domingo, 16 de outubro de 2011

Manifestações por um mundo melhor




As manifestações deste 15 de outubro, pelo mundo afora, tiveram muito mais atividade nas áreas de origem e arredores das fontes do desequilíbrio global, os grandes bancos internacionais e mega-empresas multinacionais, que hoje ditam as políticas públicas com suas ligações viscerais com a administração pública, os poderes visíveis das sociedades. Aí os manifestantes apontam na direção do poder real, denunciando seus crimes cotidianos contra as maiorias e, em alguns pontos “mais distantes” do planeta, promovendo sofrimentos desumanos a populações inteiras, por conta de interesses empresarias em lucros, controle e poder de poucos, dentro da coletividade humana.

Na América Latina, as manifestações foram esvaziadas de significado pela força da mídia porta-voz e defensora do poder empresarial, apontando como responsáveis pela corrupção a ponta fraca, os corruptos, os políticos e administradores públicos, sem jamais apontar na direção do corruptor, as grandes empresas, ou melhor ainda, seus donos, as pessoas que manipulam o poder público com os financiamentos de campanhas e inúmeras outras formas de pressão, com seu poder econômico, em prejuízo de enormes parcelas da coletividade humana.

O corrupto tem prazo marcado, pode renovar ou não seu posto ou mesmo trocar de posto, numa ciranda já estabelecida nos cargos e poderes públicos. O corruptor, ao contrário, financiador dos elementos mais perniciosos aos direitos gerais, no mais das vezes já corrompeu mandatos anteriores e continuará corrompendo, pressionando, boicotando, conspirando, sempre no sentido de manter e ampliar seus poderes e privilégios sociais, explorando o trabalho alheio, desviando funções públicas em seu benefício, como já fizeram seus antepassados e como seus filhos continuarão fazendo, assim pretendem, ao longo do exercício do poder dito público. Não é à toa que a dívida pública – que o público não imagina como foi feita e da qual nunca viu nenhum benefício – leva quase a metade do orçamento do país (já levou mais) só como pagamento dos juros e “amortizações” dessa dívida que nunca foi explicada e que passou por uma CPI de fachada boicotada pela mídia, que não divulgou os entraves postos no caminho das investigações desse desfalque monstruoso no orçamento de uma sociedade com tantos milhões atirados ao abandono educacional, sanitário, trabalhista, enfim, uma coletividade com tantas necessidades prementes e não atendidas, apesar de serem obrigações constitucionais do Estado.

Não me admira o fracasso dessas manifestações em nosso continente, apesar de haver exceções, como o Chile, em meio a uma ebulição política que favorece a reflexão, a consciência e a participação em todos os atos de contestação ao modo vigente. A tendência das “lideranças” que observo é a do arrebanhamento, muito poucos se dispõem a conscientizar de verdade, se conscientizando ao mesmo tempo, pra manter a humildade e não expor uma postura de “sigam-me, eu sei a verdade”, tão ridícula quanto ineficaz. Percebo uma sensação de escaldamento com guias e líderes. Creio que o povo precisa menos dessas figuras e mais de consciência. E que ninguém está acima de ninguém nesse trabalho e que quem sabe mais tem maior responsabilidade e não superioridade pessoal. Que desça do seu pedestal e caminhe no meio do povo, aprendendo sua linguagem pra poder comunicar o que sabe, sem cobrar conhecimentos que foram intencionalmente negados à maioria. Se alguém não percebe o condicionamento implantado no inconsciente que dá origem à sensação e busca de superioridade pessoal sobre os demais, seja materialmente, intelectualmente, espiritualmente ou de qualquer forma, sua atuação ao invés de revolucionária servirá de reforço da farsa montada como democracia, berrando sua oposição, seus insultos e seus protestos, de forma inofensiva ao sistema, desagregando ao invés de agregar, formando rebanhos ao invés de consciências, trabalhando no modo pastores e rebanhos e simulando democracia como a própria sociedade, na estrutura em vigor.


                                                                                                                             Eduardo Marinho





Indignado: Resumo Notícias de sábado 15 de outubro (+ Fotos e Vídeo)
OUTUBRO 15, 2011 

Incidentes em Roma, durante a Marcha Mundial das "indignados"

Centenas de jovens confronto com a polícia em Roma.  Foto: Reuters
Centenas de jovens confronto com a polícia em Roma. Foto: Reuters
O Roman Plaza San Juan de Letrán, ponto de chegada do movimento italiano contra os ajustes aplicados por Silvio Berlusconi e os governos da Europa em crise, de repente se tornou um campo de batalha. Polícia e manifestantes reprimidos respondeu atirando pedras de pavimentação e granadas de fumaça contra a patrulha.
Foram registrados cerca de 70 feridos. Outro grupo de pessoas foi para um anexo ao Ministério da Defesa, perto do Coliseu, e queimados na testa, bem como dezenas de carros. Enquanto isso, em diferentes países foram mobilizados para os principais edifícios do poder financeiro e político, sob o lema: "A partir de indignação para a ação. Nossas vidas e os seus benefícios. "
As três principais confederações sindicais e os sindicatos de estudantes juntou-se à demonstração, inspirado no "indigno" de Madrid. "Uma solução, revolução" "Nós não são de propriedade nas mãos dos banqueiros", orou alguns dos banners dos manifestantes começaram a sua marcha. "Hoje é apenas o começo. Queremos avançar no sentido de um movimento global ", disse um estudante que participou do protesto.
No início da marcha, desconhecidos quebraram as fachadas de dois bancos na Via Cavour, com sinais de trânsito, e em seguida fugiram. Vários veículos foram queimados, assim como um anexo do Ministério da Defesa. Um grupo carregava um caixão com o nome do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
Da manhã, uma forte presença da polícia implantado no centro da capital. Os oficiais principalmente proteger os locais-chave de poder, como Presidente da República, a sede do Parlamento e da residência privada do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.
Segundo um manifestante, 50 anos, a polícia transformou o evento "em apuros". Poderíamos ter se reuniram pacificamente, disse ele. Perto da praça, onde o tráfego não foi interrompido, alguns carros de luxo foram recebidos com pedras. Outros em ziguezague entre o lixo queimado.

O criador do WikiLeaks com a "raiva" em Londres


Na Grã-Bretanha, a mobilização contra os ajustes de demanda e mudanças nos sistemas político e econômico culminou em frente à Catedral de St. Paul, no distrito financeiro, onde fez uma participação especial surpresa e Julian Assange, que naquele país enfrenta uma extradição para a Suécia. "Nós não podemos ser máscaras anônimos e uso, mas os bancos suíços se pode", disse ele sob aplausos da multidão.
Europa.Durante participação maciça na sua intervenção curta no palco improvisado dos passos da catedral, Assange criticou que "o povo enviado para Guantanamo a obedecer à lei, enquanto o dinheiro é" lavado "com impunidade nas Ilhas Cayman e Londres ".
Na capital britânica, o "indignado" não conseguiu cumprir sua meta de tornar o principal evento na Praça Pasternoster, que foi cercada pela polícia para a especulação de que haveria uma tentativa de tomar a sede da London Stock Exchange. Este contratempo não impediu que vários milhares, incluindo um grande grupo de campeões espanhóis da 15M-motion movimento que surgiu em referência ao passado, 15 de maio de sinal de protesto em mão, contra os excessos do sistema financeiro e para exigir mais democracia.
Localizado às portas da Catedral de St. Paul, os manifestantes, entre 3.500 e 5.000 pessoas, segundo estimativas da BBC, chamado por Ocupar LSX 15M e do grupo em Londres, entre outros, realizou reuniões para decidir como evoluir protesto, sem excluir acampar durante a noite, se a polícia o permitam.

