Estou vendo por aí se falar de "declínio da democracia". Na minha visão, um engano. Está se vendo é o descaramento da falsidade, essa tal "democracia" nunca existiu de verdade além de instituições de fachada, infiltradas, pressionadas e submetida por poderes econômicos - banqueiros, mega-empresários, financistas e outros que formam um punhado de podres de ricos escondidos sob o nome de "mercado", fonte da corrupção que a mídia empresarial aponta, estrategicamente, na chamada "política". Os corruptos são responsabilizados genericamente enquanto os corruptores não são nem mencionados.
OBSERVAR E ABSORVER - observareabsorver.em@gmail.com - Pra ver o trabalho, com dimensões e preços, clique no link abaixo de "Ver o trampo".
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
A farsa se descara - ou a ilusão vai se demonstrando claramente.
sábado, 5 de fevereiro de 2022
Agora "foi golpe"? As mutações se impõem.
O departamento de estado estadunidense dá as regras e estas são seguidas, da mesma forma, em vários países da América Latina. O candidato indesejado é eleito, a oposição tenta colar o rótulo de "fraude". Não colando, parte pra sabotagem do governo eleito - geralmente unindo consciências vendidas em congressos e judiciários. Provocando o insucesso da governabilidade, arma-se o cenário pra um impítiman. Em todos os países há pilantras prontos a servir os saqueadores e trair sua nação - vender a própria consciência rende fortunas, nesses casos. O mesmo procedimento no Brasil, na Argentina, no Paraguai, na Venezuela, na Bolívia, enfim, onde não haja governos dominados pelos "interesses econômicos" - a partir dos mega-banqueiros mundiais que já há séculos dominam as nações, contando com a cumplicidade das "elites locais", em geral brancas e descendentes dos maiores senhores de escravos, colonizadas mental e espiritualmente.
Enquanto rolava o golpe, o silêncio institucional era estarrecedor. As tais "pedaladas" que serviram de pretexto - já que o exército de investigadores, brasileiros e estrangeiros (sobretudo estadunidenses, britânicos e israelenses), não conseguiu encontrar uma só falcatrua, um único real ou dólar ilegal nas contas do metalúrgico e da ex-guerrilheira - foram legalizadas pelo congresso nacional pouco tempo depois, por serem um procedimento comum, de praxe, usado pelos governantes em geral e de qualquer ideologia, pra continuarem servindo ao equilíbrio orçamentário de estados e do país. Não havia crime de responsabilidade, não havia motivo legal, pra impitimar a presidente. Apenas ela não tinha a vaselina do ex-metalúrgico pra tratar com corruptos, esmagadora maioria no congresso e nos poderes públicos, e criou uma rejeição enorme entre os "eleitos" do legislativo ao rechaçar qualquer papo com cheiro de sujeira, de entreguismo e falcatruas institucionais. Ao botar pra fora do seu gabinete, aos insultos, parlamentares vendidos a interesses econômicos que exigiam o sacrifício da população, rotineiro e cotidiano até então. Obviamente, o massacre midiático criou tamanha tsunamis desinformatica que, até hoje, se mantêm mentalidades brutalmente convencidas da "bandidagem petralha", sem perceber a estrutura social inteiramente construída pra funcionar sob o domínio dos corruptores. De quem, aliás, não se fala - a vista meio cega só enxerga os corruptos. Na dita "política", claro, porque o "mercado" onde moram os corruptores é apresentado como a fonte das virtudes e da competência.
Que forças amarraram tão fortemente os poderes institucionais que poderiam ter impedido esse golpe e evitado a tragédia da eleição de um criminoso declarado, conhecido, praticante de falcatruas há décadas? Quais os poderes que estão acima dos chamados "poderes públicos"? A pista está na convocação recente do BGT Pactual, um banco de segunda linha, aos "presidenciáveis", pra um evento sintomaticamente chamado "CEO Conference", em inglês mesmo, descarado. Dizem que é o "mercado financeiro", pra não dizer que são os maiores banqueiros, na verdade controladores do tal "mercado" tanto quanto ou mais ainda do que dos "poderes públicos". Pra esconderem esse punhado de podres de ricos - causa e fonte de toda a miséria, fome, desabrigo, ignorância e desinformação, em última análise - se usa o termo genérico, nebuloso, de "mercado", pra manter os verdadeiros poderes, que submetem todos os governos, no escuro, nos bastidores, ocultos, longe dos holofotes da mídia empresarial, dominante nas comunicações do país e dominada por esses mesmos vampiros sociais.
O silêncio covarde do supremo tribunal, diante de um golpe de estado armado de fora pra dentro, contando com a trairagem das "elites" políticas e econômicas - e com a lavagem cerebral permanente executada pelo massacre midiático, publicitário e ideológico -, foi imposto pelos poderes imperiais, colonizadores, saqueadores das riquezas das nações e sabotadores do seu desenvolvimento. No Brasil a sabotagem iniciada com o golpe seguiu destruindo todos os instrumentos e mecanismos criados para um verdadeiro desenvolvimento do país e seu povo, ainda no nascedouro. Pequenas aberturas foram fechadas, na educação, na agricultura, nas comunicações, nas relações sociais, em toda parte. E o silêncio dos "magistrados" ecoaram como um trovão, anunciando os poderes ocultos que dominam os chamados "poderes públicos", que nunca foram mesmo públicos, até agora. Ainda serão.
Agora, que a indústria naval foi destruída, a indústria da construção pesada fechou mais de 200 empresas no território, que a Petrobrás foi esquartejada e reduzida, privatizada na surdina nas suas partes mais rentáveis e produtivas, deixando de refinar os combustíveis que atendiam a todas as necessidades do país e passando a comprar no exterior a um preço que depende do tal "mercado internacional", que o acesso mínimo aberto à população mais sabotada em escolas e universidades vem sendo fechado e dificultado ao máximo, que a fome tornou a se espalhar, o desabrigo se expõe em toda parte, que milhões e milhões estão sem trabalho, agora que a perversidade está escandalosamente instalada nos cargos mais visíveis dos governos, surgem tardiamente as vozes dissonantes. Onde estavam esses covardes enquanto esses crimes sociais eram cometidos na preparação da situação de agora? Nos mesmo lugares onde estavam caladinhos, o que dá a perceber que receberam algum tipo de permissão pra começar a se manifestar, a esboçar alguma reação institucional. O contraste com o silêncio os denuncia.
Esta nossa sociedade é uma grande farsa. E é a partir desta percepção que se pode e vai construir um outro modelo, mais humano, mais harmônico, menos injusto, mais igualitário, menos perverso e mais solidário. Quanto tempo, quantas gerações isso vai levar, depende de nós, das nossas reações, individuais e coletivas. Mas o planeta, com todas as mutações que se apresentam cada vez mais profundas e amplas, parece preparar um grande impulso nessa direção. É o que me parece.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Jornalismo empresarial: cadê a realidade?
Eu queria saber o que acontece com os kaiapó, depois de Belo Monte construída no rio onde eles viviam. Foram seis meses de Acampamento Indígena na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em protesto contra a construção da usina - luta "até a morte", segundo eles. Que acabou mesmo na morte de um cacique, do coração, por conta dos gases que as polícias lançavam a cada vez que destruíam aquele acampamento, que era reconstruído em seguida por outra leva de indígenas kaiapó. E na morte de uma criança que ainda estava em gestação, pelo mesmo motivo, ataque das "forças de segurança" do Estado inimigo da população quando se trata de atender interesses econômicos.
Queria saber do vale do rio Doce, contaminado de metais pesados desde 2015, foco de todos os tipos de câncer que os resíduos da mineração são capazes de provocar. São mais de oitocentos quilômetros, mais de vinte municípios na beira do rio, até o mar, no Espírito Santo, passando por um território indígena, os Krenak. As pessoas estão cozinhando com água de poços, a contaminação é geral, deve ser o maior nível de câncer por habitante do país - de esôfago, de estômago, intestinos, pulmões... Barra Longa tá com o maior índice nas vias respiratórias, Valadares tá comendo um peixe mutante que apareceu na água infestada de metais pesados, cor de ferrugem, o vale todo é uma fonte de contaminação geral. Os laboratórios farmacêuticos estão lucrando muito por ali.
O que está acontecendo nas "frentes agrícolas" que derrubam e queimam florestas? E nas terras indígenas e quilombolas, sempre cercadas de olhos ambiciosos, armados e prontos pra atacar as pessoas e tomar as terras onde vivem há gerações sem conta?
O que passa nas periferias e favelas das cidades grandes? A quantas anda a repressão, os mortos por balas "perdidas"? Como está o movimento de êxodo urbano, que vem inchando as cidades do interior e levando os problemas das metrópoles pras áreas onde ainda não havia?
O que acontece hoje com as 250 mil famílias que foram expulsas das suas casas - na base da porrada, do gás lacrimogêneo, da repressão pelas "forças de segurança"- pra dar espaço às obras empresariais da copa do mundo e das olimpíadas que o país sediou? Não se fala do destino dessas pessoas, tratadas como pragas, formigas, espalhadas e atiradas à própria sorte - ou azar de não ter nascido entre os privilegiados sociais.
