, na chamada "política". Os corruptos são responsabilizados genericamente enquanto os corruptores não são nem mencionados.

Uma democracia, pra mim, supõe um povo alimentado, instruído, informado, com senso crítico e capacidade analítica pra ter condições de entender o que acontece, não se deixar enganar por demogogos e por distorções do jornalismo comprado, de consciência vendida. A própria estrutura social é montada de forma a impedir, a todo custo, o respeito aos direitos constitucionais, básicos e humanos da população como um todo.
Não há democracia. O que há é um simulacro institucional safado. E não está declinando, está se revelando uma grande mentira.
Não é porque um capataz é sádico e criminoso e outro capataz é bonachão e facilita a vida dos escravos que os donos deixam de ser donos. Quem manda é o poder econômico, ainda. E é óbvio que entre o sádico e o camarada, se escolhe o camarada. Até porque assim se podem criar condições de acabar com essa escravidão mental e começar a construir outra estrutura social, mais humana e solidária, menos injusta e perversa, através das gerações.
Uma sociedade que tenha no centro de importância o ser humano e todas as suas necessidades - e não os interesses de "mercado" que impõem miséria, desabrigo, ignorância, desinformação, exploração a nível de escravidão, além do saque do patrimônio público e das riquezas da nação.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Agora "foi golpe"? As mutações se impõem.

 O departamento de estado estadunidense dá as regras e estas são seguidas, da mesma forma, em vários países da América Latina. O candidato indesejado é eleito, a oposição tenta colar o rótulo de "fraude". Não colando, parte pra sabotagem do governo eleito - geralmente unindo consciências vendidas em congressos e judiciários. Provocando o insucesso da governabilidade, arma-se o cenário pra um impítiman. Em todos os países há pilantras prontos a servir os saqueadores e trair sua nação - vender a própria consciência rende fortunas, nesses casos. O mesmo procedimento no Brasil, na Argentina, no Paraguai, na Venezuela, na Bolívia, enfim, onde não haja governos dominados pelos "interesses econômicos" - a partir dos mega-banqueiros mundiais que já há séculos dominam as nações, contando com a cumplicidade das "elites locais", em geral brancas e descendentes dos maiores senhores de escravos, colonizadas mental e espiritualmente.

Enquanto rolava o golpe, o silêncio institucional era estarrecedor. As tais "pedaladas" que serviram de pretexto - já que o exército de investigadores, brasileiros e estrangeiros (sobretudo estadunidenses, britânicos e israelenses), não conseguiu encontrar uma só falcatrua, um único real ou dólar ilegal nas contas do metalúrgico e da ex-guerrilheira - foram legalizadas pelo congresso nacional pouco tempo depois, por serem um procedimento comum, de praxe, usado pelos governantes em geral e de qualquer ideologia, pra continuarem servindo ao equilíbrio orçamentário de estados e do país. Não havia crime de responsabilidade, não havia motivo legal, pra impitimar a presidente. Apenas ela não tinha a vaselina do ex-metalúrgico pra tratar com corruptos, esmagadora maioria no congresso e nos poderes públicos, e criou uma rejeição enorme entre os "eleitos" do legislativo ao rechaçar qualquer papo com cheiro de sujeira, de entreguismo e falcatruas institucionais. Ao botar pra fora do seu gabinete, aos insultos, parlamentares vendidos a interesses econômicos que exigiam o sacrifício da população, rotineiro e cotidiano até então. Obviamente, o massacre midiático criou tamanha tsunamis desinformatica que, até hoje, se mantêm mentalidades brutalmente convencidas da "bandidagem petralha", sem perceber a estrutura social inteiramente construída pra funcionar sob o domínio dos corruptores. De quem, aliás, não se fala - a vista meio cega só enxerga os corruptos. Na dita "política", claro, porque o "mercado" onde moram os corruptores é apresentado como a fonte das virtudes e da competência.

Que forças amarraram tão fortemente os poderes institucionais que poderiam ter impedido esse golpe e evitado a tragédia da eleição de um criminoso declarado, conhecido, praticante de falcatruas há décadas? Quais os poderes que estão acima dos chamados "poderes públicos"? A pista está na convocação recente do BGT Pactual, um banco de segunda linha, aos "presidenciáveis", pra um evento sintomaticamente chamado "CEO Conference", em inglês mesmo, descarado. Dizem que é o "mercado financeiro", pra não dizer que são os maiores banqueiros, na verdade controladores do tal "mercado" tanto quanto ou mais ainda do que dos "poderes públicos". Pra esconderem esse punhado de podres de ricos - causa e fonte de toda a miséria, fome, desabrigo, ignorância e desinformação, em última análise - se usa o termo genérico, nebuloso, de "mercado", pra manter os verdadeiros poderes, que submetem todos os governos, no escuro, nos bastidores, ocultos, longe dos holofotes da mídia empresarial, dominante nas comunicações do país e dominada por esses mesmos vampiros sociais.

O silêncio covarde do supremo tribunal, diante de um golpe de estado armado de fora pra dentro, contando com a trairagem das "elites" políticas e econômicas - e com a lavagem cerebral permanente executada pelo massacre midiático, publicitário e ideológico -, foi imposto pelos poderes imperiais, colonizadores, saqueadores das riquezas das nações e sabotadores do seu desenvolvimento. No Brasil a sabotagem iniciada com o golpe seguiu destruindo todos os instrumentos e mecanismos criados para um verdadeiro desenvolvimento do país e seu povo, ainda no nascedouro. Pequenas aberturas foram fechadas, na educação, na agricultura, nas comunicações, nas relações sociais, em toda parte. E o silêncio dos "magistrados" ecoaram como um trovão, anunciando os poderes ocultos que dominam os chamados "poderes públicos", que nunca foram mesmo públicos, até agora. Ainda serão.

Agora, que a indústria naval foi destruída, a indústria da construção pesada fechou mais de 200 empresas no território, que a Petrobrás foi esquartejada e reduzida, privatizada na surdina nas suas partes mais rentáveis e produtivas, deixando de refinar os combustíveis que atendiam a todas as necessidades do país e passando a comprar no exterior a um preço que depende do tal "mercado internacional", que o acesso mínimo aberto à população mais sabotada em escolas e universidades vem sendo fechado e dificultado ao máximo, que a fome tornou a se espalhar, o desabrigo se expõe em toda parte, que milhões e milhões estão sem trabalho, agora que a perversidade está escandalosamente instalada nos cargos mais visíveis dos governos, surgem tardiamente as vozes dissonantes. Onde estavam esses covardes enquanto esses crimes sociais eram cometidos na preparação da situação de agora? Nos mesmo lugares onde estavam caladinhos, o que dá a perceber que receberam algum tipo de permissão pra começar a se manifestar, a esboçar alguma reação institucional. O contraste com o silêncio os denuncia. 