Participação massiva na Europa

Aspecto da Puerta del Sol de Madrid, depois de oito horas.  Foto: O País
Aspecto da Puerta del Sol de Madrid, depois de oito horas. Foto: O País
Os "indignados" Os europeus se mudou para os principais edifícios do poder financeiro e político dos diferentes países. O mais convener foi a Espanha, onde realizou comícios em 80 cidades e vilas para protestar contra cortes de bem-estar e insegurança no emprego.
O maior protesto foi realizado em Madrid, onde uma multidão correu a milha que separa a Plaza de Cibeles e da emblemática Puerta del Sol, que começou há cinco meses movimento indignada de 15M. Em Barcelona, ​​cerca de 60 000 pessoas estavam na Plaza Catalunya, com um banner que dizia: "A partir de indignação para a ação. Nossas vidas e os seus benefícios. "
Na Alemanha, cerca de 40.000 pessoas, segundo estimativas do movimento anti-globalização ATTAC participou em manifestações por todo o país com a maior concentração na sede do Banco Central Europeu em Frankfurt e no Ministério das Relações Exteriores. A marcha pacífica discursou em Berlim, embora tenha havido ameaças de tumultos na altura da sede do Parlamento, alegando cerca de 200 jovens que haviam quebrado a partir do grande grupo invadiu o prédio, onde um forte contingente policial isolou a área.
Em Atenas, centenas de "indignados" gregos concentraram-se em Syntagma Square, cercado por forte esquema de segurança e se tornou um símbolo de protesto contra a política de cortes aplicada pelo governo para evitar a falência.
Em Bruxelas, milhares marcharam pelo centro da cidade e se reuniram em frente as principais instituições da União Europeia. Eles carregavam cartazes criticando a resposta europeia à crise financeira, o sistema capitalista em favor da mobilização.
Em Portugal foi também um outro cenário em que dezenas de milhares de pessoas em várias partes do país em resposta ao apelo lançado em 82 países pelo movimento chamado indignados. O primeiro dia de protesto despertou na Oceania e na Ásia, onde a participação era desigual com os países onde for proibido ou restrito em concentrações locais públicos, tais como Cingapura ou China, enquanto na Austrália ou Nova Zelândia destacou a eventos festivos.

U. S. Protestos

Ocupam os membros do movimento foram Wall Street escoltado pela polícia em Nova York.  Foto: Reuters
Ocupam os membros do movimento foram Wall Street escoltado pela polícia em Nova York. Foto: Reuters
No âmbito da Marcha Internacional da "Angry", centenas de pessoas se reuniram perto do Monumento a Washington, na capital dos EUA, e contra uma afiliada da JPMorgan Chase, a "Big Apple" para protestar contra o poder dos grandes bancos e postos de trabalho exigente. "Chase foi salva com dinheiro dos impostos, vendemos", gritavam os manifestantes através de alto-falantes.
JPMorgan Chase é o banco que ganha mais do que tudo de Wall Street e foi um dos vencedores no âmbito da crise financeira. Seu chefe, Jamie Dimon, é um dos críticos mais severos de uma possível regulamentação mais apertada dos bancos. Portanto, os manifestantes conclamaram seus clientes a cancelar as suas contas no Chase e abrir outros bancos menores.
Os protestos, que juntou vários sindicalistas, foram acompanhadas por um envio de forças policiais pesados. Apesar de nos dias anteriores houve confrontos com a polícia e prisões, o movimento de protesto "Ocupar Wall Street", em Nova York foram pacíficas. O pedido é simples: que os bancos têm menos poder e os ricos pagam mais impostos.
À tarde, membros do movimento se reuniram com estudantes que protestavam que têm dívidas, que são estudos tão caro. As universidades americanas são famosos por suas altas taxas. Mais tarde, o evento foi para a Times Square, ponto focal da cidade.
"Eu não posso acreditar que todas as pessoas aqui. Dificilmente pode-se mover ", disse um pedestre. A polícia cercou o local, para que o espaço era ainda menor. A operação também envolveu a RCMP.Finalmente, a polícia fechou algumas ruas ao trânsito para dar espaço para os manifestantes. "Isso é democracia", exclamou vários manifestantes, que gritavam também o grito de guerra: "Nós somos 99 por cento."
O protesto é que os ricos paguem mais impostos, têm reformas sociais e regulamentos para os bancos.Turistas gastaram em autocarro turístico típicas perto da praça parabenizou os manifestantes.
Também na capital dos EUA, Washington, cerca de mil pessoas foram às ruas para protestar contra a elevada taxa de desemprego. Na "Marcha sobre Washington por empregos e justiça" também participou várias defensores dos direitos civis e sindicatos, um dia antes de ter sido inaugurado oficialmente em Martin Luther King Jr. Memorial. "É hora de ocupar Wall Street, que ocupamos Washington, Alabama que ocupamos", disse o reverendo Al Sharpton, líder dos direitos civis nos Estados Unidos e um dos organizadores da marcha.

Com menos de eco na América Latina

Cerca de 5.000 pessoas se reuniram na capital do Chile, como estimado pelas forças de segurança do país.  Foto: AFP
Cerca de 5.000 pessoas se reuniram na capital do Chile, como estimado pelas forças de segurança do país. Foto: AFP
A mobilização maciça internacional "ultrajado", que aconteceu em pelo menos 95 cidades, pouco se ouviu falar de países do Cone Sul. Na Argentina, um pouco menos de uma centena de manifestantes foram detidos em frente ao Congresso. Na Venezuela, presidente Hugo Chávez apoiou-o e disse "são o resultado da pobreza que afeta a classe média". Em Santiago do Chile marcharam cerca de 100 000, segundo os organizadores. E no Brasil, onde ele tinha chamado eventos em 44 cidades, o comparecimento às urnas foi tão baixo que no Rio de Janeiro houve 37 manifestantes.
O maior protesto foi realizado em Madrid, onde uma multidão correu a milha que separa a Plaza de Cibeles e da emblemática Puerta del Sol, que começou há cinco meses movimento indignada de 15M. Em Barcelona, ​​cerca de 60 000 pessoas estavam na Plaza Catalunya, com um banner que dizia: "A partir de indignação para a ação. Nossas vidas e os seus benefícios. "
Na Alemanha, cerca de 40.000 pessoas, segundo estimativas do movimento anti-globalização ATTAC participou em manifestações por todo o país com a maior concentração na sede do Banco Central Europeu em Frankfurt e no Ministério das Relações Exteriores. A marcha pacífica discursou em Berlim, embora tenha havido ameaças de tumultos na altura da sede do Parlamento, alegando cerca de 200 jovens que haviam quebrado a partir do grande grupo invadiu o prédio, onde um forte contingente policial isolou a área.
Em Atenas, centenas de "indignados" gregos concentraram-se em Syntagma Square, cercado por forte esquema de segurança e se tornou um símbolo de protesto contra a política de cortes aplicada pelo governo para evitar a falência.
Em Bruxelas, milhares marcharam pelo centro da cidade e se reuniram em frente as principais instituições da União Europeia. Eles carregavam cartazes criticando a resposta europeia à crise financeira, o sistema capitalista em favor da mobilização.
Em Portugal foi também um outro cenário em que dezenas de milhares de pessoas em várias partes do país em resposta ao apelo lançado em 82 países pelo movimento chamado indignados. O primeiro dia de protesto despertou na Oceania e na Ásia, onde a participação era desigual com os países onde for proibido ou restrito em concentrações locais públicos, tais como Cingapura ou China, enquanto na Austrália ou Nova Zelândia destacou a eventos festivos.
Durante seu breve discurso no palco improvisado dos passos da catedral, Assange criticou que "o povo enviado para Guantanamo a obedecer à lei, enquanto o dinheiro é" lavado "com impunidade nas Ilhas Cayman e em Londres."
Na capital britânica, o "indignado" não conseguiu cumprir sua meta de tornar o principal evento na Praça Pasternoster, que foi cercada pela polícia para a especulação de que haveria uma tentativa de tomar a sede da London Stock Exchange. Este contratempo não impediu que vários milhares, incluindo um grande grupo de campeões espanhóis da 15M-motion movimento que surgiu em referência ao passado, 15 de maio de sinal de protesto em mão, contra os excessos do sistema financeiro e para exigir mais democracia.
Localizado às portas da Catedral de St. Paul, os manifestantes, entre 3.500 e 5.000 pessoas, segundo estimativas da BBC, chamado por Ocupar LSX 15M e do grupo em Londres, entre outros, realizou reuniões para decidir como evoluir protesto, sem excluir acampar durante a noite, se a polícia o permitam.
(Com informações de agências / Página 12)


Manifestantes com uma bandeira dos EUA  anexado à boca, segurando cartazes em Zuccotti Park, perto de Wall Street, em Nova York.  Foto: Reuters
Manifestantes com uma bandeira dos EUA anexado à boca, segurando cartazes em Zuccotti Park, perto de Wall Street, em Nova York. Foto: Reuters


Ocupam Hong Kong.  Foto: AP
Ocupam Hong Kong. Foto: AP
Ocupam na Austrália.  Foto: AFP
Ocupam na Austrália. Foto: AFP


Ocupam Austrália.  Foto: AFP
Ocupam Austrália. Foto: AFP


Ocupam Tóquio.  Foto: Reuters

Manifestantes ea polícia italiana em uma nuvem de fumaça no centro de Roma.  Foto: AFP
Manifestantes ea polícia italiana em uma nuvem de fumaça no centro de Roma. Foto: AFP


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Santuário dos Pajés sob ataque

Há um documentário, Sagrada Terra Especulada, sobre a terra indígena do Santuário dos Pajés, onde ocorre uma luta pelos direitos dos remanescentes dos povos massacrados desde o genocídio na época da colonização – em curso até hoje. No final do documentário, os originários comemoram o reconhecimento legal, pelo Estado, dos seus direitos e das ilegalidades cometidas por empresas imobiliária, obcecadas na construção do bairro Noroeste, em sua ânsia de lucro a qualquer preço, mesmo a vida da natureza e dos habitantes ancestrais. Era uma vitória, sem dúvida.