A imprensa, o jornalismo em geral só fala das personagens, marionetes nas mãos dos poderes "ocultos", nos bastidores - banqueiros, mega-empresários e seus cúmplices na política e nas elites "nacionais". É Moro, Bolsonaro, Lula, Dilma, Dória, Ciro, personagens, no fundo, cênicos da política partidária, que se diferenciam pelas personalidades, mas são subalternos aos "poderes de mercado", ao "mercado financeiro", aos poderes econômicos mundiais e seu braço nacional, que é essa elite de um punhado de podres de ricos, descendentes dos senhores de escravos, antigas alavancas do poderio banqueiro mundial, desde que tinham sede, principalmente, no império britânico. E que hoje estão mais nos Estados Unidos, embora se mantenham ainda pela Europa - o que nos põe sob o controle do imperialismo euro-estadunidense - que se impõe a quase todo continente Americano e a quase toda África. Domínio e saque europeu na África, domínio e saque estadunidense na América Latina. Os que fazem e constróem de verdade a história e as histórias por aí ficam fora dos holofotes, no escuro, mantidos na ignorância e desinformação, impedidos por muitas formas de tomar consciência da realidade como é e suas causas mais profundas.
A mídia mira seus holofotes no palco das marionetes e esconde os bastidores, os verdadeiros poderes que têm no cenário dito "político" um tabuleiro onde movem suas peças - e controlam inclusive os holofotes. A seu favor e contra povos e nações. A mídia empresarial esconde e distorce a realidade, a favor do lucro e da propriedade do punhado de podres de ricos mundiais e suas elitezinhas locais, cúmplices dos crimes contra a humanidade. E a mídia alternativa, dita "de esquerda", mais humanista mas não menos condicionada, fica na superfície, discutindo e disputando no teatro de marionetes, focada na farsa e sem se dar conta dos próprios condicionamentos, dos aprisionamentos em suas "correntes de pensamento" no desprezo à sabedoria e à resistência popular, dos sentimentos de falsa superioridade que afastam, separam e impedem a troca verdadeira com os verdadeiros construtores e mantenedores de toda a estrutura social - em todo o mundo.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Perguntas pra se fazer a si mesmo - ou revolução interna.
Eu vejo o mundo, a realidade, a vida, a sociedade com meus próprios olhos? Ou pelas lentes distorcedoras que me colocam na cara desde a infância e todo santo dia?
O que eu quero da vida sou eu mesmo quem quer? Ou quero o que fui induzido a querer?
Meus valores foram criados, formados, escolhidos por mim ou me foram impostos pelas convenções sociais?
Meus objetivos de vida me satisfazem o espírito ou às exigências sociais pra "merecer" respeito?
Eu me comporto como quero e me satisfaz ou como sou condicionado e cobrado a me comportar?
Dou mais importância ao olhar alheio ou ao olhar da minha própria consciência?
É tempo de mutação e a principal é a interna. É esta que reflete e influencia as verdadeiras mudanças. Sem a revolução interna, somos prisioneiros dos condicionamentos em que este modelo de sociedade é especialista. E incapazes de uma verdadeira revolução social.
Pequeno quadro social
O Estado, obediente aos poderes econômicos que o controlam - muito além dessa farsa chamada "democracia", o que nunca foi de verdade -, amarra a população com as correntes da ignorância, tranca no quarto escuro da desinformação e ocupa as mentes com o consumismo, a alienação, a superficialização mental, com a cultura do entretenimento vazio e dispersivo. Educação pública sabotada, educação particular com foco na formação de competidores pro "mercado", comunicações dominadas pelos poderes econômicos privados - pra quem o lucro vale mais que a verdade -, formam a estratégia de dominação que conduz a mentalidade geral, em cada classe social, de acordo com esses interesses. Banqueiros e magnatas, que formam a casta do punhado de podres de ricos, dominam os poderes ditos "públicos" e arrancam da maioria - entre a exploração, a pobreza e a exclusão - seus privilégios, luxos e excessos, garantidos pelo próprio Estado e seu sistema de segurança. Suas ricas empresas envenenam as terras, as águas, os ares, os alimentos, enquanto o povo, aturdido, não consegue entender os porquês de tanta dificuldade e sofrimento, desprovido de senso crítico, de informação e consciência social. Roubado em seus direitos humanos, básicos e constitucionais, não tem condições de enxergar as causas de tanta injustiça no mundo. É a partir desse "enxergamento", tomando consciência da realidade, se reconhecendo como base indispensável de toda a estrutura social, que se pode tomar atitudes - no cotidiano - e mudar esse quadro desumano e anti-social implantado de cima pra baixo. É o alicerce que sustenta a pirâmide. E quando o alicerce se movimenta, a casa cai. Caminhamos.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Verdades escandalosas
O ministro da saúde escandalizou vários setores ao dizer que "é preferível morrer a perder a liberdade". No caso, "perder a liberdade" seria ter exigido um cartão de vacinação pra entrar em lugares fechados e cheios de gente. Uma distorção realmente escandalosa, mas que não surpreende nem um pouco. Um ministro aí de educação afirmou diante das câmeras, em público, que a educação superior "não é pra qualquer um", que é só pra elites, mesmo. Os ministros da saúde, que foram trocados vários durante a pandemia que só matar, matou mais de seiscentas mil pessoas. Sequelou outras tantas e deixou centenas de milhares de órfãos que dependiam de seus pais.
O que está sendo dito por essas "autoridades" só espanta por que não é coisa que se diga, apesar de ser a realidade. Todos esses absurdos são ditos pela realidade, pela sociedade, vejo isso há mais de quarenta anos. Não pela boca de ministros, mas sim pela prática cotidiana, no dia a dia do trato entre a população e os serviços públicos - saúde, educação, transporte, saúde, saneamento, moradia, segurança... (todas essas palavras mereciam aspas, porque na realidade não merecem os nomes, por sabotagem institucional de todas). O que no microfone e diante das câmeras causa indignação, me é dito no cotidiano, no dia a dia, esfregado na minha cara pela própria sociedade.
terça-feira, 30 de novembro de 2021
Eleições, a farsa
Aberta a temporada da farsa eleitoral. Dançam as marionetes, jogam os poderes subterrâneos, parasitas podres de ricos movem suas peças no tabuleiro. Os holofotes das mídias empresariais armam suas mentiras e distorções, contando tranquilas com a ignorância, a desinformação, a superficialidade mental implantadas minuciosamente sobre a sociedade como um todo. O bradesco demitiu, só esse ano, nove mil funcionários, sob o silêncio do jornalismo vendido. Os banqueiros se compõem, entre patrões estrangeiros e cúmplices nacionais, contra o povo, como sempre. Os candidatos se compõem com as mentiras sociais, caladinhos quanto aos verdadeiros poderes, econômico-financeiros. Ninguém menciona os mega-corruptores, mas são todos "contra a corrupção". A miséria, a exclusão, o desabrigo, a fome, a sabotagem da educação e da informação continuam provando a falcatrua institucional, os crimes da administração pública contra seu próprio povo, dominada pelo punhado de parasitas sociais, descendentes dos grandes senhores de escravos, brancos, colonizados, que admiram os colonizadores, os saqueadores estrangeiros, se sentem como eles, europeus e estadunidenses. E que desprezam o povo brasileiro e o desenvolvimento verdadeiro da sociedade, entregando de bandeja as riquezas do território ao saque mega-empresarial, ao envenenamento das terras, das águas e dos ares pelos agrotóxicos, pelos metais pesados da mineração, pela criação intensiva de gados.
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
Transcomunicação - já ouviu falar?
Transcomunicação é a comunicação entre dimensões diferentes. Nesse caso se trata de comunicação com a espiritualidade além da matéria densa como a conhecemos. Entre "vivos" e "mortos" - entre aspas porque, afinal, permanecemos todos vivos em dimensões de freqüências diferentes. Dei uma olhada no saite da Rede TCI Brasil e trouxe esse texto deles lá, sem autoria declarada.
"A palavra Transcomunicação é a combinação contraída dos vocábulos Transcendental + Comunicação.
A expressão foi concebida na Alemanha, nos anos 80, pelo físico, engenheiro e prof. Dr. Ernst Senkowski. Transcomunicação é um neologismo, que ainda não é encontrado em nenhum dicionário, muito embora já exista o termo Trans, através, para além, além de. Seria difícil encontrar uma outra denominação que melhor definisse essas comunicações transcendentais.
Usa-se, entretanto, esta terminologia de origem europeia, também para designar todo e qualquer tipo de comunicação entre mentes encarnadas e consciências sem corpos do plano extrafísico. Vale dizer que as comunicações mediúnicas obtidas através dos médiuns e conhecidas como psicofonia, psicografia, materializações, os fenômenos de voz direta ou de efeitos físicos, etc., constituem um importante grupo de transcomunicação. Mais precisamente: Transcomunicação Mediúnica.
Mas, por que introduzir essa “complicação”, se os velhos e consagrados vocábulos – médium, mediunidade, comunicação mediúnica, etc. – já funcionam tão bem? A razão dessa aparente sofisticação está na necessidade de se criar uma nomenclatura adequada ao desenvolvimento tecnológico da comunicação com os Espíritos.
É que, de uns tempos pra cá, vêm sendo obtidas comunicações tecnológicas diretamente por meio de aparelhos físicos, eletrônicos, sem a intermediação humana, a não ser em alguns casos, para melhor viabilizar a comunicação. A essa categoria de comunicações dá-se a denominação de Transcomunicação Instrumental, com o objetivo de evitar ampliação semântica de difícil entendimento. A nova nomenclatura resulta, portanto, em ordem e simplificação, dando maior precisão e entendimento aos vocábulos.
Neste portal, estamos nos detendo especificamente na Transcomunicação Instrumental, uma vez que sobre as outras formas já existe farta informação a respeito."