Esta nossa sociedade é uma grande farsa. E é a partir desta percepção que se pode e vai construir um outro modelo, mais humano, mais harmônico, menos injusto, mais igualitário, menos perverso e mais solidário. Quanto tempo, quantas gerações isso vai levar, depende de nós, das nossas reações, individuais e coletivas. Mas o planeta, com todas as mutações que se apresentam cada vez mais profundas e amplas, parece preparar um grande impulso nessa direção. É o que me parece.

 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Jornalismo empresarial: cadê a realidade?

Eu queria saber o que acontece com os kaiapó, depois de Belo Monte construída no rio onde eles viviam. Foram seis meses de Acampamento Indígena na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em protesto contra a construção da usina - luta "até a morte", segundo eles. Que acabou mesmo na morte de um cacique, do coração, por conta dos gases que as polícias lançavam a cada vez que destruíam aquele acampamento, que era reconstruído em seguida por outra leva de indígenas kaiapó. E na morte de uma criança que ainda estava em gestação, pelo mesmo motivo, ataque das "forças de segurança" do Estado inimigo da população quando se trata de atender interesses econômicos.

Queria saber do vale do rio Doce, contaminado de metais pesados desde 2015, foco de todos os tipos de câncer que os resíduos da mineração são capazes de provocar. São mais de oitocentos quilômetros, mais de vinte municípios na beira do rio, até o mar, no Espírito Santo, passando por um território indígena, os Krenak. As pessoas estão cozinhando com água de poços, a contaminação é geral, deve ser o maior nível de câncer por habitante do país - de esôfago, de estômago, intestinos, pulmões... Barra Longa tá com o maior índice nas vias respiratórias, Valadares tá comendo um peixe mutante que apareceu na água infestada de metais pesados, cor de ferrugem, o vale todo é uma fonte de contaminação geral. Os laboratórios farmacêuticos estão lucrando muito por ali. 

O que está acontecendo nas "frentes agrícolas" que derrubam e queimam florestas? E nas terras indígenas e quilombolas, sempre cercadas de olhos ambiciosos, armados e prontos pra atacar as pessoas e tomar as terras onde vivem há gerações sem conta? 

O que passa nas periferias e favelas das cidades grandes? A quantas anda a repressão, os mortos por balas "perdidas"? Como está o movimento de êxodo urbano, que vem inchando as cidades do interior e levando os problemas das metrópoles pras áreas onde ainda não havia? 

O que acontece hoje com as 250 mil famílias que foram expulsas das suas casas - na base da porrada, do gás lacrimogêneo, da repressão pelas "forças de segurança"- pra dar espaço às obras empresariais da copa do mundo e das olimpíadas que o país sediou? Não se fala do destino dessas pessoas, tratadas como pragas, formigas, espalhadas e atiradas à própria sorte - ou azar de não ter nascido entre os privilegiados sociais.

A imprensa, o jornalismo em geral só fala das personagens, marionetes nas mãos dos poderes "ocultos", nos bastidores - banqueiros, mega-empresários e seus cúmplices na política e nas elites "nacionais". É Moro, Bolsonaro, Lula, Dilma, Dória, Ciro, personagens, no fundo, cênicos da política partidária, que se diferenciam pelas personalidades, mas são subalternos aos "poderes de mercado", ao "mercado financeiro", aos poderes econômicos mundiais e seu braço nacional, que é essa elite de um punhado de podres de ricos, descendentes dos senhores de escravos, antigas alavancas do poderio banqueiro mundial, desde que tinham sede, principalmente, no império britânico. E que hoje estão mais nos Estados Unidos, embora se mantenham ainda pela Europa - o que nos põe sob o controle do imperialismo euro-estadunidense - que se impõe a quase todo continente Americano e a quase toda África. Domínio e saque europeu na África, domínio e saque estadunidense na América Latina. Os que fazem e constróem de verdade a história e as histórias por aí ficam fora dos holofotes, no escuro, mantidos na ignorância e desinformação, impedidos por muitas formas de tomar consciência da realidade como é e suas causas mais profundas.

A mídia mira seus holofotes no palco das marionetes e esconde os bastidores, os verdadeiros poderes que têm no cenário dito "político" um tabuleiro onde movem suas peças - e controlam inclusive os holofotes. A seu favor e contra povos e nações. A mídia empresarial esconde e distorce a realidade, a favor do lucro e da propriedade do punhado de podres de ricos mundiais e suas elitezinhas locais, cúmplices dos crimes contra a humanidade. E a mídia alternativa, dita "de esquerda", mais humanista mas não menos condicionada, fica na superfície, discutindo e disputando no teatro de marionetes, focada na farsa e sem se dar conta dos próprios condicionamentos, dos aprisionamentos em suas "correntes de pensamento" no desprezo à sabedoria e à resistência popular, dos sentimentos de falsa superioridade que afastam, separam e impedem a troca verdadeira com os verdadeiros construtores e mantenedores de toda a estrutura social - em todo o mundo.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Perguntas pra se fazer a si mesmo - ou revolução interna.

 Eu vejo o mundo, a realidade, a vida, a sociedade com meus próprios olhos? Ou pelas lentes distorcedoras que me colocam na cara desde a infância e todo santo dia?

O que eu quero da vida sou eu mesmo quem quer? Ou quero o que fui induzido a querer?

Meus valores foram criados, formados, escolhidos por mim ou me foram impostos pelas convenções sociais?

Meus objetivos de vida me satisfazem o espírito ou às exigências sociais pra "merecer" respeito?

Eu me comporto como quero e me satisfaz ou como sou condicionado e cobrado a me comportar?

Dou mais importância ao olhar alheio ou ao olhar da minha própria consciência?

É tempo de mutação e a principal é a interna. É esta que reflete e influencia as verdadeiras mudanças. Sem a revolução interna, somos prisioneiros dos condicionamentos em que este modelo de sociedade é especialista. E incapazes de uma verdadeira revolução social.