Mas os empresários, quando derrotados nos impulsos destruidores da sua ambição, não desistem. Apenas recuam até que as coisas esfriem, rosnando no escuro e atiçando seu departamento jurídico para estar alerta a qualquer possibilidade de reverter a decisão, sempre a qualquer custo, desde que seja custo a outros e não a si mesmos. Desta vez não foi diferente.

Quinta-feira de manhã, dia 13 de outubro, máquinas entraram na terra indígena, derrubando a mata. Indígenas e apoiadores se dispuseram a impedir, mas foram atacados por cerca de 30 seguranças contratados pela construtora. Houve vários feridos, entre homens, mulheres e adolescentes, uma área foi desmatada a 100 metros da aldeia. Ver matéria em http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&action=read&id=5847

Há um histórico e um respiro na matéria de 14 de outubro, sem que se possa esquecer que a vigilância deve ser firme. A dívida com os povos originários é vergonhosa para nossa sociedade, para a humanidade inteira e de cada um.

Aos que puderem prestar solidariedade ou se manifestar a respeito, agora é a hora para essas pessoas que há tanto tempo lutam em condições adversas, sendo invariavelmente criminalizadas, difamadas, perseguidas, sabotadas, mas que permanecem lutando contra os inimigos gigantes, cruéis e covardes. A desigualdade da luta pede a solidariedade de todos, a indignação de todos. Esse “desenvolvimento” mentiroso e destrutivo deve ser revelado e eliminado. Precisamos nos solidarizar com os povos originários e perceber como são desprezíveis os argumentos de seus desumanos algozes do momento, que perpetuam o genocídio indireto que mata a alma dos povos. Um desenvolvimento a esse custo não vale a pena, assim como há benefícios materiais que não valem, nem de longe, os prejuízos morais, ambientais, sociais e, nesse caso, culturais.


Eduardo Marinho, em 14 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

O descontentamento social se estende pelos Estados Unidos



8 OCTUBRE 2011 

Ao completar 21 dias, o movimento Ocuppy Wall Street gerou expressões de protesto contra a desigualdade econômica e o poder financeiro em 45 dos 50 estados do país e se tornou assunto cotidiano nos meios de comunicação, nos estágios de poder de cúpula e nas ruas de dezenas de cidades.
“Somos 99 por cento” é um grito ouvido e visto de Tampa, na Flórida, a Portland, no Oregon (onde, de acordo com alguns meios de comunicação, 10 mil pessoas se manifestaram, na quinta-feira) e hoje montaram plantões e/ou realizaram marchas em San Diego, San Francisco, Minneapolis (onde se estabeleceu uma Praça do Povo, em frente à prefeitura local), Tampa e Atlanta.
A ocupação de Washington entrou em seu segundo dia, com cerca de 300 pessoas realizando uma assembleia geral, para definir agenda e ações, depois das marchas de ontem. Segundo os organizadores, há iniciativas, reuniões e outras atividades relacionadas, em 900 cidades e povoados.
Aqui na Praça Liberdade, a duas quadras de Wall Street, o plantão estabelecido em 17 de setembro continua gerando ecos em âmbito nacional e internacional.
 Hoje cerca de 200 representantes da comunidade haitiana em Nova Iorque cruzaram a ponte do Brooklin e caminharam até a praça cantando “Ocupe Wall Street, não o Haiti”. Foram recebidos por um contingente de igual número de ocupantes da praça e caminharam juntos até o plantão. “Os mesmos banqueiros e capitalistas que estão levando os estadunidenses à pobreza, ao endividamento e à situação de sem teto empobreceram  os haitianos durante décadas... a comunidade haitiana demonstrará sua solidariedade com os milhares que estão se levantando contra a avareza e a crise capitalistas”, declararam no seu comunicado público.
À tarde, no forum diário, manifestantes e simpatizantes ouviram os acadêmicos gregos sobre o movimento de resistência contra a austeridade na Grécia.
Aqui seguem os estudantes, agora acompanhados de sindicalistas, desempregados, profissionais ambientalistas, veteranos de guerra, uma brigada de avós pela paz, religiosos, um mosaico a cada dia mais diversificado. Fala-se de uma multidão de demandas e assuntos e, diante das críticas de que não há um programa de propostas, afirmam que há muitas, mas que, em essência, o ponto é demonstrar que “assim é que se tem uma democracia”, com a participação de todos. “Estamos abrindo um espaço democrático no umbigo da besta, Wall Street”.
Cada vez se unem mais
Com o aumento das ações no contexto nacional e o apoio de diversos setores sociais, continua a dramática transformação desta iniciativa, que ao nascer estava conformada quase exclusivamente por jovens brancos privilegiados. Agora alguns já chamam “movimento” a este esforço que começa a aglutinar os principais sindicatos e organizações sociais e comunitárias de todo tipo, elevando-se ao perfil de nova expressão social no panorama político nacional.
“Este movimento de protesto,  Wall Street, contra a desigualdade econômica e social já aparece em 45 estados”, disse o noticiário nacional da NBC News. Na Praça Liberdade (Liberty Place), disse o repórter, não só há mais organização a cada dia, como receberam dezenas de milhares de dólares em doações, além de roupas, alimentos e mais.
Para outros noticiários, o fenômeno é reportado com seriedade, mas chega a ser cômico. Por exemplo, na CNN o subtítulo afirmava: “protestos de Wall Street explodem; expressam a ira contra os sistemas financeiros e políticos”. Enquanto isso, uma locutora resume: “há muita gente zangada lá fora”. E pergunta a sua repórter que está na praça se já é algo como a Praça Tahir, no Cairo, e a resposta é que isso está por se ver, que poderia ser. Aparentemente não se davam conta de que isso implicaria na derrubada do governo pelo movimento.
Alguns analistas, comentaristas, acadêmicos e estrategistas políticos mais conhecidos debatem se é o início de uma expressão popular progressista, como uma espécie de contrapartida do ultraconservador Tea Party, se ajudará ou atrapalhará as perpectivas eleitorais de Barack Obama, se é uma expressão “efetiva” ou se pode “detonar uma revolução”. Por outro lado, os pré-candidatos presidenciais republicanos denunciam o Occupy Wall Street como perigoso, por promover “a guerra de classes” e por ser “anticapitalista” e, por isso, “anti-americana”.
O economista prêmio Nobel, Paul Krugman, escreveu hoje, em sua coluna no New York Times, “algo está acontecendo aqui. O que é, não está bem claro, mas poderíamos, enfim, estar vendo o surgimento de um movimento popular que, diferente do Tea Party, está furioso com as pessoas  indicadas.” Acrescenta que “a acusação dos manifestantes de Wall Street, como uma força destrutiva, econômica e politicamente, é completamente correta”. Krungman adverte que “agora, com sindicatos e um número crescente de democratas expressando, pelo menos, um apoio qualificado aos manifestantes, Occupy Wall Street começa a ser visto como um ato importante que, eventualmente, poderia ser considerado um ponto crítico.”
Em Nova Iorque, alguns se queixam da “incivilidade geral” na praça, e o ruído da incansável batucada, como disse um cidadão no programa de rádio de linha aberta com o prefeito Michael Bloomberg, membro destacado do um por cento mais rico do país. “Estamos agindo de maneira que o problema não cresça e protegendo os direitos de todos. Não há soluções fáceis aqui e só posso dizer que estamos trabalhando nisso”. Ainda que estivesse falando do “incômodo” físico que causava a manifestação, poderia muito bem estar falando politicamente a mesma coisa. Mas, ao que parece, já é tarde demais – “o problema” já cresceu.
 (Tomado de La Jornada)                                                   Boletim Cuba Debate de 9/10/2011
Tradução – Eduardo Marinho