Tá chegando o tempo da ciência "descobrir" a espiritualidade, comprovando cientificamente, através de aparelhos e comunicações diretas. Esses aparelhos fariam contatos bem mais claros do que os mediúnicos. E com o seu inevitável desenvolvimento tecnológico poderíamos conversar com nossos ancestrais que já passaram pelo portal da morte. Imagino que seria preciso marcar hora, há muito o que fazer sempre, né, tanto aqui quando lá, imagino eu. Pelo que li em psicografias, trabalho não falta na espiritualidade - ainda bem, desde criança a idéia de ficar em eterna beatitude, sem fazer nada além de entoar cânticos ouvindo harpa e olhando pra sempre a face de Deus me pareceu estranha, meio apavorante. Por mais divina que seja a face, eternamente não dá. Pensava, mas não dizia, por medo de ser chamado de herege.
Sempre senti a espiritualidade e não me surpreende o desenvolvimento desses aparelhos. Diante da descrença eu silencio, mas na vida tive uma quantidade incontável de "inexplicáveis", "acasos" e "coincidências" inacreditáveis, sem falar nos "casuais" convites pra ir a sessões mediúnicas, de raro em raro, mas que davam em toques, esclarecimentos, recomendações, avisos sempre valiosos. Sei que taí, apenas não tento entender muito, aceito e aprendo a tratar, a partir da relação comigo mesmo. Sei que tô de passagem, tenho muito a aprender e funções a cumprir no meio da família planetária, ainda que só à minha volta e dentro do meu pequeno alcance.
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
O sistema se descara
domingo, 24 de outubro de 2021
Morte, espiritualidade, transição (ou não)
Qual é o problema com a palavra morrer? Por quê se diz "perder a vida"? A gente perde é carteira, chave, documento, coisas. Dá pra ajudar alguém que perdeu a vida a procurar em algum lugar que ela tenha esquecido? Quando se morre não se perde a vida, se muda de dimensão. A idéia que a morte é uma tragédia, uma desgraça tá equivocada. Morte é conseqüência de nascer. Tudo que nasce, morre. Porta de entrada, porta de saída, a vida é o caminho entre uma e outra. Simples assim. Não se "perde" ninguém, a não ser de vista. "Perdi meu pai", "perdi minha mãe", a gente escuta por aí. Eles não tavam aqui quando tu chegou? Vivendo há tempos, antes de tu nascer? Estarão lá, quando chegar a hora de tu morrer. Porque todo mundo morre.
Em vários momentos da minha vida pensei que tinha chegado
minha hora. “Então vai ser agora” ou “então é desse jeito”, passava rápido na
minha cabeça. Uma interferência inesperada, um acontecimento, uma arma que
masca e não atira, um poste no caminho do carro desgovernado, um “acaso”, um “aviso”,
uma “coincidência”, um “inexplicável” surgia na hora agá e livrava a situação.
E, como se vê, minha hora não chegou. Ainda.
Chegará, sem dúvida, e seria bom se houvesse desejo de boa
viagem, em vez de lamentos, comemoração por uma vida bem vivida, um pequeno
passo bem dado no caminhar infinito da humanidade. Nada de lamúrias e
lamentações, que se contem histórias, que se relatem vivências, que se reflita,
que se emanem bons sentimentos, bons desejos. Que se agradeça pela vivência.
Uma festa de despedida, não um velório.
Que os frutos espalhados por aí sejam cuidados, sem a ilusão
da permanência, mas que durem o máximo possível. Em couro, em madeira, em
metal, em telas, em papel, em camisas, em ímãs, em livros, livrinhos feitos à
mão, fanzines, por último em vídeos, esses não por grana, pelo menos ainda. Se
encontrar uma forma que não me ofenda a consciência, sem dúvida faço uso. Mas
não penso muito nisso, continuo produzindo e vendendo meus desenhos e tudo o
mais, agora vendendo mais que antes.
No pequeno período universitário – menos de um ano – eu comecei
a ser ateu, não convicto, mas negando toda a religiosidade que me cercava. Não
durou muito – pouco mais do que o tempinho acadêmico –, fui me sentindo meio
ridículo nas andanças periféricas e nas ruas das cidades, tanto diante de
evidências espirituais quanto por me ver fazendo a mesma coisa que as religiões
– afirmando o que não sabia. Então pude vivenciar espiritualidades diversas,
desde doutrinas rígidas hierarquizadas até a mediunidade frilance, paga,
retribuída ou não, de graça. Perceber um intercâmbio variadíssimo entre as
dimensões, não duas – a visível e a invisível – mas muitas, além da material em
que estamos, e todas materiais em sua freqüência, imateriais entre si. O que
Einstein chamou de pluriverso.
Assim passei a ver espiritualidade em tudo, em qualquer
lugar, em todo mundo, nos bichos, nas plantas, nas pedras. Não com a razão, mas
com a intuição, o sentimento. Sentia mais que sabia – consciente já de que
estava aprendendo o tempo todo, de acordo com meu próprio interesse,
disposição, atenção e humildade. Aprendia só o que era capaz e sabia ser muito
pouco pra sair tirando conclusões além da minha capacidade de compreensão. E
sentia espiritualidade em tudo, mesmo sem entender.
A gente aprende de acordo com as próprias condições e não adianta
querer explicar o ainda inexplicável, compreender o ainda incompreensível e
alcançar verdades ainda inalcançáveis. Mais útil seria se aplicar no
desenvolvimento do agora, aprender o que podemos aprender e aplicar o que já
sabemos, porque é o que precisamos pra seguir adiante no processo. À medida em
que aprendemos, aumentamos a capacidade de compreensão, de transformação e
assimilação de novos conhecimentos, novos valores, novos comportamentos e novas
relações.
Trato com a espiritualidade sem racionalizar muito. Sigo o
que sinto e me sinto melhor assim. Sob a vigilância de uma consciência atenta,
de quem nada está escondido, embora ela mesma possa esconder muita coisa nas
profundezas do inconsciente. Não tenho pressa. Quando passar pelo portal, aí
sim vou ter que tratar diretamente com outras dimensões. Por enquanto me
relaciono com elas através dos sentimentos, dos pensamentos, dos desejos, do
caráter, das ações e relações no dia a dia. Acho que todo mundo, a maioria
inconscientemente, cada um à sua maneira, se relaciona com a espiritualidade.
Há previsões – mediúnicas e científicas – de que, afinal, a
ciência vai comprovar a existência da realidade entre dimensões. A física
quântica me parece um grande passo nessa direção. Assim como a existência de
civilizações pelo universo todo, as mais variadas. Dizem que vamos desenvolver
aparelhos pra conversar com parentes que tínhamos por “mortos”, perdidos pra
sempre. Que haverá intercâmbio com outras orbes planetárias, na verdade sempre
houve, mas agora de forma direta e consciente. O desenvolvimento é permanente.
A “ciência oficial”, que sempre se pôs como dona das verdades, ao longo da
história foi obrigada a voltar atrás e reconhecer erros inúmeras vezes. Mas não
aprendeu ainda e continua arrogante.
Período de transição planetária. O mundo se modifica,
terremotos, tempestades, vulcões, tufões, maremotos, gelos polares derretendo,
nível do mar subindo, temperaturas variando como nunca, desertificações,
migrações em massa, virão mudanças
geo-políticas, sociais, comportamentais. As mutações no mundo obrigarão a
mudanças radicais nas relações sociais e com a natureza, a solidariedade será
uma necessidade de sobrevivência, a humildade será uma ferramenta de
aprendizado. Agoniza um modelo social, outro surgirá das ruínas. Um trabalho
intenso e conjunto com níveis de espiritualidade além da nossa precária
concepção.
Posso estar errado em tudo isso? Posso, claro. É possível que
a gente morra e puf, tudo acabe, vira nada? É sim, admito. Mas não acredito.
Não é o que sinto – e sei que não é nenhuma necessidade de permanência ou pavor
de desaparecer. Se fosse assim mesmo, não me importaria muito. Nada mudaria,
continuaria a viver como vivo, porque é assim que gosto. Só não posso acreditar
nesse nada, vi coisas demais além da minha capacidade de compreensão, vi
manifestações precisas, recebi recados e avisos cruciais, ouvi coisas
impressionantes, passei por “acasos” e “coincidências” impossíveis. Respeito
todas as opiniões, mantendo a minha. Ela não se baseia só na razão mas,
sobretudo, no sentimento e na intuição.
Pra encerrar uma discussão com um amigo ateu – não entendo
essa necessidade de por idéias pra brigar, não tenho nenhuma necessidade de “defender”
o meu ponto de vista. Posso explicar, esclarecer como vejo, como penso, como
sinto, sem afirmar ser “o certo”, o que supõe estarem “errados” todos que não
concordem – voltando, pra encerrar a conversa, disse a ele que tinha uma
vantagem sobre ele. Se eu tivesse razão, poderia falar com ele “taí, mané, não
te disse?” Já se a razão estivesse com ele, não poderia dizer nada. Brincando,
discussão encerrada. Nessa área, disputar quem tá certo ou errado é pura perda
de tempo. O certo e errado vai se mostrar é no comportamento, na atitude, nas
práticas e relações cotidianas.
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
Combustível, privatização e jornalismo
Jornalistas especializados dizem que o preço da gasolina é menos o imposto estadual apontado como responsável e mais “as políticas de preços da Petrobrás”. Superficialíssimas análises. Embora seja verdade que os impostos estaduais não têm nada a ver com as altas de preços, pelo simples fato de que são os mesmos há décadas, a expressão “política de preços” esconde a raiz do problema.