Pequeno quadro social

 O Estado, obediente aos poderes econômicos que o controlam - muito além dessa farsa chamada "democracia", o que nunca foi de verdade -, amarra a população com as correntes da ignorância, tranca no quarto escuro da desinformação e ocupa as mentes com o consumismo, a alienação, a superficialização mental, com a cultura do entretenimento vazio e dispersivo. Educação pública sabotada, educação particular com foco na formação de competidores pro "mercado", comunicações dominadas pelos poderes econômicos privados - pra quem o lucro vale mais que a verdade -, formam a estratégia de dominação que conduz a mentalidade geral, em cada classe social, de acordo com esses interesses. Banqueiros e magnatas, que formam a casta do punhado de podres de ricos, dominam os poderes ditos "públicos" e arrancam da maioria - entre a exploração, a pobreza e a exclusão - seus privilégios, luxos e excessos, garantidos pelo próprio Estado e seu sistema de segurança. Suas ricas empresas envenenam as terras, as águas, os ares, os alimentos, enquanto o povo, aturdido, não consegue entender os porquês de tanta dificuldade e sofrimento, desprovido de senso crítico, de informação e consciência social. Roubado em seus direitos humanos, básicos e constitucionais, não tem condições de enxergar as causas de tanta injustiça no mundo. É a partir desse "enxergamento", tomando consciência da realidade, se reconhecendo como base indispensável de toda a estrutura social, que se pode tomar atitudes - no cotidiano - e mudar esse quadro desumano e anti-social implantado de cima pra baixo. É o alicerce que sustenta a pirâmide. E quando o alicerce se movimenta, a casa cai. Caminhamos.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Verdades escandalosas

O ministro da saúde escandalizou vários setores ao dizer que "é preferível morrer a perder a liberdade". No caso, "perder a liberdade" seria ter exigido um cartão de vacinação pra entrar em lugares fechados e cheios de gente. Uma distorção realmente escandalosa, mas que não surpreende nem um pouco. Um ministro aí de educação afirmou diante das câmeras, em público, que a educação superior "não é pra qualquer um", que é só pra elites, mesmo. Os ministros da saúde, que foram trocados vários durante a pandemia que só matar, matou mais de seiscentas mil pessoas. Sequelou outras tantas e deixou centenas de milhares de órfãos que dependiam de seus pais.

O que está sendo dito por essas "autoridades" só espanta por que não é coisa que se diga, apesar de ser a realidade. Todos esses absurdos são ditos pela realidade, pela sociedade, vejo isso há mais de quarenta anos. Não pela boca de ministros, mas sim pela prática cotidiana, no dia a dia do trato entre a população e os serviços públicos - saúde, educação, transporte, saúde, saneamento, moradia, segurança... (todas essas palavras mereciam aspas, porque na realidade não merecem os nomes, por sabotagem institucional de todas). O que no microfone e diante das câmeras causa indignação, me é dito no cotidiano, no dia a dia, esfregado na minha cara pela própria sociedade.

O que a realidade fala pra mim, desde que me entendo por gente, é isso mesmo que esses caras tão falando. Não são apenas bizarrices, absurdos, lamentáveis, inaceitáveis. São revelações, são demonstrações de que os cargos públicos, por mais de mando que sejam, não são os poderes verdadeiros, mas sim dominados por poderes econômico-financeiros, por gente podre de rica, que controla os poderes públicos e os holofotes das mídias - e por isso nunca ou quase nunca aparecem. E o que essas marionetes bizarras dizem é o que seus patrões, seus superiores, essa classezinha podre de rica, entre banqueiros, mega-empresários, financistas e similares pensam. É o que querem, o que impõem às populações e aos territórios, sempre em nome de seus interesses, controle, domínio, saque, exploração e escravidão. Pra isso é necessária tanta ignorância, tanta desinformação, tanto estímulo a egos, a vaidades, a disputas e conflitos.
Este estado de coisas, pouco a pouco, dá sinais e acende luzes sobre as correntes subterrâneas do controle sobre os poderes ditos "públicos", em todos os setores do aparato administrativo, legislativo, judiciário, com os poderes dos meios de comunicação, com a mídia dominante e o "jornalismo" comprado e vendido no mercado das consciências. Cada vez mais claro.
Esse enxergar é como um rastilho de pólvora, se alastrando, pouco a pouco, geração a geração. Num ritmo que vem se acelerando a olhos vistos e com a participação de eventos planetários no processo, produzindo situações que obrigarão à solidariedade como um fator de sobrevivência. Nas periferias já é assim há muito tempo, as dificuldades impõem a solidariedade, no dia a dia, como ferramenta de sobrevivência coletiva. Estão chegando tempos em que será preciso a nível planetário.
Porque a harmonia planetária se impõe e sinto que será alcançada. Se não por escolha coletiva da humanidade, será pelos sacodes catastróficos que se anunciam há muito tempo, anúncios vários, mas pouco vistos, escondidos pela mídia em nome, sempre, dos poderes econômicos. As mudanças climáticas, as secas, as inundações - sem falar no nível do mar, dos vulcões explodindo em todo o planeta, terremotos, mudança no eixo da terra, derretimento das calotas polares -, é cada vez mais difícil deixar de ver. Quem ainda não vê, porque não quer ou porque não consegue, pouco a pouco verá, embora alguns possam morrer negando. O período de aparente desarmonia, de tragédias, migrações e sofrimentos variados é parte da fermentação, da pressão nas mudanças necessárias em todos os campos, em todas as áreas. Em todo o planeta.

Agoniza um modelo social. Em sua morte vai estar formado o embrião de um outro modelo que nascerá, pouco a pouco, a seu tempo. Com as coletividades lapidadas em dificuldades e superação, solidárias, fraternas, generosas, com mais espírito de família irrestrita. Mas isso é pra gerações mais à frente, o privilégio e a necessidade agora é trabalhar neste sentido, como tantos ao longo de toda a história da humanidade.
Está próximo, vejo as primeiras luzes do amanhecer, depois de uma noite fria, tempestuosa. A percepção de que o dia vai amanhecer me dá a certeza da manhã. Se não vou estar mais ao amanhecer, verei cada momento clarear, pouco a pouco, e a certeza de que o sol está chegando me conforta. Quero ser só um bom passo no caminhar permanente da humanidade em direção ao sol.
As autoridades de agora serão esquecidas, talvez lembradas apenas nos livros escolares de história, com espanto, horror e repulsa. Pra se ter como lição, no aprendizado da sabedoria coletiva, dos saberes históricos sobre a formação das coletividades. Serão um pé de página, diante de figuras históricas de muito mais luz, hoje escondidas, mas que então já serão reconhecidas - não como ídolos, mas como referências, sem nunca abrir mão do senso crítico. Sem confundir, como é frequente, senso crítico com julgamento. Nem com chatice, com encheção de saco inútil.