sábado, 8 de outubro de 2011

Protestos Contra Wall Street chegam a Washington


Occupy Wall Street llega a Washington. Foto: The Washington Post
Occupy Wall Street llega a Washington. Foto: The Washington Post
"É nossa primavera estadunidense!", grita um homem sobre um estrado armado em Washington, a dois passos da Casa Branca. Em frente a ele, centenas de simpatizantes dão início a uma ocupação contra a guerra no Afganistão e a "máquina capitalista" de Wall Street.
Barracas, sacos de dormir, tantãs. Quase três semanas após o começo das manifestações em Nova Iorque, reúnem-se várias centenas de pessoas, ecologistas, ex-combatentes ou simples "decepcionados de Obama", decididos a acampar, "até que chegue a mudança", na Praça da Liberdade (Freedom Plaza), entre a sede do Congresso e a Casa Branca.
"Estamos trabalhando nesta concentração há um ano, muito antes do movimento Occupy Wall Street", diz Lisa Simeone, uma das organizadoras desta manifestação altamente simbólica, no coração da potência estadunidense.
Mas aqula mobilização amplificou a nossa, nos inspiramos mutuamente uns aos outros", acrescenta a locutora de rádio de Baltimore, em Maryland.
Na origem do movimento Stop the machine, create a new world (Parem a máquina, criemos um mundo novo) estão pacifistas chegados à cidade para se manifestar contra o décimo aniversário do começo da guerra no Afeganistão, além de mais de 150 associações de todo o país que se uniram à iniciativa.
"As pessoas estão decepcionadas", explica o reverendo Bruce Wright, um dos organizadores que chegou da Flórida. "Estamos aqui em nome das pessoas a pé, para reclamar nossos direitos econômicos universais, o direito de ter um teto, uma profissão, o acesso gratuito à saúde."
"Nós também temos uma primavera estadunidense", afirmou, reivindicando a herança da primavera árabe. Como no norte da África, na Espanha e na Grécia, estamos aqui para reclamar um mundo justo e sustentável!"
http://www.cubadebate.cu/noticias/2011/10/06/protestas-contra-wall-street-llegan-a-washington/


Agora eu:



Há alguns dias, setecentas pessoas foram detidas, em Nova Iorque, quando se encaminhavam para engrossar o cerco a Wall Street.  Depois disso, Los Angeles, Chicago e mais setenta cidades se levantaram em manifestos. Agora, o movimento pela mudança chega a Washington, para revelar a consciência de que as grandes empresas, capitaneadas pelos  conglomerados financeiros, controlam os Estados e determinam as políticas públicas, formando a estrutura social absurda em que vivemos, atirando bilhões de pessoas à miséria e à ignorância, sabotando e cooptando o ensino, a saúde, a alimentação, a informação.
O movimento vem tarde, mas antes tarde do que nunca. As forças de segurança de há muito estão sendo preparadas para o levante geral que já é previsto faz tempo pelos controladores do sistema. A formação dos militares e das polícias os separa das populações, criou-se estrategicamente a mentalidade dos agentes de segurança, radicalmente anti-popular e particularmente anti-pobres, por serem esmagadora maioria. As reações serão terríveis. É preciso alguma iniciativa no sentido de conquistar mentes nas forças de repressão, de esclarecer os que ainda mantém alguma parcela de humanidade intacta, de tocar suas consciências. Estes devem ser os focos sensibilizadores, dentro dessas forças, para que tomem consciência do seu uso em favor opressão de pouquíssimos sobre as populações. É preciso mostrar–lhes que são parte do povo.  O confronto só interessa aos dominantes, os senhores do mundo. E provocará milhares, senão milhões, de vítimas. 
Há muito tempo se trabalha na revelação de que a vida, a estrutura social, os valores vigentes, os comportamentos, estão impregnados pela mentalidade criada para servir às empresas e impostas pela mídia. De que o Estado e suas estruturas estão dominadas pelo poder financeiro de muito poucas pessoas, com interesses gigantes como seu poder sobre as políticas públicas, criminosamente precárias para a maioria das populações.
Analisemos criteriosamente nossos próprios valores, comportamentos e objetivos de vida e  perceberemos o quanto colaboramos com o sistema. Os condicionamentos são vastos, profundos e gerais. A partir de dentro se muda o mundo. Ampliando a visão e tomando consciência, num processo constante e progressivo, os comportamentos mudam e muda a sociedade.
A vida terá outros valores. Alguns já os vivem em seu cotidiano. São os imprescindíveis.
Abraços a todos,
                                Eduardo.

PS- Peço desculpas às pessoas que esperam os desenhos que encomendaram. Estou em viagem e atrasei os envios. Peço desculpas e paciência. Assim que chegar em casa, enviarei os três. Ou quatro, não lembro bem.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O acidente com o bonde









Desenho a partir de fotografia tirada há mais de 20 anos.
O motorneiro é o Nelson, mais de vinte anos mais novo.
O bonde desmiligüiu, como se fosse de papelão. Eu tava expondo no Largo do Guimarães, no dia, ouvi os primeiros rumores do acidente e quase fui lá. Cheguei a ir até o Curvelo de bicicleta, mas tinha que descer muito se passasse dali. Os desenhos estavam expostos, achei que podia perder venda (tava no maior veneno de grana) e que podia ser um acidente pequeno, com uma moto, ou uma batida num carro ou ônibus, coisa corriqueira. Voltei pro Guima, na responsa do trampo. Depois é que vi a comoção geral, o monte de ambulâncias dos bombeiros, de planos de saúde, outras unidades. O acidente foi a pouco mais de um quilômetro do centro do bairro. Quando desci, à noite, é que vi os escombros do bonde, cercado por bombeiros, polícia, vários peritos examinando, fotografando, recolhendo coisas. Como a rua é bem estreita e eles não podiam interromper o fluxo por ali, por falta de alternativas, o isolamento foi mínimo e deu pra chegar bem perto. Saí dali com a cabeça em branco, só fui pensar quando já tava na barca. O Nélson era o melhor motorneiro de todos, o mais gentil, o mais prudente. Morreram mais quatro com ele, na hora, mais dois no hospital, depois. Mais de 50 feridos. Ele foi um herói, tentando frear até o último momento, sabendo que pular seria a salvação. Mas o honrado capitão afundou com o navio pra não abandonar os passageiros. Pelo menos não tinha filho pequeno, era já um coroa dos seus entre sessenta e setenta anos. E acho que, pra alguns, a morte é um alívio, uma libertação. Afinal, pra ser pior que esse mundinho nosso, tem que fazer muita força. Se o cara era bom, saiu por uma boa porta. Nós é que ficamos aqui, impressionados. Nélson abandonou o corpo a caminho do hospital. Estava destroçado. E ele já não estava mais dentro. Boa viagem, motorneiro.


Na semana seguinte, as marcas e a comoção de parentes, moradores e freqüentadores.  Como sempre, a revolta e a cobrança são feitas aos fantoches, e não se questiona os seus manipuladores. Grandes empresários, financiadores de campanhas, interferem e pressionam o Estado para atender seus interesses, no caso, a privatização do sistema de bondes de Santa Teresa, sempre em detrimento da maioria, no caso os moradores do bairro, que se utilizam do bonde como meio de transporte, sobretudo os mais pobres, mas sem restrições de faixa de renda, a não ser as mais altas, sempre arrogantes demais para "se misturar" com a plebe, ou seja, nós. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

QUEM CORROMPE? : TRABALHADOR CORROMPE? PROFESSOR CORROMPE?


Ao leitor


Esse artigo do Laerte diz o que venho repetindo à exaustão, nas calçadas, praças, bares, conversas por aí. Vivemos num regime empresarial travestido de democracia. E fomos levados a acreditar em mentiras e a ver o mundo de maneira totalmente distorcida. Os que se angustiam se vêem num labirinto sem saídas, os que se revoltam encontram as dispersões calculadas para os revoltados, um mercado de revoltados, com produtos e comportamentos que expressem sua inconformação sem ameaçar o sistema, ao contrário, colaborando com ele, como consumidor e como colaborador na montagem do cenário de democracia, que precisa ser constantemente retocado, modificado, reestruturado, para permanecer como ilusão e conter explosões. Qualquer descontrole nessa área, as forças de segurança já estão treinadas e preparadas para a contenção. Desapartadas do sentimento de sociedade, de pertencimento à coletividade, essas pessoas não se constrangem em atacar, agredir homens, mulheres, velhos, crianças, sem perceberem o lado humano vergonhoso de tal atitude que, se os que cometem vissem, em situação de calma, ficariam no mínimo constrangidos, envergonhados pela evidente covardia. Uma força armada, treinada pra luta, pro massacre, atacando populações que não reagem e nem teriam condições de reagir à altura. E nos poucos casos de reação popular, como os recentes, no Juramento, na Mangueira,... dão as sérias conseqüências, revanche com gases, crianças, velhos, crianças passam mal, mulheres grávidas, feridos, presos. Nenhum bandido, além de alguns policiais que se aproveitam da farda e da ideologia do seu treinamento pra extravasar desvios pessoais - sem perigo de sofrer conseqüências, quando contra negros e pobres.