A Petrobrás sempre incomodou os poderes externos, as mega-petroleiras internacionais, desde a sua criação (até antes, quando era só uma idéia) mas, sobretudo, nesses tempos de pré-sal e fartura de petróleo em território nacional – que a mídia empresarial tratou de omitir, esconder e, na impossibilidade, diminuir e desqualificar. Coincidentemente, foi quando se reativou a quarta frota dos Estados Unidos, e navios de guerra começaram a ser vistos das plataformas de petróleo próximas a Santos. Depois do golpe de 2016, o presidente da Petrobrás foi trocado por um sujeito que nunca foi petroleiro, com a função de retalhar a estatal*. Durante o governo Temer, a maior parte das refinarias – que produziam todo o combustível necessário ao funcionamento do país – foi vendida ou paralisada, toda a tubulação que trazia gás da Bolívia foi vendida, num processo de amputação que ainda continua. A última foi a distribuidora de combustíveis BR, com toda a sua infra-estrutura de transporte e serviço nos postos. Deixando de produzir o necessário ao funcionamento do país, o que era feito pela Petrobrás, foi preciso importar esses derivados a preços internacionais. Agora os combustíveis baseiam seu preço no dólar e é isso que provoca as altas seguidas, afetando o preço de praticamente tudo. A presidência e a política atuais da Petrobrás têm a missão de destruir a força descomunal da empresa. Ordens de fora.
Por quê será que o “jornalismo” aponta como causa dos aumentos as “políticas de preços da Petrobrás”? Uma expressão vaga, que não explica nada, não vai às causas e evita o entendimento, bem de acordo com os interesses corporativos e mais um crime contra a informação, na “política” de manter a desinformação geral. Assim fica fácil, pros ideólogos sociais de consciência vendida, convencer a população dos “benefícios da privatização”. Todas as privatizações que pude observar, e não foram poucas, causaram desemprego, chamado de “enxugamento”, aumento nas tarifas, alegados “ajustes” e “correções”, e piora nos serviços, pela terceirização – que é entregar os serviços antes feitos por funcionários de carreira a pessoas sem preparo, de baixos salários, extremamente exploradas, pressionadas com crueldade e ameaçadas de demissão o tempo todo. As promessas antes de cada privatização se diluem com rapidez e a omissão criminosa do “jornalismo” corporativo esconde as conseqüências nefastas pra população. Tragédias e sacrifícios decorrentes jamais são ligados às suas verdadeiras causas. Os “benefícios da privatização” são benefícios só pros mega-empresários e seus acionistas podres de ricos, que não dependem do serviço que eles próprios “oferecem” ao povo.
*Creio que é dessa época o tal projeto de emenda constitucional (PEC) que mudou o artigo determinando que o presidente de uma estatal teria obrigatoriamente que ser um funcionário de carreira da mesma estatal, apenas acrescentando uma vírgula e incluindo a frase “a não ser por determinação do presidente da república”. E o presidente da república traíra da ocasião , fruto do golpe que ele ajudou a planejar e executar – somando com a mídia corporativa, os poderes econômicos estrangeiros e as elites internas e cúmplices, colocou a presidência da Petrobrás nas mãos de quem as petroleiras e banqueiros internacionais determinaram. A partir daí, um após o outro, nenhum presidente da Petrobrás foi funcionário da empresa. Mas a missão é a mesma, reduzir a Petrobrás a um escritório administrativo, amputar e esquartejar ao máximo suas partes lucrativas, “vendendo” pra empresas várias, nacionais e, sobretudo, estrangeiras. A imprensa corporativa, o jornalismo de consciência vendida, esconde, papagaiando razões falsas, sem relação com as raízes verdadeiras do problema.
“O mundo tem condições de produzir tudo o que é necessário às necessidades de todos, mas não o suficiente pra atender às ambições de alguns poucos”. Mahatma Gandhi
Tempos de pré-eleição e evolução planetária
Os donos do dinheiro se preparam, grandes bancos, mega-empresas afiam seu monitoramento, é preciso se manter no controle, manter ou, de preferência, aumentar o seu poder de pressão sobre os poderes ditos “públicos”.
O judiciário, com seus salários enormes e poder social
incontestável, já está devidamente afastado da população em geral e sua realidade, artificial e
irresistivelmente inflados em seus sentimentos de superioridade. “A justiça é
como a serpente, ataca de preferência os descalços”, como disse Galeano. Assim os interesses econômico-financeiros, tradicionalmente anti-sociais, garantem a conivência e a proteção da "justiça", a impunidade na prática cotidiana de crimes contra a população, principalmente a mais pobre.
Agora é a vez do executivo, "eleição" do governo central, a cabeça
da hierarquia estatal nas decisões da "cúpula" do Estado. Os lobistas, correias de transmissão dos poderes
econômicos, circulam nos corredores estatais, reforçam seus apoios institucionais,
carregando as forças das mídias empresariais sempre em defesa dos interesses
desses poucos podres de ricos, sempre em prejuízo da população em geral e dos
direitos de imensa parcela, sempre sabotada, enganada, explorada, iludida,
alienada das decisões que afetam sua vida.
Mal sabe a população que é no seu comportamento
condicionado, nos seus valores induzidos, nos seus desejos e objetivos
programados, impostos pela educação empresarista, pelo massacre
publicitário-marqueteiro – entre a sedução e a ameaça – e pelo falso jornalismo
dos interesses econômicos – consciências profissionais vendidas por altos
salários e privilégios sociais – que se baseiam os pilares desse modelo social
injusto, perverso, covarde e destrutivo.
A sociedade é como é porque nós consentimos, sem perceber,
exercendo a vida como é induzido, assimilando os falsos valores do excesso, do
consumo desenfreado, na atenção e na intenção postas na matéria, na
propriedade, na riqueza como objetivo de vida, como se a vida não acabasse. Pra
isso a morte é concebida como uma tragédia, uma desgraça que “não vai acontecer”
(a não ser num futuro remoto que, sideusquiser, nunca vai chegar), e não uma
simples conseqüência de ter nascido, um acontecimento natural pra onde tudo o
que vive se encaminha, seja fungo, planta, bicho ou gente. Da porta de entrada
até a porta de saída, a vida é uma passagem. Minha razão, por algum tempo,
negou a existência antes do nascimento e depois da morte. Mas o meu sentimento
se impôs, diante de acontecimentos e percepções – nascimento de filhos,
observação do desenvolvimento de crianças, assuntando a velhice avançada e a
visão da vida das pessoas mais velhas que encontrei, em contatos com “entidades
incorporadas” no candomblé, na umbanda, no kardecismo, em linhas
espiritualistas independentes e das mais diversas – e, com o tempo, a convicção
se fez como certeza intuitiva. Não se começa ao nascer, não se acaba ao morrer.
Minha razão acata meu sentimento. E não se mete a entender, muito menos a
explicar, a não ser através da intuição, que não precisa atender às exigências
da lógica. Até por ter a humildade de reconhecer a própria ignorância, as
limitações do conhecimento, do alcance e do entendimento.
Da mesma forma que sabemos hoje o que não sabíamos ontem,
amanhã saberemos o que não sabemos hoje. A ciência, que sempre se arrogou dona
das verdades, foi obrigada pelo tempo a reconhecer erros e fazer correções
inúmeras vezes. Esse processo não termina, embora a arrogância continue, e é de
se esperar sempre novos reconhecimentos de erros, correções e descobertas, num
caminho sem final, sem chegada, de aprendizado e evolução coletivos. Negar
obstinadamente o que não está comprovado cientificamente chega a ser
ingenuidade. A ciência não chegou a seu termo, não tem conclusões finais sobre
tudo – embora muitos tenham essa pretensão –, há muito a se descobrir, a se
corrigir, a perceber e desenvolver. O caminho do desenvolvimento geral,
sobretudo da consciência, é um caminho do qual não se vê o fim. Aqui do meu
pequeno alcance me parece permanente.
Uso a imaginação pra daqui a mil anos, dois mil, e vejo a
integração com a realidade universal, o contato com outras realidades
planetárias, no desenvolvimento da consciência pra além da harmonia social que
ainda estamos por construir. No contato com outras dimensões da realidade, já
praticada por muitos, mas ainda não reconhecida pela “ciência oficial”. Tenho a
intuição de que quando alcançarmos o patamar de sociedade sem abandonados, sem
escravidão – e não tenho a ilusão de que esse passo se dê com poucas gerações e
muito menos no tempo de uma vida, muito trabalho ainda por fazer – e nos
tornarmos a família humana e planetária que somos e ainda não exercemos, não
tomamos consciência, teremos percepções e desenvolvimentos além do que a
maioria imagina ou acredita.
Ao mesmo tempo vejo o planeta dando sinais cada vez mais
numerosos e intensos. Por mais que os geógrafos e geólogos digam que todos
esses movimentos são naturais e sempre ocorreram, não me lembro de tantas
convulsões ao mesmo tempo, terremotos, vulcões, tempestades, furacões, secas,
neves e incêndios onde nunca tinham acontecido, migrações em massa e profecias
se cumprindo. Parece mesmo que se aproxima “o fim do mundo”, pra quem está
atento aos acontecimentos mundiais. E é mesmo um fim de mundo que se aproxima,
entendendo por “mundo” as formas sociais em que vivemos. Um modelo social
entrando em agonia de morte, prenúncio do nascimento de outro modelo, mais
humano e solidário pela necessidade de sobrevivência, de superação das
dificuldades que vêm se anunciando há muito tempo e que agora se apresentam e,
pelo jeito, vão se apresentar cada vez mais. Não há retorno. Nem haverá um
momento preciso de mutação, um ponto no tempo onde tudo vai mudar.