Chove na montanha, não pude descer pro terreno. Há um alicerce pra terminar, há um barraco a construir. Mas estava chovendo, fiquei vendo coisas no computador, acabei escrevendo esse texto. Agora parou de chover. Já posso dar continuação lá.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Eleições, a farsa

 Aberta a temporada da farsa eleitoral. Dançam as marionetes, jogam os poderes subterrâneos, parasitas podres de ricos movem suas peças no tabuleiro. Os holofotes das mídias empresariais armam suas mentiras e distorções, contando tranquilas com a ignorância, a desinformação, a superficialidade mental implantadas minuciosamente sobre a sociedade como um todo. O bradesco demitiu, só esse ano, nove mil funcionários, sob o silêncio do jornalismo vendido. Os banqueiros se compõem, entre patrões estrangeiros e cúmplices nacionais, contra o povo, como sempre. Os candidatos se compõem com as mentiras sociais, caladinhos quanto aos verdadeiros poderes, econômico-financeiros. Ninguém menciona os mega-corruptores, mas são todos "contra a corrupção". A miséria, a exclusão, o desabrigo, a fome, a sabotagem da educação e da informação continuam provando a falcatrua institucional, os crimes da administração pública contra seu próprio povo, dominada pelo punhado de parasitas sociais, descendentes dos grandes senhores de escravos, brancos, colonizados, que admiram os colonizadores, os saqueadores estrangeiros, se sentem como eles, europeus e estadunidenses. E que desprezam o povo brasileiro e o desenvolvimento verdadeiro da sociedade, entregando de bandeja as riquezas do território ao saque mega-empresarial, ao envenenamento das terras, das águas e dos ares pelos agrotóxicos, pelos metais pesados da mineração, pela criação intensiva de gados.

Triste situação em que o povo tem que escolher entre capatazes, a serviço de patrões ocultos, senhores feudais da "fazenda Brasil". Entre eles, aquele que conhece a miséria, a exclusão, a sabotagem social é o único que ainda mantém a solidariedade com o povo, porque sabe o que é fome, sabe o que é viver aglomerado e sem direitos, porque passou pelo sofrimento da maioria. Quem passa pela miséria pode até sair dela, mas nunca vai esquecer. É o capataz bonachão, que não gosta de torturar, que aproveita os pequenos espaços de atuação livre de controle pra atender minimamente às necessidades extremas da população. Não há opção. Nenhum outro candidato a capataz tem essa sensibilidade. A esperança é a de que, passados quase dois anos na reclusão de uma cela, ele tenha percebido mais profundamente o que acontece na geopolítica mundial e no controle econômico-financeiro das políticas locais. Que tenha percebido a necessidade de informar a população sobre a realidade por trás dos holofotes, a necessidade de instruir de verdade, com outro modelo de educação, humanista e não empresarista. Que tenha percebido a necessidade de retirar o controle das comunicações das mega-empresas traidoras da população, distorcedoras da realidade, criadoras de alienação e superficialidade mental, de valores falsos, indutoras de vaidades e egoísmos, ferramentas nefastas na criação de condições pra golpes de Estado, como temos visto de sobra ao longo da história recente - assista-se ao documentário "O dia que durou 21 anos", baseado em fatos reais e documentos brasileiros, mas sobretudos, estadunidenses, publicados em 2004 de acordo com a lei deles lá, de publicar todos os documentos secretos depois de quarenta anos de segredo (para os distraídos, de 1964 a 2004 se completaram 40 anos do golpe "militar").
A farsa eleitoral está sendo encenada. O capataz camarada não é desejado pelos "donos da fazenda" e todo o aparato midiático, publicitário e ideológico está armado pra impedir sua "eleição", porque ele é muito escorregadio e difícil de controlar por completo. Ele é experiente e sabe cumprir suas funções de servir aos patrões, mas aproveita todas as brechas pra investir em direitos básicos pra maioria da população - o que é um risco pro controle social pelo menos a médio e longo prazo, por criar, pouco a pouco, condições de percepção da realidade, através das gerações.
A única opção apresentada é a do "pelo menos". A turma dele e a que o apóia continua arrogante e distante, sem respeito verdadeiro pela população, programados pelo próprio sistema social a olhar com superioridade pros sabotados sociais, sem perceber a enorme força da sabedoria, a superior capacidade de superação de dificuldades, a solidariedade incorporada como ferramenta de sobrevivência coletiva, mantendo as ilusões de comandar o povo, de "organizar os trabalhadores", de "conduzir as massas" e outras balelas teóricas, acadêmicas, exercendo sem perceber os condicionamentos sociais induzidos nas escolas de "nível superior".
Mas vamo que vamo, é um passo depois do outro e a caminhada não tem fim.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Transcomunicação - já ouviu falar?

Transcomunicação é a comunicação entre dimensões diferentes. Nesse caso se trata de comunicação com a espiritualidade além da matéria densa como a conhecemos. Entre "vivos" e "mortos" - entre aspas porque, afinal, permanecemos todos vivos em dimensões de freqüências diferentes. Dei uma olhada no saite da Rede TCI Brasil e trouxe esse texto deles lá, sem autoria declarada.


"A palavra Transcomunicação é a combinação contraída dos vocábulos Transcendental + Comunicação.

A expressão foi concebida na Alemanha, nos anos 80, pelo físico, engenheiro e prof. Dr. Ernst Senkowski. Transcomunicação é um neologismo, que ainda não é encontrado em nenhum dicionário, muito embora já exista o termo Trans, através, para além, além de. Seria difícil encontrar uma outra denominação que melhor definisse essas comunicações transcendentais.

Usa-se, entretanto, esta terminologia de origem europeia, também para designar todo e qualquer tipo de comunicação entre mentes encarnadas e consciências sem corpos do plano extrafísico. Vale dizer que as comunicações mediúnicas obtidas através dos médiuns e conhecidas como psicofonia, psicografia, materializações, os fenômenos de voz direta ou de efeitos físicos, etc., constituem um importante grupo de transcomunicação. Mais precisamente: Transcomunicação Mediúnica.

Mas, por que introduzir essa “complicação”, se os velhos e consagrados vocábulos – médium, mediunidade, comunicação mediúnica, etc. – já funcionam tão bem? A razão dessa aparente sofisticação está na necessidade de se criar uma nomenclatura adequada ao desenvolvimento tecnológico da comunicação com os Espíritos.

É que, de uns tempos pra cá, vêm sendo obtidas comunicações tecnológicas diretamente por meio de aparelhos físicos, eletrônicos, sem a intermediação humana, a não ser em alguns casos, para melhor viabilizar a comunicação. A essa categoria de comunicações dá-se a denominação de Transcomunicação Instrumental, com o objetivo de evitar ampliação semântica de difícil entendimento. A nova nomenclatura resulta, portanto, em ordem e simplificação, dando maior precisão e entendimento aos vocábulos.