Penso que ver o mundo como ele é, ou procurar fazer isso, é o primeiro passo no processo de mudança consciente da realidade que nos cerca, da sociedade em que vivemos, esquecidos da coletividade que somos e de nosso compromisso, intrínseco à vida, em solidariedade e sentimento, uns com os outros e todos com o equilíbrio e a harmonia entre todos. Sem nenhuma exceção, esse é o nosso compromisso, consciente ou não. E nesse caminho avançamos, como o tempo, como a evolução de todas as coisas que conhecemos e, imagino, de pelo menos muitas das que não conhecemos. 


O domínio e a pesada influência das grandes empresas nas decisões e mais, na existência dos poderes públicos, com o apoio decisivo da mídia privada dominante, já se mostra a muitos olhos. Ainda poucos dentro do todo, mas isso se propaga como fogo. Resta escapar dos extintores do sistema, até que o incêndio seja tamanho que não se possa mais controlar, pois incendiará os próprios extintores.


Cabe perceber, porém, que a maior parte da força opressora, controladora e repressora reside em nosso consentimento coletivo, assimilando valores e comportamentos impostos, induzidos, criados e implantados pela mídia, pela publicidade e com a distorção das informações pelo jornalismo das grandes empresas. Vemos o mundo como uma arena, cheia de inimigos a vencer, obstáculos a superar, um "inferno" no caminho de um "paraíso" reservado a poucos. Todos adversários de todos, riqueza como objetivo de vida, posses como certificado de valor pessoal, conhecimento como fator de superioridade, e não de responsabilidade. O egoísmo foi entronizado e nós aderimos, mais ou menos escancaradamente. Assim sustentamos o sistema.


"A massa sustenta a marca; a marca sustenta a mídia; e a mídia controla a massa."
 George Orwell


Abraços a todos,
Eduardo.




Quem corrompe? Trabalhador corrompe? Professor corrompe?


Por : Laerte Braga

Há dias o País tem assistido a um esforço desesperado de velhos golpistas (torturadores, estupradores, assassinos de 1964), aliados a grandes empresários, banqueiros e latifundiários, para mobilizar os brasileiros contra a corrupção.

Tentam convocar uma nova marcha da família com Deus pela liberdade arvorados em uma condição de salvadores da pátria, do mesmo jeito que fizeram em 1964 sob o comando do embaixador Lincoln Gordon dos EUA e do general Vernon Walthers, ex-diretor da CIA (o governo dos EUA, em 1964 designou um comandante militar para as forças golpistas que entre outras coisas era amigo pessoal de Castelo Branco e falava português).

Apoiados pela grande mídia, a mídia privada, GLOBO à frente, tecem as mentiras de sempre, criam as ilusões que sempre criaram e tentam reduzir a corrupção a deputados, governadores, senadores, prefeitos, até presidente da República.

Dilma repete o malabarismo de Lula, uma no cravo outra na ferradura. O diapasão desse concerto petista é a bolsa família e 45% das receitas orçamentárias para pagar juros da dívida junto a bancos privados.

A diferença entre Dilma e Lula é que a presidente não consegue se equilibrar sobre o fio tênue do “capitalismo a brasileira” que o ex-presidente inventou. É menor que o cargo e ainda carrega consigo alma de tecnocrata. Ou seja, o que vale são os números não o ser humano. Na cabeça dessa gente numa tragédia, digamos assim, se a primeira impressão é que morreram dez quando poderiam ter morrido vinte, houve lucro, deixaram de morrer outros dez. Enxergam o mundo desse jeito.

No sete de setembro a GLOBO editou as matérias sobre o Grito dos Excluídos e a marcha das elites paulistas que tentam espalhar pelo Brasil, jogando tudo no ar como se fosse protesto contra a corrupção. Canalhice bem ao estilo da rede.

Nasceu com a ditadura, apoiou a ditadura e é instrumento de interesses estrangeiros, de banqueiros, grandes empresários e latifundiários.

Trabalhador e professor, por exemplo, não corrompem ninguém. São ludibriados por políticos corrompidos por banqueiros, grandes empresários e latifundiários. Veja o caso de Minas. Quando governador do estado o ex-presidente Itamar Franco anulou um acordo feito pelo seu antecessor, Eduardo Azeredo – corrupto de carteirinha – que entregava a CEMIG a grupos estrangeiros. Aécio, agora, no final de seu governo refez o acordo e entregou a CEMIG.

A mídia disse alguma coisa? Nada. Está no bolso. É venal. E o povo, o trabalhador, os professores mineiros nas mãos de uma aberração política o tal Antônio Anastasia, valet de chambre de toda essa gente, está como? Mas Aécio comprou um apartamento de um milhão de reais no Rio de Janeiro.
Segundo outra aberração, Cid Gomes, “professor tem que dar aula por amor, se acha o salários baixo que procure outra profissão”. Sogra não. O dito leva para Paris em vôo pago pelos cofres públicos.

O esquema de financiamento de campanhas políticas no Brasil permite que empresas, bancos e latifundiários comprem lotes de candidatos em todos os partidos com representação na Câmara ou no Senado através de doações. Tornam-se proprietários lato senso desses deputados, senadores, de governadores, prefeitos, vereadores, atingem o Judiciário e permeiam o Executivo.

Mas e daí?

O xis da questão não está em reformas políticas ou outras, na tentativa de construir painéis coloridos de ilusão e manter uma realidade podre como querem os que se voltam apenas contra os políticos no caso da corrupção.

E quem corrompe? Para que exista um corrupto é necessário que exista um corruptor.
A corrupção está intrinsecamente ligada ao modelo político e econômico vigente. A reforma política tira José Sarney de cena e coloca na cadeia? Não. Sarney serviu a ditadura militar com subserviência e de quatro durante todo o período do regime, da mesma forma que descaradamente emergiu – com a morte de Tancredo – como guia e condutor do processo de reconstrução democrática.

E o povo? A participação popular? Não tivemos uma assembléia nacional constituinte, mas um congresso constituinte e tutelado pelos militares que, entre outras coisas, não permitiram, como tem criado toda a sorte de obstáculos para que sejam revelados os documentos que mostrem a covardia diária dos golpistas/torturadores enquanto durou o regime.

Na passeata contra a corrupção em São Paulo estava um desses generais, eram visíveis bandeiras dos Estados Unidos.

Não foi por outra razão que o pensador e parlamentar inglês Samuel Johnson afirmou que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.

O que querem? Mudar os políticos? É só olhar os antigos colaboradores do regime militar, vivos e fortes aí, exercendo mandatos e se afirmando democratas.

O que essa gente pretende é simples. Antônio Ermírio de Moraes compra dez tênis adidas a vista produzidos com trabalho escravo em países asiáticos, inclusive a China e o trabalhador compra um pagando em dez prestações para se sentir num dado momento como Ermírio de Moraes, na ilusão que vivemos numa democracia. O espetáculo, a “sociedade do espetáculo”.

Ermírio de Moraes está destruindo o Espírito Santo – o meio ambiente – com suas empresas, o tal progresso, adoecendo um povo, com aplausos de um ex-governador corrupto e assassino, Paulo Hartung, que de fato continua no covil do governo (chamam de palácio), onde um contínuo chamado Renato Casagrande faz de conta que governa.

Por trás da tal campanha existe a sórdida mentira capitalista, pela simples razão que os corruptos são corrompidos por eles. Não querem pagar impostos, não querem conquistas e direitos dos trabalhadores, não querem que o progresso seja algo comum a todos e sim privilégio deles. Querem professor dando aula por amor.

Quando se concede benefícios fiscais e tributários a uma grande empresa o custo dessa concessão é pago pelos trabalhadores, pelos pequenos empresários, pelo dinheiro que falta na saúde, na educação. É o caso da COCA COLA que financia parte dessa campanha. Ocupa terras públicas, através de uma empresa chamada CUTRALE, vende a idéia de progresso, geração de empregos, compra deputados, senadores, juízes, etc para manter as terras que repito são públicas e imputa-se a culpa aos trabalhadores rurais sem terra, aos pequenos produtores rurais.

E infestam a mesa do brasileiro de veneno como mostra um excelente documentário do notável Sílvio Tendler sobre agrotóxicos e coisas que tais. O veneno que comemos todos os dias produzido pelos compradores de deputados, senadores. juízes e que agora protestam contra a corrupção, biombo para disfarçar seus verdadeiros interesses.

Se fosse para valer não haveria um banqueiro solto. Estariam todos presos. Nem um grande empresário, ou latifundiário que até hoje se vale de trabalho escravo.
Por mais irônico que possa parecer, ou trágico, os que protestam contra a corrupção e tentam transformar a corrupção em único mal do Brasil são os que corrompem.  E a meia dúzia de inocentes a acreditar nesse tipo de marginal.

O institucional está falido. O modelo está corrompido por essa gente. O palco da luta é outro, é dos trabalhadores e é nas ruas contra a farsa de campanhas como essa.
São velhos gatunos tentando fazer ressurgir o golpismo que é parte da genética desse tipo de gente.
Deputados, senadores e juízes corruptos, governadores, são apenas figuras execráveis e compradas que carregam em seus balaios.