A mudança é permanente e, por mais que o momento seja
intenso, de pressão, ainda assim leva gerações esse “momento”. É preciso
serenidade e visão de médio e longo prazo – exatamente o contrário da visão imediatista
a que a sociedade induz – pra perceber o processo multi-milenar no caminhar da
humanidade e do planeta no tempo e no espaço. Minha satisfação – e não me dou o
direito de cobrar de ninguém – é me colocar a serviço nesse processo, dentro do
meu pequeno alcance e no máximo das minhas possibilidades. Pra mim, é assim que
a vida vale a pena.
Eduardo Marinho – 13/10/2021
terça-feira, 21 de setembro de 2021
Desprezo não diminui ninguém
Muitas vezes vi meu trabalho ser desdenhado, desprezado, desqualificado, com olhares, posturas ou diretamente mesmo, com palavras e olhos nos olhos. Opiniões desprezadoras, desqualificadoras, costumam vir acompanhadas de agressividade, essa foi uma das lições do mangueio. Eu, como desqualificado social, vendendo artesanato de mesa em mesa, bar em bar, ouvi muitos insultos de pessoas que consumiam nos bares, garantidos como clientes. Eu sabia que se arrumasse problema, não poderia mais entrar naquele bar. E era um circuito de bares que eu fazia, pelas ruas na noite. Então aprendi a reagir de outras maneiras, sem agressividade. Entendia o insulto, às vezes vinham de pessoas típicas da classe onde eu havia nascido, era fácil entender os mecanismos mentais dessas pessoas. Elas que não percebiam com quem estavam tratando, supondo uma inferioridade social que pra mim era claramente falsa, e se surpreendiam com meu trato de igual pra igual, mesmo com todas as diferenças sociais visíveis ali, evidentes. Aprendi a dizer verdades com delicadeza, pra não provocar reações violentas, ao contrário, desfazendo essas possibilidades. E assumir eventuais prejuízos com serenidade, refletindo em como evitar acontecer de novo, o que me passou sem que eu percebesse, o que eu não vi que poderia ter evitado. Eu gostava do meu trabalho e desvalorizações vinham de mentalidades que não me importavam, os que gostavam eram poucos, pero buenos.
Uma vez, num bar da avenida do contorno, talvez esquina com o início da avenida Brasil, em Belzonte, noite de sexta pra sábado, parei mostrando meus brochinhos a um grupo que ocupava uma mesa tripla, na calçada - nesse tempo as mesas eram acessíveis ao mangueio, hoje é tudo fechado, com seguranças pra não deixar abordar -, algumas pessoas estavam olhando, gostando, comentando as idéias, os desenhos, gravados em relevo na chapa de metal. Um camarada do grupo, que estava na outra parte da mesa, se aproximou, olhou os trampos, ouviu as conversas, eu explicando como fazia, desacreditou. "Eu sei onde cê compra isso lá em São Paulo, vim de lá ontem, vi esses brochinhos aí mesmo", apontando pro meu painel. Todo mundo me olhou constrangido, o cara tinha explicitamente me chamado de mentiroso. Eu ri, disse pras pessoas em volta "eu vou tomar como um elogio" e olhei pro cara. Os olhares eram meio desentendidos. Estendi a mão cheia de calos e disse, sorrindo ainda, "cê acha meu trabalho tão bom, que é impossível que eu faça à mão, né isso? Por isso que tá mentindo, dizendo que viu em São Paulo. Esses calos na minha mão devem ser de coçar o saco, né não?", ri de novo, olhando pras pessoas. "Eu é que sei se faço ou não faço, qualquer idéia é livre, todo o respeito." Ele fez um olhar meio confundido, eu completei, "te agradeço o elogio". E fui saindo, já tinha vendido, recebido e encerrado as ligações. "Valeu, pessoal, tô seguindo na lida", acenei, recebi os acenos de volta e segui mesmo, pra outras mesas e outros contatos. As lições eram todo dia, muitas mais do que eu podia absorver. Guardei algumas. Nas memórias profundas, do inconsciente, devem estar todas.
sexta-feira, 17 de setembro de 2021
A realidade é maior que o teatro institucional
Não sinto mais vontade de opinar sobre a cena cotidiana. O desmonte, o derretimento de tudo o que vinha sendo preparado pra começar - isso mesmo, começar - a proteger a vida, a dignidade, o equilíbrio ambiental, pra começar a formar uma sociedade realmente humana, todos os mecanismos institucionais que apenas esboçavam ações de contenção das destruições múltiplas foram sendo desmontados, a céu aberto, a olho nu, coberto apenas pelo oceano de ignorância produzido por uma sabotagem permanente de uma educação verdadeira, pelo modelo de ensino imposto pelo mercado, pela desinformação profunda produzida por mídias empresariais, interessadas no lucro, não na verdade. Aliás, se a verdade estiver no caminho do lucro, ela é destruída, escondida, difamada, destroçada, como temos visto ao longo da vida inteira. A ignorância e a desinformação são fáceis de dominar, controlar, conduzir e enganar por quem tem o controle do conhecimento e da informação.
A cada cena da política partidária, opiniões se digladiam no palco das mídias, ódio explícito, raivas imensas, acusações tenebrosas. As discordâncias são determinantes de inimizades mortais, insultos, deboches, difamações, tudo de acordo com a programação social. Este modelo de sociedade nos ensina a competir, a disputar, confrontar, vencer. Ele não vai mudar por confronto, disputa, conflitando, na luta. Isso é reproduzir as induções sociais, sem capacidade de sequer tocar na estrutura desumana da sociedade. Vejamos o que os poderes sociais mais atacam e aí estarão os seus pavores, suas fragilidades. Todos os governantes que investiram em qualidade de educação e alcance à maioria das pessoas foram difamados, atacados, caluniados, muitos foram derrubados. A ignorância é fundamental pra se manter o controle. A desinformação e a desorganização da maioria são necessidades de manutenção deste sistema social. Esta estrutura precisa, pra se manter, de alienação, superficialidade, precisa evitar a todo custo a tomada de consciência da realidade, a formação de senso crítico.
Hoje, mais que nunca, vejo discussões carregadas de ignorância, preconceito, desinformação, mentira, agressividade e destruição. Há quem saia por aí procurando briga, há quem se deixa levar toda hora, diante de qualquer provocação, de alguém ou da vida. Nunca me interessou uma discussão sem proveito, uma disputa que acaba frequentemente em insultos, às vezes em sopapos, sempre em mal estar. Não creio que seja um bom objetivo. Uma boa discussão termina com a gente satisfeita e acrescida em alguma coisa, um entendimento, um aprendizado, um desenvolvimento. Se não for assim, é perda de tempo, de energia e de paz.
Vejo mais claro que nunca a encenação das marionetes dos falsos "poderes públicos". Assim como os mecanismos subterrâneos por onde os verdadeiros poderes controlam a sociedade, tanto nas instituições do Estado quanto no controle das comunicações - usadas na condução de "opinião pública", na distorção da realidade, da distração alienante, na superficialização do pensamento, na hipnose coletiva do massacre publicitário, na desinformação criminosa, na criação de valores e comportamentos, tudo de acordo com os interesses de um punhado de podres de ricos pobres de espírito. Não é preciso derrubar esses parasitas, basta parar de se comportar, de querer, de valorizar o que somos induzidos e criar (ou reconhecer) os próprios valores, comportamentos, desejos, objetivos de vida... Um "basta" bem mais profundo do que pode parecer. Mas faria ruir num instante este sistema social injusto, perverso, covarde e suicida. Tão suicida que seu fim está se aproximando.
Explodem vulcões, sacodem terremotos, derretem os pólos do planeta. Há água contaminada em todo o planeta, por venenos agrícolas, da mineração, dos resíduos industriais, águas, terras e ares. O clima se torna mais violento, o nível do mar sobe. Todos os sinais previstos e avisados ao longo do século passado, por "malucos" que foram totalmente ignorados - pela mídia e pelos poderes tanto públicos quanto econômicos - quando não atacados, difamados, ridicularizados, perseguidos ou mortos. Mas avisos não faltaram. Quem acompanha os acontecimentos no mundo está vendo as mutações planetárias em curso, em ritmo mais acelerado que nunca. Se acentuam as migrações, o movimento de populações sobre os territórios. Com as mudanças climáticas, somadas ao movimento do eixo da Terra, essas migrações serão em massa e modificarão toda a geo-política mundial, todas as fronteiras e todos os países.
O planeta está em processo de transição, alguns sabem, outros intuem, sentem, muitos não têm idéia, alienados pelo próprio sistema social que entra em agonia, nos espasmos do fim, da mutação forçada pelos acontecimentos. Essa pandemia é um sinal grande e abrangente do início da pressão a que estaremos submetidos por algumas gerações, até o nascimento de um outro modelo social, menos perverso, mais solidário, menos injusto, mais humano - no sentido de que o ser humano e seu desenvolvimento estará no centro de importância, a miséria, a ignorância, o desabrigo, a fome deixarão de existir, as necessidades básicas serão supridas pra que a gente possa alcançar outros patamares de relações, outros níveis de percepção, de contatos e desenvolvimentos como humanidade planetária.