Neste portal, estamos nos detendo especificamente na Transcomunicação Instrumental, uma vez que sobre as outras formas já existe farta informação a respeito."


Tá chegando o tempo da ciência "descobrir" a espiritualidade, comprovando cientificamente, através de aparelhos e comunicações diretas. Esses aparelhos fariam contatos bem mais claros do que os mediúnicos. E com o seu inevitável desenvolvimento tecnológico poderíamos conversar com nossos ancestrais que já passaram pelo portal da morte. Imagino que seria preciso marcar hora, há muito o que fazer sempre, né, tanto aqui quando lá, imagino eu. Pelo que li em psicografias, trabalho não falta na espiritualidade - ainda bem, desde criança a idéia de ficar em eterna beatitude, sem fazer nada além de entoar cânticos ouvindo harpa e olhando pra sempre a face de Deus me pareceu estranha, meio apavorante. Por mais divina que seja a face, eternamente não dá. Pensava, mas não dizia, por medo de ser chamado de herege.

Sempre senti a espiritualidade e não me surpreende o desenvolvimento desses aparelhos. Diante da descrença eu silencio, mas na vida tive uma quantidade incontável de "inexplicáveis", "acasos" e "coincidências" inacreditáveis, sem falar nos "casuais" convites pra ir a sessões mediúnicas, de raro em raro, mas que davam em toques, esclarecimentos, recomendações, avisos sempre valiosos. Sei que taí, apenas não tento entender muito, aceito e aprendo a tratar, a partir da relação comigo mesmo. Sei que tô de passagem, tenho muito a aprender e funções a cumprir no meio da família planetária, ainda que só à minha volta e dentro do meu pequeno alcance.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

O sistema se descara

A demonstração do banqueiro - que manda nas autoridades públicas, dá "aulas" sobre a "independência" do banco central ("independência" do governo, controle criminoso dos banqueiros sobre as políticas públicas) - precisa ser melhor avaliada. Se levamos em consideração esse controle, ele se estende por toda a sociedade e por todas as políticas públicas - já sabemos o que acontece com governos que escapam, por pouco que seja, a esse controle. Que alcança o modelo de educação - competitiva e voltada ao mercado de trabalho -, domina as comunicações - criando valores, comportamentos, usando psicologia do inconsciente e de massas, antropologia, sociologia, pra induzir mentalidades e "opiniões públicas" deformadas, superficialidade, alienação e entretenimentos, distorcendo a realidade sempre a favor de interesses econômicos, a partir dos banqueiros até os grandes empresários e demais podres de ricos. Que transforma arte e cultura em produtos de consumo, em alienação e entretenimento.
A partir desse controle se entende a superficialidade mental, a ignorância - mesmo "instruída" -, o ódio estimulado, o controle mental, as injustiças sociais, a miséria, a fome, o desabrigo, o abandono, de um lado, e a exploração extrema, a escravização, a vida corrida, sofrida e sem sentido de verdade, do outro lado, pra maioria esmagadora da população. É preciso um trabalho interno, profundo, feito com sinceridade e profundidade, no questionamento dos próprios valores, da própria visão de mundo, dos próprios objetivos de vida, dos próprios desejos. A sociedade nos impõe padrões desumanos de existência, impõe a cegueira sobre as raízes da realidade, a indiferença diante das injustiças expostas, impõe a responsabilidade da miséria aos próprios miseráveis. Culpar as vítimas é uma velhíssima estratégia pra justificar a perversidade social.
A compreensão do domínio banqueiro-mega-empresarial explica as mazelas sociais, a desumanidade, a destrutividade, a violência do Estado, a criminalidade e as mentiras necessárias à manutenção dessa estrutura de sociedade onde o poder público está dominado, influenciado, pressionado, controlado pelos poderes econômicos de um punhado podres de ricos, parasitas do patrimônio público e das riquezas da nação, na exploração e no prejuízo das populações.
É preciso reconhecer que, por mais "progressista" que se considere, ninguém está imune ao profundo e permanente trabalho de enquadramento mental, às induções e condicionamentos aplicados profundamente a cada área da coletividade social. Ou se faz o trabalho íntimo, interno, no inconsciente, ou se reproduz condicionamentos, inconscientemente, inclusive a programação da insatisfação com as injustiças de forma a tornar os movimentos que se pretendem revolucionários inofensivos, incapazes de sequer ameaçar a estrutura social. A arrogância e a subalternidade, os sentimentos de superioridade e inferioridade são programações sociais, insidiosas, subliminares, que impedem ou, no mínimo, dificultam a verdadeira solidariedade. Esta sim, a solidariedade plena, é a base de uma revolução social profunda e integral. E de uma sociedade em harmonia, sem fome, desabrigo, miséria, abandono, ignorância e desinformação.

domingo, 24 de outubro de 2021

Morte, espiritualidade, transição (ou não)

 

Qual é o problema com a palavra morrer? Por quê se diz "perder a vida"? A gente perde é carteira, chave, documento, coisas. Dá pra ajudar alguém que perdeu a vida a procurar em algum lugar que ela tenha esquecido? Quando se morre não se perde a vida, se muda de dimensão. A idéia que a morte é uma tragédia, uma desgraça tá equivocada. Morte é conseqüência de nascer. Tudo que nasce, morre. Porta de entrada, porta de saída, a vida é o caminho entre uma e outra. Simples assim. Não se "perde" ninguém, a não ser de vista. "Perdi meu pai", "perdi minha mãe", a gente escuta por aí. Eles não tavam aqui quando tu chegou? Vivendo há tempos, antes de tu nascer? Estarão lá, quando chegar a hora de tu morrer. Porque todo mundo morre.

Em vários momentos da minha vida pensei que tinha chegado minha hora. “Então vai ser agora” ou “então é desse jeito”, passava rápido na minha cabeça. Uma interferência inesperada, um acontecimento, uma arma que masca e não atira, um poste no caminho do carro desgovernado, um “acaso”, um “aviso”, uma “coincidência”, um “inexplicável” surgia na hora agá e livrava a situação. E, como se vê, minha hora não chegou. Ainda.

Chegará, sem dúvida, e seria bom se houvesse desejo de boa viagem, em vez de lamentos, comemoração por uma vida bem vivida, um pequeno passo bem dado no caminhar infinito da humanidade. Nada de lamúrias e lamentações, que se contem histórias, que se relatem vivências, que se reflita, que se emanem bons sentimentos, bons desejos. Que se agradeça pela vivência. Uma festa de despedida, não um velório.