Trabalhador não corrompe ninguém. Professor, que é trabalhador, não corrompe ninguém.
Quem corrompe são banqueiros, grandes empresários e latifundiários.
É simples entender isso. A corrupção é parte inseparável do modelo político e econômico que temos.
Jogar por terra toda essa estrutura podre e construir um Brasil livre e soberano, sem essa gente, aí sim, essa é a luta real dos brasileiros.
Não há corrupto sem corruptor.

E por longo que fique, uma breve e real historinha. Nos idos de 2002 a GLOBO estava enfrentando sérias dificuldades de caixa. A GLOBOPAR estava levando o dinheiro da empresa. Tentaram 250 milhões de dólares junto a FHC e como o ex-presidente estivesse demorando muito a liberar o dinheiro, lançaram, inventaram, a candidatura Roseana Sarney à presidência. Chamaram o IBOPE e suas pesquisas prontas para atender o interesse do cliente, levaram Roseana às alturas e aí FHC chamou a turma na conversa.

O capital da GLOBOPAR era o seguinte – 90% da GLOBO, 5% do BNDES e 5% da MICROSOFT.

Convocaram uma assembléia geral para aumento de capital de um jeito que esse aumento implicasse nos 250 milhões de dólares e aprovação da emenda constitucional que passava a permitir a presença de capital estrangeiro no setor de telecomunicações. A GLOBO não entrou com sua parte, lógico, estava inclusive ameaçada de falência, havia credores externos apertando os Marinhos, a MICROSOFT que já sabia da mutreta correu fora e o BNDES entrou com a sua parte, dinheiro dos brasileiros. O Congresso aprovou a emenda, o grupo MURDOCH comprou parte da GLOBOPAR. Na semana seguinte a Polícia Federal de FHC estourou o escritório do marido de Roseana achando um milhão de reais ilegais doados para a campanha. Tudo pronto, ficou acertado o apoio da rede a candidatura de Serra. O furo foi exclusivo da GLOBO.

E a GLOBO está na campanha contra a corrupção. Dá para entender os verdadeiros motivos desses bandidos?

A luta é outra. É contra bandidos compradores e comprados. Se bobear essa gente revoga a Lei Áurea e amplia os limites da escravidão contra todos os trabalhadores. Na prática, vão fazendo isso nessa mistura de populismo com capitalismo e campanhas imorais e amorais como essa. Jogo de cena de bandidos para vender imagem de santos.

laertehfbraga@gmail.com

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Resposta ao preconceito contra o "brasileiro"

Não aceito bem a desvalorização do brasileiro como um todo. Pra começar, o povo brasileiro é recém nascido e ainda não se conformou nem mais ou menos. Estamos em pleno processo.
Dizer que é indolente, acomodado, desqualificá-lo diante do europeu e do anglo-saxônico, sobretudo, é comparar o incomparável. Papo de quem vive fora da realidade, não tem noção do que é a coletividade brasileira, em franca formação, aglutinando elementos de todo o planeta, de todos os povos, sem conflitos em sua maioria, recebendo e abraçando a mistura - exceção feita a alguns focos, insignificantes diante da totalidade.
Quem anda pelo chão da sociedade conhece o espírito solidário, criativo e resistente das coletividades brasileiras, juntando os elementos mais diferentes de modo harmônico, integrando, diluindo as etnias em permanentes misturas, num processo de integração dos diversos povos do mundo.
Ignorância, preconceito, ingenuidade, fraqueza mental, primitivismo espiritual, não sei quantas possibilidades posso imaginar pra esse tipo de conceito. Ou preconceito.
A concentração histórica de terras, riquezas, rendas, tecnologias e poderes nas mãos de elitezinhas insignificantes, desde que chegaram os invasores europeus até hoje, sonega direitos da maioria e cria uma situação de domínio e exploração com o apoio total das instituições do Estado, atirando milhões à pobreza, à miséria e à ignorância, negando-lhes os direito básicos, hoje determinados na Constituição do Estado. 
Ponham-se os filhos da elite nas escolas públicas que formam a massa da população, com os mesmos recursos de que dispõe a maioria, e vai se ver o que causa essa aparente "inferioridade" do povo brasileiro.
A mensagem ainda usa o jargão "cada povo tem o governo que merece", na velhíssima prática de culpar as vítimas, e fala sobre os corruptos. Como sempre, da parte mais fraca da corrupção, jamais tocando no corruptor - nos donos das imensas empresas que promovem a corrupção através de mandatos sucessivos, em todo governo, em toda a legislatura -, sem considerar que as instituições estão infiltradas desde as estruturas - por essas mesmas elites e seus elegantíssimos apaniguados - e que a origem primeira da corrupção é o interesse empresarial  nas riquezas públicas e seu controle sobre o Estado e seus flutuantes políticos, governantes, legisladores, mesmo juízes dos altos escalões.

Eis a resposta. Aproveito pra recomendar os links.


Isso foi hoje. Até agora, ninguém me respondeu. 










Aí, rapaziada.

Ilusão esse negócio de que brasileiro não luta. Aliás, ilusão planejada, montada em laboratórios de mídia, a serviço da elite dominante pra dentro e dominada de fora, pra moldar a mentalidade da população. Quem não luta ou se faz de palhaço são pessoas das classes médias (das altas às baixas), emburrecidas e superficializadas ao extremo - e a parcela subalternizada da massa pobre, que é levada a ver o consumo como ideal de vida, a esquecer os seus direitos fundamentais roubados e viver cheia de sonhos de consumos impossíveis, assimilando a sabotagem institucional como incapacidade ou inferioridade pessoal. Essa maioria esmagadora muitas vezes põe sua mentalidade a reboque das classes médias (supõe-se que por ter mais acesso ao consumo, "sabem das coisas") que, perdidas entre o trabalho, o consumo e as contas, formam sua visão de mundo a partir da mídia comercial e dos isolamentos em que procuram se manter.

Mas há movimento, sim, e muita luta. Essa imagem do brasileiro pacato e omisso é criada, estimulada e divulgada pela mídia, num processo de acomodação e desinformação geral. Correspondências como essa apenas colaboram com essa visão. Pegue a história do Brasil, vista por historiadores honestos e não cooptados pelos agentes controladores dos bastidores sociais (Mario Schmidt, por exemplo, Moniz Bandeira e tantos outros, cujos livros são boicotados nas escolas). Inúmeras revoltas, rebeliões e levantes são apagados da história ou citados como folclóricos, movimentos desligados do contexto histórico das lutas populares de resistência.

Só como sugestão, sugiro um filme que vi ontem, Atrás da Porta, de Vladimir Seixas, feito em duas ocupações no centro do Rio, de prédios abandonados por pessoas sem casa, moradores de rua. (www.atrasdaporta.blogspot.com, pra adquirir o dvd, mas tá no youtube, em 7 partes, que foi como assisti - se eu pudesse, compraria o dvd pra ajudar na luta do cara que, fazendo o que faz, não tem nenhum apoio financeiro). Como não estou podendo no momento e o filme tá disponível no youtube, tô articulando baixar e colocar em um filme inteiro, pra exibição e distribuição - pois são informações boicotadas que precisam vir a público, até pra desfazer essa idéia depreciativa sobre o povo brasileiro, que é de luta, sim, além de extremamente solidário, guerreiro, disposto e criativo. Essas informações eu não busquei na mídia, não, convivo nas periferias há pelo menos trinta anos, desde a mais despossuída condição, onde até o que comer e onde dormir me era dado ou improvisado, até pagar meu aluguel e manter um cotidiano proletário de artista de rua, enquanto meus filhos cresciam.


Aí estão a 1ª e a 2ª partes, se quiserem é só seguir adiante.

Entrem no saite do MST, se já não estiverem contaminados pelo preconceito raivoso plantado pela mídia. Os elitianos (e os elitistas,  seus seguidores) se enchem de ódio contra aqueles que foram estereotipados como seres humanos inferiores, quando eles têm o atrevimento de tomar atitudes de resistência e defesa contra o massacre social e ideológico cotidiano em cima dos mais pobres.
A América Latina está em movimento, a sociedade brasileira está em movimento. Não esperem tomar conhecimento sem correr atrás, os meios de comunicação estão aí pra distorcer, ocultar, omitir e atacar qualquer movimento que não atenda a linha conservadora de manutenção da ignorância e da inação.