A divisão está sendo feita em todos os planos terrestres, revelações vêm sendo feitas entre nós, se mostram perversidades onde antes não se mostravam, familiares e amigos se espantam com personalidades que antes pareciam tranquilas, pacatas, inofensivas e "passaram a ser" agressivas, intolerantes, odiosas, destrutivas. A vibração pessoal se escancara e a divisão é clara. A humanidade atinge o patamar da solidariedade, da harmonia e do equilíbrio social e os obstáculos vão se definindo e sendo retirados, pouco a pouco. Os que vibram no peso da maldade, do egoísmo, do conflito, da destrutividade estão sendo levados a orbes mais sintonizados com a sua freqüência - pra seguirem sua evolução em locais mais apropriados às suas necessidades, ao mesmo tempo em se "limpa" o caminho do desenvolvimento da humanidade. Será uma migração em massa interplanetária.
Somos ainda primitivos espiritualmente e temos o infinito e a eternidade pra nos desenvolver. Causando, colhendo consequências, refletindo, aprendendo, praticando a vida. Do mesmo jeito que estamos num ponto de desenvolvimento inimaginável aos nossos antepassados, alcançaremos compreensões, conhecimentos, movimentos e relacionamentos que ainda não podemos sequer imaginar. Embora esta, a imaginação, seja uma grande ferramenta de pesquisa e projeção, ela se baseia sempre na realidade do agora. A minha me permite entrever a comunicação interplanetária entre diversos sistemas e civilizações, assim como entre dimensões vibracionais, de matérias distintas. Penso que a ciência está perto de descobrir, cientificamente, a existência das dimensões espirituais. Daí à comunicação direta, será um passo.
sábado, 14 de agosto de 2021
Vai ser preciso superar e reconstruir.
O planeta está nos dando um sacode bem dado e bem merecido, pra gente tratar de se estruturar em uma sociedade onde o respeito esteja em lugar prioritário. Onde o ser humano e o equilíbrio planetário estejam no centro da importância social. As próximas décadas serão de intensivão em todo lado, a mutação que já é permanente, agora se apressa na pressão. É preciso colher o que foi plantado, assumir as responsabilidades e superar as dificuldades que virão. Algumas gerações vão passar nesse trampo de resgate e reconstrução. Depois, estarão lançados os alicerces da nova sociedade, fundados nos sentimentos afetivos, na solidariedade, no sentimento de família humana.
"No hay mal que para bien no venga." Se perde o bem que pode vir, quando prevalecem sentimentos de revolta ou depressão. Sem aqui estar julgando, muito menos condenando os que se revoltam ou deprimem. Cada um tem seus caminhos, suas condições, sua situação no mundo e seus aprendizados a fazer de todas as maneiras, a cada um de acordo com suas necessidades espirituais. E eu percebi que ganho muito mais paz de espírito me reconhecendo incapaz de alcançar todas as razões de cada atitude em suas raízes mais profundas. E passando longe de exercer a arrogância de andar por aí apontando o dedo pros erros alheios, atitude inútil e, no mais das vezes, destrutiva. Meu senso de justiça não me dá o direito de julgar. Posso analisar as atitudes, relações, acontecimentos, sem chegar a "veredictos", mas sim a percepções, aprendizados, sempre observando e absorvendo - ou tentando, praticando, desenvolvendo. Posso determinar, pelo meu sentimento, do que me aproximar e do que me afastar. Não por julgamento, mas por uma questão de sintonia. Ou dessintonia.
sexta-feira, 16 de julho de 2021
Espiritualidade em evolução
A espiritualidade não precisa de religião. Ela é exercida na vida prática, nos relacionamentos, na conduta, na forma de se relacionar com o mundo, com as pessoas, com as coisas e com os acontecimentos. Na agressividade ou na serenidade, na cobrança e na acusação ou na compreensão e no acolhimento, na generosidade ou no egoísmo, na humildade ou na arrogância. Nos sentimentos que se produz em si mesmo e nos que se causa nas pessoas em volta. Há espiritualidade em todas as religiões – e fora delas. Em todos os níveis. Não depende da religião, mas da alma de cada um. Não importa no que se acredita, não importa se não se acredita em nada. É no comportamento que se revela o que se é, não na crença.
A escolha de como tratar com a espiritualidade é direito de
qualquer um, a ser respeitado coletiva e individualmente. Um desenvolvimento social
e individual ainda muito pouco alcançado, pelo que se vê no mundo, religiões
primitivas, ignorantes e arrogantes, demonizando e atacando outras formas de
espiritualidade, sejam quais forem, desde que diferentes da sua. Ainda não se
alcançou o estágio de humildade pra reconhecer a própria pequeneza e a
incapacidade de compreender dimensões inalcançáveis pela razão humana. Embora se
possa perceber o desenvolvimento ao longo do tempo, de anos a milênios. Do
individual ao coletivo.
Há quem não perceba, há quem negue e é direito de qualquer um
negar. É a contraposição aos que definem o indefinível, explicam o
inexplicável, concebem o inconcebível e impõem sob ameaça – ou se acredita, ou
se está condenado ao sofrimento eterno do inferno. A arrogância de estar em
contato direto com o “supremo ser do universo”, um universo que nem conhecemos
ainda, acaba criando um deus de características humanas, vaidoso e vingativo,
com exigências tenebrosas e ameaçadoras, promessas de felicidade e prazeres – ou
sofrimentos torturantes – ”por toda a eternidade”. Pobre ser humano
inconsciente ainda do seu próprio desenvolvimento espiritual, empurrado à
frente pela força dos acontecimentos, levado pela mutação permanente que é uma
das leis que se podem perceber claramente – mas que, em geral, não se leva em
conta. Ainda.
Vai se percebendo, muito pouco a pouco, que a espiritualidade
verdadeira está na solidariedade prática, no sentimento de família humana, de
pertencimento à natureza, no comportamento afetivo, generoso, igualitário e
respeitoso. Que as necessidades materiais são muito menores que as necessidades
espirituais, que o corpo abstrato – sentimento, pensamento, caráter, desejos,
objetivos de vida, visão de mundo – é muito mais importante e duradouro que o
corpo físico. Que a verdadeira satisfação pessoal está diretamente ligada à
satisfação coletiva. Vai se descobrindo, no íntimo de cada um, e se percebendo,
pelos exemplos que aumentam no convívio social, sem barulho, sem chamar a
atenção – a não ser dos atentos, exceções às regras. Ainda.
segunda-feira, 5 de julho de 2021
Uma entrevista em duas partes, com a jornalista moçambicana, em Portugal, Conceição Queirós.
https://www.youtube.com/watch?v=zotESkhAj50&t=147s
https://www.youtube.com/watch?v=iN9UrCDcL7E&t=10s
segunda-feira, 21 de junho de 2021
Fábio Júnior pacifica a vila
Prudente de Morais, Minas, 1991. Uma pequena vila de cerca de vinte casinhas, do mesmo dono, feitas pra serem alugadas. No meio das casas, um espaço aberto, sem calçamento, de terra, pedras e mato, servia às brincadeiras das crianças. Brisa tinha nove anos, Adhara sete e Ravi, três.
De repente, um desentendimento no grupo. Parou a brincadeira, dois meninos se espinharam, um acusando o outro. Já havia chegado um “irmão grande” pra resolver a parada, de cara feia, ameaçadora. O protegido apontava o oponente com o braço esticado, desfiando acusações sobre um adversário desconfiado, acuado pelo tamanho do recém chegado.
Ravi estava de castigo por ter atirado uma pedra em Adhara, não podia sair de casa mas podia ficar na janela - porque não tinha acertado a pedrada -, onde se epoleirou e participava, aos berros, das brincadeiras, com os pés no batente e a mão segura no alto da janela.
Na tensão do momento, aliviada por vários olhares adultos que pararam pra observar – como garantias de não violência – Brisa cochichou no ouvido de Adhara, que repetiu imediatamente o que ouviu, em voz alta, “ele parece o Fábio Júnior!”
Todas as atenções foram centralizadas no moleque maior, tanto do grupo quanto dos olhares em portas e janelas. O rapazinho que começava a falar com brabeza, engasgou, sem graça, e Ravi soltou uma gargalhada aguda, repetindo aos gritos, “Fábio Jú-niô! Fábio Jú-niô! Fábio Jú-niô! Fábio Jú-niô!” Várias risadas soaram, alguém comentou, “parece mesmo!”
O protetor se voltou contra o protegido, “olha aí o que cê me arrumou!” E bateu em retirada, resmungando. Risadaria geral, todos voltam aos seus afazeres, a brincadeira é retomada, menos pra Brisa e Adhara, que estão sentadas na calçada, dando uns minutos de risadas.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
Respondendo ao Intercept
Fui procurado por Fabiana
Moraes, jornalista do Intercept, pra responder a umas perguntas por conta de um
artigo a ser escrito por ela e publicado uns três dias depois. Eu estava em
Niterói, tinha vindo com o pretexto de tomar uma vacina anti-covid, que foi
suspensa porque acabou, buscar material de trabalho, imprimir o mais que
pudesse – a mesa de impressão é muito pesada, na área onde estou ainda não
tenho espaço nem condições pra levar. Vou levando aos poucos, conforme o
caminhar das coisas. Mas voltando ao assunto, disse a ela da minha correria, na
noite seguinte partiria pela Dutra e iria respondendo por áudio. E a correria
continuou, separando ferramentas pra levar, papéis, telas, roupas, arrumando
tudo, até a noite seguinte. A saída foi uma e meia da manhã, chovia muito e a
estrada exigia toda a atenção, ou seja, não deu pra responder. Chegamos
amanhecendo o dia, eu estava bem cansado, tanto que não consegui dormir até
umas nove da manhã. Caí das nove às quatro da tarde, acordei meio zonzo, o
braço inchado – ah, não falei que eu tive uns bernes no braço, tirei com babosa
e tava tratando, quando peguei um sabonete medicinal e uma pomada com base de
própolis que tinham, sem que eu soubesse, um componente que tem me dado uma
reação violenta, me incha a cara e várias partes do corpo, dá uma coceira enorme.