Que os frutos espalhados por aí sejam cuidados, sem a ilusão da permanência, mas que durem o máximo possível. Em couro, em madeira, em metal, em telas, em papel, em camisas, em ímãs, em livros, livrinhos feitos à mão, fanzines, por último em vídeos, esses não por grana, pelo menos ainda. Se encontrar uma forma que não me ofenda a consciência, sem dúvida faço uso. Mas não penso muito nisso, continuo produzindo e vendendo meus desenhos e tudo o mais, agora vendendo mais que antes.

No pequeno período universitário – menos de um ano – eu comecei a ser ateu, não convicto, mas negando toda a religiosidade que me cercava. Não durou muito – pouco mais do que o tempinho acadêmico –, fui me sentindo meio ridículo nas andanças periféricas e nas ruas das cidades, tanto diante de evidências espirituais quanto por me ver fazendo a mesma coisa que as religiões – afirmando o que não sabia. Então pude vivenciar espiritualidades diversas, desde doutrinas rígidas hierarquizadas até a mediunidade frilance, paga, retribuída ou não, de graça. Perceber um intercâmbio variadíssimo entre as dimensões, não duas – a visível e a invisível – mas muitas, além da material em que estamos, e todas materiais em sua freqüência, imateriais entre si. O que Einstein chamou de pluriverso.

Assim passei a ver espiritualidade em tudo, em qualquer lugar, em todo mundo, nos bichos, nas plantas, nas pedras. Não com a razão, mas com a intuição, o sentimento. Sentia mais que sabia – consciente já de que estava aprendendo o tempo todo, de acordo com meu próprio interesse, disposição, atenção e humildade. Aprendia só o que era capaz e sabia ser muito pouco pra sair tirando conclusões além da minha capacidade de compreensão. E sentia espiritualidade em tudo, mesmo sem entender.

A gente aprende de acordo com as próprias condições e não adianta querer explicar o ainda inexplicável, compreender o ainda incompreensível e alcançar verdades ainda inalcançáveis. Mais útil seria se aplicar no desenvolvimento do agora, aprender o que podemos aprender e aplicar o que já sabemos, porque é o que precisamos pra seguir adiante no processo. À medida em que aprendemos, aumentamos a capacidade de compreensão, de transformação e assimilação de novos conhecimentos, novos valores, novos comportamentos e novas relações.

Trato com a espiritualidade sem racionalizar muito. Sigo o que sinto e me sinto melhor assim. Sob a vigilância de uma consciência atenta, de quem nada está escondido, embora ela mesma possa esconder muita coisa nas profundezas do inconsciente. Não tenho pressa. Quando passar pelo portal, aí sim vou ter que tratar diretamente com outras dimensões. Por enquanto me relaciono com elas através dos sentimentos, dos pensamentos, dos desejos, do caráter, das ações e relações no dia a dia. Acho que todo mundo, a maioria inconscientemente, cada um à sua maneira, se relaciona com a espiritualidade.

Há previsões – mediúnicas e científicas – de que, afinal, a ciência vai comprovar a existência da realidade entre dimensões. A física quântica me parece um grande passo nessa direção. Assim como a existência de civilizações pelo universo todo, as mais variadas. Dizem que vamos desenvolver aparelhos pra conversar com parentes que tínhamos por “mortos”, perdidos pra sempre. Que haverá intercâmbio com outras orbes planetárias, na verdade sempre houve, mas agora de forma direta e consciente. O desenvolvimento é permanente. A “ciência oficial”, que sempre se pôs como dona das verdades, ao longo da história foi obrigada a voltar atrás e reconhecer erros inúmeras vezes. Mas não aprendeu ainda e continua arrogante.

Período de transição planetária. O mundo se modifica, terremotos, tempestades, vulcões, tufões, maremotos, gelos polares derretendo, nível do mar subindo, temperaturas variando como nunca, desertificações, migrações em massa, virão  mudanças geo-políticas, sociais, comportamentais. As mutações no mundo obrigarão a mudanças radicais nas relações sociais e com a natureza, a solidariedade será uma necessidade de sobrevivência, a humildade será uma ferramenta de aprendizado. Agoniza um modelo social, outro surgirá das ruínas. Um trabalho intenso e conjunto com níveis de espiritualidade além da nossa precária concepção.

Posso estar errado em tudo isso? Posso, claro. É possível que a gente morra e puf, tudo acabe, vira nada? É sim, admito. Mas não acredito. Não é o que sinto – e sei que não é nenhuma necessidade de permanência ou pavor de desaparecer. Se fosse assim mesmo, não me importaria muito. Nada mudaria, continuaria a viver como vivo, porque é assim que gosto. Só não posso acreditar nesse nada, vi coisas demais além da minha capacidade de compreensão, vi manifestações precisas, recebi recados e avisos cruciais, ouvi coisas impressionantes, passei por “acasos” e “coincidências” impossíveis. Respeito todas as opiniões, mantendo a minha. Ela não se baseia só na razão mas, sobretudo, no sentimento e na intuição.

Pra encerrar uma discussão com um amigo ateu – não entendo essa necessidade de por idéias pra brigar, não tenho nenhuma necessidade de “defender” o meu ponto de vista. Posso explicar, esclarecer como vejo, como penso, como sinto, sem afirmar ser “o certo”, o que supõe estarem “errados” todos que não concordem – voltando, pra encerrar a conversa, disse a ele que tinha uma vantagem sobre ele. Se eu tivesse razão, poderia falar com ele “taí, mané, não te disse?” Já se a razão estivesse com ele, não poderia dizer nada. Brincando, discussão encerrada. Nessa área, disputar quem tá certo ou errado é pura perda de tempo. O certo e errado vai se mostrar é no comportamento, na atitude, nas práticas e relações cotidianas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Combustível, privatização e jornalismo

Jornalistas especializados dizem que o preço da gasolina é menos o imposto estadual apontado como responsável e mais “as políticas de preços da Petrobrás”. Superficialíssimas análises. Embora seja verdade que os impostos estaduais não têm nada a ver com as altas de preços, pelo simples fato de que são os mesmos há décadas, a expressão “política de preços” esconde a raiz do problema.