Na minha opinião (e eu posso estar errado, é claro - além de não querer ofender ninguém), a posição exibida neste seu comunicado é do interesse das grandes empresas que dominam os Estados e suas instituições, inocula ainda mais o desvalor criado para manter a maioria cabisbaixa, desacreditada em si mesma, na estratégia cruel de manutenção dessa sociedade desigual, perversa, desumana, criadora de misérias para a maioria e opulência para poucos. Repitam com a mídia: "o povo brasileiro é inferior, incapaz, desinteressado, preguiçosos e merece estar nessa miséria estatisticamente predominante. Europeu e estadunidense (brancos, lindos e inteligentes) é que sabe das coisas, eles é que são o modelo de ser humano evoluído. Nosso povo é todo constituído de gentinha mestiça, pobre, suja e burra, exceção feira aos mais enriquecidos e embranquecidos, infelizmente em minoria insignificante socialmente, embora dominando riquezas e poderes."

Gostaria de não ter ferido susceptibilidades de ninguém. Não carrego verdades, apenas opiniões, não desejo insultar ou ofender ninguém, tenha a mentalidade que tiver, respeito até o que considero absurdo, no campo do pensamento. Reparem, porém, que os conservadores, os elitistas, os ideólogos da alienação e do consumo reagem com ódio, por não terem argumentos sustentáveis pra defender essa estrutura social ridícula e vergonhosa, e partem pro insulto pessoal, a agressividade, a desqualificação preconceituosa. As falácias são evidentes e não resistem a delicados golpes de informação real e consciência sobre o que acontece, por trás das distorções midiáticas. Os que não desejam mexer a bunda pra mudar a sociedade e preferem usufruir seus privilégios egoístas, resultado do roubo dos direitos da maioria, através do controle do Estado pelas empresas, estão sempre prontos a atacar qualquer ameaça à sua acomodação, com os pretextos e as opiniões mais absurdas, odiosas e odiantes, além de desumanas.

Quem quer se informar de verdade, encontra o que precisa aqui na net, mesmo. Mas os que não querem saber, para continuar na sua comodidade injusta e mentirosa, não têm jeito, não. Rejeitam tudo o que se aproxima da realidade que os denuncia em sua arrogância, seu egoísmo, sua grosseria, enfim, sua desumanidade e sua inferioridade espiritual.

Vai desculpano carqué coisa aí.
Abraços a todos,
                         Eduardo Marinho. 

Outro documentário que assistimos no vídeo-garagem da última quinta, Sagrada Terra Especulada, mostra bem a hipocrisia dos governantes e seus executivos no poder político, a serviço das empresas, com desprezo pelos que eles dizem servir, os indígenas em histórica situação de genocídio - físico, moral e cultural. Taí o link, dá pra assistir inteiro: http://www.vimeo.com/28597529"

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Teoria na prática ganha vida




O aprendizado só se completa vivenciando. A vida é o nosso campo de prova. De estudos, também, mas aí qualquer situação é, depende mais da disposição e do interesse em aprender. As provas e as conseqüências dos nossos atos, desejos, sonhos e objetivos de vida, isso não é opcional, é imposição da vida, do destino ou como quer que se chame. “O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.”

 De pensadores o mundo tá cheio. Esses, se não vivenciam suas teorias, carregam dentro de si distância da realidade, mentiras convenientes e a angústia da incoerência, da falta da vivência que se manifesta de muitas formas diferentes. Percebe-se no olhar, no comportamento, nas opiniões, na freqüência pessoal - a capacidade de percepção se desenvolve com a prática. Sem isto, somos cabeças rolantes, sem corpo, coração ou intestinos, egos exaltados em simulações revolucionárias sem conseqüências além de desacreditar a idéia de revolução diante da população feita rebanho.

Saber e não fazer ainda não é saber.
Mahatma Gandhi
A reflexão é fundamental, mas sozinha é frágil e inútil. Percepções pedem decisões e mudanças na realidade. É o tripé evolutivo – refletir, decidir e praticar. Essa é a base. Fora disso, somos apenas teóricos, alheios, indiferentes, medrosos e vaidosos, levantando hipóteses, sem comprová-las além da teoria, sem experimentar para perceber e corrigir falhas, construindo valores sociais - e pessoais - ilusórios e egocêntricos, sem a menor condição - nem intenção - de mudar o comportamento e a mentalidade. Forma sem conteúdo.

É preciso correr os riscos. É preciso errar para acertar. Não se pode pretender a perfeição, mas é fundamental se aperfeiçoar, sempre. Às vezes, é a escuridão que nos faz perceber e dar valor à luz.  

Educação e Sociedade




         O “empresarismo” é a ideologia dominante, embora se declare, em sua hipocrisia costumeira, sem ideologia.
         O programa “universidade para todos”(PROUNI), falácia descarada, paga bolsas de estudos para alunos pobres cursarem faculdades particulares. Mina de ouro para os empresários do ensino, resolvendo o problema da inadimplência e eliminando impostos.
         Há mais de 14 milhões de analfabetos integrais no país, 9,7% da população a partir de 15 anos. Vergonha que aumenta muito com a inclusão do número de analfabetos funcionais, aqueles que assinam o nome e, com dificuldade, lêem e escrevem bilhetes e pequenas frases, sem condições de compreender ou escrever um texto, uma notícia, muito menos um livro. Aí o número pula pra em torno de 70%. Setenta por cento da população brasileira! Sete, a cada dez pessoas, são sabotadas em instrução - a Constituição, em tese, obriga o Estado a garantir educação de qualidade. E a elite torna o Estado criminoso, em benefício e garantia dos seus privilégios e excessos cuja origem perversa está na eliminação de direitos da maioria.
         Por que o problema não é resolvido? Falta de verba, de competência ou atenção é conversa pra boi dormir, só a ignorância e/ou o massacre da mídia, entre a desinformação e a publicidade, – ou a má fé – podem conceber tais absurdos. A narcose midiática encurrala grande parte da população entre os desejos de consumo e as relações com o sistema financeiro que domina o Estado, diminuindo ou eliminando a capacidade de reflexão independente, o desenvolvimento de uma visão de mundo mais próxima da realidade. Na verdade, é preciso conservar o povo ignorante e desinformado, para manter um sistema social tão desumano, desonesto, injusto, perverso e suicida. É esse o sistema que favorece a elite dominante, a concentração de poder e riquezas nas mãos de poucos, em prejuízo da maioria. A situação de destruição do ensino é intencional, deliberada, estratégica.
         A constituição de 88 estabeleceu a obrigação de repassar verbas para a educação, a partir da arrecadação de impostos. Federais, 18%, estaduais, 25%, municipais, 25%. Em 94, aprovou-se a lei que permite o desvio dessas verbas para fins não declarados, com o nome-fantasia de fundo social de emergência, depois fundo de estabilização fiscal e, por último, desvinculação dos recursos da união, sempre a mesma coisa, subtração de verbas para as áreas sociais da educação, da saúde e da previdência. A prioridade é manter a ignorância, criando uma fachada de esforço cenográfico para “melhorar” a educação. Não se pode melhorar uma coisa que não existe - socialmente falando. Uma população instruída não permitiria tamanhos descalabros na administração dita “pública”, tamanha exploração do trabalho, tanto abuso, muito menos a destruição das leis trabalhistas, com o título hipócrita de “flexibilização”, e o predomínio das empresas na sociedade estaria em risco.
         No período de 2000 a 2007, foram destinados à educação pública R$ 149 bilhões, enquanto no mesmo tempo os bancos credores da dívida pública receberam 1 trilhão e 267 bilhões de reais, só de juros, sem que a tal dívida diminuísse em nada. As prioridades estão claras. Os interesses predominantes estão claros.
         A ideologia imposta à sociedade – e à educação, como estratégia – se baseia no predomínio das leis de mercado, derrubando custos e priorizando lucros. A qualidade do ensino é proporcional ao preço. Qualidade, no caso, não significa preparação do ser humano para se integrar à coletividade humana, de forma harmônica, afetiva e útil à sociedade. Ao contrário, desenvolve-se a eficiência para competir com os semelhantes, a vida tornada uma arena sem limites nem trégua, no mundo reduzido aos mercados de trabalho e de consumo que excluem a grande maioria da população. O modelo de educação mais valorizado, atualmente, é o desumanizante, desintegrador, anti-social. O jovem não deve desenvolver sua capacidade de pensar, sentir, criar, se relacionar com o mundo, solidária e generosamente, em evolução física, mental e espiritual.  Deve desenvolver, sim, a capacidade de produção e consumo, de acordo com o “seu lugar” na sociedade e os interesses empresariais, sua competitividade, sua frieza, seu oportunismo. Sem questionar as causas de tanto sofrimento e tragédia, ignorância e miséria – resíduo e combustível da nossa sociedade - exalta-se o egoísmo, o apego aos bens materiais, a busca de superioridade sobre os demais, como valor social.
         As políticas governamentais de adaptação das atividades do ensino às necessidades privadas demonstram o controle do Estado e das instituições públicas pelas grandes empresas. Em todos os setores, sobretudo os estratégicos – comunicações, energia, educação, alimentação, saúde,... – o privado se impôs ao público, por dentro das instituições mais “respeitáveis”. Creio que a ênfase na sabotagem da educação pública e o controle da educação particular se deve à importância da ignorância e da desinformação, de um lado, e da oferta de profissionais ao “mercado”, de outro, para a manutenção da estrutura social como ela é, altamente injusta, pela sujeição ao poder econômico dos mais ricos entre os ricos. A rede pública é reduzida à miséria, num simulacro abjeto de ensino mentiroso, em detrimento de professores e estudantes, cujas relações foram deterioradas ao longo do tempo, impedindo a integração família/escola, que traria à tona os podres do sistema e apoiaria os professores na sua luta por condições dignas, por estar claro que o interesse nessa luta é de todos. A rede particular é impregnada com a ideologia empresarial no processo de enraizamento dessa estrutura, que já vem de décadas ou séculos. Preparam-se competidores para o mercado de trabalho, competindo pelo mercado de consumo, e não pessoas para viverem em sociedade. Estimula-se o egoísmo extremo, o preconceito social, econômico e instrucional, a ânsia de consumo, a preparação para o conflito entre irmãos, ao mesmo tempo em que se inibe a capacidade de questionar, de pensar com independência. Discrimina-se e se marginaliza os que não se deixam levar ao rebanho de escravos mentais. E são exatamente esses que brilham com suas luzes em meio à escuridão da consciência coletiva, da vida sem sentido, medíocre e vazia, enquanto os donos do mundo se esforçam, com seus inúmeros recursos, para apagar todas as luzes que não os sirvam.
         Não posso apresentar soluções. O que pretendo é mostrar aqui a profundidade em que essa ideologia se entranhou, durante todo o desenvolvimento da mídia – e desde muito antes –, em todos nós. É preciso enxergar o esquema a partir das suas causas e o trabalho aparece em todos os setores da sociedade. Os valores dessa ideologia, que chamei de “empresarismo”, impregna as relações da sociedade e a divide. É preciso percebê-los dentro de nós mesmos, em nossos próprios condicionamentos. A partir daí, podemos nos posicionar diante das imposições enfiadas até no inconsciente - pra isso a academia centrou o estudo da psicologia em mente e comportamento, abandonando filosofia, sociologia, antropologia, enfim, as matérias que humanizam, para se concentrar no controle - pensamentos, valores e comportamentos de massa. É preciso trabalhar, vivenciar e exercer o que desejamos do mundo. Assim podemos trabalhar dentro da coletividade. Modelando nossos valores, modelamos o mundo.