Por ser um componente mínimo no total, a reação não foi tão violenta, mas
estendeu em muito o tratamento, que até se tornou meio cotidiano. Quando
acordei, não tava nada bem. E por um tempinho, esqueci completamente das
perguntas, ocupado em tratar – chá de gengibre, alho cru e mastigado, babosa no
braço, chá de sempre-viva (que muitos chamam de “penicilina”), cabeça pesada,
um sono danado, dormi. Quando acordei, já ia longe o último prazo que eu tinha
pra mandar as respostas, eu tinha me desculpado com ela por não ter gravado na
Dutra e ela me disse que se eu mandasse pelo menos uma resposta até o dia
seguinte antes de meio-dia, daria pro artigo. Mas não deu, não pude, não tava
bem, foi muito em cima e num momento difícil mesmo pra dispor um tempinho de
cabeça fria pra concatenar as idéias. De qualquer forma, o artigo saiu, eu li
hoje e... puxa vida. Muita desinformação e distorção. Fui misturado à direita e
a “gurus”, me colocaram opiniões que não são minhas, distorções não sei se
intencionais ou não, mas distorções. Como é um artigo do intercept, que
respeito desde as revelações da vaza-jato – inclusive comprei o livro – resolvi
fazer um apanhado no que foi publicado a meu respeito e manifestar minha opinião,
sem querer ofender ninguém, só tentando esclarecer. Trouxe aqui apenas a parte
que me diz respeito, entre aspas.
“A mão pesada da digitalização
vai capturar, vejam só, mesmo aquelas e aqueles que, em nome do juízo e da
espiritualidade, procuram se manter “fora” da internet. É o caso do artista e
palestrante Eduardo Marinho, que possui uma significativa base de fãs e
seguidores nas plataformas: um de seus perfis no Instagram, o
@eduardomarinho.viacelestina (mantido por um apoiador), conta hoje com 386 mil
seguidores, enquanto o documentário “Observar e Aprender” (2016) tem mais de 3,3
milhões de visualizações no YouTube.”
Primeiro, não procuro me manter
“fora” da internet, já que tenho páginas no feice – uma pessoal e duas
fanpeiges – e um canal no youtube, aberto por mim no ano passado, de tanto ouvi
pessoas comentando sobre “meus vídeos”, sem que eu mesmo tivesse feito nenhum.
Eram todos feitos por pessoas ou coletivos que postavam em seus próprios
canais. O primeiro computador me foi dado, sob a alegação de que eu “precisava”,
e ficou desligado um tempão – pensando “não sei mexer nisso, posso estragar, se
quebrar não tenho grana pra consertar, então deixa aí”. Mas logo amigos do meu
filho me ensinaram a ligar pra ver o gúgol, depois abri um endereço eletrônico
e comecei a me corresponder, encontrar pessoas que tinham passado pela minha
vida e sumido, contente da vida. Então conheci Márcia, ativista social, que me
intimou com o dedo na cara, “tu tem a obrigação de escrever tudo isso que fala”.
E abriu um blogue, o observareabsorver.blogspot.com. Isso tudo por conta de um
vídeo gravado comigo enquanto eu expunha meu trabalho na rua, no bairro de
Santa Teresa, no Rio. Havia trinta anos que vivia do meu trabalho, sempre
vendendo nas ruas, nos bares, nas praças, em frente a escolas, e estava
satisfeito, um trampo que provocava reflexão, questionamento, conversas
produtivas, enfim, tava satisfeito. Mas a internet caiu na minha cabeça sem eu
chamar e, quando vi, estavam me reconhecendo por aí, de vez em quando.
O instagram Via Celestina foi
aberto e administrado sempre pelo Hare Brasil – que foi quem Fabiana procurou
pra me contactar. Já nas filmagens do primeiro filme, Via Celestina, ele
tentava me convencer a abrir um instagram e eu recusava. Já tinha ocupação
demais com internet e precisava trabalhar pra me manter, porque nunca aceitei publicidade
nas minhas coisas, nada meu é “monetizado”, ou seja, não banca minha vida e
minhas despesas. Meu trabalho é exclusivamente manual e precisa de tempo pra
ser feito. Como o Hare percebeu que eu não iria abrir instagram nenhum, sugeriu
ele mesmo abrir, pra divulgação do filme. Tanto que Via Celestina está no
título. Nunca fiz uma postagem, nem controlei, o Hare sempre fez o que quis.
Lembro de uma única postagem que vi e discordei, pedi pra tirar e ele tirou.
Nem lembro o que era. Depois disso, pouco vi a mais, ficou por conta dele.
Quando fazíamos já a viagem do segundo filme, Transição, ele usou o insta pra
várias coisa, inclusive “ao vivos” pra arrecadar grana, pois a viagem foi
interrompida pela pandemia e ficamos seis meses em Cavalcante, na chapada. Ali
ele me pediu pra “autenticar” o insta, pras pessoas verem que era eu mesmo por
trás daquela página. Passei dados pessoais e o sinal verde foi concedido. Assim
foi terminado o filme, a covid começou a chegar por lá e resolvemos voltar.
O Hare foi pra Santa Catarina,
trabalhar com música, que é mais o que ele quer na vida. O que tínhamos pra
fazer, havia sido feito e não foi pouca coisa. O instagram ficou “autenticado”,
cheguei a falar com ele pra “desautenticar”, mas parecia impossível, teria que
apagar a página segundo ele, eu podia pedir outra autenticação pra página que
minha filha tava abrindo pra mim, mais próxima, e não se desautenticou. Senti
um desconforto, afinal foram dados pessoais que passei pra a empresa lá colocar
um sinal “autenticando”. Mas como não teve jeito, não disse mais nada. Cada um
tomou seu rumo e sua vida pra cuidar. Eu vim pra uma terra que uma filha minha,
depois de viver no exterior, trabalhar em navios de cruzeiro e se estabelecer
de volta no Brasil, comprou mas nunca ocupou. Nem cerca tem por aqui, estou
começando do começo, já que não dá pra expor e aglomerar, que era do que eu
vivia.
O documentário Observar e
Absorver – citado no artigo – foi feito em 2015, por Carlos Marques Júnior, o
Júnior SQL, no embalo de uma série de vídeos que eram feitos comigo, na rua
mesmo, por diversas pessoas. E antes tive participação em outro, pouco
conhecido, “Escafandristas – cifrões, padrões e exceções”, de Victor Belart, um
média metragem que acho valer a pena assistir, tem utilidade coletiva.
“Marinho vem há décadas
circulando pelo país e falando, seja nas ruas, nos bares ou em auditórios,
sobre desigualdade social, a crueldade de nossa elite política e econômica, os
resultados desastrosos de uma sociedade que fomenta e privilegia a competição.
São críticas extremamente necessárias e também bem comuns no campo da esquerda.
Articuladas em nítida separação da esfera política e centradas na ação
individual, no entanto, elas vão se encontrar com o discurso perpetrado
por bolsonaristas e afins: se no fim, “é tudo ladrão”, vamos quase todos em
busca de um Messias. E estamos sentindo na pele que essa estratégia não dá
certo.”
“Circulando pelo país” é tão
genérico, superficial, não dá a menor idéia da história. Depois de anos na
estrada, já com uma filha pequena, fazendo brincos, pulseiras, colares, sapatos
de criança, bolsas, pão integral de vários tipos, cheguei em Salvador sentindo
necessidade de colocar no meu trabalho o que me engasgava na realidade que eu
estava vendo. De colocar o que eu sentia, o que eu pensava, pra expor ao mundo
e viver disso. Não eram “críticas”, embora haja espaço pra essa interpretação,
não era isso o que eu sentia. Era o que eu via, o que eu sentia, o que eu
pensava diante do mundo, usando também pensamentos de outros que dissessem o
que eu pretendia que fosse visto no meu trabalho. Esse papo de “é tudo ladrão”
nunca saiu da minha boca, minha visão sobre a política institucional é algo
mais profunda que isso. O que vejo é o esmagamento do poder econômico-financeiro
determinando políticas ditas “públicas”, é o Estado como um Robin Hood ao
contrário, permanentemente roubando a maioria mais pobre pra dar a podres de
ricos já privilegiados demais diante da miséria. Que existem pessoas bem
intencionadas, honestas e conscientes lá dentro, é óbvio. Exceções há em
qualquer coletividade. E há serviço em toda parte, não vejo a política exclusivamente
partidária, que me parece mais um teatro macabro de marionetes, dominado dos
bastidores com o apoio total da mídia.
Meu trabalho é político, onde
há qualquer comunidade há política, onde há polis, há política. Essa indução de
que só há política nos partidos é apenas uma a mais, validando a estrutura
dominada, como se vê, como se estampa com a existência permanente da miséria,
do abandono, da sabotagem da educação, dos crimes constitucionais cometidos
pelo Estado contra a população desde o império, desde a colônia, desde que
chegaram por aqui os europeus. Esperando um “Messias”? Aí eu desconfio que a
Fabiana não me viu mesmo falando, sempre rechaçando essa história de guru,
várias vezes afirmando que não sirvo de exemplo pra ninguém, sempre deixando
claro que o olhar de admiração não me aumenta em nada, do mesmo jeito que o
desprezo que encarei por trinta anos não me diminuía em nada, eu sabia bem que
não tinha sinais sociais de respeito, artista de rua, mangueador e pobre – o desprezo
partia de mentalidades bem conhecidas, induzidas, condicionadas a respeitar a
propriedade, não a pessoa. Não tinha porque me abalar.