A Petrobrás sempre incomodou os poderes externos, as mega-petroleiras internacionais, desde a sua criação (até antes, quando era só uma idéia) mas, sobretudo, nesses tempos de pré-sal e fartura de petróleo em território nacional – que a mídia empresarial tratou de omitir, esconder e, na impossibilidade, diminuir e desqualificar. Coincidentemente, foi quando se reativou a quarta frota dos Estados Unidos, e navios de guerra começaram a ser vistos das plataformas de petróleo próximas a Santos. Depois do golpe de 2016, o presidente da Petrobrás foi trocado por um sujeito que nunca foi petroleiro, com a função de retalhar a estatal*. Durante o governo Temer, a maior parte das refinarias – que produziam todo o combustível necessário ao funcionamento do país – foi vendida ou paralisada, toda a tubulação que trazia gás da Bolívia foi vendida, num processo de amputação que ainda continua. A última foi a distribuidora de combustíveis BR, com toda a sua infra-estrutura de transporte e serviço nos postos. Deixando de produzir o necessário ao funcionamento do país, o que era feito pela Petrobrás, foi preciso importar esses derivados a preços internacionais. Agora os combustíveis baseiam seu preço no dólar e é isso que provoca as altas seguidas, afetando o preço de praticamente tudo. A presidência e a política atuais da Petrobrás têm a missão de destruir a força descomunal da empresa. Ordens de fora.

Por quê será que o “jornalismo” aponta como causa dos aumentos as “políticas de preços da Petrobrás”? Uma expressão vaga, que não explica nada, não vai às causas e evita o entendimento, bem de acordo com os interesses corporativos e mais um crime contra a informação, na “política” de manter a desinformação geral. Assim fica fácil, pros ideólogos sociais de consciência vendida, convencer a população dos “benefícios da privatização”. Todas as privatizações que pude observar, e não foram poucas, causaram desemprego, chamado de “enxugamento”, aumento nas tarifas,  alegados “ajustes” e “correções”, e piora nos serviços, pela terceirização – que é entregar os serviços antes feitos por funcionários de carreira a pessoas sem preparo, de baixos salários, extremamente exploradas, pressionadas com crueldade e ameaçadas de demissão o tempo todo. As promessas antes de cada privatização se diluem com rapidez e a omissão criminosa do “jornalismo” corporativo esconde as conseqüências nefastas pra população. Tragédias e sacrifícios decorrentes jamais são ligados às suas verdadeiras causas. Os “benefícios da privatização” são benefícios só pros mega-empresários e seus acionistas podres de ricos, que não dependem do serviço que eles próprios “oferecem” ao povo.

*Creio que é dessa época o tal projeto de emenda constitucional (PEC) que mudou o artigo determinando que o presidente de uma estatal teria obrigatoriamente que ser um funcionário de carreira da mesma estatal, apenas acrescentando uma vírgula e incluindo a frase “a não ser por determinação do presidente da república”. E o presidente da república traíra da ocasião , fruto do golpe que ele ajudou a planejar e executar – somando com a mídia corporativa, os poderes econômicos estrangeiros e as elites internas e cúmplices, colocou a presidência da Petrobrás nas mãos de quem as petroleiras e banqueiros internacionais determinaram. A partir daí, um após o outro, nenhum presidente da Petrobrás foi funcionário da empresa. Mas a missão é a mesma, reduzir a Petrobrás a um escritório administrativo, amputar e esquartejar ao máximo suas partes lucrativas, “vendendo” pra empresas várias, nacionais e, sobretudo, estrangeiras. A imprensa corporativa, o jornalismo de consciência vendida, esconde, papagaiando razões falsas, sem relação com as raízes verdadeiras do problema.

“O mundo tem condições de produzir tudo o que é necessário às necessidades de todos, mas não o suficiente pra atender às ambições de alguns poucos”.      Mahatma Gandhi

Tempos de pré-eleição e evolução planetária

 Os donos do dinheiro se preparam, grandes bancos, mega-empresas afiam seu monitoramento, é preciso se manter no controle, manter ou, de preferência, aumentar o seu poder de pressão sobre os poderes ditos “públicos”.

O judiciário, com seus salários enormes e poder social incontestável, já está devidamente afastado da população em geral e sua realidade, artificial e irresistivelmente inflados em seus sentimentos de superioridade. “A justiça é como a serpente, ataca de preferência os descalços”, como disse Galeano. Assim os interesses econômico-financeiros, tradicionalmente anti-sociais, garantem a conivência e a proteção da "justiça", a impunidade na prática cotidiana de crimes contra a população, principalmente a mais pobre.

Agora é a vez do executivo, "eleição" do governo central, a cabeça da hierarquia estatal nas decisões da "cúpula" do Estado. Os lobistas, correias de transmissão dos poderes econômicos, circulam nos corredores estatais, reforçam seus apoios institucionais, carregando as forças das mídias empresariais sempre em defesa dos interesses desses poucos podres de ricos, sempre em prejuízo da população em geral e dos direitos de imensa parcela, sempre sabotada, enganada, explorada, iludida, alienada das decisões que afetam sua vida.

Mal sabe a população que é no seu comportamento condicionado, nos seus valores induzidos, nos seus desejos e objetivos programados, impostos pela educação empresarista, pelo massacre publicitário-marqueteiro – entre a sedução e a ameaça – e pelo falso jornalismo dos interesses econômicos – consciências profissionais vendidas por altos salários e privilégios sociais – que se baseiam os pilares desse modelo social injusto, perverso, covarde e destrutivo.

A sociedade é como é porque nós consentimos, sem perceber, exercendo a vida como é induzido, assimilando os falsos valores do excesso, do consumo desenfreado, na atenção e na intenção postas na matéria, na propriedade, na riqueza como objetivo de vida, como se a vida não acabasse. Pra isso a morte é concebida como uma tragédia, uma desgraça que “não vai acontecer” (a não ser num futuro remoto que, sideusquiser, nunca vai chegar), e não uma simples conseqüência de ter nascido, um acontecimento natural pra onde tudo o que vive se encaminha, seja fungo, planta, bicho ou gente. Da porta de entrada até a porta de saída, a vida é uma passagem. Minha razão, por algum tempo, negou a existência antes do nascimento e depois da morte. Mas o meu sentimento se impôs, diante de acontecimentos e percepções – nascimento de filhos, observação do desenvolvimento de crianças, assuntando a velhice avançada e a visão da vida das pessoas mais velhas que encontrei, em contatos com “entidades incorporadas” no candomblé, na umbanda, no kardecismo, em linhas espiritualistas independentes e das mais diversas – e, com o tempo, a convicção se fez como certeza intuitiva. Não se começa ao nascer, não se acaba ao morrer. Minha razão acata meu sentimento. E não se mete a entender, muito menos a explicar, a não ser através da intuição, que não precisa atender às exigências da lógica. Até por ter a humildade de reconhecer a própria ignorância, as limitações do conhecimento, do alcance e do entendimento.