Eduardo Marinho                                                                                      

sábado, 20 de agosto de 2011

O luxo como “pequeneza”



            A situação de pobreza sempre me intrigou, a miséria me chocava e eu não entendia. Sentia um certo constrangimento inexplicável do meu “falar correto”, das minhas roupas de marca, às vezes do meu tamanho, dos meus dentes impecavelmente tratados. Não que desejasse abrir mão da minha situação. Mas por quê a maioria das pessoas não tinha? Era uma sutil sensação de injustiça sem me sentir claramente culpado, apenas constrangido com o que pareciam privilégios nesses momentos, mas que tinham se incorporado em mim como o mínimo necessário.
            Não podia achar aquilo natural e inevitável, como me diziam e se acreditava à minha volta. Na verdade, fugia-se do assunto. Eu fui muitas vezes considerado um chato, fui evitado por vários grupos na adolescência, às vezes francamente hostilizado – não gostavam de mim. Tinha minhas boas relações, mas eram poucas e quase todas... como direi... bilaterais. Não fazia parte de grupos. Fora os esportes coletivos, claro. Aprendi aos poucos a ficar mais calado e prestar mais atenção – virtude que perdi de vista ao entrar na universidade e até hoje, vez por outra e apesar da vivência, me faz falta. Algumas vezes, consigo me controlar, mas nem sempre.
            Quando andei no nível da mendicância e vivi do que me era dado, encontrei gente boa e ruim em todas as classes, indiferentes e curiosos de todos os tipos. Mas era nítida a diferença de acolhimento entre os mais pobres dos pobres. Ali se dividem migalhas, com uma generosidade ímpar, quando se divide. A generosidade dos ricos, no mais das vezes, é à distância. Partilhei refeições feitas em latas de óleo sobre fogueiras, dormi sobre capim improvisado no cantinho da tapera, pendurado em rede, em caibros ou árvores, fui hospedado em palafitas sobre mangues, onde o banheiro é servido de um buraco no chão, pedaços de jornal enfiados num prego na parede de tábua e a gente escuta o barulho da merda caindo na água, lá embaixo.
            Boa recepção por parte dos que dispunham de sobras me deixavam reconhecido, agradecido, mas a recepção dos mais pobres me comovia. Tão pouco tinham, tão fácil dividiam... O dia seguinte pertencia a Deus e a luta era todo dia, sem feriado. Também senti a fome, vivi sem abrigo, como um aluno, atento, aprendendo, pesquisando à minha maneira, ouvindo as histórias, falando meu pensamento, reparando nas reações, na linguagem, absorvendo os códigos, percebendo os conhecimentos, as intuições e relações. Criei um grande carinho pelos sabotados, pelas pessoas em situação de fragilidade, uma ligação talvez moral, certamente afetiva, junto com a sensação de injustiça permanente, pedindo trabalho de reparação na estrutura social – a partir das raízes individuais internas para as externas, coletivas. Nasceu uma grande admiração pela resistência ao sofrimento, pela luta de sobrevivência, pelos saberes e sabedorias desenvolvidos quase por conta própria. Eu os sinto parte de mim, do meu grupo, merecedores de mais cuidados, pelos maltratos cotidianos impostos por essa estrutura social perversa.
            Certamente é por isso que me causa certo desconforto a presença, a proximidade ou a simples visão de luxo e ostentação. Uma espécie de constrangimento. Traz à lembrança a situação injusta, precária e abandonada em que vivem tantas pessoas, por um Estado que foi infiltrado, dominado por grandes empresas - as poucas pessoas mais ricas - e impedido de cumprir as leis mais básicas da sua própria constituição, na garantia de condições mínimas de vida com dignidade para sua população. O domínio das elites tornou o Estado criminoso, nos seus três pretensos poderes, e o colocou a seu serviço, eliminando direitos e roubando patrimônios públicos – o que é público é tratado como privado. Tenho verdadeira repulsa por privilégios, luxos e ostentações, embora não transfira essa repulsa às pessoas, apenas aos seus comportamentos e à sua indiferença. Meu desconforto é moral, causado pela situação, pela ligação direta da riqueza, da ostentação e do luxo com a criação da miséria absoluta, da sabotagem na educação, na informação, nos serviços públicos, com a falta de sentido na vida das pessoas – da miséria à pobreza e às classes intermediárias.
            Estes são meus sentimentos, meus pensamentos e minha visão de mundo. Não pretendo declarar verdades, nem tenho a expectativa de encontrá-los em outras pessoas. Se me desse ao trabalho e à arrogância de condenar comportamentos e valores dos quais discordo, viveria em conflitos pessoais inúteis, alimentaria sentimentos desagradáveis e nocivos – e não teria tempo nem espírito pra fazer os trabalhos que gosto e dão sentido à minha vida.
            Não recomendo nem pretendo voltar à situação de miséria onde, na verdade, nunca me senti. Eu pesquisava, aprendia, observava e absorvia o máximo possível. Desenvolvi afeto e solidariedade com aquelas pessoas em situação injusta. Não posso gostar ou desejar luxos, excessos, ostentações e desperdícios. Na minha visão, são expressões de grosseria moral e espiritual, de insensibilidade, de egoísmo, indiferença, enfim, de desumanidade, disfarçada com requintes de sofisticação. Para olhos mais solidários, de quem se sente parte do grande grupo humano ou além, da coletividade planetária, tais finuras e sofisticações são apenas uma capa frágil da sua real situação moral, de um ridículo inevitável e notória nocividade para a sociedade como um todo. Não se trata de condenar ninguém, mas de perceber com olhos próprios e refletir sobre o que se vê. E como e em nome de quê se vive.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quem são os piratas da Somália?

A realidade da Somália expõe a nu e cruelmente a predominância do poder empresarial sobre o mundo, os Estados e as pessoas. A mídia quando fala "piratas somalis", esconde de forma suja a covardia que se faz com aquele povo africano.
Abraços a todos,
                           Eduardo.

Clique onde está escrito You Tube, e o vídeo aparecerá legendado em português.



¡Piratas! - 7 Translation(s) | dotSUB

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.