“Várias falas de Marinho
apontam para isso: ele sugere sempre que a solução dos problemas não está no
sistema político (“podre”), critica a medicina (“é patrocinada pelos
laboratórios”, diz no documentário citado), critica o pensamento intelectual
(“teórico não gosta de ir para a rua”, no mesmo doc). Assim, joga fora não só a
água suja da banheira, mas também o bebê dentro dela, contribuindo para o
discurso anti-universidade e anti-ciência que, por exemplo, foi propalado pelo
infelizmente inesquecível ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub.”
Eu não sugiro “solução dos
problemas” nenhuma, não tenho um plano infalível pra derrubar o capitalismo.
Não digo que o sistema político é podre – mais uma generalização e uma
atribuição falsa – digo que a estrutura social é injusta, perversa, covarde e
suicida. E que a política partidária é uma encenação safada, onde as minorias
privilegiadas têm amplo acesso aos poderes e a população é amplamente enganada,
excluída e sabotada. Não vejo solução nem saída, vejo um caminho sendo seguido
pela humanidade há milênios, vejo mutação permanente em tudo, nascemos num
processo de mutação e morremos nele, temos umas décadas pra participar desse
processo multimilenar que não começa quando nascemos e não termina quando
morremos.
A medicina e seus cursos são
infiltrados por laboratórios e pela indústria da medicina, é minha opinião
mesmo. Daí o modelo de medicina lucrativa, que não se interessa por saúde - não dá grana -, que despreza a medicina preventiva - pois é a doença que dá lucro. E
não só a medicina que está dominada, a academia, como centro de produção de
conhecimento, não seria deixada de fora do controle social pelos parasitas
sociais. Daí a gente ver tanta arrogância, tanto afastamento da população,
tanta disputa de egos, tanta fragilidade social. O que vale são as exceções
acadêmicas, e eu conheço muitas, em geral discriminadas, ironizadas, às vezes
perseguidas e excluídas.
Ainda na minha opinião, o
conhecimento é restrito a uma “elite intelectual” minoritária, que são os que
vão comandar, administrar, supervisionar a massa roubada em seus direitos,
construída pra ser mão-de-obra barata, profissionais de baixa qualificação,
gente explorável, enganável, conduzível pelo massacre midiático, publicitário e
ideológico. O acesso dos periféricos, dos sabotados, roubados no seu direito
constitucional ao ensino pleno, é fundamento pra se pensar em harmonia social
no futuro.
Abaixo a moça continua me
atribuindo equívocos, pra dizer o mínimo. Eu fragilizar a universidade? De onde
vem isso? “Simplesmente implodi-la”? Eu queria que a universidade se abrisse a
todos os que quisessem, em vez de formar “elites”, inflando egos e egoísmos,
orgulhos e vaidades. Queria que ela se abrisse geral, que conscientizasse os “formandos”
da responsabilidade social de quem acessa direitos negados à maioria. As
afirmações da jornalista estão longe da minha realidade. E ainda me liga a esse
presidente aí... fico imaginando se é dificuldade de interpretação, ignorância
ou má-fé.
“Assim, Marinho também
fragiliza a universidade, que pode ser um caminho para amenizar a desigualdade
social que ele critica (como professora de uma no interior de Pernambuco, vejo
esse fenômeno acontecer constantemente). Também não aponta que uma maior
participação de grupos que estiveram historicamente afastados da política
institucional – mulheres, pessoas negras, pessoas indígenas, pessoas
transsexuais, etc – seja uma das formas de modificá-la por dentro, em vez de
simplesmente implodi-la. Foi esse sentimento de destruição que, no fim, nos
trouxe Bolsonaro, e não há fractal, chá de hibisco, cordel ou jejum detox que
neguem isso.
A romantização da pobreza e o
elitismo também são marcas das celebradas falas de Marinho. Em uma aparição no
programa Pânico, da Jovem Pan (forte apoiadora do presidente Bolsonaro), ele discorre
sobre sua experiência de abandonar a classe média para viver nas ruas. “Eu
queria não ter nada. Eu queria me aproximar dos pobres e não conseguia. Deles,
eu só via olhar de igualdade quando estava com aspecto mendigo também”, diz em
um trecho.”
Quem marcou a entrevista na
Jovem Pan foi o Hare, eu só tomei consciência de onde estava quando cheguei no
estúdio – até na portaria a kombi foi barrada, até os caras da rádio mandarem
liberar. E contrastou demais com os carros na garagem. As falas estão
deslocadas aí, cada uma tem um contexto diferente. Tô achando que a intenção da
mina era me difamar mesmo. Ela é quem deve saber dos seus motivos, porque eu
ignoro. E também não me importa, porque difamação já tive bem piores, mais
profundas e doloridas. Mas quando leio que “a romantização da pobreza e o
elitismo também são marcas” das minhas “celebradas” falas, percebo uma
distorção completa e um talvez motivo pra toda essa distorção do que sou, faço
ou quero. “Celebradas” demonstra um incômodo com a receptividade do que digo há
quarenta anos, trinta sob desprezo e dez sob admiração exagerada. Pra mim, é
óbvio tudo o que falo, tá na cara de quem quiser ver – muito embora poucos
queiram de verdade.
“Em uma animação baseada em uma
palestra do artista, publicada em dezembro de 2019 no perfil
@eduardomarinho.viacelestina, ele explica que a pobreza (“estas pessoas”, como
o artista se refere), por falta de acesso a uma melhor educação, tem
“bloqueada” a capacidade da racionalidade. No lugar desta, a população de menor
renda tem desenvolvida a sua “intuição”. Aqui, o homem que abandonou uma vida
de conforto para construir uma existência na pobreza anti-sistema fomenta uma
clássica hierarquização na qual pessoas pobres – e também mulheres – são
conduzidas não também por suas capacidades racionais, mas pela emoção. Esse é
um argumento classista, machista e racista já visto no discurso de nomes como
Paulo Guedes, para quem filho de empregada doméstica e de porteiro não devia
entrar na universidade. No artigo “A emoção é negra, a razão é helênica?”, o
pesquisador Deivison Faustino analisa justamente essa questão pelo viés racial.”
Intuição no lugar da razão?
Mais um disparate. Não há como acontecer, são complementares, sentimento e
razão. O que disse é que, como quando se perde um sentido os outros se
desenvolvem, a sabotagem institucional do desenvolvimento racional, através de
uma educação que merecesse o nome, acaba causando o desenvolvimento intuitivo,
que foi o que mais admirei nos de baixo, além da força interna descomunal pra
encarar dificuldades materiais imensas e cotidianas.
“A questão é que o charme e o
apelo de ser contra-tudo-que-está aí não nos oferecem alternativas palpáveis de
ação e, sem elas, continua tudo-o-que-está-aí. A maioria da população
brasileira, que vive na pobreza, gostaria de ter à mão alguns “confortos”
possíveis à classe média brasileira da qual Marinho preferiu sair – e não estou
falando aqui de carros, geladeiras e processadores, mas de saneamento básico,
saúde e segurança, por exemplo.”
Mais uma vez a Fabiana me
coloca como um idiota, atrás de “charme” com o “apelo de ser
contra-tudo-que-está-aí”. Totalmente fora da realidade. Não fosse pelo
intercept, nem responderia nada, só desprezaria esse texto como inútil. Mas é
mais que inútil, é mal intencionado, é mau caráter, afirma a meu respeito
desqualificações que não correspondem à realidade, tenta me ligar à essa figura
nefasta que ocupa a presidência da república, força a barra de aproximar meu
pensamento da mentalidade rasa, ignorante e agressiva dos seus seguidores e
apoiadores. Faltou honestidade, sobrou distorção e veneno.
Só pra encerrar, reafirmo. Não
tenho e nunca tive intenções de visibilidade – o que aconteceu não foi por
iniciativa minha, eu só estava sendo o que sou quando vieram câmeras e fizeram
vídeos. Depois foram os convites pra palestras – que eu até estranhei, “ué, não
tenho nenhuma qualificação acadêmica, que que cês querem comigo?” perguntei
logo na primeira chamada. Não ganho grana com vídeos, não procuro seguidores,
não faço “turbinamentos”, não me preocupo com essas coisas, não sou um “youtuber”
como tantos por aí, ninguém me viu pedindo likes, curtidas, sininhos e sei lá o
quê mais. Vivo do meu trabalho manual há quarenta anos e continuo vivendo, é
minha fonte de renda. Não estou me comunicando por interesse, mas por espírito
de serviço coletivo. A única coisa que ganho é a satisfação de ver pessoas
dando proveito. Não estou preocupado em agradar ninguém nem de manter “seguidores”
em lugar nenhum. Nem essa palavra me agrada.
Se me pedirem, publico as
perguntas que a Fabiana Moraes me enviou, com as devidas respostas. Eu ia
mandar pra ela mas, depois que li o artigo, desisti. Não vale a pena. Acho que
ela não percebe que tá me dando um cartaz de graça, com essa difamaçãozinha.
Seria melhor me ignorar, irmãzinha, afinal eu sou só um artista de rua, sem
qualificação nenhuma, olhando o mundo e dizendo o que tá vendo. Sem referências
de ícone revolucionário europeu-acadêmico, só no atrevimento da inguinorança.
Link do artigo completo - https://theintercept.com/2021/05/04/entre-cloroquina-namaste-conheca-direita-gratiluz/