Da mesma forma que sabemos hoje o que não sabíamos ontem, amanhã saberemos o que não sabemos hoje. A ciência, que sempre se arrogou dona das verdades, foi obrigada pelo tempo a reconhecer erros e fazer correções inúmeras vezes. Esse processo não termina, embora a arrogância continue, e é de se esperar sempre novos reconhecimentos de erros, correções e descobertas, num caminho sem final, sem chegada, de aprendizado e evolução coletivos. Negar obstinadamente o que não está comprovado cientificamente chega a ser ingenuidade. A ciência não chegou a seu termo, não tem conclusões finais sobre tudo – embora muitos tenham essa pretensão –, há muito a se descobrir, a se corrigir, a perceber e desenvolver. O caminho do desenvolvimento geral, sobretudo da consciência, é um caminho do qual não se vê o fim. Aqui do meu pequeno alcance me parece permanente.

Uso a imaginação pra daqui a mil anos, dois mil, e vejo a integração com a realidade universal, o contato com outras realidades planetárias, no desenvolvimento da consciência pra além da harmonia social que ainda estamos por construir. No contato com outras dimensões da realidade, já praticada por muitos, mas ainda não reconhecida pela “ciência oficial”. Tenho a intuição de que quando alcançarmos o patamar de sociedade sem abandonados, sem escravidão – e não tenho a ilusão de que esse passo se dê com poucas gerações e muito menos no tempo de uma vida, muito trabalho ainda por fazer – e nos tornarmos a família humana e planetária que somos e ainda não exercemos, não tomamos consciência, teremos percepções e desenvolvimentos além do que a maioria imagina ou acredita.

Ao mesmo tempo vejo o planeta dando sinais cada vez mais numerosos e intensos. Por mais que os geógrafos e geólogos digam que todos esses movimentos são naturais e sempre ocorreram, não me lembro de tantas convulsões ao mesmo tempo, terremotos, vulcões, tempestades, furacões, secas, neves e incêndios onde nunca tinham acontecido, migrações em massa e profecias se cumprindo. Parece mesmo que se aproxima “o fim do mundo”, pra quem está atento aos acontecimentos mundiais. E é mesmo um fim de mundo que se aproxima, entendendo por “mundo” as formas sociais em que vivemos. Um modelo social entrando em agonia de morte, prenúncio do nascimento de outro modelo, mais humano e solidário pela necessidade de sobrevivência, de superação das dificuldades que vêm se anunciando há muito tempo e que agora se apresentam e, pelo jeito, vão se apresentar cada vez mais. Não há retorno. Nem haverá um momento preciso de mutação, um ponto no tempo onde tudo vai mudar.

A mudança é permanente e, por mais que o momento seja intenso, de pressão, ainda assim leva gerações esse “momento”. É preciso serenidade e visão de médio e longo prazo – exatamente o contrário da visão imediatista a que a sociedade induz – pra perceber o processo multi-milenar no caminhar da humanidade e do planeta no tempo e no espaço. Minha satisfação – e não me dou o direito de cobrar de ninguém – é me colocar a serviço nesse processo, dentro do meu pequeno alcance e no máximo das minhas possibilidades. Pra mim, é assim que a vida vale a pena.

Eduardo Marinho – 13/10/2021

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Desprezo não diminui ninguém

 Muitas vezes vi meu trabalho ser desdenhado, desprezado, desqualificado, com olhares, posturas ou diretamente mesmo, com palavras e olhos nos olhos. Opiniões desprezadoras, desqualificadoras, costumam vir acompanhadas de agressividade, essa foi uma das lições do mangueio. Eu, como desqualificado social, vendendo artesanato de mesa em mesa, bar em bar, ouvi muitos insultos de pessoas que consumiam nos bares, garantidos como clientes. Eu sabia que se arrumasse problema, não poderia mais entrar naquele bar. E era um circuito de bares que eu fazia, pelas ruas na noite. Então aprendi a reagir de outras maneiras, sem agressividade. Entendia o insulto, às vezes vinham de pessoas típicas da classe onde eu havia nascido, era fácil entender os mecanismos mentais dessas pessoas. Elas que não percebiam com quem estavam tratando, supondo uma inferioridade social que pra mim era claramente falsa, e se surpreendiam com meu trato de igual pra igual, mesmo com todas as diferenças sociais visíveis ali, evidentes. Aprendi a dizer verdades com delicadeza, pra não provocar reações violentas, ao contrário, desfazendo essas possibilidades. E assumir eventuais prejuízos com serenidade, refletindo em como evitar acontecer de novo, o que me passou sem que eu percebesse, o que eu não vi que poderia ter evitado. Eu gostava do meu trabalho e desvalorizações vinham de mentalidades que não me importavam, os que gostavam eram poucos, pero buenos.

Uma vez, num bar da avenida do contorno, talvez esquina com o início da avenida Brasil, em Belzonte, noite de sexta pra sábado, parei mostrando meus brochinhos a um grupo que ocupava uma mesa tripla, na calçada - nesse tempo as mesas eram acessíveis ao mangueio, hoje é tudo fechado, com seguranças pra não deixar abordar -, algumas pessoas estavam olhando, gostando, comentando as idéias, os desenhos, gravados em relevo na chapa de metal. Um camarada do grupo, que estava na outra parte da mesa, se aproximou, olhou os trampos, ouviu as conversas, eu explicando como fazia, desacreditou. "Eu sei onde cê compra isso lá em São Paulo, vim de lá ontem, vi esses brochinhos aí mesmo", apontando pro meu painel. Todo mundo me olhou constrangido, o cara tinha explicitamente me chamado de mentiroso. Eu ri, disse pras pessoas em volta "eu vou tomar como um elogio" e olhei pro cara. Os olhares eram meio desentendidos. Estendi a mão cheia de calos e disse, sorrindo ainda, "cê acha meu trabalho tão bom, que é impossível que eu faça à mão, né isso? Por isso que tá mentindo, dizendo que viu em São Paulo. Esses calos na minha mão devem ser de coçar o saco, né não?", ri de novo, olhando pras pessoas. "Eu é que sei se faço ou não faço, qualquer idéia é livre, todo o respeito." Ele fez um olhar meio confundido, eu completei, "te agradeço o elogio". E fui saindo, já tinha vendido, recebido e encerrado as ligações. "Valeu, pessoal, tô seguindo na lida", acenei, recebi os acenos de volta e segui mesmo, pra outras mesas e outros contatos. As lições eram todo dia, muitas mais do que eu podia absorver. Guardei algumas. Nas memórias profundas, do inconsciente, devem estar todas.

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.